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domingo, 17 de maio de 2026

Atuação como educador no Estado do Pará

 

 


Após minha formação pedagógica no antigo CTRH, em maio de 1989, ingressei no Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), política pública da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA) voltada aos municípios e localidades mais distantes, onde não havia oferta regular de ensino médio. Nas comunidades do interior, vivi uma experiência singular e muito enriquecedora, pois continuei desenvolvendo o resgate de suas histórias e memórias, utilizando a história oral como recurso metodológico nas práticas educativas, com foco no ensino médio e, em Abaetetuba, no ensino fundamental maior.

 



Em minhas andanças pelos rincões do Pará, trabalhei intensamente com o resgate histórico, as memórias, as histórias de vida e a história local. O SOME se organiza em quatro módulos, cada um com 50 dias letivos, que correspondem ao ano letivo do aluno. Criado em 1980, o programa funcionou por 34 anos como projeto da Secretaria. Após muita mobilização da categoria, nós, educadores, conseguimos transformá-lo em política pública em 2014, por meio da Lei Estadual nº 7.806. Anualmente, o SOME atende, em média, 35 mil alunos, conta com 1.200 professores e alcança cerca de 500 localidades.

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Fui professor de História do ensino médio na rede pública do Estado do Pará e, por último, estive lotado na Escola de Ensino Fundamental e Médio “Dom Mário de Miranda Vilas Boas”, no município de Bujaru, vinculado à 11ª DRE, em Santa Izabel.

 

Meu primeiro circuito no SOME foi composto pelos municípios de Terra Santa, Afuá, Juruti e Almeirim. Antes de iniciar as atividades, participei de um treinamento de uma semana no Centro de Treinamento de Recursos Humanos (CTRH), em Marituba, onde hoje funciona a Escola de Polícia, com técnicos, professores e coordenadores dessa importante política pública. Depois disso, ingressei efetivamente no SOME em 17 de abril de 1989, como servidor temporário da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA).

 

Como era minha primeira experiência nesse tipo de viagem, procurei buscar informações sobre o município onde iria trabalhar. Além disso, minha equipe já estava em Terra Santa e era formada pelo casal Zuleide Pamplona e Kleber Barros.

 

Saí de Belém no dia 11 de maio, uma quinta-feira, às cinco da manhã, e cheguei a Santarém por volta das cinco e meia. Passei o dia na cidade, hospedado na casa de amigos da família. Por volta das 17h, saí para o porto, onde embarcaria para Oriximiná em um barco previsto para partir às 19h. Assim que entrei na embarcação, o comandante me orientou a armar a rede, avisando que a viagem seria longa.

 

A primeira dificuldade que enfrentei foi não ter cordas para armar a rede. Corri então até um comércio próximo ao porto, onde se vendia de tudo para embarcações: cordas, redes, mosquiteiros e outros itens. De volta ao barco, surgiu outro problema: eu não conseguia apertar bem o nó no esteio, o que me impedia de deitar-se com segurança. Felizmente, um senhor idoso, de cerca de 70 anos, percebeu meu desconforto, ofereceu ajuda e ainda me ensinou o famoso “nó de porco”.

 

Depois que tudo se resolveu e a rede ficou bem armada, começamos a conversar. Quando contei que era educador na área de História, descobri que aquele senhor dominava muito bem a história factual, presente nos livros didáticos. Ele sabia inclusive as datas e comentou que, se fosse ao lugar onde eu iria trabalhar, certamente me convidaria para realizar alguma atividade que aproveitasse seus conhecimentos.

 

Ele contou que costumava aproveitar os livros didáticos dos filhos e dos netos, já que eles não demonstravam muito interesse pela leitura, ao contrário dele, que gostava de ler, embora não tivesse tido a chance de estudar. Conversamos até tarde da noite, pois sua rede estava armada ao lado da minha. Por volta das quatro da manhã de sexta-feira, chegamos ao destino. Permaneci na embarcação até amanhecer e, por volta das 7h, desembarquei na orla de Oriximiná, com a maré alta.

