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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A MÚSICA DO MOVIMENTO SEM TERRA



Sem dúvidas, as músicas criadas para difundir os ideais de um dos maiores movimentos sociais do mundo, que é o Movimento Sem Terra, parecem questionar claramente alguns dos valores de nossa sociedade, pregando não apenas a Reforma Agrária , finalidade principal do movimento, demonstrada na canção “Bandeira da Vitória” de Tavares, mas também o fim da desigualdade, da pobreza, da fome, e da utilização do país para servir a interesses estrangeiros, como podemos observar na canção “Novo Amanhecer”, de Marcos e Adilson Monteiro, extraídas do livro “Sem Terra” – As músicas do MST, organizado pelo movimento com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre.



Na música “Bandeira da Vitória”, o autor chama atenção para as dificuldades implicadas nas lutas do movimento e a conseqüentemente necessidade da união e fé entre os participantes para que a história possa ser modificada, bem como a importância de um engajamento onde o amor e fé estejam incluídos, como trata a letra: ” ( ...) Companheirada, uniremos nossas forças com amor, muita fé e sem preguiça(...)” .



Na letra “Novo amanhecer”, os autores falam sobre o cotidiano de fome, luta e trabalho do povo, trabalho este explorado pelos detentores do poder econômico e político, que acusam de serem indiferentes às dificuldades mencionadas. Falam ainda do sentimento de serem desvalorizados por aqueles que não sabem o significado do trabalho árduo e que levam uma vida sem tantas dificuldades. Terminam enfocando a questão da exploração das riquezas brasileiras pelos estrangeiros e a conseqüente infelicidade gerada por todas estas dificuldades..



Também temos a música “Funeral de um lavrador” onde o latifúndio é questionado ao sufocar sonhos e a esperança de uma vida melhor do trabalhador rural.



A luta pela terra também é visível na hora da morte. Neste momento, é dado o direito de uso, no entanto, é tirado do cidadão o direito de ter a possibilidade do pedaço digno da terra. Assim falam os compositores: não é cova grande, mas cova medida.





domingo, 28 de novembro de 2010

A MÚSICA NAS MISSÕES JESUÍTICAS



O tipo de música praticada entre os "índios" guaranis antes da chegada dos missionários não é bem conhecido por nós, mas acredita-se que era diferente em cada tribo com variações quanto ao uso a rituais e instrumentos utilizados, como ainda podes ser percebido, hoje em dia, no interior do Brasil e em suas fronteiras Oeste, Noroeste e Norte. O que se sabe, entretanto, é que para os "índios" a música possibilitava um elo com as forças mágicas da natureza.

Ao chegarem ao Brasil, com a finalidade de difundir a doutrina cristã, os missionários perceberam a sensibilidade e o interesse dos nativos pela música e, por este motivo, passaram a traduzir seus cânticos para a língua original, com o objetivo de atraí-los e tirá-los de uma condição que consideravam bárbara. Assim, a música era utilizada sempre nas festas e práticas religiosas e, uma vez que os primeiros homens demonstravam maior interesse por estas práticas do que pelas palavras dos jesuítas, estes procuravam realizá-las frequentemente, utilizando a música européia como forma de transmitir-lhes sua cultura, tirando-os da condição de ignorância em que acreditavam  encontrarem-se.

Os primeiros homens eram ensinados a construir instrumentos e a utilizá-los, no que se mostravam bastante talentosos. Preiss(1988) cita-os também como excelentes compositores, do que a maioria dos autores discorda, considerando-os apenas capazes de imitar perfeitamente, mas incapazes de compor músicas próprias e até mesmo, sem nenhuma habilidade criadora. É comprensível que, estimulados a tocar músicas de padrões bastante diferente dos originários de sua cultura, os primeiros homens não demonstrassem a mesma facilidade que demonstrariam para criar músicas dentro do estilo de sua cultura. A discriminação por parte de vários autores em relação à arte indígena fica evidente nas obras onde esta é estudada e considerada presente apenas a partir do momento da chegada dos missionários.

