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sábado, 14 de abril de 2018

O ENSINO DE HISTÓRIA A PARTIR DA HISTÓRIA ORAL: Relatos de experiências no ensino médio no Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME






No dia 15 de abril de 1980, surgiu o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, no Estado do Pará, com quatro localidades em quatro municípios. Uma política pública de educação que deu tão certo, que amanhã completa 38 anos, contribuindo na formação de diversos profissionais.

MEMORIAL


Enquanto educador, com formação em Licenciatura Plena em História, pela Universidade Federal do Pará, concluído no ano de 1987 e com especialização em História do Brasil, pela PUC/MG, no ano de 1992.


Sou professor de História do Ensino Médio da rede publica do estado do Pará. Estou lotado na Escola de Ensino Fundamental e Médio “Dom Mário de Miranda Vilas Boas”, no município de Bujaru que pertence a 11ª URE.

 
Desempenho minhas atividades docentes na modalidade denominada Sistema de Organização Modular – SOME- fundado na década de oitenta e se tornou uma política pública através da Lei Estadual nº 7.806 publicada no Diário Oficial do Estado, no dia 29 de abril de 2014, conseguindo assim se tornar uma modalidade de ensino Atualmente, estão matriculados no SOME aproximadamente 38.000 alunos com um quadro docente de quase 1.100 professores.


O SOME E SUA DINÂMICA DE FUNCIONAMENTO


O SOME é, uma alternativa para a educação no campo que possibilita aos jovens e adultos o acesso ao ensino médio nos diversos vilarejos dos municípios paraenses, especialmente àqueles mais interiorizados e carentes de infraestruturas (deficiência nos sistema de comunicação, de transporte, saúde, acesso e educação formal, etc.).


Esta modalidade de ensino possibilita aos professores em função da sua dinâmica de funcionamento que é o rodízio de blocos de disciplinas, circularmos pelos mais diversos e longínquos municípios paraenses que vai de Ananindeua, um dos municípios que compõe a região metropolitana de Belém à Jacareacanga, no município paraense de Itaituba. Nesses andares, ensinamos e aprendemos histórias, mas também ouvimos estórias e causos que brotam da crença e do imaginário popular do caboclo paraense e amazônico.
Nas peregrinações que fazemos pelos municípios onde o SOME atua, procuramos mostrar aos nossos alunos a importância do resgate da micro-história e da história oral  e um das tarefas escolares dadas por mim aos meus alunos é que eles façam um levantamento da história da localidade/vila tendo como principal fonte de pesquisa a oralidade pois, conforme THOMPSON  “A história oral possibilita novas versões da história ao dar voz a múltiplos e diferentes narradores. Esse tipo de projeto propicia sobretudo fazer da história uma atividade mais democrática, a cargo das próprias comunidades, já que permite construir a história a partir das próprias palavras daqueles que vivenciaram e participaram de um determinado período mediante suas referências e também seu imaginário”.


O objetivo desses resgates históricos levantados pelos discentes é fazer com que a história de suas comunidades não seja perdida aproveitando as fontes de informações vivas que ainda existem e assim eles, representados por seus antepassados tornam-se objetos de suas próprias pesquisas que tem como alvo prioritário a serem pesquisadas as pessoas mais idosas em função do acúmulo de saberes, nem sempre sistematizadas, mas vivenciados que essas pessoas ainda guardam consigo, pois quando essas fontes se calarem, vão com elas parte das histórias dessas comunidades.


O tipo de pesquisa utilizada no trabalho aqui discutido foi à pesquisa de campo orientada com base na coleta de informações pelos pesquisadores-alunos. Este tipo de pesquisa representa uma possibilidade de o pesquisador conseguir não só uma aproximação mais íntima como que deseja investigar, mas também lhe possibilita conhecer e produzir conhecimento a partir das situações encontradas no campo.


Visando a impessoalidade e a fidelidade nas fontes pesquisadas, orientamos nossos alunos para que não interferisse nas respostas ou na pesquisa como um todo.