 

Passei a manhã esperando alguma embarcação que pudesse me levar a Terra Santa, mas nenhuma apareceu. Restou aguardar o barco de linha, que passaria à tarde, embora sem horário definido. Ainda assim, o tempo de espera não foi ruim: aproveitei para conhecer um pouco da cidade e almoçar em um restaurante que servia uma comida típica deliciosa. Depois do almoço, voltei ao porto para continuar aguardando o barco.

 

Às quinze horas, eu e outras pessoas ouvimos o apito distante de uma embarcação. Um comerciante que conversava na orla me disse: “Meu senhor, aquela ali é a embarcação que vai levá-lo para a terra onde vai trabalhar”. Mais de 40 minutos depois, o barco — pequeno, mas coberto — atracou no porto com poucos passageiros. O proprietário me ajudou a subir com as duas sacolas que eu carregava nos ombros. Durante a viagem, conversei com as pessoas a bordo, todas muito gentis; muitas moravam à beira do rio, pouco antes de Terra Santa. Também aproveitei o percurso para admirar as belezas naturais da Amazônia. Foram, ao todo, dois dias de viagem e aventura, usando avião, carro e embarcação. Esses desafios fazem parte do cotidiano dos professores que se dedicam ao trabalho no SOME.

 

O segundo módulo de 1989, no qual desenvolvi minhas atividades pedagógicas, foi no município de Afuá, na Ilha do Marajó, onde trabalhei com a mesma equipe. Naquele período, viajávamos de avião de Belém para Macapá. Lá, aguardávamos o barco da Prefeitura Municipal de Afuá para seguir até a sede do município, onde funcionava o SOME. A hospedagem era na Casa dos Professores, mas as refeições eram feitas na Pousada da D. Olga, onde almoçávamos e jantávamos. Minha impressão sobre Afuá foi a de um lugar acolhedor, que nos proporcionou excelentes condições de trabalho.

 

Meu terceiro módulo no SOME, em 1989, foi no município de Juruti, às margens do rio Amazonas, na divisa com o Estado do Amazonas, próximo a Parintins, conhecida pelo festival dos bois Caprichoso e Garantido. Eu ainda não conhecia Juruti, que, naquele período, me pareceu um município tranquilo, com fortes traços e tradições indígenas. O trajeto de Belém até lá incluía um voo até Santarém e, depois, a espera por uma embarcação que seguisse para Juruti. A viagem pelo rio durava, em média, 14 horas, variando conforme a maré, ao longo do maior rio da Amazônia.

 

Cheguei ao município à noite. Como carregava duas sacolas pesadas — uma com livros e outra com roupas —, pedi a um rapaz com carro de mão que as levasse até a Casa dos Professores, localizada a cerca de 300 metros do porto. No caminho, comecei a conversar com ele e a recolher informações importantes sobre a cidade, já pensando no levantamento histórico da sede e do município.

Ao chegar à residência, soube que um grupo de colegas já havia iniciado as aulas. Como meu calendário ficava entre um módulo e outro, eu costumava trabalhar com duas equipes: uma saía e a outra entrava. Apresentei-me aos colegas, pedi ao carregador que deixasse minhas sacolas na sala e paguei o serviço.

 

O grupo era formado por cinco integrantes: duas mulheres e três homens. Percebi que todos eram novatos e, por isso, comecei a conversar para me entrosar com a equipe. Uma das colegas já tinha ouvido falar de mim e comentou isso com os demais, pois havia trabalhado comigo no primeiro módulo, em Terra Santa. Apesar das dificuldades de comunicação da época, o convívio entre os educadores do SOME era marcado pela união e pela harmonia. Considerávamos esse trabalho ainda mais exigente do que outras modalidades de ensino, o que fortalecia os vínculos e facilitava a troca de experiências entre os colegas, especialmente entre aqueles que saíam de Belém rumo aos municípios do Oeste do Pará e a outras localidades atendidas pelo programa.