A MÚSICA NA IDADE MÉDIA

Durante a Idade Média, não apenas os aspectos práticos da música eram valorizados, mas também seus aspectos teóricos.Juntamente com a geometria, a aritmétrica e a astronomia, esta disciplina fazia parte do Quadrivium, conjunto de disciplinas estudadas nas Universidades. Em função de possíveis entendimentos da música sob estes dois enfoques, houve, neste período, uma divisão na profissão do músico que tem consequências nos dias de hoje. O musicus estuda os aspectos teóricos e a relação da música com as disciplinas matemáticas, enquanto o "cantor", que passou a predominar com o passar dos anos, estudava a parte prática, voltada especialmente à liturgia da Igreja Católica.

O estudo da prática musical, portanto, estava vinculado principalmente à Igreja, e podemos pensar que, entre outros motivos, prevaleceu o aspecto do "cantor", pois nesse caso a aprendizagem musical possuía mais uma função de adestramento e imitação, enquanto o aspecto teórico, que Pitágoras valorizava como representativo da harmonia do universo e vinculado a uma compreensão mais ampla deste, ficava esquecido.         

A ARTE NA CULTURA GREGA: DEMOCRACIA E PODER

Na Grécia Antiga, Esparta era a capital da música, nos séculos VII e VI a.C. Nesta cidade, a educação estava voltada para a guerra e, conseqüentemente, para a formação de soldados. Assim, homens e mulheres recebiam treinamento físico, e a Música era importante neste processo, não tanto pelo seu aspecto estético, mas principalmente pelo meio de desenvolver nos indivíduos lealdade ao Estado. Além de ser utilizada como acompanhamento em atividades de guerra, a música era utilizado em Esparta também como acompanhamento em sacrifícios , e os Festivais, que incluíam competições musicais, eram importantes acontecimentos da cidade, alcançando alto nível artístico. Em Esparta, portanto, a música reforçava ideais e valores do Estado, como fidelidade e formação militar.



Conforme a crença dos gregos, o homem vivia em um universo equilibrado, onde a razão era vista como insuficiente na busca da felicidade, sendo importante, também, o equilíbrio entre a mente e o corpo. Alguns autores, como Mark e Gary(1992) ressaltam que, em Atenas, durante a chamada Idade de Ouro(aproximadamente 500 a.C.), as artes eram consideradas importantes, assim como a educação.



Para Pitágoras, cujas descobertas influenciaram todo o desenvolvimento da música ocidental, o estudo desta disciplina era muito importante. Segundo ele, as leis matemáticas que a governam são as mesmas que governam o universo, o que aponta para o estudo da música como fundamental para que se possa compreender a harmonia do universo.



Mary e Gary(1992) enfatizam o fato de que os gregos possuíam uma preocupação com a condição humana, onde tanto oportunidades educacionais e culturais quanto materiais, eram consideradas prioridades. O objetivo da educação, em Atenas, consistia em preparar cidadãos para participar da sociedade e usufruir de seus benefícios, e a música era incluída no currículo, assim como a ginástica, a fim de que a alma e o corpo fossem purificados. O primeiro nível de educação ia dos sete aos quatorze anos, e consistia na aprendizagem de música, onde os estudantes aprendiam lira e poesia como aulos, possuía papel importante na educação musical grega. O canto coral também era bastante utilizado, especialmente em cerimônias religiosas, como acompanhamento de um instrumento, normalmente aulos.



A tradição helenística passou a enfatizar não apenas a performance musical, mas também a competição. Quando se intensificou, alguns coros a utilizar músicos profissionais, ao invés de amadores, o que levou a um declínio da prática musical amadorística, e conseqüentemente, da educação musical grega. Assim, podemos pensar a música, que até então estava vinculada a uma formação ampla dos cidadãos, passou a estar mais restrita a alguns e deixou de ter, portanto, um papel importante como elemento da democracia.



