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quinta-feira, 10 de março de 2022
terça-feira, 8 de março de 2022
Às mulheres no SOME
Nesta data, oito de março, em que se comemora o Dia Internacional das Mulheres, nós professores do SOME, queremos também prestar nossas homenagens a vocês mulheres, muito embora saibamos que todos os dias são seus. Vocês dão um quê de especial ao SOME, se já não bastasse seus filhos, vocês educam além seus alunos, nós, homens que convivemos com vocês ao longo da jornada do SOME. A música do tremendão Erasmo Carlos fala um pouco por nós quando ele canta “mulher, mulher na escola em que você foi ensinada, jamais tirei um dez, sou forte mas não chego aos seus pés”... de fato, vocês são fortes, guerreiras, determinadas, sabem pra onde vão e o que querem.
Uma parte significativa de professores do SOME que são mulheres, portanto, são protagonizadoras da educação no campo, e em especial no Sistema Modular de Ensino.
A importância de vocês no cotidiano é fundamental já que lutam pela autonomia, justiça, igualdade e liberdade, além de atuarem na sala de aula, seus ensinamentos vão além, não se limitam a ensinarem para que seus alunos sejam aprovados no ENEM, vocês educam para a vida.
Sabemos que a educação deve ser construída coletivamente, com a participação de diversos sujeitos que integram e estimulam emancipação dos sujeitos, e a participação de vocês, mulheres professoras, é de suma importância.
Sabemos o quanto é difícil pra vocês mulher, deixarem seus afazeres, casa, filhos e lutarem por uma educação melhor e é isso que as fazem belas, amigas, mães maravilhosas, companheiras, únicas, encantadoras, enfim, pessoas especiais.
Que o dia 8 de março reafirme o ideal de liberdade e igualdade de gênero no contexto das lutas femininas, pois vocês mulheres merecem todo nosso respeito e gratidão pela sua importância no contexto social. Parabéns mulheres, estamos firmes e fortes com vocês.
Viva o dia oito de março! Viva as mulheres do SOME!
A vocês uma singela homenagem dos colegas professores.
Valdivino Cunha (Sociologia) e Ribamar de Oliveira (História).
quinta-feira, 3 de março de 2022
sábado, 12 de fevereiro de 2022
A Lenda do Cavalo
Há tantas histórias
interessantes vivenciadas pelo professor do sistema modular nessas andanças
pelo interior do estado, tanta coisa pra falar. Basta realizar uma reunião
informal entre amigos professores da velha guarda, num final de semana, numa
manhã de domingo ensolarado, na varanda da casa do professor Medeirinho (por
que não?), no Tenoné, acompanhados por uma boa música cantada ao violão,
dedilhado pelo Nonato Bandeira, Valdir Guilherme, Arnaldo Rodrigues ou Jorge
Coutinho – estamos bem servidos de artistas populares.
Falo isso, porque outro dia
estivemos lá, na casa do prof. Medeirinho, eu, Carlos Prestes, e o professor
Ribamar Oliveira. Fomos para o andar de cima e, de lá, avistamos o quintal
repleto de árvores frutíferas. Não havia música, nem textos gravados de
declamações de poemas, mas, naqueles momentos vivenciados, em que fomos falar
um pouco da Antologia poética do SOME, um livro sonhado há décadas por nós,
aproveitamos para lembrar tempos vividos no modular. Todos nós tínhamos sempre
uma história interessante pra contar e relembrar.
Quem não tem uma história
interessante pra contar do sistema modular? Nessas conversas, percebi que um
simples detalhe, um comentário acerca de algo engraçado, um incidente, um dia
de chuva, um passeio, problemas com a prefeitura, um projeto de intervenção,
aulas extraclasse, uma paquera, traição, crendices, passeios, festas escolares,
festas tradicionais, despedidas, morte, tragédias, linguagem local, datas
comemorativas, situação da comunidade, estradas, tudo, tudo, tudo pode ser
transformado num grande conto, numa excepcional crônica do dia-a-dia, num poema
que descreva o real e o imaginário local, suas sensações, emoções, raiva, alegrias,
protestos, sonhos, esperanças, sim, disso tudo pode ser feita uma releitura
através do olhar investigativo do pesquisador que transporta os conceitos, os
objetivos e os problemas do senso comum para uma pesquisa analítica, científica
com perguntas a responder e um trabalho a concluir. Como poderíamos imaginar
que esse senso comum viria para em nossas mãos, nas mãos de tantos e tantos
profissionais da educação ou não, através do livro impresso?