No dia 15 de maio de 1989, uma segunda-feira, iniciei minha atuação profissional como servidor público da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA), como educador da área de História, lotado temporariamente no SOME, política pública voltada ao ensino médio nos municípios e localidades do interior do Estado. Minha atuação começou em Terra Santa, vinculada à Unidade Regional de Educação de Santarém, após o deslocamento que fiz de Belém, com passagens por Santarém e Oriximiná. Ao longo de 29 anos e 6 meses de trabalho no SOME, compreendi que essa política pública foi, para mim, uma verdadeira escola de vida, sobretudo pelas relações pessoais, comunitárias e pelas trocas de experiências que ela proporcionou. Ao relembrar essa trajetória, vêm à memória lugares como Almeirim, Juruti, Afuá, Belterra, São Félix do Xingu, Bujaru, Quatipuru, Tomé-Açu, Santarém, Concórdia do Pará e muitos outros municípios. Também atuei, nesse período, em programas vinculados ao CTRH, à UVA e à própria SEDUC, concluindo essa etapa na localidade de Traquateua, no município de Bujaru. Quero agradecer a todos e todas que conviveram comigo ao longo desse percurso. Sinto-me feliz por essa trajetória profissional e histórica de 37 anos. Valeu por todas as experiências vividas.

 

 

Ribamar Oliveira

Belém do Pará,

17/05/2026. Ver menos

sexta-feira, 17 de abril de 2026

46 anos do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME

 






Olá,  amig@s!      

                                         

🔴 AO VIVO!


Hoje, dia 18/04/2026 (Sábado), às 17 h, temos um encontro marcado.        


Diálogos Livres é o canal de comunicação das redes sociais que debate temas de interesse da sociedade. Vamos ter um bate papo prazeroso, agradável e legal com os convidados.     

                            

Vamos conversar com os Professores do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, Verônica Resque, Célia Ramos e Vinicio Nascimento sobre os 46 anos do SOME.

                   

                                  

Transmissão pelo Canal Programa: Diálogos Livres 


Aguardamos vocês!


Ribamar Oliveira 


quarta-feira, 15 de abril de 2026

O Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME (2007 – 2010)

 





  “Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.”

             Paulo Freire

 

 


           Com a vitória nas eleições de 2006 do governo democrático e popular e durante o período de 2007 a 2010, sob a gestão do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (PT) no Executivo Estadual, liderado pela governadora e Arquiteta Ana Júlia Carepa, o Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME foi administrado como uma política pública pela Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA). O SOME, que surgiu em 15 de abril de 1980, com a formação do primeiro circuito nesta importante política pública através dos municípios de Curuçá, Nova Timboteua, Igarapé-Miri e Igarapé-Açu tem por objetivo oferecer ensino médio, posteriormente ampliado ao ensino fundamental, aos filhos de populações rurais como camponeses, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas e moradores de assentamentos, ramais, estradas, furos, rios e igarapés do interior da Amazônia paraense.



           Até 2014, o SOME era considerado um projeto educacional do Estado, em um primeiro momento experimental e depois ampliando os municípios e localidades de funcionamento. A partir de abril desse ano, com a promulgação da Lei 7.806/2014, passou a ser reconhecido como política pública educacional de Estado, através de várias articulações políticas entre a categoria dos educadores, governo tucano, SINTEPP e ALEPA. Sua origem remonta a 1980, na extinta Fundação Educacional do Estado do Pará (FEP), sendo incorporado à SEDUC/PA em 1982 pela Resolução 161/82. Em 2003, o projeto pedagógico foi reformulado, resultando na alteração de sua operacionalização e na adoção da sigla Grupo Ensino Médio Modular (GEEM) e um dos maiores embates políticos entre os educadores e governo através da Secretaria Estadual de Educação Rosa Cunha, vale ressaltar, que neste momento 192 profissionais saíram solicitando remoção para o ensino regular, inclusive este Ribamar Oliveira, por não concordarmos com as medidas tomadas pelo governo tucano, entre elas, a descentralização sendo entregue para as oligarquias municipais e regionais; assim como a redução de quase 60% do salário, incluindo a gratificação de deslocamento, perdas do material pedagógico, retirada das passagens de  aviões entre outras situações consideradas prejudiciais para o processo de aprendizagem.



           Durante a administração estadual subsequente, sob o governo Simão Jatene e a condução da Secretária Rosa Cunha, ocorreram mudanças estruturais que aproximaram o SOME das influências políticas estaduais e municipais. Historicamente, o SOME esteve inserido em dinâmicas políticas locais nas regiões do interior da Amazônia paraense o que prejudicava bastante o andamento do calendário escolar, principalmente, quando a pessoa sem a mínima condição de gerenciar administrativamente o lado pedagógico da educação pública.