Além das funções citadas, a música, para os gregos, era entendida também como importante instrumento terapêutico. Costa (1989) salienta que o sistema musical deste povo era baseado em modos, aos quais era atribuído o poder de produzir emoções no ouvinte. Assim, para induzir o doente a determinados estados de espírito, utilizavam uma combinação destes modos com ritmos.



Na Grécia, assim como a crença no poder da música, podemos perceber, em alguns, um certo temor quanto a este poder. Para Aristóteles, por exemplo, ela deveria ser usada como forma de distração, ou repouso, sendo apenas nesta perspectiva, entendida como parte da educação, especialmente para jovens, que considerava incapazes de tolerar coisas que não fossem agradáveis.

sábado, 27 de novembro de 2010

A MÚSICA PARA OS HEBREUS DO ANTIGO TESTAMENTO

Ao descreverem a música e seu papel na vida dos hebreus do Antigo Testamento, alguns autores, salientam que, muito provavelmente, esta forma de expressão tenha integrado a vida deste povo, antes que estes se tornassem cativos no Egito, como parte importante de sua cultura. Sabe-se, entretanto, que as habilidades e conhecimentos musicais deste povo foram esquecidas durante várias gerações no ambiente musical egípcio.

A religião hebraica tinha como um dos valores importantes a concepção de que o homem e a mulher são iguais perante Deus. Assim, cantos e danças eram praticados por indivíduo de ambos os sexos, como forma de servir a Deus. Nesta cultura, portanto, a música tinha como função proporcionar  momentos onde todos poderiam manifestar sua religiosidade. Sabe-se, também, que Moisés estimulava opovo a aprender música, tinha conhecimento musical, e é provável que entendesse a relação entre a música egípcia e a religião. É possível, inclusive, que tenha frequentado escolas especiais para a música litúrgica em Memphis.

Ao chegarem em Canaã, os hebreus estabeleceram uma nova cultura, onde a música e a poesia também eram empregadas, supõem-se que a pintura e a escultura estavam ausentes, uma vez que existia a proibição de ter imagens gravadas.

Podemos pensar, portanto, que a cultura hebraica parece ser um exemplo onde, embora a arte reforçasse os ideais do Estado, este, pelo menos na concepção de alguns autores, parece estabelecer a igualdade como valor importante. 

BELÉM: A DOCE ILUSÃO DE SER UMA PEQUENA CIDADE PERDIDA NA AMAZÔNIA

Texto adaptado pela Professora Maria de Fátima Santos de Oliveira EEEFM “Maria Gabriela Ramos de Oliveira”, do Conjunto Maguari, da obra Belém: Riquezas produzindo a Belle-Époque (1870 – 1912 ) da Professora da Universidade Federal Pará Maria de Nazaré Sarges, para ser trabalhado com os alunos das 7ª séries, nas disciplinas História e Estudos Amazônicos.


Pensar o processo de reurbanização que atingiu a cidade de Belém, no final do século XIX e início do século XX, pressupõe entender a contradição da modernidade e a economia que possibilitou a materialização, deste triunfo modernista expresso na Belle-Époque.



A modernidade entendida como expansão da riqueza, ampliando as possibilidades, caracteriza-se pelo avanço da tecnologia (Revolução Industrial), construção de ferrovias, expansão de mercado internacional, pela urbanização e crescimento das cidades ( em área, população e densidade), pela mudança de comportamento público e privado e pelo favorecimento da democracia, transformando as ruas em lugares onde as pessoas circulavam e exibiam seu poder de riqueza.



Assinalando a inserção do Brasil na era da modernidade, defronta-se com os componentes básicos desse processo, como a industrialização, a divisão técnica do trabalho, a urbanização, a formação de uma elite nacional, indicadores do progresso, elemento sintonizador da nossa sociedade com as modernas sociedades “civilizadas”.



No final do século XIX e início do século XX, assistia-se na sociedade brasileira, a transformação do espaço público, do modo de vida, a propagação de uma nova moral e a montagem de uma nova estrutura urbana, cenário de controle das classes pobres e do aburguesamento de uma classe abastada.



