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domingo, 1 de julho de 2018

MEMÓRIAS E HISTÓRIAS DE VIDA (Some x aposentadoria)





Ocupação da Av. Augusto Montenegro/11/2017


No início dos anos 80, o conjunto de rock Pink Flloyd, explode com a música “The Wall”( O Muro”), que mexe bastante comigo, relacionando com as diversas leituras que fazia naquele momento, que vão influenciar definitivamente nas minhas ações e práticas educativas, já que a música (letra) trata dos sistemas de ensino de ditaduras políticas e a relação entre aluno e professor.




Encontro em Bragança


Com essa visão mais ampla, iniciei no magistério na década do sucesso dessa música, que corresponde metade de minha idade, por isso, tenho direito, como um cidadão e trabalhador à tão esperada aposentadoria.




Ure de Santarém/1990



Histórias não contadas



A partir de hoje, passo a pertencer à família dos sexagenários, um dia especial para mim, é um prazer e privilégio poder narrar momentos vivenciados ao longo desse processo histórico, já que a memória continua como sendo de um informante ativo, possuidor de um perfil de tendência de esquerda, inclusive, incomodando quem deseja a permanência de uma sociedade conservadora e capitalista. Agora, terei mais tempo, para refletir o passado que foi construído. Esse é o ciclo da vida. 





São Sebastião/ Bujaru/2013



Ao longo dessa trajetória profissional sempre procurei conciliar teoria e prática. Na década de 80, estava fazendo parte do movimento estudantil, onde estive em 1985 e 1986, na Secretaria de Esporte, do CA de História, inicio de 90, o debate sobre Rádio e TVS comunitárias são efervescentes, no Conjunto Maguari. Década de 90 e 2000, Conselho Escolar, Centro Comunitário do Conjunto Maguari, Coordenação pedagógica e Coordenação Geral do Some, sem contar apoio e envolvimento total nas decisões da categoria nas Assembleias, juntamente com o Sintepp, entre outras funções que trago nas vivências. Isso me faz muito feliz, que aprendo no dia a dia.



Abaetetuba/2007




Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME


No dia 17 de maio que passou, completei 29 anos nesta importância política pública que desenvolvo minhas atividades pedagógicas com filhos dos campesinatos, quilombolas, indígenas e ribeirinha. O Some pra mim, foi uma escola de vida, já que quando entrei, praticamente, não tinha      experiência nenhuma, onde irei fazer algumas considerações.





Mojuí dos Campos/1990





O Sistema Modular me proporcionou conhecer uma parte do Estado. Olhem aí: Terra Santa, Juruti, Almeirim, Afuá, Aveiro, Fordlândia, Quatipuru, Bujaru, Canaã do Carajás, Cachoeira do Piriá, Castanhal, Maracanã, Tomé Açu, Concórdia do Pará, Brejo Grande do Araguaia, Goianésia, Novo Repartimento, Tailândia, Salinópolis, Alenquer, Barcarena, Abaetetuba, Cametá, São Félix do Xingu, São Domingos do Capim, entre outros municípios e localidades.  Teve municípios que trabalhei mais de uma vez. Conhecer e andar em lugares diferentes contribuiu bastante nas motivações, conhecimentos e lazer nas práticas educativas, por onde passei. Esse rodízio facilitado pela estrutura, funcionamento e organização do Módulo me faz pensar que cada município e localidade possuem suas particularidades, como por exemplo: Na região do oeste do Pará, um termo muito utilizado pela população é a “piracaia”, enquanto o nordeste paraense denomina de “avoado”. Termo utilizado para comer peixe assado, com farinha e pimenta, cachaça e tocando violão ou ouvindo músicas. Em Abaetetuba, uma das características do município é a pesca, enquanto em Bujaru, a base da produção econômica é a agricultura. Em Juruti, a base da alimentação é o pirarucu, pela facilidade que os moradores encontram para pescar no Rio Amazonas , enquanto em Goianésia a base é a carne do boi, assim como em Almeirim é a carne de búfalo. Essas reflexões tornam o cotidiano escolar mais enriquecedor pelo acúmulo de informações adquiridos nesses deslocamentos. Enquanto, no ensino regular os professores não têm essas oportunidades e, nós temos essa história de vida.