           Com a posse do novo governo em 2007, o SOME passou a ser gerenciado por uma pedagoga experiente, que formou uma equipe digna e qualificada com o objetivo de recuperar a credibilidade do projeto junto às comunidades atendidas no Estado.



           Após estudos conduzidos pela Técnica pedagógica e Professora Ester Silva, foi aprovada a mudança de nome do GEEM para SOME – Sistema de Organização Modular de Ensino, conforme portaria 026/08. Em 2010, o SOME estava presente em 96 municípios, 438 localidades e contava com 919 professores, destacando avanços significativos na gestão, com as implantações de quase 200 localidades no governo democrático e popular do PT, com a governadora Ana Júlia Carepa atendendo os processos encaminhados pelas comunidades solicitando o ensino médio.



           A estrutura do SOME é organizada em quatro blocos de disciplinas chamados circuitos, ministrados por equipes diferentes de professores em esquema de revezamento durante o ano letivo. Cada bloco equivale a um módulo trabalhado por 50 dias letivos, com avaliações e recuperação conforme o calendário autorizado, somando os 200 dias letivos obrigatórios. Caso falte professor para alguma disciplina, há reposição por meio de um quinto módulo, garantindo o cumprimento do ano escolar para os alunos matriculados no SOME.


           O SOME atende em média 30.000 alunos por ano em diferentes regiões do Estado, garantindo o direito de acesso e permanência na educação escolar conforme a legislação. Sua atuação é essencial na Amazônia paraense, enquanto não há uma política pública regular que cubra as demandas educacionais básicas em todo o Estado. Hoje, o SOME faz 46 anos de existência, lutas, conquistas e resistências nos rincões do Estado do Pará.


           Diante das demandas das populações dos campos, ribeirinhas, quilombolas, indígenas, extrativistas, assentadas e demais comunidades, é necessário envolver todos os níveis do sistema no SOME, atribuindo responsabilidades claras para garantir a efetividade do processo educativo. A Secretaria Estadual de Educação, que no momento não tem Coordenação Geral do SOME, procura na medida do possível coordenar, apoiar e monitorar o atendimento às demandas, além de elaborar relatórios e articular a formação através da Educação do Campo e precisa de formação continuada dos docentes, com especializações, mestrados e doutorados. Sem Coordenação, o SOME fica vinculado ao ensino médio junto com professores e equipes diretivas, otimizar recursos institucionais, estruturais e humanos para sustentar o funcionamento adequado da maior política de inclusão social da Amazônia.


           Em cada DRE, a diretora deve indicar um responsável para apoiar o SOME e os representantes das Escolas Sede. Esse responsável fará a ponte entre as demandas das escolas e auxiliará no planejamento e acompanhamento das atividades do SOME, garantindo unidade de ação nos circuitos criados. 


Viva os 46 anos do SOME! 


Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME: São 46 anos de existência, lutas, conquistas e resistências nos rincões do Estado do Pará

 


 

                                                                                            *Ribamar  Oliveira

 

Nasce um sonho, um projeto a brilhar,

Quarenta e cinco anos de história a contar,

No coração do Pará, floresce o Modular,

Com professores, guerreiros prontos a ensinar. 

 

Das entranhas da terra, em várias cidades,

Nova Timboteua e Igarapé-Açu, a brilhar,

Curuçá e Igarapé-Miri trazem realidades,

Onde a educação planta sonhos, faz flutuar

 

Professores Itinerantes, voando sem temor,

Levando saberes ao abismo e ao altar,

Transformando vidas com amor,

Um legado que pulsa, sempre a ecoar.                   

 

 Histórias que ecoam nos sussurros da brisa,

Vivências que nas veias se entrelaçam,

Os poetas rabiscam memórias da lida,

Em ônibus, avião e rabetas, se abraça

Na luta cotidiana, os Educadores se levantam,

Punhos erguidos contra o CEMEP feroz,

Coragem que avança, as dores quebrantam,

Revogando leis que sufocam a voz

 

 O SOME, farol que guia a jornada,

Ecos de esperança que a educação traz,

Nos movimentos que ecoam, a luta é sagrada,

Plantando a labuta, sem olhar pra trás.