É isso mesmo: o senso comum
virou ciência. E, na verdade, a ciência de laboratório começa com ele.
Essa história, que também é uma
história simples, pode vir um dia a ser lida num livro, não só por mim, ou pelo
professor Ribamar, pelo Medeiros, ou pelo Sérgio Bandeira, catedrático da UFPA
em Abaetetuba que transita entre a ciência e o senso comum, entre a pesquisa e
o imaginário. E o imaginário realmente fascina qualquer um.
Bem, essa história, como diz o
título, fala sobre a lenda de um bando de cavalos que assombravam as pessoas à
noite.
Tudo começou quando o professor
Jorge Tostes, um parceiro de caminhadas e de circuitos do modular – viajamos
por muitos lugares na mesma equipe – me contou, certa vez, quando estávamos em
São Miguel de Pracuuba, que, numa de suas viagens, foi para, não lembro bem o
lugar, parece que, para Limoeiro do Ajuru, que fica na microrregião de Cametá.
Ao chegar à casa dos
professores, apresentou-se a seus colegas de equipe que iriam dividir a casa
com ele durante dois meses. Durante a semana, tudo transcorreu normalmente, com
os professores cumprindo suas tarefas na escola diariamente. Não havia muito que fazer. Iam e vinham da escola para casa.
À noite, na hora do jantar, conversavam sobre os mais diversos assuntos,
brincavam, contavam piadas até chegar o sono.
Quando chegou a sexta-feira,
finalmente a sexta-feira, todos foram para a escola dar aula. Lá, pelas dez e
meia da noite, voltaram para casa todos os professores juntos. Jorge Tostes
estava animado arrumando sua bagagem, pois queria pegar o primeiro transporte
pra Belém pela manhã bem cedo.
- Vai sair de madrugada?
Perguntou um professor.
- Acho que sim. Que horas tem
transporte pra Belém? Perguntou Jorge Tostes.
- O primeiro sai às cinco da
manhã. Mas fica longe daqui o terminal – disse outro professor. – Daqui pra lá
dá mais ou menos um quilômetro.
- Tudo isso? Perguntou Jorge
Tostes. – Não tem problema, eu vou assim mesmo.
- Só tem uma coisa – Comentou
outro professor.
- O quê? Perguntou Jorge Tostes.
- O pessoal daqui da vizinhança
comenta que toda sexta-feira de madrugada, eles ouvem o relincho de um bando de
cavalos que passam correndo por essa rua, vão e voltam. Dizem que tem gente que
já viu. Por isso que, nas madrugadas de sexta-feira, ninguém sai na rua – disse
o professor.
- E é verdade isso? Vocês
acreditam nisso? Perguntou Tostes.
- Se é verdade eu não sei, mas
vamos descobrir hoje. Só sei que falaram que, um dia, numa sexta-feira, ouviram
barulho de tropel de cavalos correndo na disparada pela rua. Um vizinho olhou
pela brecha da janela e disse que viu um monte de cavalos correndo pela rua em
disparada, um ainda parou e olhou na direção da janela. Ele ficou branco como a
neve de medo. Fechou a janela rapidamente e cuidou de ir deitar.
O professor Tostes ficou
pensando naquilo por um pouco de tempo, mas depois foi dormir, pois tinha que
acordar cedo.
Quando o relógio despertou quatro
e vinte da manhã, o professor Tostes cuidou de se levantar rapidamente, tomou
banho, escovou os dentes, se vestiu e se preparou para sair. Ninguém mais iria
pra Belém, somente ele, nenhum colega, nenhuma companhia até o terminal. Ele
teria que fazer essa caminhada sozinho, e tudo que ele não queria, naquele
momento, era pensar nos cavalos.
