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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Uma janela para a Alça Viária

 

 

Ao longo dos 70 km de estrada e 4,5 km de pontes da Alça Viária, percebemos uma série de características importantes que retratam a beleza da natureza, e podemos visualizar o chão durante o trajeto, principalmente quando nos deslocamos para localidades cujo acesso exige o uso dessa via. Mais recentemente, tenho utilizado essa via quando me desloco para localidades onde funciona o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, em Tomé-Açu, Concórdia do Pará ou Bujaru, entre elas: São Raimundo, Tracuateua e São Sebastião, com entrada no ramal do km 24.

 

No estado do Pará, o Projeto Alça Rodoviária (PAR) representou um novo paradigma nas obras de infraestrutura na região Norte devido às ações que contemplaram a variável ambiental. O empreendimento denominado Alça Rodoviária é um sistema constituído de rodovias e pontes, com 66 km de rodovias implantadas e quatro pontes. Estas atravessam os rios Guamá (1.976,80 m), Moju (880 m) e Acará (876 m).

 

Ressalto que algumas áreas de capoeira em trechos da floresta de várzea são pequenas extensões já desmatadas pela ação predatória do homem. Entre as principais situações identificadas, destacou-se o predomínio de vegetação secundária ao longo das margens da estrada. O processo erosivo é influenciado pela escassez de cobertura vegetal, composta por gramíneas e arbustos em algumas partes da área, o que provoca bastante poeira em determinados trechos da estrada e prejudica a visibilidade de quem dirige. Existem áreas com ramais de onde saem caminhões pesados carregados de terra para aterros ou de cascalho, materiais muito utilizados nas áreas degradadas da capital do estado do Pará.

 

Durante os módulos nas últimas localidades citadas, enfatizo que, ao chegar próximo da Alça, percebo uma janela por perto, com um cenário característico diferente para quem vai sair do ramal, já que o carro, mesmo em baixa velocidade, levanta-se bastante poeira, deixando a vegetação suja para trás, principalmente neste período de verão. Não sei se é uma janela que vai me trazer alegria e felicidade, porém ela é importante pelo fato de eu chegar ao chão do asfalto.


Abir Arievilo e Emos implantando o SOME nos rincões do Estado do Pará

 


Abir Arievilo e Emos atuavam no Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, uma política pública que leva o ensino às localidades distantes dos municípios do estado do Pará. Nesse sistema, as aulas são organizadas em módulos, e os professores itinerantes se deslocam da capital e das sedes dos municípios para trabalhar com os alunos e as alunas dessas localidades. Os dois educadores foram lotados para implantar o ensino médio em uma delas, no oeste paraense, às margens do rio Amazonas.


Era o início da década de 1990, e Abir e Emos seriam os primeiros professores a trabalhar naquela localidade. Na coordenação do SOME, receberam a notícia de que o prefeito havia passado por lá e prometido uma festa de arromba para recebê-los. Na noite da chegada, não haveria aulas: toda a população seria convidada a se reunir na praça, onde uma banda de música animaria o povo. No palanque, além dos políticos locais, os professores também fariam seus discursos.


Os dois, que residiam em Belém, ficaram impressionados com o que ouviram na coordenação. Com a carta de apresentação em mãos, saíram para pegar o ônibus de volta para casa. Pelo caminho, Abir perguntou a Emos:


— Emos, você já teve alguma experiência dessa natureza em sua vida?

— Não, meu amigo, nunca!

— E você, Abir, já passou por isso?

— Também não!


A conversa continuou durante o trajeto na “busão”. Em sala de aula, os dois tinham experiência, utilizavam diversas metodologias e sabiam conduzir o trabalho com seus alunos e alunas. Mas pegar um microfone e organizar as ideias diante de um público que não fosse o de seus discentes era outra história.


— Abir, vamos ter que treinar para falar em praça pública. Concorda comigo?

— Sim, Emos, plenamente. Vamos ter que passar por isso, né!

— Temos que fazer isso antes de viajar, certo?

— Com certeza, Emos!

E assim seguiram conversando, pensando no que poderiam dizer quando estivessem no palanque, diante do povo reunido na praça.

 

 

No dia seguinte, os professores foram ao Aeroporto Internacional para pegar o avião rumo a Santarém. De lá, seguiriam até o porto e embarcariam para Juruti. Depois, ainda teriam que pegar outra embarcação para chegar à localidade onde desenvolveriam suas atividades pedagógicas.