Mojuí dos Campos/1991



Em 1989, quando entrei nesta modalidade, passei por processo seletivo, onde uma das etapas seria falar sobre um projeto que desenvolveria na comunidade.  Uma das marcas do módulo sempre foi deixar para a comunidade ou escola atividades pedagógicas que contribuíssem para vida das pessoas daquela localidade. Vivenciei práticas educativas que nunca e nem imaginava que existiria, nem a universidade me ensinou. Na prática, adquiri experiências como elaborar um projeto de intervenção para escola ou comunidade. Além da sala de aula, sempre os educadores deixavam uma feira de ciências, feira agrícola, festivais, feiras de cultura, seminários envolvendo a comunidade, jogos estudantis, jogos de xadrez, concursos de pipas, campeonatos internos e entre comunidades, encontros dos alunos, visitas pedagógicas, resgates da história e memória das localidades, curso de formação para professores, curso preparatório para concursos públicos, formação de lideranças e políticas, entre outras atividades. Ao longo desses 38 anos, o Some, ou seja, os educadores se envolveram e influenciaram em vários municípios, em várias decisões, como culturais, econômicas e políticas. Vários professores foram diretores de escolas, secretários de municípios, vereadores, prefeitos e assim por diante.



36 anos do Some: Forquilha - Tomé Açu/2016
                                           


Esse relato do ano de 1989, no Sistema de Organização Modular de Ensino – Some, foi no município de Juruti, geograficamente, faz fronteira com o Estado do Amazonas, perto da famosa cidade de Parintins, cidade turística dos bois Caprichoso e Garantido. O deslocamento de Belém para Juruti se dava de avião até o município de Santarém, depois ficava aguardando a embarcação que passaria, onde o percurso de viagem seria de 14 horas, contra a maré, pelo maior rio da Amazônia, o Amazonas.  



Vila do Galho - Concórdia do Pará/2013



Destaco uma das experiências muito gratificante, ainda em Juruti, fui convidado por algumas entidades representativas do município, entre elas o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Igreja Católica, para o Curso de Formação para trabalhadores rurais, como instrutor. Assumi o compromisso com as entidades que seria em um final de semana. Interessante, perceber o bom nível de organização política desses trabalhadores rurais semianalfabetos. Além de terem o poder de discernimento e compreensão para transformar a sociedade




Vila São Raimundo - Bujaru



As práticas políticas em que atuei em defesa da categoria, sempre foram participando das principais atividades sindicais diante das decisões dos trabalhadores da educação do Estado. Entre 2007 a 2010, no governo do Pará, fui indicado por decisão da maioria dos educadores do Some, para Coordenação Geral. Com uma equipe eficiente,  assumi o compromisso de organizar e defender a continuação dessa modalidade de ensino, nos rincões do Estado.



Agradecimento




Teria muito mais considerações, porém, vou ficar sempre fazendo essas reflexões sobre o Sistema Modular, já que foi essa política pública que serviu como laboratório pedagógico e de pesquisas para este professor. Agradeço a todos pelas considerações e respeito durante esse período que fiquei no Some. No mês de agosto, estou me afastando da sala de aula, ou seja, me aposentando de uma das atividades mais enriquecedoras do mundo, que é a educação, portanto, O Muro, de Pink Flloyd, mexeu mesmo, já que “Os anos passam... As lembranças são eternas, a saudade permanente e nossos olhos em busca de tempos vividos...”.

sexta-feira, 22 de junho de 2018

Festa Junina em Traquateua, Bujaru, Pará






Ontem, pela parte da manhã, foi realizada tradicional festa junina da Escola Lázaro Conceição Santa, na localidade de Traquateua, município de Bujaru, das várias modalidades de ensino de funcionamento. A programação foi intensa para comunidade escolar, com diversas atividades, brincadeiras e apresentações do ensino fundamental menor, maior e ensino médio, como cantos, danças, pau de sebo, quadrilhas e concurso de misses. O evento foi um sucesso, com participações de todos.




