 

 Celebremos a história, a vitória cativa,

De um sistema que educa e transforma a paz,

No Pará, cada passo, uma conquista ativa,

Quarenta e cinco anos de luta que nos faz.                   

 

Que venham mais anos de luta e aprendizado,

Com amor e garra, erguendo o amanhã,

O Modular é um legado, nosso fado,

A força da educação, que nunca será em vão.

      (Sistema de Organização Modular de Ensino no Estado do Pará: 45 anos de Lutas e Conquistas, Geandre Cavalcante/ Ribamar Oliveira, 2025)

 

           A maior política pública de inclusão social da Amazônia denominada de Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME completa hoje, em 15/04/2026, 46 anos de existência, lutas, conquistas e resistências nos interiores do Estado do Pará marcando uma trajetória histórica iniciada na década de 1980, final da Ditadura Militar, com o governador Tenente Coronel Alacid Nunes. Neste período, a Fundação Educacional do Pará - FEP era responsável pela gerência do ensino superior e do então ensino de 2º grau, sob a coordenação do Superintendente Geral Manoel Campbell Moutinho, este organiza uma comissão formada por técnicos pedagógicos, professores e foi responsável pela gestação e implementação do SOME.


           Os primeiros municípios de funcionamento pelo SOME foram Curuçá, Igarapé-Açu, Nova Timboteua e Igarapé-Miri. O programa foi regularizado pela resolução nº 161 de 03 de novembro de 1982, do Conselho Estadual de Educação, sendo a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará – SEDUC/PA ficando responsável pelo 2º grau e a FEP com enisno superior sendo depois transformada em Universidade Estadual do Pará – UEPA.


           O surgimento do SOME, como um projeto alternativo de educação no campo, teve como principal objetivo assegurar o atendimento do ensino de 2º grau (hoje ensino médio) para diversos municípios. O sistema foi desenvolvido para se adaptar à realidade de cada localidade, enfrentando carências estruturais comuns aos municípios brasileiros, especialmente os paraenses. Essas carências incluíam deficiências nos sistemas de comunicação, transporte, saúde e educação. Outro ponto relevante era a grande demanda de jovens residentes no interior, que precisavam avançar em seus estudos, mas enfrentavam a falta de infraestrutura adequada. Diante desse cenário, tornou-se necessário estabelecer parcerias entre os Governos Municipais e o Governo Estadual, com papéis definidos, embora nem sempre cumpridos através dos convênios entre as duas partes, porém, foi um avanço significativo para educação da sociedade paraense, portanto, genuinamente paraense e servindo como referência para diversos municípios do Brasil, Estados, como Amapá e Amazonas implantaram esta política educacional como solução para atender localidades longínquas e alguns países da América Latina.


           Diagnoses realizadas pela equipe pedagógica no segundo semestre do ano de  1979 detectaram que o 2º grau funcionava apenas em 18 dos 83 municípios, concentrando-se nas sedes, onde havia maior demanda de alunos, logo, os alun@s das localidades teriam que se deslocarem para escola sede, onde funcionava o Sistema Modular. O SOME foi criado com o propósito de possibilitar aos estudantes do campo a conclusão do ensino médio, democratizando oportunidades educacionais e garantindo a permanência dos alunos em suas comunidades de origem. O sistema visava oferecer um ensino de qualidade, promovendo justiça social e inclusão educacional nas diversas regiões do Pará.


           O funcionamento e em função do contexto geopolítico e de outras particularidades, surgiu a ideia de funcionar em módulos, totalizando quatro módulos anuais, equiparando-se ao ensino regular em termos de carga horária. Cada módulo é composto por blocos de disciplinas com duração de 50 dias letivos. Ao final do ano letivo, que corresponde a 200 dias, o aluno conclui uma série, sempre obedecendo às exigências curriculares legais. As localidades atendidas são agrupadas em circuitos, e durante o ano letivo, os professores são divididos em equipes que se deslocam, em forma de rodízio, pelas localidades integrantes do circuito. Surgiu como um projeto experimental enquanto não tivesse o ensino regular, porém, até o momento, continua ativo e atendendo as áreas que tem necessidade de uma educação digna e com professor presencial nas diversas disciplinas.