Quando os professores chegaram à tarde, toda a comunidade aguardava para recebê-los com respeito. A recepção foi um sucesso e os professores adoraram como pela parte da noite com presença de autoridades, políticos e lideranças comunitárias no palanque de implantação da politica pública na localidade.


terça-feira, 3 de novembro de 2026

Conjuntura Política do Brasil

 


Após vitória espetacular da democracia brasileira com o Presidente Luís Inácio Lula da Silva no segundo turno as eleições no país, o melhor e maior Presidente da História do Brasil conquistou o quarto mandato presidencial com 64 milhões de votos, considerado um processo eleitoral complicado, inclusive, com interferência externa e de outros países com efetiva participação das Big Techs, o abuso do poder econômico e político dos adversários.

 

A vitória no primeiro turno pelo miliciano com a diferença de dois milhões de votos fez com que a coordenação de campanha do Lula e a militância repensassem ações mais efetivas para chegar sociedade brasileira, buscando no eleitor que votou em branco, eleitor que não participou do primeiro turno, eleitores indecisos, eleitores idosos, eleitores jovens e reverter votos. O engajamento político da militância e apoiadores refletiram a necessidade de ver dois campos importantes para reverterem a diferença de votos e buscar os outros eleitores: as ruas e redes sociais consolidando o tetracampeonato na Presidência da República, vencendo as eleições com uma diferença de 4,4 milhões.

 

Importante ressaltar um setor estratégico da sociedade brasileira foi a participação das pessoas com mais de setenta anos que foram votar no segundo turno com incentivos efetivos da juventude, principalmente, dos filhos, noras, cunhadas, cunhados e dos netos, já que no Brasil o voto nesta faixa etária não é obrigatório. Com um número significativo que foram votar para ajudara salvar a democracia brasileira que corria risco de virar “quintal de outros países” e entregar para grupo político de milicianos. A maioria foi votar no metalúrgico Lula e deram uma lição de vida, de consciência cívica e salvando politicamente o nosso país.

 

Diversas categorias se organizaram defendendo a campanha de Lula sabendo da importância da democratização da sociedade e o amor para todos. Os artistas, com cantores, compositores, escritores, poetas, poetisas, cordelistas, atores, atrizes; influencers, exército digital, políticos novos eleitos, trabalhadores de diversas categorias, mulheres, democratas, nacionalistas, profissionais liberais, como advogados, professores do ensino básico e universitários, evangélicos entre outros setores da sociedade brasileira.

 

Lula com 51,79% de votos válidos virou o jogo contra os conservadores e milicianos  


quarta-feira, 7 de outubro de 2026

Relembrando momentos interessantes como mochileiro do Sistema Modular

 


Não podemos negar que ensinar é um ato de muita coragem e dedicação em que deixar familiares e amigos para trás não é fácil, mexendo com sentimentos e emoções, mas quem trabalha no magistério do ensino básico, com exclusividade para o ensino médio, nos rincões da Amazônia, seja no Amazonas, seja no Pará ou seja no Amapá entre outros Estados e municípios do Brasil sabe que, antes de chegar nas localidades que desenvolve suas práticas educativas, a coragem precisa enfrentar os rios, igarapés, ramais, estradas e o céu, como acontecia até o ano de 2003, quando o SOME é desestruturado pelos tucanos que estavam no governo estadual. A partir deste ano, esta política pública, fica nas mãos das oligarquias regionais e municipais. No Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), a sala de aula não começa no sinal que bate na escola; ela começa no trapiche, na beira da pista de pouso, na mala arrumada com o peso da ausência de casa, descendo dos ônibus, vans, kombis e o contrabando de esperança por uma educação digna e melhor.


Foram quase trinta anos viajando no mapa do Estado do Pará, desenhando o chão das escolas e pintando pontes nas vielas da Amazônia paraense. Quem olha de fora vê apenas o deslocamento entre Belém e os municípios; quem vive, sente o compasso do coração acelerar quando o motor da rabeta silencia no meio do estirão ou quando o avião teco-teco, feito folha seca no vento de fim de tarde, balança nas nuvens pesadas a caminho da capital das lindas mangueiras, que alegria e que felicidade. No ano de 1990, com destino para Santarém e desenvolver minhas práticas educativas em Belterra, base física do Ministério da Agricultura, quando me deparei estava chegando em Manaus, capital do Estado do Amazonas, que nos acolheu quando o temporal fechou o teto do mundo; em outras tardes, foi o silêncio súbito de um apagão em pleno voo que nos fez pensar simplesmente, segurando a pulseira do relógio como se fosse um amuleto, agora, é interessante esta narrativa dos mochileiros do Modular.