As pesquisas se deram na forma de entrevistas, com questionários pré-elaborados com identificação indispensáveis do entrevistado como: nome, data e local de nascimento, estado civil, origem, atividade que desenvolve, há quanto tempo reside na comunidade, como era a comunidade há anos atrás, entre outras informações relevantes. 


Sem deixar de lado conteúdos programáticos, propostos pela Secretaria Estadual de Educação – SEDUC e ENEM faço sempre em minhas aulas um recorte das atividades pedagógicas e trabalho com o resgate da história e da memória e com essa dinâmica deixo de ser o “professor” e passo a ser um mediador, pois como nos ensina  FREIRE “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam mediatizado  pelo mundo” e assim a educação  torna-se uma rota de mão dupla pois,  ao mesmo tempo em que se ensina, também se aprende  e dessa forma o resgate da história e da memória,  as trocas de experiências tornam-se muitos enriquecedoras  e os alunos tornam-se ao mesmo tempo personagens e autores da pesquisa.



RELATOS DE EXPERIENCIAS DOCENTES



No exercício da docência, há inúmeros momentos que se tornam marcantes em nossa jornada, uma delas aconteceu na Vila de S. Raimundo, município de Bujaru, no ano de 20I0. A comunidade de São Raimundo localiza-se a 31 km da cidade de Belém. Nesta comunidade passei aos alunos a tarefa para que eles fizessem um resgate histórico da comunidade deles com base em pesquisa oral para descobrirem suas origens, seus antepassados. Depois de todos os dados levantados por eles, fizemos coletivamente, a catalogação dos dados, eu me limitando apenas a condição de mediador, já que a pesquisa foi feita inteiramente por eles. A principal tarefa dada a esta turma que foi a 8ª Série do ensino fundamental, do ano de 2010, composta por 35 alunos.


Dividimos o projeto em seis eixos temáticos, que foram os seguintes: Causos, Economia, Agricultura, Medicina popular, Cultura e a História da Vila.  O projeto durou 50 dias, que é o período de duração por módulo do SOME em cada localidade. A metodologia de execução nesse projeto foi paralela às aulas normais, sendo que cada hora-aula dura 45 minutos. Os últimos dias de aula da semana eram reservados para conversarmos coletivamente para sabermos como estava o andamento da pesquisa de cada grupo. 


O Projeto contou além dos alunos, com a participação de professores, comunidade local e escolar tendo como objetivo maior estimular a produção de conhecimentos sobre a realidade através da pesquisa, valorizando historicamente a memória e os relatos presentes entre os moradores da comunidade de São Raimundo, em Bujaru, com ênfase nos aspectos históricos, socioculturais, político e econômicos.


Ressalto que durante o acompanhamento dos grupos de trabalho da execução desse projeto, encontrei excelentes narradores, apesar de muitos nem terem sentados em bancos de escolas e muitos com memórias prodigiosas, onde se deliciava quanto a vivacidade dos fatos seja relacionados com a comunidade seja tratando de assuntos relacionados à sua vida.


O referido projeto foi executado e teve como um dos principais aspectos estimular a produção de conhecimentos sobre a realidade através da pesquisa, valorizando o resgate histórico da memória e os relatos presentes entre os moradores da comunidade de São Raimundo, em Bujaru, com ênfase nos diversos aspectos, estabelecendo uma conexão entre o conhecimento prático, teórico e vivenciado, com o conhecimento sistematizado e formal e assim, entendemos que sairemos do mundo das abstrações e distantes e passamos ao mundo prático da realidade do nosso educando.



EXPERIENCIAS QUE VI E VIVI



No exercício da docência experimentei momentos ricos, reflexivos e às vezes até inusitados, mas ao mesmo tempo enriquecedores, mas somente para aqueles docentes os quais me incluo que têm a humildade em reconhecer que não são donos da verdade absoluta.  Assim sendo, socializarei aqui três desses inúmeros momentos enriquecedores.
1-Durante o acompanhamento dos grupos de trabalho da execução desse projeto, encontrei excelentes narradores, apesar de muitos nunca terem sentados em bancos de escolas. Alguns deles com memórias prodigiosas, onde me deliciava quanto à vivacidade dos fatos em assuntos relacionados às suas vidas. Aprendi que uma parte significativa da micro-história não está presente nos livros didáticos e sim na memória de um povo e que mesmo eles não sendo “professores” têm uma didática muito especial, seja na cadência da oralidade, na entonação de voz ou mesmo nas imagens e paisagens criadas ou revividas nas suas mentes. Muitos desses historiadores populares têm a capacidade de manter o ouvinte sempre atento àquilo que dizem e ensinam técnica que poucos professores possuem. Preferimos muitas vezes o uso do poder e da intimidação pra manter nossos alunos atentos.