Essa vitalidade urbana manifestada através do vestuário, da construção de prédios luxuosos, cafés, luz elétrica, bondes, ferrovias, na criação de uma nova estética,representou, na verdade uma reelaboração da expressão do poder de uma nova classe – a burguesia, além da necessidade imposta pela internacionalização da economia capitalista, na medida em que era preciso criar condições concretas para a ampliação e reprodução do capital.



O processo de modernização da cidade de Belém, só foi possível em razão do enriquecimento que atingiu certos s setores sociais da região a partir da segunda metade do século XIX. Reforçando o processo de inserção da Amazônia no sistema capitalista mundial, toda a atividade econômica da região passou a girar em torno da borracha a partir de 1840. Em decorrência dessa nova ordem econômica, Belém assumiu o papel de principal porto de escoamento da produção gomífera, canalizando parte do excedente que se originou dessa economia para os cofres públicos, os quais direcionavam o investimento para a área do urbano, com calçamento de ruas com paralelepípedos de granito importados da Europa, construção de prédios públicos, casarões de azulejos, monumentos,praças, etc...Desse modo, a destruição da imagem da cidade desordenada, feia, promíscua, imunda, insalubre e insegura, fazia parte de uma nova estratégia social no sentido de mostrar ao mundo civilizado (entenda-se Europa ),que a cidade de Belém era o símbolo do progresso, imagem que transformou na “obsessão coletiva da nova burguesia”.



Da Europa, especialmente da França, é que veio o modelo de urbanismo moderno, reproduzindo em Belém com expressividade durante a administração do intendente Antônio Lemos, através da construção de boulevardes,praças, bosques, calçamentos de rua, asilos, mercados e de uma rigorosa política sanitarista. Portanto, é ao poder público que vai ser atribuída a tarefa de disciplinar e embelezar a cidade e para desempenhá-la, criará mecanismos, que irão interferir na vida cotidiana das camadas populares.





sexta-feira, 26 de novembro de 2010

A ARTE REFORÇANDO O PODER DOMINANTE

Na cultura egípcia, a arte parece retratar claramente as relações sociais vigentes. O estilo egípcio obedecia a uma série de normas rígidas, cuja adoção era obrigatória a todos os artistas. As estátuas, por exemplo, tinham que ter mãos sobre os joelhos, e os homens tinham que ser pintados com a pele mais escura do que as mulheres. Da mesma forma, cada deus possuía aparência rigorosamente estabelecida. Todo artista tinha, ainda, que aprender a arte da escrita, uma vez que os desenhos vinham acompanhados dos hieróglifos. Outro aspecto importante encontrado na arte egípcia é a frontalidade, pelo que podemos entender a representação da figura humana com toda a caixa toráxica voltada para o observador, de forma que a metade superior do corpo é sempre divisível em duas partes, inversamente simétricas, segundo uma linha vertical.

Segundo alguns autores, esta representação frontal está vinculada a um sistema de correlações que é definido em função do observador. Isto pode ser explicado pelo fato de a arte egípcia ser utilizada como propaganda de poder dos deuses e dos faraós, motivo pelo qual torna-se importante seu observador, uma vez que é para este que ela é produzida.

Esses autores salientam-se que as representações egípcias da figura humana apresentavam partes do corpo vistas sob ângulos diferentes, o que o autor compara à maneira de desenhar da criança. Assim, já que a cabeça era vista mais facilmente de perfil, era representada lateralmente, enquanto os olhos, diferentemente, eram desenhados como se fossem vistos de lado, eu seja, plantados de frente em uma vista lateral da face.

A rigidez e a importância dada ao observador, alvo de uma certa catequização através da arte, parecem caracterizar, claramente, uma sociedade em que a arte assumia uma função de manter relações dominantes, sendo a liberdade do artista completamente limitada. Nesta cultura, portanto, podemos ver a arte como forma de reforçar valores dominantes, como a importância do faraó, a hierarquia, a superioridade do homem sobre a mulher e por aí vai.