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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sessão de Autógrafos na XXIX Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes - Belém do Pará (Brasil)

 






Sessão de autógrafos na maior feira do Norte! 


📚📚📚


29ª FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO E DAS MULTIVOZES  

Dia: 30/08/2026 - Domingo  

Horário: 16h  

Local: Hangar

 Stand Escritores Paraenses 


E com 2 livros lindos representando a Amazônia e a Educação:


1. Educação na Amazônia em Repertório de Saberes: o Sistema de Organização Modular de Ensino, (Org. Marina Sousa, Sérgio Bandeira e Ribamar Oliveira)  - Vol. III  

   

2. Crônicas de um Educador de Escola Pública  

   José Ribamar Lira de Oliveira  

   "Memórias, lutas e resistências na educação que transforma"  

 


16h no Hangar, Stand Escritores Paraenses


16 horas no Hangar.  

Caneta na mão, coração na ponta.  

Livro novo cheirando tinta.  

Gente chegando com história pra contar.  


Não é só autógrafo.  

É encontro.  

É aluno que virou leitor.  

É professor que virou colega.  

É Amazônia assinada, página por página.


Dia 30 de agosto(Domingo), às 16h, Stand Escritores Paraenses 

Contamos com  presença de tod@s! 

E a educação paraense ganha mais voz.


Agende -se!


Prefácio produzido pela Mestra Marina de Sousa Costa para o livro Crônicas de um Educador de Escola Pública


           Estava eu, me preparando para receber a fase da aposentadoria, tecendo algumas expectativas para um tempo de ficar de boa, de não ter nada, no rigor do relógio,  para fazer. Eis que meu amigo José Ribamar, querido Ribinha, me entrega sua produção literária para ler e ajudar na revisão, e me “intima” a prefaciá-la. Logo, minhas expectativas tiveram que incluir alguns fazeres que imaginava, não mais exerceria.

           Prefaciar uma obra, que trata no seu maior campo, as vivências no Sistema Modular de Ensino, é motivo de orgulho e atividade irrecusável. Trata-se de apresentar algo que é parte de mim, é parte de minha história. Falarei com a propriedade de quem, durante quinze anos, viveu no Sistema Modular de ensino, grandes experiências profissionais e experiências de vida extraordinárias. Portanto, me sinto muito a vontade para essa apresentação, com uma certa pavulagem.

           Essa obra merece destaque porque sugere diálogo, se estrutura na construção de narrativas através da fala de personagens que retratam uma realidade vivida, Abir e Emos, que no processo inverso das grafias, tecem um embaralhamento dos acontecimentos por eles vividos nos trilhos da Educação e mais, essencialmente, no então Projeto de Ensino Modular, atualmente já regulamentado como Política Pública de Educação do Estado do Pará.

           Abir e Emos, mergulham nas conversas que emergem de suas memórias, em episódios que eram vividos por eles, mas que também não eram únicos. Das suas histórias identifica-se explicitamente, também, as histórias de muitos e muitas, no universo dimensional paraense, abrangido pelo SOME. São tantas situações enfocadas, no campo de trabalho, longe de ser uma ocorrência pontual ou isolada, pois o exercício da docência no SOME, sempre esteve cercado de um conjunto de fatores pertinentes  na consolidação da prática educativa, formando um eixo de necessária interação, envolvendo, entre outras, o percurso e mobilidade de acesso dos profissionais da Educação até a localidade de trabalho, a chegada, a moradia temporária, o material de trabalho, a acolhida na comunidade, a inserção na escola, a aproximação com as famílias dos educandos e das educandas, etc. por fim, até a ressonância do papel docente e os resultados de seu trabalho.

           É por todos esses segmentos que acabei de elencar, que Emos e Abir, se debruçam a transportar para as páginas literárias, as páginas da vida. São episódios de quem experienciou a essência da Educação, entre um emaranhado de ir e vir, entre transtornos e êxitos, entre pesos e levezas, cansaço e regozijo, desgastes e sucessos, insegurança e empoderamento etc.   

           Nas narrativas de Abir e Emos, fica a transparência dos seus prazeres por oportunizarem a adolescentes, jovens, homens e mulheres, descobrirem-se como sujeitos sociais de direitos, apontando caminhos em que eles possam assumir o protagonismo de suas próprias histórias.       