Despediu-se do pessoal, abriu a
porta, olhou em volta, nenhuma alma viva, ninguém, a rua estava completamente
deserta, as casas fechadas, a noite clareada um pouco pelo luar, dava aquela
sensação de mistério, e fazia lembrar até as cenas daquela trilha inóspita da
Pensilvânia que levava ao castelo do conde Drácula. Tudo isso vinha à mente,
mas ele balançava a cabeça e procurava dar fuga à imaginação pensando em coisas
boas e alegres que o fizessem ter coragem suficiente pra descer aquela rua no
final da madrugada. O professor pensou na família, esposa e filhos, e viu que
valia a pena se arriscar naquele fim de noite, num lugar que ele não conhecia
ainda, mas que já o chamava para grandes desafios que, certamente, iria se
lembrar por muito tempo. Colocou a mochila nas costas, fez o sinal da cruz,
fechou a porta atrás de si e se foi.
Prof.
Carlos Alberto Prestes (poeta, escritor, contista, cronista, pesquisador, ex
professor de Língua Portuguesa e Literaturas Brasileira e Portuguesa do SOME).
quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022
Ordem Sacra do Professor Pedro Emiliano
No último dia 18 de dezembro, o ex Professor no município de Belterra, Pedro Emiliano, recebeu a Ordem Sacra de D. Irineu Romam, no Seminário São Pio X, no município de Santarém. Os familiares estiveram representados através das duas filhas do referido Professor, as educadoras Jeise e Nelma Mary Sousa.
Sabemos que essa Ordem Sacra se encontra em boas mãos e que no exercício de suas funções e ministérios, Pedro Emiliano, usará dignamente. Muito feliz, meu amigo!
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022
Sistema Modular de Ensino
* Eulália Soares Vieira
A educação no Pará, a exemplo a
educação em outros Estados, passa por profunda crise> fatos não faltam para
provar isso!
O Pará, muitos desconhecem, é
pioneiro em uma iniciativa que muito vem contribuindo para melhoria do ensino,
sobretudo no interior do Estado: trata-se do Sistema Modular de Ensino de segundo
grau, que já existe há 16 anos e vem rendendo bons frutos. Através de um
trabalho itinerante, professores qualificados da capital, atendem a clientela
de segundo grau dos municípios paraenses em que não há profissionais
capacitados para tal.
Contribuindo para a formação de
professores de primeiro grau numa perspectiva mais dinâmica e progressista, o
Sistema Modular tem, ainda, aprovado muitos alunos nos vestibulares do interior
e da capital, sem a necessidade de cursinho, oportunizando melhores condições de
vida a esses interioranos.
Destaca-se, ainda, o trabalho
desenvolvido pela maioria dos professores do Sistema Modular, que vai além dos
limites de suas salas. São trabalhos sérios e de altíssimo nível, feitos junto
aos professores de primeiro grau e à comunidade desses municípios. Cito alguns
encontros de educadores, reciclagem nas diversas áreas de ensino, treinamentos
para confecções de recursos didáticos alternativos, palestras sobre drogas,
doenças sexualmente transmissíveis, feiras de ciências entre outras.
A partir de uma reportagem na
revista “Nova Escola” sobre o Sistema Modular de Ensino, outros Estados e até
países estrangeiros têm demonstrado interesses em copiar esse modelo
alternativo de ensino de segundo grau.
É bom que se diga, que apesar de
tudo isso, a Secretaria do Estado de Educação do Pará, vem fazendo cortes nos
investimentos para este projeto, alegando que os gastos são mito grandes: de
uns tempos pra cá, nós, professores do Sistema Modular, viajamos com pouco
material didático, as passagens aéreas para alguns municípios foram cortadas, e
o cerco continua se fechando!
Para mim, a maior responsável por
toda a crise da educação brasileira ´é a ideia entranhada nas cabeças dos que
planejam a educação, que consideram um gasto e não um investimento.
*Artigo publicado no Jornal O
Liberal, em 31 março de 1997. A autora é formada em Pedagogia (UFPA,1987); Mestrado
em Educação em Ciências (UFPA, 2008) e Doutorado em Educação (Universidade do
Minho/UFAM,2016). Também é poetisa, palestrante na área de educação, escritora
e trabalhou como professora do Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME.
Atualmente, funcionária da UFPA.