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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Confraternização do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME

 





No dia 31 de janeiro do corrente ano, foi feita a confraternização dos ex-professores do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, em uma sede social em Belém do Pará. O evento que contou com aproximadamente 70 pessoas foi um sucesso. E como mensagem, o professor Carlos Barbosa, popularmente conhecido como Buda, organizou um belo texto. Parabéns, Buda, pela produção escrita!

domingo, 18 de janeiro de 2026

Andanças e Aventuras pelo Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME

 





Em janeiro de 2014, fui lotado para localidade de São Joaquim de Ituquara, município de Baião, na Amazônia paraense, não é um lugar comum, com oportunidade  de vivenciar a realidade  daquela  região, para uma reposição de 25 dias pelo Sistema de Organização Modular de Ensino-SOME. Saía de Belém no domingo para dormir na sede do município e na segunda feira pegava cedo a embarcação com destino  ao município de Tucuruí, já que meu destino ficava no meio do caminho dessa trajetória marítima pelo Rio Tocantins,  sendo uma jornada e tanto! E mais legal é que aprovetei ao máximo,  aprendendo e se encantando com as paisagens e culturas locais e com belas aventuras. Este deslocamento era tranquilo com aproximadamente três horas de viagem pelo Rio Tocantins, que apresenta encantos e magias em seu curso, segundo o povo que conversava na lancha. Essas andanças como modulindo proporcionou muitas experiências, conhecimentos e aprendizagens na arte de deslocar pelos rincões do Estado do Pará. Imagem do Porto de Baião aguardando a embarcação.


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Educadores em Movimento

 



                 *Carlos Prestes

                 *Ribamar Oliveira

 

 

Diversos profissionais se empenham em levar conhecimento às regiões distantes do Estado do Pará. Entre eles estão os educadores da política pública administrada pela SEDUC/PA, que atuam no Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), implementado em 1980 para suprir a demanda por ensino médio em vários municípios.

 

“Quão esperançosa não foi a implantação

Desse projeto de educação

Que levou aos recônditos  do Pará

Este ensino digno de se exaltar

Que vem aos trancos e barrancos se segurando

Que se chama sistema modular...”

 

Ao cruzar fronteiras, seja de cidades, municípios e localidades, os educadores moduleiros vivem experiências que transcendem as paredes da sala de aula. Cada jornada é um convite para o aprendizado mútuo, onde ensinar e aprender se entrelaçam nos detalhes do cotidiano, nas conversas com desconhecidos e nos contrastes culturais que pintam o mundo com múltiplas cores.

 

“Fronteiras invisíveis

Localidades encobertas

Educador pra toda obra

Experiencia fincada no dia a dia

Quebrando a parede que vai além

Muito além da sala de aula...”

 

Quando educadores moduleiros embarcam rumo ao desconhecido, carregam consigo não apenas livros, mas inquietações de quem deseja descobrir. Mas descobrir o quê? Porque ensinamos, porque queremos ensinar, o que queremos ensinar, pra quem ensinar e pra que ensinar. Só quando descobrimos isso é que ensinar passa a ter um sentido real e significativo em nossas vidas. E é nesse sentido que os olhares curiosos dos educadores transformam embarcações em salas de aula, ônibus em bibliotecas ambulantes e públicas, e praças em laboratórios de diálogos. Cada novo destino é uma página em branco, pronta para ser preenchida com histórias e aprendizados em novos capítulos que poderão surgir.

 

“E assim, embarca o educador

Rumo ao desconhecido

Nas mãos vai o livro

Mas no fundo, no fundo...

Quer descobrir-se a si mesmo

E vai preenchendo uma página em branco

Toda vez que aporta num município...”

 

Nos percursos, os educadores se deparam com profissionais de diferentes origens. As conversas sobre métodos de ensino, os desafios enfrentados em sistemas educacionais diversos e as soluções criativas tornam-se fonte de inspiração. As trocas de experiências transcendem as barreiras das línguas, culturas, ambientes: gestos, olhares e sorrisos criam pontes invisíveis que sustentam o aprendizado geral.