Sem que eles saibam, suas narrativas são ricas em figuras de linguagens como a onomatopeia e a polissíndeto que dão vidas às suas falas imitando muitas vezes sons da natureza ou vozes de animais, ou ainda com a repetição das palavras que cadência às suas falas, como se observa na narrativa abaixo, do senhor Oscar Bandeira, que na época da pesquisa tinha 80 anos:


“Quando eu cheguei aqui, professor, eu ainda era um pirralho, mas era um moleque duro. Aqui em frente (apontando com os lábios), tudo era mata, mata grande. Tinha caça, peixe e jacaré. “Me lembro como se fosse hoje, meu pai me chamou e disse pra mim montar no cavalo brado, ainda novinho, sem tá amansado. O bicho tinha a cara de mal. Era forte, patas largas e com algumas malhas nas costas, era de arrepiar.  Quando a gente queria passar a mão nele, o bicho pulava que nem o diabo tinha que ser corajoso pra montar nele e lá fui eu. Peguei o cabresto de corda, passei mão na cara dele, meti o cabresto, sei que não gostou, pois jogava a cabeça para um lado e para o outro, como me dizendo que não aceitava aquilo. Nessa hora ela já estava preso ao cabresto mas mesmo assim ele deu três pulos, antes de eu montar nele. Eu queria fazer bonito, dizer para o meu pai que eu já era um homenzinho. No mesmo instante dei um pulo subi no lombo do bicho e ele arribou, disparado, sem tino nem destino e eu ali, no lombo dele. O bicho corria que nem ventania, eu só escutava a zoada, do vento assim zoom, zoom em meus ouvidos. Mas ele não era de ferro e depois de um bom tempo andando em disparada, começou a galopar, senti o compasso de seus passos a galopar, ritmo lento. Percebi isso porque ele galopava assim: potoque, potoque, potoque... Devagarinho. Senti que domei a fera e voltei feliz da vida. Nessa hora meu pai já me esperava no terreiro que ficava em frente de nossa casa que era limpo e a gente dormia debaixo dele nas tardes quentes. Quando ele me viu com aquela fera dominada, correu e me abraçou e me deu um leve sorriso de felicidade. O bicho tava cansado, ofegante. “Suava como se tivesse saindo de perto de um fogaréu, seu olhar era triste, de derrotado”.


Como se observa pela narrativa ela tem a capacidade de manter o ouvinte atento em função da riqueza de detalhes. Todo historiador deveria também dominar a técnica da oralidade e faze dela uma ferramenta indispensável para o bom exercício da docência.


Sabemos que muito se tem debatido, atualmente, no âmbito da Educação brasileira, a cerca dos caminhos que deve trilhar o processo de ensino-aprendizagem nas escolas públicas, neste começo de milênio. E em se tratando do ensino de História, inúmeras são as sugestões metodológicas para tentar envolver o educando nas vertentes do conhecimento histórico e tornar as aulas menos cansativas, dinâmicas e interessantes. Rotineiramente aparecem nos livros didáticos do Ensino Fundamental e Médio informações do tipo, “a história é feita pelos homens, todo ser humano é produtor de sua cultura” e inúmeras outras frases que tentam persuadir o educando de que a disciplina é interessante e está voltada para a compreensão do seu universo humano. Porém, na prática, a inserção do educando nas páginas do saber histórico, inicia-se, na maioria das vezes, com o estudo de realidades extremamente desconhecidas e, portanto, complicadas de entendê-las o que leva a desinteressarem-se imediatamente pelas aulas e atividades que o professor passa a desenvolver.