           Como o Estado do Pará é o pioneiro no surgimento desta política pública e como excelente modelo expandiu para vários cantos do Estado e do País, como já foi abordado. Durante sua história, os professores tiveram vários enfrentamentos com o Estado, através da SEDUC/PA em busca de melhoria e qualidade da educação. Nas lutas e conquistas durante sua trajetória histórica, o Sistema Modular vem desde década de 80 e 90 com debates e discussões crônicas como o convênio, a casa dos professores, espaço escolar, gratificação até ser incorportada ao contra cheque em final de 90, transporte escolar entre outras questões importantes para o processo de aprendizagem. No ano de 2003, a categoria dos professores sofre um duro golpe do governo tucano através do governador Simão Jatene e com a Secretaria de Educação Rosa Cunha. Entre alguns pontos que foram desfeitos durante este periodo foi a responsabilidade das Prefeituras com o convênio que deixa de ser obrigatório; assim como, o governo estadual reduziu a gratificação de deslocamento, inclusive, com a remoção de 192 professores para o ensino regular numa tentativa de forçar o esvaziamento do projeto e justificar sua motivação por falta de professores, sendo um desses removidos para o regular, sendo CH distribuida em cinco escolas nos bairros da Pedreira, BR, Conjunto Maguari, Benguí e Augusto Montenegro.


           A categoria dos educadores uniu com as outras categorias e principalmente Comunidades e SINTEPP, indo às ruas para tentar reverter a situação e garantir a educação para os alun@s matriculados no SOME.


           No ano de 2010, a categoria lutou pela inclusão do SOME no PCCR e tentar recuperar muito do que foi retirado, logo, com as articulações políticas garantindo o Projeto da Regulamentação da Lei Específica do SOME; assim como, conquistando a gratificação de deslocamento nas férias e 13º salário. O processo de lutas continua e em 2011, conseguindo ganhos significativos para categoria.


           O avanço político da categoria dos educadores do SOME continua nas lutas e conquistas através de diversos encontros, como o que aconteceu no 1º Encontro Pará – Amapá do SOME, realizado nos dias 15, 16 e 17 de novembro de 2012, no município de Santarém, no Estado do Pará com participação de aproximadamente de 400 educadores de diversas regiões dos Estados do Pará e Amapá.


           Em 2013, foi realizado o 2º Encontro Pará – Amapá nos dias 05 a 07 de setembro tendo como tema Integração, Revitalização e Políticas Públicas para os Povos dos Campos, dos Rios e das Florestas e muitas discussões e articulações na luta pela Lei do SOME.


           Em 2014, em final de abril, após uma greve de 52 dias temos o acordo com o governo e ALEPA e o projeto foi enviado para aprovação dos deputados estaduais, deixando de ser um projeto e passando a ser uma política pública.


           Em 2016, o SOME atuava em 98 municípios e 415 localidades do Pará, atendendo aproximadamente 38 mil alunos e contando com 1.200 professores, todos com licenciatura plena em suas respectivas disciplinas. O projeto, que surgiu como alternativa, permanece relevante e deve continuar enquanto não surgir uma nova proposta presencial capaz de atender à população do campo, das florestas e das águas.


           O Modular é reconhecido como o maior projeto de inclusão social do Estado do Pará, garantindo a conclusão do ensino fundamental e médio de diversos estudantes. Professores, alunos e a comunidade reconhecem a significativa contribuição do SOME para a universalização do ensino médio no campo, nos rios e nas florestas. Em 2014, a criação da Lei do SOME representou um avanço para a comunidade escolar, embora não tenha atendido todas as demandas, especialmente dos educadores que atuam nessa modalidade.


           Apesar dos problemas enfrentados, desafios e dos embates políticos, o SOME segue sua trajetória em busca de uma educação inclusiva, digna e de qualidade. A política pública se mantém como uma ferramenta indispensável no processo educacional do Pará, celebrando seus 46 anos de história, vida, lutas, conquistas e resistências.