Nas andanças pelo Pará, viajar por todas essas bandas é aceitar que a vida flutua pelos bons caminhos com trajetórias lindas. Cortar as ondas rumo ao Marajó, rasgar a correnteza em direção a Abaetetuba ou atravessar furos com águas baixas, realmente, não são escritas em um diário de turismo, que possam servir como relatório de uma agenda bonita. São realidades diárias, semanais, quinzenais ou mensais. Cada tempestade que deforma o horizonte é um lembrete da nossa fragilidade, mas cada porto alcançado é a certeza de que a caneta ainda tem tinta e a voz ainda tem força para abraçar e trocar o conhecimento com ribeirinhos, quilombolas, indígenas, assentados e camponeses.


O paradoxo é doloroso. Quem governa em gabinetes refrigerados e dita as regras do orçamento costuma enxergar a educação na planilha dos gastos, nunca como investimentos. Enquanto canetadas garantem privilégios e salários intocáveis no topo da pirâmide política, os professores do SOME segue na base, equilibrando-se em transportes superlotados, enfrentando a precariedade com a dignidade de quem sabe que o conhecimento é a única ponte verdadeira para a liberdade daqueles alunos e alunas matriculados nesta importante política pública.


Mas o rio corre, o tempo avança e a história se escreve. Apesar do esquecimento institucional, há uma riqueza que nenhuma autoridade pode confiscar: o brilho nos olhos do estudante que vê a comunidade mudar porque o professor desembarcou do barco ou chegou de ônibus.


Eles enfrentam o vento, a chuva e o descaso. Mas, no fim do dia, a lição mais bonita que o SOME deixa nas águas da Amazônia é que, para um verdadeiro educador, desistir nunca foi uma matéria do currículo. Experiências válidas e marcantes que ficam na memória e que entram em nossa história.

Viva aqueles que navegam para ensinar!


sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Café Literário Paraense da EEEFM "João Carlos Batista" (Coqueiro/Ananindeua/Pará)

 




Aconteceu pela parte da manhã de hoje, o Café Literário Paraense, na EEEFM "João Carlos Batista", localizada na passagem Moreira, 26D, próximo da feira do 40 Horas, Coqueiro, Ananindeua, Estado do Pará, com participação de alguns membros da Academia de Letras de Ananindeua - ALANIN, que foram fundamentais nas atividades pedagógicas realizadas com a comunidade escolar. 




Com alunos, professores, equipe técnico-pedagógica, cordelistas, poetas, poetisas, escritores, jornalista, editores e cronistas executaram o projeto de intervenção pedagógica marcante como um grande evento cultural que reuniu travessias entre literatura, músicas, apresentações, cordeis, poesias e as tradições com base nos autores presentes, em especial, as lendas amazônicas e identidade amazônica.



 

O evento cultural na Escola "João Carlos Batista" café, livros e versos foi um encontro de poesia, leitura, afeto com destaque as participações dos alunos e alunas.



O Café Literário Paraense representa inovação e criatividade na arte da aprendizagem entre os acadêmicos da Academia de Letras de Aanindeua - ALANIN e a Escola pública como livro novo aberto, momento importante no chão das ideias, sendo que os academicos sentaram na cadeira da Escola, de madeira em que incomoda na hora de pensar, experiência por mais de trinta anos nesse chão, deste Blogueiro.




Parabenizo tod@s os envolvi@s nesse projeto de intervenção escolar, que a Escola pública e a ALANIN continuem entrelaçadas para que a educação realmente seja digna e de qualidade.





As imagens representam o sucesso do Café Litarário Paraense na EEEFM "João Carlos Batista".














Imagens clicadas pelos membros da Academia de Letras de Ananindeua - ALANIN.

sexta-feira, 31 de julho de 2026

Crônicas de um Educador de Escola Pública (Livro)

 





📖 LANÇAMENTO!  


CRÔNICAS DE UM EDUCADOR DE ESCOLA PÚBLICA 


Escritor José Ribamar Lira de Oliveira 


Memórias, Lutas e Resistências na Educação que Transforma


Um relato verídico da educação na Amazônia.  


Histórias de luta, esperança e transformação.


*R$ 50,00* | Envio para todo Brasil 🚚  

Peça pelo WhatsApp: *(91) 98499-6619*

sexta-feira, 24 de julho de 2026

Sessão de Autógrafos na XXIX Feira Pan-Amazônica do Livro e das Multivozes - Belém do Pará (Brasil)

 






Sessão de autógrafos na maior feira do Norte! 