Outro aspecto que merece destaque a respeito deste assunto diz respeito a nossa prática docente. Refiro-me notadamente sobre a prática docente das disciplinas História, Geografia, Sociologia e Estudos Amazônicos disciplinas que me são mais familiares. O grande desafio dessas disciplinas diz respeito a uma adoção metodológica que as tornem mais interessantes para o aluno. Os longos anos de experiências docentes apontam-me que as aulas expositivas apoiadas em textos escritos e recursos audiovisuais, o que impõe, a adoção de palavra falada e escrita - tendo o professor como mediador – me parece ser um mecanismo interessante a ser usados em nossas aulas.



Não há dúvida de que estes recursos, se bem selecionados e utilizados, podem dinamizar as aulas e prender a atenção dos alunos. Entretanto, possam apresentar limitações. Parte dessas limitações está relacionada ao fato de que os alunos nos vários níveis de ensino (em especial no Ensino Fundamental e Médio), apresentam certa dificuldade de executar uma leitura compreensiva e ao mesmo tempo provocadora de indagações e criticas que limitam ou impede que se crie o vínculo entre a leitura do texto na escola e a leitura do concreto. E provavelmente isto decorre da desconexão entre o processo de ensino na escola (abstraio e fragmentado em disciplinas) e a realidade social (complexa e concreta). Como o estudo de disciplinas, da área das ciências humanas (História, Sociologia, Geografia e Estudos Amazônicos) pode contribuir para que esse aluno alcance a condição de cidadão, se o mesmo não consegue se perceber dentro desses contextos trabalhados? Esse nos parece o grande problema, para o qual ainda não temos uma solução.


O trabalho realizado na Vila de São Raimundo teve como objetivo valorizar a história e a memória de seus moradores através de relatos e retratos de seus antigos moradores; assim como, estimular o protagonismo estudantil e a capacidade crítico-investigativo sobre a realidade na qual está inserido, despertando o interesse científico entre os estudantes de ensino público no Estado do Pará; além de dinamizar a produção de conhecimentos na educação pública valorizando o ensino e a pesquisa de forma interdisciplinar.


A catalogação, análise da pesquisa e leitura final do trabalho culminou com dois momentos distintos, porém, extremamente interessantes. O primeiro momento foi que com base nas práticas agrícolas, nas relações de produção, na forma de sobrevivência e nos relatos das pessoas mais idosas, chegou-se a conclusão que provavelmente uma parte considerável daquela comunidade era remanescente de quilombo, portanto, há uma grande probabilidade de seus ancestrais serem descendentes de escravos. Num primeiro momento eles, mesmo com os dados apontando essas evidências, negavam veementemente e não queriam aceitar esse passado, pelo fato de que ainda hoje essas comunidades e pessoas sofrem preconceitos. O segundo momento foi com a tomada de consciência de seus papeis históricos que seus antepassados desenvolveram na história do Brasil e daquela comunidade. Depois de muitos debates, informações e esclarecimentos, eles internalizaram seus passados e passaram a ser orgulhar dele. No final a comunidade fez uma grande festa de encerramento, com a valorização da comida, dança hábitos, enfim, da cultura negra.


2- O segundo momento importante e reflexivo vivenciado por mim e que achei muito enriquecedor foi quando eu estava discutindo a temática “modos de produção”. Estava explicando aos alunos o que são os modos de produção e a forma como a sociedade organiza socialmente os meios de sobrevivência e que estão associados a determinadas etapas de desenvolvimento das forças produtivas e das relações de produção e que os modos de produção são constituídos pelo objeto sobre o qual se trabalha e por todos os meios de trabalho necessários à produção que são os instrumentos ou ferramentas, as máquinas, oficinas, fábricas, etc.. Expliquei que nem todos os modos de produção, como nas sociedades primitivas, moeda teve a importância que tem hoje. Um Aluno pediu que eu explicasse o que era moeda, justificando que não estava entendendo.