           É muito interessante a escolha do autor no formato de sua obra, dando vida a personagens que discorrem sobre as vivências, do próprio escritor, de forma simples, suave e agradável. Uma leitura imperdível. Parabéns, Ribinha, pela ousadia e pela grandeza da obra. E obrigada pelo convite.  

                    



                        Marina de Sousa Costa 


                             SUCESSO!

domingo, 12 de julho de 2026

Crônicas de um Educador de Escola Pública - Lançamento de Livro

 



Flay de Lançamento


No último dia 07, foi lançado o livro Crônicas de um Educador de Escola Pública, com apresentação do historiador, poeta, escritor e membro da Academia de Letras de Ananindeua - ALANIN José Ribamar Lira de Oliveira, autor do livro; o prefácio da professora e mestra Marina de Sousa Costa, a primeira orelha do escritor AroDinei Gaia e a segunda, do publicitário, poeta e escritor Nailson Guimarães e o posfácio do professor, escritor e doutor Edilson Pantoja; pela LiterAmazônida Editora e Livraria Eletrônica, em São Luis do Maranhão. Em Belém do Pará, o lançamento acontecerá no dia 29 de agosto próximo, às 17h, na Feira de Livros, Hangar, no Stand Autores Paraenses. O lançamento do livro aconteceu no Sebo Livraria do Arteiro, na capital maranhense, com presença de amig@s, familiares e convidad@s. Após apresentação do livro pelo autor, a palavra foi franqueada para o público presente com perguntas e considerações, sessão de autógrafos, sorteios de camisas com capa do livro, coquetel no local do lançamento e comemorações no Centro Cultural de São Luis e na Churrascaria Ferreiro Grill. O Autor agradece tod@s que participaram do lançamento. O evento foi um sucesso.


Capa do Livro


Segundo o historiador, cordelista, escritor e compositor AroDinei Gaia:  Nesta obra que hora o escritor Ribamar Oliveira presenteia a literatura paraense, narra as aventuras do protagonista Abir Arievilo nas andanças pelo interior do Pará na majestosa missão educacional pelo Sistema Modular.

Personagem e autor se fundem em um mesmo protagonismo.

Ribamar Oliveira e Abir Arievilo, são os mesmos personagens que, por anos protagonizaram o ensino nos mais longínquos cantos do interior paraense, na sacerdócia missão de levar educação para o povo amazônida.

            As experiências educacionais reais do autor e a vivência do personagem revelam, por meios de crônicas, a gigantesca contribuição do mestre Riba na educação paraense, seja nas águas, nas florestas, nas estradas ou na área urbana. Sua formação como historiador contribuiu para a afirmação identitária, para o revisitar da memória, a valorização cultural e o registro da história de nosso povo, é a história das mentalidades.

            Ribamar se aposentou, deixou o SOME? Ora! Nunca. Ele se levantou da rede do descanso merecido para continuar defendendo o gigante do norte através de sua caneta e das teclas de seu computador. Riba e Abir continuam na ativa, servindo como fonte para pesquisadores, vigilante das proezas moduleiras e, principalmente, produzindo seus textos e descortinando para o mundo, por meio da literatura, as façanhas educacionais da maior política de inclusão educacional de toda a Amazônia, quiça do país.

           


Exposição sobre o Livro


Já para o publicitário, escritor, poeta e membro da Academia de Letras sde Ananindeua - ALANIN, na segunda orelha do livro diz o seguinte: Este livro, é mais que um relato de experiências: é um testemunho de coragem, sacrificio e dedicação de um professor que fez da educação sua missão de vida.
           Aqui encontramos a luta incansável deste mestre, por uma escola pública de qualidade, enfrentando desafios cotidianos com firmeza, sacrifício e esperança. 
                Meu querido amigo Ribamar é confrade da Academia de Letras de Ananindeua(ALANIN), um verdadeiro companheiro de batalhas, que transformou suas vivências em palavras que inspiram e fortalecem todos nós.
               Sua trajetória mostra o peso dos sacríficios pessoais e profissionais, mas também a grandeza de quem acredita que ensinar é um ato de resistência e amor.
          Nós, que fazemos parte do processo de construção final deste livro, sentimos orgulho em compartilhar essa jornada e em ver nascer uma obra - que não apenas registra memórias - mas também reafirma o compromisso coletivo com a Educação de qualidade.