 

“Em meio a tantos educadores num só lugar

As origens são embaladas pra lá e pra cá

Os desafios hão que se enfrentar

Nas trocas de experiencias entre um e todos

Que transcendem barreiras

E até os ruídos de bafafás...”

 

Ensinar em ambientes diferentes exige flexibilidade e respeito. Os educadores moduleiros precisam adaptar suas ferramentas pedagógicas, entendendo que cada cultura possui seus ritmos, suas expectativas e suas formas de aprender. Ao lidar com as diferenças, os educadores descobrem os seus valores de ouvirem, observarem e reinventarem suas práticas, tornando-se cada vez mais plural e humano.

 

“A cultura tem suas múltiplas faces

E o aprender se revela nessa diversidade

De pensar por si e pra coletividade

Reinventando a prática de educar

A fim de se pluralizar e se humanizar

Por que valores não são vaidades...”

 

Nos retornos, os educadores moduleiros não são mais os mesmos. Carregam nas bagagens não só lembranças materiais, mas principalmente percepções renovadas sobre o ensino, o papel dos educadores e a riqueza das diversidades e suas culturas. Compartilham com colegas e alun@s histórias que provocam reflexões, ampliam horizontes e ensinam que o mundo pode ser explorado também pelos olhos do conhecimento.

 

“E quando voltamos pra casa

Muita coisa mudou... caiu a casca

A maleta vem mais pesada

rica, não de pedras preciosas

mas de uma esperança renovada

de tanta cultura compartilhada...”

 

Ser educador moduleiro é cultivar um espírito inquieto, aberto e generoso. É entender que cada lugar traz lições e cada pessoa pode ser mestre em algum saber. É mostrar aos alunos que aprender é um movimento constante, uma jornada que nunca se encerra e que se expande a cada novo passo dado além dos próprios limites.

 

“Ah, seu moduleiro itinerante!

De espírito inquieto, aberto e generoso

Colheste tantas lições

Aprendeste tanto com o mestre garoto

Ensinaste, sim, ensinaste

Mas sabes bem que o giro é constante...”

 

Assim, a prosa dos educadores moduleiros é um convite: que todos possam partir, mesmo que seja apenas pela imaginação, na busca por novos olhares sobre o mundo e sobre si mesmos.

 

“Essa prosa de moduleiro

É um convite pro velho e pro novo

Partamos, mesmo na imaginação

Aos antigos e novos refúgios

Não nos acomodemos

Vamos de mãos dadas olhar o mundo.”

 

 

 

*Os autores são escritores, poetas e ex-professores do Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME


quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Educação Ribeirinha

 

No interior do Pará, populações ribeirinhas tiveram acesso limitado à educação, especialmente durante a Ditadura Militar, quando os investimentos nacionais priorizavam grandes projetos em áreas urbanas e rurais. O Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), criado em 1980 pela FEP, surgiu como alternativa para incluir estudantes dessas regiões, expandindo-se para áreas rurais, quilombolas, indígenas e locais de difícil acesso.


Durante três décadas, o SOME promoveu atividades pedagógicas em diversos municípios e comunidades ribeirinhas, consolidando-se como política pública educacional voltada à inclusão. Em 2014, a Lei nº 7.806 formalizou o SOME como política educacional estadual, resultado de articulações entre professores, SINTEPP e governo.


Apesar dos avanços, persistem desafios na infraestrutura escolar rural, com aulas frequentemente ocorrendo em ambientes improvisados e sem recursos adequados, prejudicando a qualidade do ensino. Em 2017, o SOME atendeu mais de 35 mil alunos em 97 municípios; em 2024, foram cerca de 33 mil alunos em 86 municípios. Apesar das dificuldades, o sistema mantém sua relevância e continua evoluindo.


terça-feira, 12 de agosto de 2025

Doação de Livro para Biblioteca do Campus de Abaetetetuba (UFPA)

 





O volume III da Coleção Educação na Amazônia em Repertório de Saberes: o Sistema de Organização Modular de Ensino foi doado para Biblioteca Professora Conceição Solano, Campus de Abaetetuba, Universidade Federal do Pará - UFPA pelo Professor Sérgio Bandeira do Nascimento, um dos Organizadores, juntamente com os professores Marina de Sousa Costa e José Ribamar Lira de Oliveira.