Expliquei-lhe que a moeda é o meio pelo qual são efetuadas as transações financeiras. Perguntei ao aluno se ele havia entendido e ele me respondeu que não. Tentei ser mais claro e disse-lhe então que a moeda era todo ativo que constituía forma imediata de resolver débito, usando uma definição diferente. Ele voltou a dizer que não havia entendido ainda e ai dei outro conceito dessa vez mais técnico e que disse que moeda foi em certo período representado pelos escravos, no período escravista, por exemplo. Aí ele voltou a indagar novamente e perguntou-me:


- Como assim professor?


Um aluno perguntou-me se ele poderia ajudar a tirar aquela dúvida de seu colega de classe e eu disse que sim. Aí ele perguntou ao seu colega de classe:


- Você é filho aqui de Bujaru, não é?


- Sim, sou. Mas o que isso tem a ver com minha pergunta?


-- Calma, falou o professor-aluno, que agora fazia o meu papel. Você sabe que aqui em Bujaru, já passamos pelo ciclo do farinha, não sabe?


- Sei


- Você sabe qual é o produto mais valioso atualmente aqui, não sabe?


- Claro que sei, disse, já com ar de aborrecimento. É o açai.


- Verdade, é o açai. Imagine que você tem um grande estoque de açai, e trás lá do seu açaizal sacos de açai. Você acha que mesmo você não tendo dinheiro, a moeda propriamente dita, mas tendo açai, qualquer um comerciante não aceitaria o seu açai pra comprar algo? Ele sacudiu a cabeça afirmativamente.


-Pronto, disse o aluno-professor, o açai prá nós aqui em Bujaru é uma moeda, todos aceitam e o diálogo entre os dois encerrou-se.


Perguntei ao aluno se ele queria mais explicações, sobre o que é moeda, ele me disse que não que “agora havia entendido”.


Que conclusão pode tirar desse fato concreto? É que temos que trazer a história para uma realidade concreta do nosso alunado. Termos técnicos, dependendo do nível de entendimento da turma, muitas vezes atrapalham, nem sempre tem o efeito desejado. Com outra explicação menos rebuscada, ficou claro que aquele aluno, entendeu o que são os ciclos produtivos e os conceitos de moeda.


3- o Terceiro momento importante aconteceu recentemente, neste ano de 2016, na mesma localidade, Vila Forquilha, que pertence ao município de Tomé-Açu, com uma turma de 34 anos do terceiro anos do ensino médio que foi assim:


Eu passei uma atividade em sala de aula. Pedi que eles fizessem uma contextualização histórica sobre os momentos que antecederam a Revolução Industrial e dei-lhe 30 minutos, tempo necessário que respondessem aquela atividade. A Vila aqui em questão tem acesso à internet. Recolhi as atividades e levei para casa, para avaliação. Percebi que inúmeras respostas estavam idênticas e concluir que eles usaram a pesquisa na internet através do celular para responderem as questões solicitadas. Num primeiro momento pensei em dá zero a todas aquelas respostas. Depois refletir e entendi que aquela medida não seria a mais correta, afinal, vivemos na era da comunicação, da tecnologia e da informação cada vez mais diversificada e de fácil acesso e puni-lo sumariamente não seria a medida mais acertada, uma vez que a informação deve está a serviço da educação e decidi aceitar suas respostas como verdadeiras, orientando-os apenas que colocassem a fonte pesquisada.


O que me surpreendeu foi à facilidade e a velocidade com que eles acessaram a informação, coisa que muito de nós, professores, temos sérias dificuldades, pois não temos familiaridade com teclado, tela, toque screen, etc. Precisamos rever nosso conceito de ensino-aprendizagem. Descobriremos que não somos donos absolutos da verdade. Precisamos introjectar em nós mesmos que nossos alunos em certos campos, como são o caso da tecnologia tem um maior domínio que nós, professores e temos que vê a educação dentro deste contexto, ou seja, vivemos atualmente diante de um momento que cresce velozmente a difusão e renovação das tecnologias no contexto social pós-moderno e não dá mais para querer que os nossos alunos de hoje recorram aos mesmos mecanismos de aprendizagem os quais pautaram nossos processos de aprendizagem e assim não podemos ignorar a nova realidade imposta dentro da sala de aula, quer queiramos ou não.  Torna-se, portanto, necessário rever nossas metodologias de dá aulas, modificando a maneira como ensinamos e aprendemos. As novas tecnologias estão integrando-se cada vez mais a nossa sala de aula. As novas gerações que surgem, já nascem dentro de um mundo altamente tecnológico e, por conseguinte, surge um novo contexto educacional que exige uma nova postura por parte do professor. É preciso rever urgentemente nossas práticas docentes para que nos enquadremos dentro de um novo contexto educacional.



