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quarta-feira, 4 de novembro de 2026

Abir Arievilo e Emos implantando o SOME nos rincões do Estado do Pará

 


Abir Arievilo e Emos atuavam no Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, uma política pública que leva o ensino às localidades distantes dos municípios do estado do Pará. Nesse sistema, as aulas são organizadas em módulos, e os professores itinerantes se deslocam da capital e das sedes dos municípios para trabalhar com os alunos e as alunas dessas localidades. Os dois educadores foram lotados para implantar o ensino médio em uma delas, no oeste paraense, às margens do rio Amazonas.


Era o início da década de 1990, e Abir e Emos seriam os primeiros professores a trabalhar naquela localidade. Na coordenação do SOME, receberam a notícia de que o prefeito havia passado por lá e prometido uma festa de arromba para recebê-los. Na noite da chegada, não haveria aulas: toda a população seria convidada a se reunir na praça, onde uma banda de música animaria o povo. No palanque, além dos políticos locais, os professores também fariam seus discursos.


Os dois, que residiam em Belém, ficaram impressionados com o que ouviram na coordenação. Com a carta de apresentação em mãos, saíram para pegar o ônibus de volta para casa. Pelo caminho, Abir perguntou a Emos:


— Emos, você já teve alguma experiência dessa natureza em sua vida?

— Não, meu amigo, nunca!

— E você, Abir, já passou por isso?

— Também não!


A conversa continuou durante o trajeto na “busão”. Em sala de aula, os dois tinham experiência, utilizavam diversas metodologias e sabiam conduzir o trabalho com seus alunos e alunas. Mas pegar um microfone e organizar as ideias diante de um público que não fosse o de seus discentes era outra história.


— Abir, vamos ter que treinar para falar em praça pública. Concorda comigo?

— Sim, Emos, plenamente. Vamos ter que passar por isso, né!

— Temos que fazer isso antes de viajar, certo?

— Com certeza, Emos!

E assim seguiram conversando, pensando no que poderiam dizer quando estivessem no palanque, diante do povo reunido na praça.

 

 

No dia seguinte, os professores foram ao Aeroporto Internacional para pegar o avião rumo a Santarém. De lá, seguiriam até o porto e embarcariam para Juruti. Depois, ainda teriam que pegar outra embarcação para chegar à localidade onde desenvolveriam suas atividades pedagógicas.


Quando os professores chegaram à tarde, toda a comunidade aguardava para recebê-los com respeito. A recepção foi um sucesso e os professores adoraram como pela parte da noite com presença de autoridades, políticos e lideranças comunitárias no palanque de implantação da politica pública na localidade.


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