Apresentação do livro pelo autor


Aos leitores e leitoras interessad@s em adquirir, entrar em contato com o autor ou com a Editora LiterAmazônida e Livraria Eletrônica.



Sr. Waldemar e esposa com livro



Sra. Fátima Sarmanho adquiriu seu livro



O Livreiro Arteiro com Livro



Maria Clara adquiriu seu livro



Sra. Lucidéia adquiriu um livro


Profª Marluce com seu livro




Sr. Fernando adquiriu o Livro


Autografando



Sra. Manuela foi sorteda com uma camisa



O autor com os presentes


O autor e esposa




O autor com os presentes



Local do Lançamento


sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cumaru no Dia Mundial do Meio ambiente

 


Viva o Dia Mundial do Meio Ambiente!




Hoje é  o Dia Mundial do Meio ambiente 

Dia considerado marcante 

É o chão que pisamos e ser prudente 

É o igarapé que é importante 





É a floresta do nosso povo

Que vem a medicina popular 

Com plantação de novo

Onde residimos e fazemos nosso lar





Na Vila de Cumaru se aprende 

Se derrubar, falta a alimentação  

Se mata o igarapé, não atende

Depende do homem e sua ação 


No meio ambiente e seu dia mundial 

Comemora-se com felicidade 

Nesta data primordial 

Alegria e sorrisos com intensidade 


Momento crucial 

Que vem com vigor

É na roça neste dia especial 

Combativa destruição com rigor


É o mangue que vem

O domínio do igarapé 

Orienta nossa origem

Com roça no pontapé


Este chão é nosso mato  

Daí que vem o sustento.  

A queima é um fato 

Temos que ficar atento


Temos que natureza cuidar 

E plantar todo o tempo

O progresso cede lugar.  

Pra tirar sem ser contratempo


Deixa nossa mata em pé 

E o homem sustentar

Salvar nosso igarapé 

Vamos todos destruição divulgar


Esse é o nosso meio ambiente 

Que não se deixa apagar 

Com  ganância patente

Sem deixar de usar


Então respeita a terra nosso chão  

Respeita o ar, igarapé e o igapó.  

Sem meio ambiente com inspiração 

 Cumaru, não poderá terminar só.


Cumaru, Vigia de Nazaré, Pará,

05/06/2026  

Ribamar Oliveira

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Educação Ribeirinha


Durante muito tempo, populações do interior do país, especialmente no Estado do Pará, foram excluídas do acesso à educação. Essa exclusão se agravou no período da Ditadura Militar, quando os moradores de ilhas, rios, lagos, igarapés, furos e baias não eram prioridade das políticas públicas. Na Amazônia, os investimentos do governo federal concentraram-se nos grandes projetos, incluindo a construção de vilas com infraestrutura voltada ao atendimento do grande capital, que passou a ocupar esses espaços com apoio dos militares.

Este texto foi pensado a partir do período em que atuei como professor itinerante no Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), percorrendo diferentes regiões do Estado do Pará. Considerado uma das mais importantes políticas públicas de inclusão educacional da Amazônia, o SOME foi implantado em 15 de abril de 1980 pela Fundação Educacional do Estado do Pará (FEP), inicialmente em quatro municípios: Curuçá, Nova Timboteua, Igarapé-Miri e Igarapé-Açu. Com os resultados positivos da experiência inicial, essa política pública expandiu-se por todo o território paraense como alternativa de acesso à educação para filhos de camponeses, quilombolas, ribeirinhos, assentados, indígenas e extrativistas, além de moradores de rios, igarapés, furos, estradas e ramais, que não tinham condições de se deslocar até as cidades ou sedes municipais onde havia ensino regular, sobretudo por limitações financeiras.