Como se sabe, até o presente a prática pedagógica adotada por disciplinas ligadas "as ciências humanas", tem priorizado a leitura da palavra escrita como "vetor" para a interpretação da realidade e com isso tem descartado conhecedores e sabedores locais; o que propomos é uma espécie de inversão dessa prioridade, isto é, estimular o aluno a "ler o mundo para ler a palavra". Tal propositura fundamenta-se na pedagogia política de Paulo Freire, e parte do princípio de que a experiência de vida, os valores e os saberes dos alunos e do meio social a que pertence preciso efetivamente, fazer parte do seu processo de escolarização, e uma das formas para se atingir esse objetivo é o educador se envolver com projetos pedagógicos que associem pesquisa e ensino, pois assim estará possibilitando a sistematização dos saberes, experiências e valores da própria comunidade, canalizando-o como substrato de sua formação escolar.


A partir dos projetos, temos procurado estabelecer uma permanente troca de saberes entre os diversos segmentos que formam a comunidade (alunos, professores, pais de alunos e moradores em geral), valorizando os "saberes necessários" e destacando a importância que cada um deles tem na construção do conhecimento. O produto mais "nobre" desse processo é o estímulo que provoca tanto nos alunos como no professor, para que estes ultrapassem a condição de consumidores de conhecimento e alcancem também a condição de seus produtores.


O projeto visou resgate da história e memória que venho desenvolvendo nos municípios paraenses que tenho trabalhado. E desta vez, além disso, o projeto contou com a participação dos professores das referidas disciplinas, profissionais de equipe no Ensino Médio e no SOME na empreitada de explorar outros elementos na pesquisa em História Oral.


Quando lancei a proposta da atividade pedagógica da história oral para os alunos tive todo o cuidado de mostrar como uma proposta em que eles estavam inseridos, a importância do recurso metodológico que seria utilizado, como ferramenta fundamental para educação, diferente da educação bancária, mostrando essa diferença. Após passar o filme Narrador de Javé, que foi produzido em 2001, dirigido por Eliane Caffé, onde abordei e contextualizei as narrativas do filme, trabalhei, também, com alguns textos simples produzidos por mim, sobre História Oral, abordando numa linguagem de ensino fundamental de alguns autores que já trabalham e oferecem orientações sobre a História Oral, entre eles tratei da obra de Paul Thompson, a Voz do Passado, da Paz e Terra; frisei alguns exemplos da obra História Oral e Memória, de Antonio Torres Montenegro, da Editora Contexto; História Oral, de José Carlos Sebe B. Meihy e Fabíola Holanda, da Editora Contexto; Guia Prático de História Oral, de José Carlos Sebe B. Meihy e Suzana L. Salgado Ribeiro, da Editora Contexto; Escrita da história: Novas perspectivas, do escritor Peter Burke e História – Prazer em Ensino e Pesquisa, de Marcos A. da Silva, da Editora Brasiliense.



Agradeço aos colegas professores, informantes e alunos que contribuíram nestas experiências, em especial ao Professor Valdivino Cunha da Silva que tem feito várias revisões dessas atividades e ao colega Tiese Junior, que solicitou a produção deste texto.


BIBLIOGRAFIA


BURKE, Peter. Escrita da história: Novas perspectivas. Unesp. 1992.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 11ª. ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1987.

MEIHY, José Carlos & HOLANDA, Fabíola. História Oral. Editora Contexto. 2011.

MONTENEGRO, Antonio Torres. História Oral e Memória. Editora Contexto. 2007.

SILVA, Marcos A. História – Prazer em Ensino e Pesquisa. Editora Brasiliense.2003.

THOMPSON, P. A voz do passado – História Oral. 2. edição. São Paulo: Paz e Terra, 1998.

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