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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Nunca falei sobre isso, mas hoje resolvi falar !


                                                                       

                                                                                * Emily Cristine Silva Carvalho



Muitos acham fácil ser professora do SOME, eu sei que não é, pois sou filha de uma, vejo todas as semanas a minha mãe saindo de casa, com incerteza de que ela vai voltar, ela arriscar a vida dela nas estradas ( precárias na maioria das vezes) para levar o conhecimento até outros, esses outros por vezes são ingratos e fazem coisas inadmissíveis, coisas que quem reconhece o trabalho de professor jamais teria coragem de fazer, ameaças e outros, não é fácil para mim que sou filha e preciso da presença da minha mãe em casa não a ter, e quando ela chega e conta o que aconteceu durante a semana, fico com mais medo ainda. Para os alunos ela só é mais uma professora que está cumprindo o seu papel, para mim ela é uma mãe que sai de casa e enfrentam perigos para me dar o melhor, para vocês ela é substituível para mim nunca será. Um professor do SOME (Sistema Modular de Ensino), enfrenta várias barreiras, deixa para "trás" à família, os bens e tudo o que tem, para "te" ensinar e tu não reconhece, então tu não é digno de merecer respeito...



Mãe venho por meio desse mostrar o quanto admiro a sua coragem de toda semana sair e enfrentar perigos por mim e pela nossa família,  enfrentar essa estrada que não é fácil, enfrentar tudo...  Te agradeço por tudo que fazes, te amo!



E espero que "vocês" alunos adquiram mais respeito e gratidão à todos os professores, não só do SOME mais todos os professores, eles arriscam suas vidas todas as semanas para darem a vocês conhecimento e vocês não reconhecem, assim é complicado.



#vidademoduleironãoéfacil




 Rali é para os fracos, aqui é SOME!



 VIVA O SOME!



* A autora, de 13 anos, é filha da Professora do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME,


Elaine Carvalho.

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Vestibular da UFPA - 2019 - SOME














O Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, é uma política pública gerenciado pela Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará - SEDUC, em funcionamento desde 1980, iniciando em um primeiro momento com quatro localidades, em 4 municípios.






No momento, o SOME, funciona em 98 municípios do Estado, com mais de 460 localidades e aproximadamente 1.100 professores, na zona rural, tendo como clientela os filhos dos trabalhadores rurais, ribeirinhos, quilombolas e povos da floresta. 






Como fui educador do Sistema Modular por 29 anos, iniciando no magistério dessa modalidade de ensino, trabalhando com essas categorias que são mais exploradas da sociedade, me deixou muito feliz, com aprovação em massa dos educandos do Some, nos diversos cursos, como medicina, geografia, letras, química, geografia e outros cursos, assim, como ex alunos.





Sabemos das dificuldades e limitações dos nossos alunos, assim como do próprio Sistema Modular. Mesmo assim, eles são guerreiros e estão de parabéns como suas famílias, pela aprovação na Universidade Federal do Pará, Ufpa, universidade pública.





Essa juventude é fera! Vamos que vamos galera, mostrem do que são capazes, Orgulho de vocês...corram atrás dos seus sonhos. Torcendo por vocês e a categoria dos educadores muito feliz, nós agradecemos. SOME Sempre!




































































Imagens dos professores, familiares e dos universitários. O Blog do Riba parabeniza todos.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Dalcídio Jurandir




                                                    * Professora Fátima Olivceira


O escritor Dalcídio Jurandir é um dos romancistas que mais me fascina. Ao ler a obra Passagem dos Inocentes, pude perceber a infinidade de informações referentes ao cotidiano do aluno. Através do Alfredo , a personagem principal e, porta voz do aluno inquieto que compara o ensino no Grupo Escolar Barão do Rio Branco, no início do século XX, em Belém do Pará, e da sala de aula no Marajó. Também narra indícios das aulas tão monótonas, ele diz: Sem ao menos um pé de sabugueiro para ilustrar na aula de ciência, por exemplo. Ou quando relata sobre as greves e passeatas que acontecem na capital. 



Na Santa Casa, morte das crianças já anunciavam a tragédia dos descaso do governo. Ao mesmo tempo, é o aluno que tem bom gosto, estuda no melhor grupo escolar atravessa a estrada de Nazaré. Sinalizando o início da urbanização de Belém.



Enfim, Dalcídio Jurandir, deixou um legado de obras que dão leituras super prazerosas.



Dalcídio Jurandir do Marajó para o mundo.



* Fátima de Oliveira é Professora de História, da SEDUC, Pa.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

Feliz 2019



O Blog do Riba deseja um ano de prosperidade, paz, luz, saúde, alegria, energia positiva e um mundo mais justo com igualdade social. 


Que continuemos firmes na defesa de um Brasil democrático, com muitas lutas e resistências. O ano que chega vai exigir de todos os trabalhadores coragem para avançar pelas suas conquistas de direitos e impedir que os retrocessos se consolidem.


Feliz 2019 para nossos colaboradores e leitores. Abraços.



quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

DESAFIOS


                                                                               TIESE TEIXEIRA JR




           
À medida que o barco se aproximava da ponte principal, daquela pequena cidade do Baixo Amazonas, meus nervos se agitavam. Fui tomado por um medo sem explicação, parecia que aquele era o meu primeiro módulo como professor, eu que já estava naquela vida há uns dez anos. Senti uma tristeza enorme. Meu colega, professor de geografia deu um sorriso, bateu no meu ombro e disse que, no final daquele período eu iria sentir falta do lugar. Claro que resmunguei de forma negativa. Imagina saudade disso aqui, pensei comigo.