*O autor é poeta, escritor e membro da Academia de Letras de Ananindeua - ALANIN


quinta-feira, 26 de março de 2026

Bela Cumaru, Vigia de Nazaré

 

 



Bela Cumaru,  um verdadeiro amor

Nas águas  do igarapé,  tiro meu calor

Neste salão vem dançar

Danço,  danço com primor

Sem medo e sem tremor

 

Bela Cumaru que é  a flor do meu sertão

Comunidade belezura e do coração

Muita afetiva e humilde

Nas águas do igarapé, reflete minha paixão,

Raízes que vem do amor, cultura e emoção.

 

Bela Cumaru amada

Que tenho adoração

Simplesmente muita harmonia

Gosto tanto que digo obrigado

De onde busco toda inspiração

 

Bela Cumaru te dou abraço

As vezes sem arrumação

Lugar legal e gostoso

Mesmo com todo mormaço

Te dou um abração

 

Bela Cumaru querida

Que me deixa sentimental

Pra amar e refrescar

Comunidade pra mim preferida

E também com traço monumental.

 

Belém do Pará

15/03/2026


Autor: Ribamr Oliveira (Poeta)

Revisão: Carlos Prestes (Poeta)


terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

46 anos de fundação do Partido dos trabalhadores, trabalhadoras e a educação no campo no Estado do Pará

 




Os 46 anos de fundação de um dos maiores partidos do Brasil e do mundo, hoje, esta data se confunde com a implementação de uma das maiores políticas públicas de inclusões sociais da Amazônia, gerenciada pela Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará - SEDUC/PA, o Sistema de Organização Modular dê Ensino - SOME. Com a expansão desta política pública nas décadas de 1980 e 90, fruto ainda da ditadura militar, com o governo do tenente coronel e fazendeiro Alacid Nunes, não podemos negar que os educadores lotados nesta importante política pública se deslocavam para os rincões do Estado do Pará com diversas práticas educativas e metodologias pedagógicas que mudaram e influenciaram nos municípios e localidades, principalmente, nas articulações políticas e muito questionando as oligarquias municipais que já vinham governando os municípios e regiões há décadas.

Até 2003, para ser lotado no SOME passava-se por um processo seletivo que tinha entre os critérios para aprovação, sua visão ampla de conhecimento e política, independente, de partidos políticos e correntes políticas.

Com alguns educadores e educadoras, alguns temporários, outros efetivos, esses começaram a divulgar novos pensadores, autores, livros, teorias, educadores progressistas que mexeram teoricamente com os alunos e alunas, vejam alguns e podem acrescentar outros, como: Glória Rocha, Ana Conceição, Ester Silva, Jerônimo, Raimundo do Rosário, Leonardo Pantoja, Eugênio Torres, Iorque, Claudinha, Ribamar Oliveira, Baia, Alcir, Marina Costa entre outros e outras. Com essas novas ideias e práticas educativas, o Partido dos trabalhadores e Trabalhadoras - PT expande também e parte significativa de seus filiados e filiadas nos interiores eram matrículad@s no SOME; assim, o PT, neste momento, amplia novos horizontes políticos como surgimento de nova força política no Estado do Pará.

Apesar de muitos erros e falhas, saídas de diversas correntes internas políticas que deram origem em outros partidos, o PT tem mostrado sua força também no país, como o governo federal atual.

Portanto, o PT deve muito ao SOME no Estado do Pará pela divulgação e expansão de suas propostas, em defesa da democracia e do povo brasileiro. Os 46 anos de história carregam conquistas importantes que transformaram a vida dos brasileiros e brasileiras. Viva o PT e seus 46 anos, Viva o SOME!

Ribamar Oliveira
Aposentado

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Confraternização do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME

 





No dia 31 de janeiro do corrente ano, foi feita a confraternização dos ex-professores do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, em uma sede social em Belém do Pará. O evento que contou com aproximadamente 70 pessoas foi um sucesso. E como mensagem, o professor Carlos Barbosa, popularmente conhecido como Buda, organizou um belo texto. Parabéns, Buda, pela produção escrita!