Ao longo de trinta anos de trajetória profissional como educador vinculado ao SOME, atuei em diversos municípios e localidades ribeirinhas, acumulando experiências e vivências marcantes. Passei por Terra Santa, Juruti, Aveiro, Almeirim, Sapucajuba (Abaetetuba), Maúba (Abaetetuba), Itacuruçá (Abaetetuba), Urubuéua Fátima (Abaetetuba) e Nova Providência (Bujaru), entre outros lugares onde desenvolvi minhas práticas educativas.


Com a promulgação da Lei nº 7.806, de 29 de abril de 2014, o SOME deixou de ser apenas um projeto e passou a ser reconhecido oficialmente como política pública educacional. Esse avanço foi resultado das articulações entre professores, o SINTEPP e o governo estadual da época. Embora a lei não atendesse integralmente às reivindicações da categoria, sua aprovação representou uma conquista importante para os professores.


Como sabemos, a oferta do ensino fundamental e médio no campo ainda ocorre em condições precárias, pois os investimentos que deveriam ser realizados pelos governos, em geral, não se concretizam. Na prática, muitos educadores continuam atuando em barracões, centros comunitários, igrejas e até debaixo de árvores, frequentemente sem carteiras e sem qualquer infraestrutura adequada. Diante dessa realidade, os professores buscam, com os recursos disponíveis, qualificar as atividades pedagógicas. 

domingo, 17 de maio de 2026

Atuação como educador no Estado do Pará

 

 


Após minha formação pedagógica no antigo CTRH, em maio de 1989, ingressei no Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), política pública da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA) voltada aos municípios e localidades mais distantes, onde não havia oferta regular de ensino médio. Nas comunidades do interior, vivi uma experiência singular e muito enriquecedora, pois continuei desenvolvendo o resgate de suas histórias e memórias, utilizando a história oral como recurso metodológico nas práticas educativas, com foco no ensino médio e, em Abaetetuba, no ensino fundamental maior.

 



Em minhas andanças pelos rincões do Pará, trabalhei intensamente com o resgate histórico, as memórias, as histórias de vida e a história local. O SOME se organiza em quatro módulos, cada um com 50 dias letivos, que correspondem ao ano letivo do aluno. Criado em 1980, o programa funcionou por 34 anos como projeto da Secretaria. Após muita mobilização da categoria, nós, educadores, conseguimos transformá-lo em política pública em 2014, por meio da Lei Estadual nº 7.806. Anualmente, o SOME atende, em média, 35 mil alunos, conta com 1.200 professores e alcança cerca de 500 localidades.

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Fui professor de História do ensino médio na rede pública do Estado do Pará e, por último, estive lotado na Escola de Ensino Fundamental e Médio “Dom Mário de Miranda Vilas Boas”, no município de Bujaru, vinculado à 11ª DRE, em Santa Izabel.

 

Meu primeiro circuito no SOME foi composto pelos municípios de Terra Santa, Afuá, Juruti e Almeirim. Antes de iniciar as atividades, participei de um treinamento de uma semana no Centro de Treinamento de Recursos Humanos (CTRH), em Marituba, onde hoje funciona a Escola de Polícia, com técnicos, professores e coordenadores dessa importante política pública. Depois disso, ingressei efetivamente no SOME em 17 de abril de 1989, como servidor temporário da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA).

 

Como era minha primeira experiência nesse tipo de viagem, procurei buscar informações sobre o município onde iria trabalhar. Além disso, minha equipe já estava em Terra Santa e era formada pelo casal Zuleide Pamplona e Kleber Barros.

 

Saí de Belém no dia 11 de maio, uma quinta-feira, às cinco da manhã, e cheguei a Santarém por volta das cinco e meia. Passei o dia na cidade, hospedado na casa de amigos da família. Por volta das 17h, saí para o porto, onde embarcaria para Oriximiná em um barco previsto para partir às 19h. Assim que entrei na embarcação, o comandante me orientou a armar a rede, avisando que a viagem seria longa.

 

A primeira dificuldade que enfrentei foi não ter cordas para armar a rede. Corri então até um comércio próximo ao porto, onde se vendia de tudo para embarcações: cordas, redes, mosquiteiros e outros itens. De volta ao barco, surgiu outro problema: eu não conseguia apertar bem o nó no esteio, o que me impedia de deitar-se com segurança. Felizmente, um senhor idoso, de cerca de 70 anos, percebeu meu desconforto, ofereceu ajuda e ainda me ensinou o famoso “nó de porco”.