Ficamos no cais. Assisti à partida do barco, querendo mesmo seguir viagem. Caminhamos em direção à casa dos professores. Chegando lá, estava fechada. Logo, uma vizinha, daquelas portadoras de más notícias, veio nos dizer que não havia água e nem energia elétrica na casa. Ficamos uns trinta minutos esperando a diretora da escola aparecer, e confirmar as informações que já tínhamos. Naquela noite dormimos num hotel. Nossa como tinha mofo naquele quarto. O ventilador do teto rodava lentamente, e pela pequena janela, entrava mais folhas, trazidas pela ventania, que vento propriamente.



Bem, dormimos ali. Bem cedinho fui acordado por uma voz bem potente de uma mulher, que imaginei estar brigando com alguém. Estava errado. Era sua forma natural de falar. Tomamos café e fomos conhecer a escola. Saber de horários e número de turmas. Quando voltamos fomos comunicados que a casa dos professores já estava pronta para nos receber. Pegamos nossas malas e partimos. Como era quente aquela casa. Naquele módulo dormi a maior parte do tempo na área da casa. Só possível, por que morávamos no segundo andar.



À noite, começamos a trabalhar. Eu, e meu colega, os demais, ainda não tinham chegado. De cara gostei de todas as turmas. Os alunos pegavam as explicações rapidamente. O conteúdo fluía. O tempo parecia passar mais depressa. A localização da escola favorecia as aulas. Localizada numa área ampla, com salas ventiladas e uma distância adequada entre as salas de aula, aquele ambiente logo fez desaparecer meus sentimentos do dia da chegada.



Aqueles alunos carregavam uma energia, uma vontade de estar ali, que me levaram por várias vezes a extrapolar o horário das aulas. Havia uma atmosfera diferente no ar. Sempre que entrava nas aulas, parecia ser transportado pra outro lugar. Estudamos vocabulários, estruturas gramaticais, lemos, produzimos textos e cantamos, ah! Como cantamos naquelas aulas. Por vezes desafiava alguém em especial a ler ou cantar, e eu sempre perdia os desafios. Mas perdia-os com gosto. Acho que nunca dei tanta risada em toda a minha vida de professor como naquelas aulas.



Com o passar dos dias, comecei a perceber que já tinha lembranças de fatos ocorridos naquela cidade, naquela escola, com aqueles alunos. Às vezes era tomado por uma sequência delas. Eu que vivia com o calendário nas mãos contando os dias pra terminar o módulo, me peguei deixando a folhinha de lado. Mergulhado na gostosura de aulas que jamais pensei, pudessem me provocar tais sensações.



De repente, o tempo passava mais depressa e o fim daquele período se aproximava. Começaram as articulações das turmas pra realização de festas de despedida. Sempre que ouvia alguém falar algo sobre o assunto, pensava que em breve não estaria mais ali. Entre alunos tão especiais que me faziam repensar minha prática pedagógica. Experimentar coisas novas. Eu que julgava já não ter mais o que descobrir em sala de aula, me pegava como uma debutante, no primeiro dia, parecia estar descobrindo as belezas de ser professor ali, no lugar em que outrora, nem quisera desembarcar.



Mas enfim, chegou o último dia de aula do módulo. Fui pra escola fazer a entrega das provas finais e das notas. Os alunos foram todos aprovados. Tem professor que gosta de dar a nota mínima, sempre gostei de dar a nota máxima, dez, claro que tem aqueles que não a alcançam, mas nem por isso ficam reprovados. À noite, foi de fato especial. Leitura de poemas, músicas de voz e violão... Declarações carinhosas de ambas as partes, e óbvio, comilanças, se não, não seria uma festa de enceramento.



Na tarde do dia seguinte parti. Deixei pra trás alunos inesquecíveis. Levei comigo, uma mala a mais na bagagem, carregada de experiências que tornaram minha caminhada na docência, bem mais prazerosa. Dali em diante sempre que apareceu uma turma daquelas que nos desafiam, lembrei-me dos meus alunos do baixo amazonas e senti força pra me reinventar como professor.



CONTO DO LIVRO ESCOLAS DA AMAZÔNIA: MEMÓRIAS, BELÉM, PAKATATU, 2015 TIESE TEIXEIRA JR É PROFESSORA DA ESCOLA BÁSICA, NO INTERIOR DO PARÁ. PESQUISA E ESCREVE LIVROS SOBRE AS AMAZÔNIAS BRASILEIRAS.                                             

sexta-feira, 14 de dezembro de 2018

O Some nas águas da Amazônia








Cotidiano dos alunos ribeirinhos do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME. Imagens dos anos de 2006, 2007 e 2008, quando trabalhei nas Ilhas, do município de Abaetetuba.








Experiências importantes e produtivas durante os três anos que desenvolvi minhas atividades pedagógicas, como educador nas águas da Amazônia.








Fazendo a leitura das imagens, elas refletem uma realidade constante. O grande fotografo Sebastião Salgado disse tudo, que as imagens falam.