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segunda-feira, 15 de maio de 2017

Ser educador vai além de repassar conteúdos programáticos







Vamos começar pelo básico: o que é educação? Diria que em sentido amplo, educar é socializar, é transmitir os hábitos que capacitam o individuo a viver numa sociedade, hábitos esses que começam na primeira infância, implicando no ajustamento a determinados padrões culturais. A educação se assemelha aos números, ela é infinita, ela é um processo. Educar é ensinar, mas é também aprender.






Para Paulo Freire, só é possível educar a partir da esperança. Quando a esperança acaba, a possibilidade de educar acaba junta. Quando os pais dizem que desistiram do filho ou o professor desistiu do aluno, morreu aí a possibilidade de educá-los. Educar é, acima de tudo, questão de fé nas possibilidades do ser humano. O bom educador não desiste nunca.






Nós, brasileiros, estamos passando por uma crise, não só do ponto de vista econômico, mas crise de valores, de identidade. A violência está banalizada. Não há mais lugar seguro, nem dentro de casa, muito menos dentro de uma sala de aula. O que está acontecendo com os "de baixo"  como diria Gramsci, é reflexo do que ocorre com os "de cima " e assim seguimos com nossas mazelas sociais.






Hoje, na Escola Estadual polo D. Mário, da 11ª Ure, tivemos uma reunião com alunos e professores para tratar da violência que também já chegou nas comunidades interiorizadas bem mais rápido do que imaginávamos, nas mais diferentes formas. Chegou e se instalou.






Foi importante a participação na reunião de hoje(15/05/2017) dos representantes dos alunos, todos jovens, entre 14 e 17 anos que sonham com um mundo melhor e vêem na educação a saída para a solução dos problemas que lhe afligem. Dissemo-lhes que a violência e muitos outros problemas só serão resolvidos se houver uma maciça participação da sociedade, que ela não pode lavar as mãos diante de tais fatos. Chamamos a atenção para que a violência não fosse banalizada e que um mundo melhor é possível, que não custa sonhar, acreditar. Em nossas aulas plantamos sementes e esperamos que elas deem bons frutos, como é o caso desses jovens irrequietos que querem um mundo melhor. 

Diante de uma ameaça real de morte, suspendemos por alguns dias as aulas, Os alunos foram à coordenação pedindo nossa volta. Se navegar é preciso, dar aulas também. Atendendo o clamor dos alunos, estamos voltando a dar aulas depois do grande susto. Vamos voltar sim, por eles, pela educação, não sem o trauma de vê uma arma em punho apontadas em nossas direções ao cair da noite na casa dos professores do Some por um jovem de menor idade que deixou a escola e está trilhando por um outro caminho que não sabemos se terá volta. Não é isso que queremos pra eles.  

Para finalizar vamos lembrar aqui um grande mestre: Pergunto coisas ao buriti; e o que ele responde é a coragem minha. Buriti quer todo o azul, e não se aparta de sua água - carece de espelho. Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.
João Guimarães Rosa / Grande Sertão: Veredas


Valdivino Cunha da Silva e José Ribamar de Oliveira  - Educadores da 11ª Unidade Regional de Educação - URE.

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