 

Depois que tudo se resolveu e a rede ficou bem armada, começamos a conversar. Quando contei que era educador na área de História, descobri que aquele senhor dominava muito bem a história factual, presente nos livros didáticos. Ele sabia inclusive as datas e comentou que, se fosse ao lugar onde eu iria trabalhar, certamente me convidaria para realizar alguma atividade que aproveitasse seus conhecimentos.

 

Ele contou que costumava aproveitar os livros didáticos dos filhos e dos netos, já que eles não demonstravam muito interesse pela leitura, ao contrário dele, que gostava de ler, embora não tivesse tido a chance de estudar. Conversamos até tarde da noite, pois sua rede estava armada ao lado da minha. Por volta das quatro da manhã de sexta-feira, chegamos ao destino. Permaneci na embarcação até amanhecer e, por volta das 7h, desembarquei na orla de Oriximiná, com a maré alta.

 

Passei a manhã esperando alguma embarcação que pudesse me levar a Terra Santa, mas nenhuma apareceu. Restou aguardar o barco de linha, que passaria à tarde, embora sem horário definido. Ainda assim, o tempo de espera não foi ruim: aproveitei para conhecer um pouco da cidade e almoçar em um restaurante que servia uma comida típica deliciosa. Depois do almoço, voltei ao porto para continuar aguardando o barco.

 

Às quinze horas, eu e outras pessoas ouvimos o apito distante de uma embarcação. Um comerciante que conversava na orla me disse: “Meu senhor, aquela ali é a embarcação que vai levá-lo para a terra onde vai trabalhar”. Mais de 40 minutos depois, o barco — pequeno, mas coberto — atracou no porto com poucos passageiros. O proprietário me ajudou a subir com as duas sacolas que eu carregava nos ombros. Durante a viagem, conversei com as pessoas a bordo, todas muito gentis; muitas moravam à beira do rio, pouco antes de Terra Santa. Também aproveitei o percurso para admirar as belezas naturais da Amazônia. Foram, ao todo, dois dias de viagem e aventura, usando avião, carro e embarcação. Esses desafios fazem parte do cotidiano dos professores que se dedicam ao trabalho no SOME.

 

O segundo módulo de 1989, no qual desenvolvi minhas atividades pedagógicas, foi no município de Afuá, na Ilha do Marajó, onde trabalhei com a mesma equipe. Naquele período, viajávamos de avião de Belém para Macapá. Lá, aguardávamos o barco da Prefeitura Municipal de Afuá para seguir até a sede do município, onde funcionava o SOME. A hospedagem era na Casa dos Professores, mas as refeições eram feitas na Pousada da D. Olga, onde almoçávamos e jantávamos. Minha impressão sobre Afuá foi a de um lugar acolhedor, que nos proporcionou excelentes condições de trabalho.

 

Meu terceiro módulo no SOME, em 1989, foi no município de Juruti, às margens do rio Amazonas, na divisa com o Estado do Amazonas, próximo a Parintins, conhecida pelo festival dos bois Caprichoso e Garantido. Eu ainda não conhecia Juruti, que, naquele período, me pareceu um município tranquilo, com fortes traços e tradições indígenas. O trajeto de Belém até lá incluía um voo até Santarém e, depois, a espera por uma embarcação que seguisse para Juruti. A viagem pelo rio durava, em média, 14 horas, variando conforme a maré, ao longo do maior rio da Amazônia.

 

Cheguei ao município à noite. Como carregava duas sacolas pesadas — uma com livros e outra com roupas —, pedi a um rapaz com carro de mão que as levasse até a Casa dos Professores, localizada a cerca de 300 metros do porto. No caminho, comecei a conversar com ele e a recolher informações importantes sobre a cidade, já pensando no levantamento histórico da sede e do município.

Ao chegar à residência, soube que um grupo de colegas já havia iniciado as aulas. Como meu calendário ficava entre um módulo e outro, eu costumava trabalhar com duas equipes: uma saía e a outra entrava. Apresentei-me aos colegas, pedi ao carregador que deixasse minhas sacolas na sala e paguei o serviço.