Desde o lançamento do volume I em 2020 e do volume II em 2022, os Organizadores têm realizado a doação dos volumes para bibliotecas públicas do Estado do Pará, proporcionando acesso as leituras, pesquisas e estudos para acadêmicos que não possuem condições de adquiri-los.





O Volume III da coleção "Educação na Amazônia em Repertório de Saberes: o Sistema de Organização Modular de Ensino" conta com a participação, além dos Organizadores, de Autores como Carlos Alberto Prestes, Flávio Figueredo Santos Filho, Agenor Sarraf Pacheco, Altelmara de Sousa Silva, Luciandro Tássio Ribeiro de Sousa, Tânia Suely Azevedo Brasileiro, Luiza Cardoso de Melo, João Paulo da Conceição Alves, Gevanildo dos Santos Silva, Auristeles de Sousa Silva, Edinilson Sérgio Ramalho de Souza, Cláudia do Socorro Carvalho Miranda, Iorque Garcia Filgueiras e Francisauro Fernandes da Costa.


Com as publicações dos três volumes e doações pelos Organizadores e Autores, tem ampliado os novos estudos em diversos temas tendo o SOME como foco de estudo e possibilitando visibilidade dessa importante política pública da Amazônia paraense, que completou 45 anos, atendendo os filhos dos camponeses, quilombolas, indígenas, assentamentos, extrativistas, ramais, estradas e ribeirinhos 


Interessad@s em adquirir, entre em contato com os Organizadores e Autores. 


domingo, 3 de agosto de 2025

1º Encontro dos Trabalhadores e Trabalhadoras do SOME/SOMEI, em Belém do Pará

 





Aconteceu nos dias 1 e 2 do mês de agosto de 2025, o 1º Encontro de Trabalhadores e Trabalhadoras do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME e Sistema de Organização Modular de Ensino Indigenas - SOMEI, no auditório do CCBEU, ao lado do Sindicato, em Belém do Pará, sob coordenação do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Educação Pública do Estado Pará - SINTEPP, com a participação dos delegados e delegadas das Sub-sedes de todo o Estado do Pará. 



Tendo como tema do Encontro SOME/SOMEI A Permanência e Valorização do Sistema de Organização Modular de Ensino, sendo o objetivo social-político o desenvolvimento de discussões permanentes sobre educação modular no Estado do Pará. 




O SOME foi constituído como política pública de educação do Estado do Pará mediante a Lei 7.806/2014. Sua história iniciou no interior da Fundação Educacional do Estado do Pará - FEP e no ano de 1982, passou sob responsabilidade da Secretaria de Estado de Educação (SEDUC). Atualmente, atende entre 98 e 104 municípios nos rincões do Estado e em mais de 500 localidades, 1.452 professores e mais de 30.000 alunos e alunas. Sem dúvida, o SOME, tem como foco o atendimento das necessidades rurais e o Encontro ofereceu uma oportunidade única para educadores, gestores, estudantes e entidades governamentais e não governamentais que discutiram os desafios e avanços dessa importante política pública. Portanto, considerado um dos maiores eventos quanto sua qualidade nas palestras, nas intervenções e marco histórico para categoria. 

   