quinta-feira, 14 de junho de 2018

Minha avaliação sobre a greve dos professores na rede pública do Estado do Pará



                                                                   *Valdivino Cunha da Silva


Depois de 43 dias de lutas a assembleia dos trabalhadores em educação pública decreta o fim da greve. Para uns, não tão bem-intencionados, a greve foi um fracasso, a categoria capitulou diante do governo. Não avalio dessa forma, acho inclusive, que ela foi positiva, a luta não foi em vão. Ela não foi em vão porque um conjunto de companheiros aguerridos deixaram suas salas de aula, (e outros não) mesmo sabendo das consequências que os alunos teriam com suas ausências, mas esses professores entendem que na luta também se educa, daí a positividade. Se nós, professores, não lutarmos pelos nossos direitos, com que cara falaremos aos nossos alunos de cidadania? É necessário unir teoria e prática, foi o que um conjunto de companheiros(a) fizeram.







Não devemos nos sentir derrotado pelo fato de que amanhã não estará nos nossos contracheques todo o dinheiro que esse governo nos deve, mas o que dependeu de uma parcela da companheirada, foi feito, que foi gritar em alto e bom tom que o governo deve pagar nosso piso salarial e isso já valeu a pena, pois, mostramos nossa indignação. A justiça, pressionada pela categoria já determinou que o governo pague o que deve, agora, se ele vai descumprir a justiça é outra história, isso foge da competência da categoria. Eu gostaria que o presidente golpista estivesse preso num presídio de segurança máxima, mas quem tem poderes para fazer isso é a justiça, não posso algemar e levá-lo preso.









Tem companheiros que avaliam que a greve não deveria terminar da forma como terminou. Tenho a seguinte avaliação: Toda greve, em qualquer que seja o setor tem um tempo para iniciar e acabar. Ela se inicia quando as condições se tornarem insustentáveis para os trabalhadores. E ela deve terminar quando ocorrer o atendimento de uma pauta ou parte dela ou ainda quando o poder de mobilização se tornar enfraquecido, sem poder de pressão ou ainda quando não houver gente suficiente para dar a sustentação necessária a uma greve, pois, nesse caso, não se faz greve com uma minoria. No meu entendimento foi este o motivo que levou a categoria a decretar o fim da greve. Quem decreta o início ou o fim de uma greve é a categoria, os dirigentes apenas cumprem ou encaminham as decisões, assim como quem faz um sindicato forte também é a categoria, jogar o ônus ou o bônus para os dirigentes me parece ser um grande erro de análise, ou má intensão.







Faço das palavras do professor marxista José Paulo Neto as minhas. Quando solicitado para fazer uma análise de conjuntura ele disse: “Temos que com clareza, distinguir aquilo que é possível do que é desejável. Não para nos contentarmos com o possível, só, mas para entender que o possível só é verdadeiramente possível se tiver uma relação com o desejável. É isso que pode evitar que a gente caia no esquerdismo tolo, no radicalismo verbal ou, então, na complacência verbal ou na cumplicidade.”





























* O autor é educador da 11ª Unidade Regional de Ensino - SEDUC/Pa.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Greve estadual dos trabalhadores em educação pública








Nos últimos dois dias, os trabalhadores em educação pública do Estado do Pará, estiveram organizados politicamente e culturalmente como parte da greve geral,  em busca de suas reivindicações, que iniciaram em 02 de maio. 





Na terça-feira, dia 29 do corrente, os trabalhadores em educação pública do Estado do Pará, estiveram sentados em negociação com o governo tucano, tendo como pontos de pauta, o concurso público, o piso salarial, auxílio alimentação, reforma das escolas, plano de cargos e remuneração, jornada de trabalho, violência nas escolas, Some, Banpara e precatórios do Fundef.






Durante a negociação entre a entidade sindical e governo do estado, número significativo de trabalhadores de categorias relacionadas à educação realizaram ato público, com participação de educadores e alunos.






Hoje, pela manhã, foi realizada Assembleia Geral da categoria, na EEE "Deodoro de Mendonça", no bairro de Nazaré, onde aconteceu avaliação da negociação com governo.






Informes e greve, foram os pontos de pauta da Assembleia. 