 

O grupo era formado por cinco integrantes: duas mulheres e três homens. Percebi que todos eram novatos e, por isso, comecei a conversar para me entrosar com a equipe. Uma das colegas já tinha ouvido falar de mim e comentou isso com os demais, pois havia trabalhado comigo no primeiro módulo, em Terra Santa. Apesar das dificuldades de comunicação da época, o convívio entre os educadores do SOME era marcado pela união e pela harmonia. Considerávamos esse trabalho ainda mais exigente do que outras modalidades de ensino, o que fortalecia os vínculos e facilitava a troca de experiências entre os colegas, especialmente entre aqueles que saíam de Belém rumo aos municípios do Oeste do Pará e a outras localidades atendidas pelo programa.


No dia 15 de maio de 1989, uma segunda-feira, iniciei minha atuação profissional como servidor público da Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA), como educador da área de História, lotado temporariamente no SOME, política pública voltada ao ensino médio nos municípios e localidades do interior do Estado. Minha atuação começou em Terra Santa, vinculada à Unidade Regional de Educação de Santarém, após o deslocamento que fiz de Belém, com passagens por Santarém e Oriximiná. Ao longo de 29 anos e 6 meses de trabalho no SOME, compreendi que essa política pública foi, para mim, uma verdadeira escola de vida, sobretudo pelas relações pessoais, comunitárias e pelas trocas de experiências que ela proporcionou. Ao relembrar essa trajetória, vêm à memória lugares como Almeirim, Juruti, Afuá, Belterra, São Félix do Xingu, Bujaru, Quatipuru, Tomé-Açu, Santarém, Concórdia do Pará e muitos outros municípios. Também atuei, nesse período, em programas vinculados ao CTRH, à UVA e à própria SEDUC, concluindo essa etapa na localidade de Traquateua, no município de Bujaru. Quero agradecer a todos e todas que conviveram comigo ao longo desse percurso. Sinto-me feliz por essa trajetória profissional e histórica de 37 anos. Valeu por todas as experiências vividas.

 

 

Ribamar Oliveira

Belém do Pará,

17/05/2026. Ver menos

sexta-feira, 17 de abril de 2026

46 anos do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME

 






Olá,  amig@s!      

                                         

🔴 AO VIVO!


Hoje, dia 18/04/2026 (Sábado), às 17 h, temos um encontro marcado.        


Diálogos Livres é o canal de comunicação das redes sociais que debate temas de interesse da sociedade. Vamos ter um bate papo prazeroso, agradável e legal com os convidados.     

                            

Vamos conversar com os Professores do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, Verônica Resque, Célia Ramos e Vinicio Nascimento sobre os 46 anos do SOME.

                   

                                  

Transmissão pelo Canal Programa: Diálogos Livres 


Aguardamos vocês!


Ribamar Oliveira 


quarta-feira, 15 de abril de 2026

O Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME (2007 – 2010)

 





  “Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.”

             Paulo Freire

 

 


           Com a vitória nas eleições de 2006 do governo democrático e popular e durante o período de 2007 a 2010, sob a gestão do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (PT) no Executivo Estadual, liderado pela governadora e Arquiteta Ana Júlia Carepa, o Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME foi administrado como uma política pública pela Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA). O SOME, que surgiu em 15 de abril de 1980, com a formação do primeiro circuito nesta importante política pública através dos municípios de Curuçá, Nova Timboteua, Igarapé-Miri e Igarapé-Açu tem por objetivo oferecer ensino médio, posteriormente ampliado ao ensino fundamental, aos filhos de populações rurais como camponeses, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas e moradores de assentamentos, ramais, estradas, furos, rios e igarapés do interior da Amazônia paraense.



