domingo, 4 de maio de 2014

Projeto Alternativo Arte Livre Maguari – PALMA









Em meado da década de 90, foi executado o Projeto Alternativo Arte Livre Maguari – PALMA, no conjunto residencial “Jardim Maguari”, sendo coordenado pela Associação dos Moradores do Conjunto Maguari – UMOJAM.






Em sua apresentação enfatiza que nos primeiros anos da década de 80, dava-se início a entrega das chaves das casas do Conjunto “Jardim Maguari”, localizado no Km 09, da Rodovia Augusto Montenegro. Este audacioso empreendimento imobiliário foi projetado distante do centro de Belém, afastado dos bairros populosos e consequentemente de seus problemas sociais. Pioneiro em residenciais do seu porte e da sua estrutura no município de Belém foi arquitetado para ser um residencial típico de uma “classe média” em ascensão, algo como uma cidadela que concentrasse num mesmo espaço físico-geográfico, estimado em mais de quatro quilômetros quadrados de conforto, comodidade, tranquilidade e segurança.






Construído em duas etapas pelas financeiras “Socilar” e “Vivenda”, atualmente ambas em liquidação. Este grandioso projeto nunca chegou a ser concluído. Pensado para acomodar 2.500 casas, diferenciadas em cinco padrões A, B, C D e, sendo os tipos A e B no padrão colonial, todas com amplos terrenos, distribuídas em trinta e três espaçosas alamedas e duas avenidas centrais, com “áreas livres” para projetos de quadras poliesportivas, mercado, escola, posto de saúde, praças, áreas verdes e espaços de lazer, muito disso ficou apenas no papel.







Historicamente projetado numa época de crise social, o “Conjunto Jardim Maguari”, cresce justamente com a insatisfação popular pelo “lento e gradual” processo de “redemocratização” político no Brasil, promovido pela ditadura militar. Esta insatisfação é demonstrada pela indignação popular na luta por justiças política, econômica e social. A construção do “Conjunto Jardim Maguari” que deveria ser destacada pela grandiosidade do empreendimento, foi marcada pela onda do movimento popular que assolava as principais capitais do Brasil. Desencadeando assim um processo de “ocupação” das casas do Conjunto em construção, caracterizado neste momento histórico pela bandeira popular da “Luta pelo Direito de Morar” e pela “reforma urbana”.





A partir desse momento o projeto de construção residencial “Jardim Maguari” muda de rota e transforma-se num palco de conflitos entre os ocupantes das casas e as financeiras Vivendas e Socilar, representadas pela Policia Militar. Neste período, é fundada em 07 de dezembro de 1983 a União dos Moradores do Jardim Maguari – UMOJAM, associação dos moradores que no início da sua fundação caracterizou-se pela luta de transporte, da escola e energia, mas destacando-se principalmente na “Luta pela Moradia”.  Em virtude disso, além das ocupações das casas do residencial, muitas “áreas livres” que eram destinadas a equipamentos comunitários e de lazer foram também ocupadas e as áreas que ainda hoje são preservadas livres não estão sendo utilizadas na forma de lazer comunitário como era o seu destino original.






Atualmente com mais de 3.500 famílias, algo em torno de 18 mil pessoas, se procurarmos as formas de lazer infanto-juvenil que são desenvolvidas no Conjunto Maguari, principalmente no horário noturno, veremos que a mesma é inexistente. A falta de espaços comunitários para a prática saudável do lazer leva grande número de adolescentes e jovens ao consumo de drogas, principalmente o álcool. Outros associam uma forma de “lazer perigoso” com a necessidade de autoafirmação pessoal, envolvendo-se em violência e marginalidade social.







Com a problemática da ocupação que assola, até hoje, a vida dos moradores do Conjunto Maguari, o mesmo tornou-se mais um dos palcos de concentração de problemas sociais das grandes cidades, tais como: faltam de saneamento adequado, dificuldades econômicas, ocasionando o desemprego e a falta de oportunidades educacionais e culturais, essenciais ao desenvolvimento de qualquer sociedade. Tais carências estruturais proporcionam um alto índice de violência por parte da crescente concentração de jovens, que sem perspectivas básicas educacionais, importantes para formação sociocultural de seu caráter, começam a prática quase que autodestrutiva atuando, principalmente em “gangs” de pichadores e de rua, que com frequência digladiam-se nas noites no Conjunto.





Percebendo a necessidade de alternativas nas áreas de lazer, esporte e atividades culturais e, ainda, observando possibilidades de construção de novos empreendimentos nos terrenos que foram preservados, ou seja, não ocupados e percebendo a escola como palco de novos projetos extraclasses e de envolvimento comunitário, a Associação dos Moradores do Conjunto Maguari – UMOJAM, gestão “Alternativa Popular”, teve a iniciativa de elaborar o Projeto Alternativo Arte Livre Maguari – PALMA, visando associar arte, lazer, esporte e educação popular ao cotidiano dos moradores do Conjunto Maguari, buscando, de sua dessa forma, melhorar a qualidade de vida de sua comunidade associado à construção da cidadania.


Na justificativa, o Projeto Alternativo Arte Livre Maguari – PALMA é construído a partir da análise e reflexão acerca das relações sociais que se reproduzem na sociedade capitalista. Este projeto nasce como uma forma alternativa de combater ao nível crescente de violência entre jovem do Conjunto Maguari. O PALMA nasce também como alternativa de combate a exclusão social de jovens e crianças que se veem obrigados a procurar espaços da rua para prostituírem-se ou nela viverem, ocasionados pela falta de políticas públicas que lhes possibilitem condições de desenvolver suas potencialidades, quer seja através de uma política educacional voltada à sua realidade, ou pela ausência de uma política de geração de emprego e renda a seus familiares.


Os conflitos familiares traduzidos pela relação autoritária, hierárquica e discriminatória entre pais e filhos, o abandono, descaso e banalização de princípios de solidariedade, igualdade, amizade e cooperação, promovidos pela grande mídia, também, são fatores causadores de malefícios sociais aos jovens.


É a partir desta análise que a Associação dos Moradores do Conjunto Maguari - UMOJAM, propõe a implantação e implementação do Projeto Alternativo Livre Maguari -PALMA, que obedecerá a um processo de criação de grupos de teatro, música, esporte, dança e artes plásticas, envolvendo crianças, jovens, adultos e idosos que desenvolverão atividades artísticas, esportivas e culturais através de oficinas, possibilitando, assim, a construção e reconstrução de práticas sociais vivenciados por homens e mulheres visando a transformação da sociedade baseada em princípios éticos e solidários.  


No objetivo geral, a UMOJAM com o PALMA, se propõe formar, a partir da arte, lazer, esporte e educação popular pessoas com senso crítico e potencialidades de serem verdadeiros atores sociais na construção da cidadania.  








                                                                                

Um comentário:

  1. Preciso fazer parceria com a associação de moradores pois quero viabilizar o projeto de MKT e incentivar investidores pra se instalarem no condomínio no seguimento da gastronomia, saúde, lazer e entretenimento. Me ajude.

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