📚📚📚


29ª FEIRA PAN-AMAZÔNICA DO LIVRO E DAS MULTIVOZES  

Dia: 30/08/2026 - Domingo  

Horário: 16h  

Local: Hangar

 Stand Escritores Paraenses 


E com 2 livros lindos representando a Amazônia e a Educação:


1. Educação na Amazônia em Repertório de Saberes: o Sistema de Organização Modular de Ensino, (Org. Marina Sousa, Sérgio Bandeira e Ribamar Oliveira)  - Vol. III  

   

2. Crônicas de um Educador de Escola Pública  

   José Ribamar Lira de Oliveira  

   "Memórias, lutas e resistências na educação que transforma"  

 


16h no Hangar, Stand Escritores Paraenses


16 horas no Hangar.  

Caneta na mão, coração na ponta.  

Livro novo cheirando tinta.  

Gente chegando com história pra contar.  


Não é só autógrafo.  

É encontro.  

É aluno que virou leitor.  

É professor que virou colega.  

É Amazônia assinada, página por página.


Dia 30 de agosto(Domingo), às 16h, Stand Escritores Paraenses 

Contamos com  presença de tod@s! 

E a educação paraense ganha mais voz.


Agende -se!


Prefácio produzido pela Mestra Marina de Sousa Costa para o livro Crônicas de um Educador de Escola Pública


           Estava eu, me preparando para receber a fase da aposentadoria, tecendo algumas expectativas para um tempo de ficar de boa, de não ter nada, no rigor do relógio,  para fazer. Eis que meu amigo José Ribamar, querido Ribinha, me entrega sua produção literária para ler e ajudar na revisão, e me “intima” a prefaciá-la. Logo, minhas expectativas tiveram que incluir alguns fazeres que imaginava, não mais exerceria.

           Prefaciar uma obra, que trata no seu maior campo, as vivências no Sistema Modular de Ensino, é motivo de orgulho e atividade irrecusável. Trata-se de apresentar algo que é parte de mim, é parte de minha história. Falarei com a propriedade de quem, durante quinze anos, viveu no Sistema Modular de ensino, grandes experiências profissionais e experiências de vida extraordinárias. Portanto, me sinto muito a vontade para essa apresentação, com uma certa pavulagem.

           Essa obra merece destaque porque sugere diálogo, se estrutura na construção de narrativas através da fala de personagens que retratam uma realidade vivida, Abir e Emos, que no processo inverso das grafias, tecem um embaralhamento dos acontecimentos por eles vividos nos trilhos da Educação e mais, essencialmente, no então Projeto de Ensino Modular, atualmente já regulamentado como Política Pública de Educação do Estado do Pará.

           Abir e Emos, mergulham nas conversas que emergem de suas memórias, em episódios que eram vividos por eles, mas que também não eram únicos. Das suas histórias identifica-se explicitamente, também, as histórias de muitos e muitas, no universo dimensional paraense, abrangido pelo SOME. São tantas situações enfocadas, no campo de trabalho, longe de ser uma ocorrência pontual ou isolada, pois o exercício da docência no SOME, sempre esteve cercado de um conjunto de fatores pertinentes  na consolidação da prática educativa, formando um eixo de necessária interação, envolvendo, entre outras, o percurso e mobilidade de acesso dos profissionais da Educação até a localidade de trabalho, a chegada, a moradia temporária, o material de trabalho, a acolhida na comunidade, a inserção na escola, a aproximação com as famílias dos educandos e das educandas, etc. por fim, até a ressonância do papel docente e os resultados de seu trabalho.

           É por todos esses segmentos que acabei de elencar, que Emos e Abir, se debruçam a transportar para as páginas literárias, as páginas da vida. São episódios de quem experienciou a essência da Educação, entre um emaranhado de ir e vir, entre transtornos e êxitos, entre pesos e levezas, cansaço e regozijo, desgastes e sucessos, insegurança e empoderamento etc.   

           Nas narrativas de Abir e Emos, fica a transparência dos seus prazeres por oportunizarem a adolescentes, jovens, homens e mulheres, descobrirem-se como sujeitos sociais de direitos, apontando caminhos em que eles possam assumir o protagonismo de suas próprias histórias.       

           É muito interessante a escolha do autor no formato de sua obra, dando vida a personagens que discorrem sobre as vivências, do próprio escritor, de forma simples, suave e agradável. Uma leitura imperdível. Parabéns, Ribinha, pela ousadia e pela grandeza da obra. E obrigada pelo convite.  

                    



                        Marina de Sousa Costa 


                             SUCESSO!