No primeiro dia do Encontro, aconteceu o credenciamento na sede do Sintepp, depois teve a Mística, na Praça da Batista Campos. No retorno para o auditório do CCBEU, aconteceu a Abertura com as falas dos representantes do Sintepp, CNTE, Representante Indigenas e Quilombolas. A primeira mesa, que tinha como tema SOME: 45 anos de luta e resistência levando a educação pública aos campos e aos rios, que teve como palestrantes Ribamar Oliveira (Editor do Blog do Riba e ex-Coordenador do CESOME), Prof. Gedeão Arapyú - SOMEI, e Profgessores Vinicio Nascimento e Elson (Coordenadores da Educação do Campo) e apoio da professora Andréia. Após o almoço, a palestra CEMEP: As dimensões e impactos no Pará - Copilações de fotos (CEMEP) - Quadro Geral do CEMEP no Pará, como palestrantes: Mateus Ferreira - SINTEPP, Salomão Haje (ICED - UFPA), Diego Maia - Secretaria Adjunto da SEDUC, Valdir Macieira - MPE e Dr. Rafael - MPF. Outra mesa, Identidade SOME/SOMEI: definição de uma diretriz SOME/SOMEI. Ultima mesa, A importância da união do SOME/SOMEI, indigenas, quilombolas e ribeirnhos na luta pela educação pública de qualidade que respeite as especificidades no Estado do Pará, palestrantes, Livia Duarte, ALEPA, Jota Santos AMARQUALTA, Fabio Pinto, SOME, Patrick Borari, SOMEI, Vinicio Nascimento, Educação do Campo, SINTEPP. Jantar.




No segunto dia do evento, a primeira mesa, Infraestrutura e condições de trabalho do profissional do SOME, palestrantes, Rainilza Rodrigues, SINTEPP, Anderson Dias, SEDUC, Vanilda Araújo, SOME, Marcelo Borari, SOMEI, Vera Alves, CEIND. A segunda mesa, Formação das Escolas Rurais e o SOME/SOMEI, palestrantes, Haroldo Freitas, CEE, Igor Ocada, SEDUC. Almoço. Mesa: “Formação dos Conselhos Escolares das Escolas Rurais e o fortalecimento do SOME/SOMEI: a necessidade da urgente efetivação e direcionamento dos recursos para a manutenção do SOME/SOMEI” , Palestrantes * Prof. Ronaldo Rocha - Coord. Estadual * Prof. Elson Barbaso - Coord. de Educ. do Campo e Ribeirinha * Prof. Kleber Piedade SINTEPP REGIONAIS * Sra. Luciana – SEDUC, Mesa: “A Luta pela manutenção e permanência do SOME/ SOMEI: o papel docente em cada Município e os desafios perante os desmontes da Educação Pública na Amazônia Paraense” , Palestrantes: * Dr. Walmir Brelaz - Assessor Jurídico do Sintepp * Prof. André Silva - Coord. Estadual Sintepp * Prof. Alex Ruffiel - PROFESSOR SOME * Prof. Estelino Brito - Representante do SOMEI * Prof. Gedeão Arapyú - Representante da Educação Indígena * Prof. Josias Santos - Representante da Educação Quilombola, Mesa: “Saúde Mental do Profissional do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME/SOMEI)” ,Palestrantes * Prof. Aldo Brito - Psicólogo * Brenda Lopes - Psicólogo SEDUC 18h00 - Mesa de Encerramento * Profª Conceição Holanda - Coord. Geral do SINTEPP * Prof. Saulo Ribeiro - Coord. de Sec. Geral do SINTEPP * Prof. Vinicio Nascimento - Coord. de Educ. do Campo e Ribeirinha * Profª Mila Munduruku - Representante do SOMEI * Profº Ronaldo Sateré - Representante do SOMEI * Profª Rafaela Cristina - Coordenadora Regional do Sintepp, Mesa de Encerramento : Profª Conceição Holanda - Coord. Geral do SINTEPP * Prof. Saulo Ribeiro - Coord. de Sec. Geral do SINTEPP * Prof. Vinicio Nascimento - Coord. de Educ. do Campo e Ribeirinha * Profª Mila Munduruku - Representante do SOMEI * Profº Ronaldo Sateré - Representante do SOMEI * Profª Rafaela Cristina - Coordenadora Regional do Sintepp





O I Encontro SOME/SOMEI terminou por volta das 20 horas com encerrameto das mesa e os agradecimentos.









1ª mesa do Encontro Ribamar (SOME) e Gedeão(SOMEI)


Fernando Carneiro(Ver.), Jane(MST), Jota(Quilombola)






Antes do encerramento, o SINTEPP adquiriu livros do volume II e III, da Coleção Educação na Amazônia em Repertório de Saberes: o Sistema de Organização Modular de Ensino para sorteios entre os participanters do Encontro. Alguns professores foram contemplados pelos sorteios.