           Até 2014, o SOME era considerado um projeto educacional do Estado, em um primeiro momento experimental e depois ampliando os municípios e localidades de funcionamento. A partir de abril desse ano, com a promulgação da Lei 7.806/2014, passou a ser reconhecido como política pública educacional de Estado, através de várias articulações políticas entre a categoria dos educadores, governo tucano, SINTEPP e ALEPA. Sua origem remonta a 1980, na extinta Fundação Educacional do Estado do Pará (FEP), sendo incorporado à SEDUC/PA em 1982 pela Resolução 161/82. Em 2003, o projeto pedagógico foi reformulado, resultando na alteração de sua operacionalização e na adoção da sigla Grupo Ensino Médio Modular (GEEM) e um dos maiores embates políticos entre os educadores e governo através da Secretaria Estadual de Educação Rosa Cunha, vale ressaltar, que neste momento 192 profissionais saíram solicitando remoção para o ensino regular, inclusive este Ribamar Oliveira, por não concordarmos com as medidas tomadas pelo governo tucano, entre elas, a descentralização sendo entregue para as oligarquias municipais e regionais; assim como a redução de quase 60% do salário, incluindo a gratificação de deslocamento, perdas do material pedagógico, retirada das passagens de  aviões entre outras situações consideradas prejudiciais para o processo de aprendizagem.



           Durante a administração estadual subsequente, sob o governo Simão Jatene e a condução da Secretária Rosa Cunha, ocorreram mudanças estruturais que aproximaram o SOME das influências políticas estaduais e municipais. Historicamente, o SOME esteve inserido em dinâmicas políticas locais nas regiões do interior da Amazônia paraense o que prejudicava bastante o andamento do calendário escolar, principalmente, quando a pessoa sem a mínima condição de gerenciar administrativamente o lado pedagógico da educação pública.



           Com a posse do novo governo em 2007, o SOME passou a ser gerenciado por uma pedagoga experiente, que formou uma equipe digna e qualificada com o objetivo de recuperar a credibilidade do projeto junto às comunidades atendidas no Estado.



           Após estudos conduzidos pela Técnica pedagógica e Professora Ester Silva, foi aprovada a mudança de nome do GEEM para SOME – Sistema de Organização Modular de Ensino, conforme portaria 026/08. Em 2010, o SOME estava presente em 96 municípios, 438 localidades e contava com 919 professores, destacando avanços significativos na gestão, com as implantações de quase 200 localidades no governo democrático e popular do PT, com a governadora Ana Júlia Carepa atendendo os processos encaminhados pelas comunidades solicitando o ensino médio.



           A estrutura do SOME é organizada em quatro blocos de disciplinas chamados circuitos, ministrados por equipes diferentes de professores em esquema de revezamento durante o ano letivo. Cada bloco equivale a um módulo trabalhado por 50 dias letivos, com avaliações e recuperação conforme o calendário autorizado, somando os 200 dias letivos obrigatórios. Caso falte professor para alguma disciplina, há reposição por meio de um quinto módulo, garantindo o cumprimento do ano escolar para os alunos matriculados no SOME.


           O SOME atende em média 30.000 alunos por ano em diferentes regiões do Estado, garantindo o direito de acesso e permanência na educação escolar conforme a legislação. Sua atuação é essencial na Amazônia paraense, enquanto não há uma política pública regular que cubra as demandas educacionais básicas em todo o Estado. Hoje, o SOME faz 46 anos de existência, lutas, conquistas e resistências nos rincões do Estado do Pará.


           Diante das demandas das populações dos campos, ribeirinhas, quilombolas, indígenas, extrativistas, assentadas e demais comunidades, é necessário envolver todos os níveis do sistema no SOME, atribuindo responsabilidades claras para garantir a efetividade do processo educativo. A Secretaria Estadual de Educação, que no momento não tem Coordenação Geral do SOME, procura na medida do possível coordenar, apoiar e monitorar o atendimento às demandas, além de elaborar relatórios e articular a formação através da Educação do Campo e precisa de formação continuada dos docentes, com especializações, mestrados e doutorados. Sem Coordenação, o SOME fica vinculado ao ensino médio junto com professores e equipes diretivas, otimizar recursos institucionais, estruturais e humanos para sustentar o funcionamento adequado da maior política de inclusão social da Amazônia.


           Em cada DRE, a diretora deve indicar um responsável para apoiar o SOME e os representantes das Escolas Sede. Esse responsável fará a ponte entre as demandas das escolas e auxiliará no planejamento e acompanhamento das atividades do SOME, garantindo unidade de ação nos circuitos criados. 


Viva os 46 anos do SOME!