Felipe Tupinambá/Ronaldo - SINTEPP

Parabenizamos a Coordenação Estadual do SINTEPP pela recepção e organização do I Encontro SOME/SOMEI. O evento foi um sucesso!



Valdivino Cunha/Conceição Holanda


Ilaci Sales (Cametá)/Conceição Holanda


Prof. Esterlino(Santarém)/Conceição Holanda


João Paulo Evangelista - Alenquer/Conceição Holanda


Volume III


Imagem Oficial do Final do Encontro


Gerações de Professores do SOME


Delegação de Abaetetuba


Delegação do Oeste do Pará


Diretoria do SINTEPP


Editor do Blog


Fábio Pinto abordando o SOME



Rainilza Rodrigues - Santarém


Blogueiro abordando a História do SOME


Imagens: SINTEPP, Redes Sociais, Professores presentes no Evento. 

quarta-feira, 30 de julho de 2025

“Someando nas águas marajoaras”

 

 

           Levando em considerações que percorrer diferentes regiões do Estado do Pará faz parte das atribuições de determinados profissionais que se deslocam geralmente da capital do Estado para municípios e localidades. Percebemos que, no entanto, esta é uma profissão que, em geral, não recebe grande reconhecimento da sociedade em geral. Podemos apresentar a seguir, que serão feitas considerações relacionadas às viagens desempenhadas por profissionais dessa categoria no Pará, que são, em sua maioria, dos educadores do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), política pública gerenciada pela SEDUC/PA, que atende os filhos dos extrativistas, assentamentos, ribeirinhos, quilombolas, pescadores, camponeses, indígenas, ramais, estradas,... Esses educadores atuam durante toda a semana nas localidades em equipe, desenvolvendo tanto atividades pedagógicas em sala de aula quanto projetos de intervenções adaptados à realidade local, seja na comunidade ou na Escola de funcionamento dessa política pública. O SOME tem como objetivo ampliar o acesso dos alunos do ensino médio e do ensino fundamental da rede pública estadual. em colaboração com os municípios.

  

 

          O deslocamento dos educadores do Sistema de Organização Modular de Ensino é realizado por via marítima e terrestre, já que desde 2003 a Seduc deixou de oferecer transporte aéreo devido à centralização das escolas-polo. Isso faz com que educadores ainda enfrentem viagens longas e arriscadas, como a travessia para municípios da ilha do Marajó, onde o uso de embarcações é essencial, especialmente entre julho e dezembro, período de ventos fortes e maresia. Logo, essa situação acarreta riscos significativos para os docentes, tema que será detalhado em seguida.

  

          Vejam aí, durante uma travessia para um município marajoara, o barco atrasou cerca de duas horas devido ao mau tempo, partindo somente quando o comandante considerou seguro.  A travessia foi difícil, com o barco enfrentando tempestades e muita instabilidade, causando preocupação entre os passageiros, especialmente idosos. Apesar das condições perigosas, conseguimos chegar ao destino após oito horas de viagem pela baía. Essas viagens pelas ilhas do Marajó são sempre desafiadoras, especialmente para quem depende delas para trabalhar nas localidades ribeirinhas da região e adjacências.

  

          O retorno não apresentou grandes diferenças em relação à ida; saímos por volta de 1 hora da manhã, aguardando o tempo melhorar, pois as condições estavam ruins e enfrentamos bastante maresia durante o percurso, tinha momento que sentia medo, vinham tantos pensamentos, lembranças, deduzindo que poderia acontecer coisa pior. Com o passar do tempo, nos acostumamos com essa situação, apesar dos riscos conhecidos, e conseguimos manter um certo controle emocional, além de cuidar dos ocupantes da embarcação. Chegamos a Belém do Pará quase às 9 horas da manhã, todos ainda sob tensão, e o descanso foi difícil, já que mesmo com as redes atadas, era complicado dormir devido à preocupação e ao constante balanço da embarcação. Apenas ao chegar ao Porto da Estrada Nova foi possível sentir um alívio e a certeza de que tudo ocorreu bem e fui correndo para os braços dos familiares.