Com intervenções de várias lideranças da categoria e avaliações contrárias as propostas do governo tucano, os trabalhadores e trabalhadoras presentes aprovaram a continuidade da greve.






Os trabalhadores construíram uma agenda, que é a seguinte:

02/06 (Sábado) - 17 h - ato público na abertura da feira Panamazõnica do Livro - Hangar

04/06 (Segunda) - 9 h - ato público em solidariedade à ocupação da EE Helena Guilhon
                             10 h- campanha de doação de sangue - Hemopa
                             17 h- reunião do comando de greve - EE Cordeiro de Farias

05/06 (Terça)     - 9 h - ato público no Ministério Público do Estado

06/06(Quarta)    - 9 h - Visita à Alepa para cobrar agenda de mediação com o governo
                             10 h- Ato público e assembleia geral da categoria - Alepa


























quarta-feira, 23 de maio de 2018

Greve dos Trabalhadores em educação do Estado do Pará





















Pela parte da manhã, os trabalhadores em educação pública do Estado do Pará, estiveram em uma manifestação que teve início no Tribunal de Justiça do Estado, na Av. Almirante Barroso, em Belém do Pará e terminou na Secretaria Estadual de Administração, no Av. Chaco com Almirante Barroso.


Durante o Ato, alguns educadores foram agredidos e levaram spray de pimenta pela Policia Militar do Estado, 




A categoria assumiu, realmente, o comprometimento com suas principais reivindicações, alcançando seus objetivos, entre eles, a mobilização, que foi de chamar atenção para o descaso do governo do estado em não sentar-se à mesa de negociação. Com a pressão dos trabalhadores o governo recuou marcando uma audiência para próxima terça-feira, às 15 horas, na Sead.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

O SOME em Bujaru


                                                            

                                                           *José Ribamar Lira de Oliveira


Minha história no Some- Bujaru


Dos inúmeros municípios que trabalhei (já estou na reta final de trabalho) por este Pará afora, Bujaru, foi sem dúvida, aquele município em que passei a maior parte de tempo de minha vida docente. Já sinto uma pitada de saudade, saudade dos alunos, dos companheiros de labuta e da comunidade como um todo, mas enquanto os noventas dias que antecedem a aposentadoria não chega, vou contando um pouco da história que vi, senti e vivi.


A partir de 2003, tendo como uma das principais finalidades a expansão de oportunidades na área educacional, especifico no ensino médio, do Estado do Pará, a Secretaria de Educação do Estado do Pará – Seduc, passou a oferecer o Sistema de Organização Modular – Some, nas localidades do município de Bujaru, para os estudantes filhos de trabalhadores rurais, ribeirinhos e quilombolas. Foi um passo importante no que diz respeito a educação naquele município.


A grande responsável pela a implantação do Some em Bujaru, foi sem dúvida a professora Iracema Heitor, que naquela época era a Diretora da Escola Polo “Dom Mário de Miranda Vilas Boas”. Ela nos conta que em 2001 houve a solicitação, conforme Ofício nº 069/2001, de 17 de maio de 2001, com assinaturas do Prefeito Miguel Bernardo da Costa, Secretaria Municipal de Educação Rosângela Maria Vasconcelos Gomes e ela, para implantação do Sistema de Organização Modular de Ensino – Some, para o ensino médio, no município. E a exposição de motivos da implantação enviada para Secretaria Estadual de Educação, aos cuidados da responsável pelo projeto Professora Nádia Eliane Cortez Brasil, do Departamento do Some, diz o seguinte, no primeiro parágrafo: ”A implantação do Projeto SOME em nível de ensino médio, faz-se necessário pelo fato de que nosso município conta hoje com um quadro de 7.310 alunos da rede municipal de ensino, sendo que 5.160 destes alunos se encontram na Zona Rural. A esse número soma-se ainda 79 alunos que pertencem ao quadro do Estado, são alunos que cursam o ensino médio e precisam deslocar-se todos os dias de suas casas, alguns saem 03h00min horas (Manhã) para apanhar o transporte escolar e chegar até a sede do município”. A exposição frisa também que em virtude do crescimento de alunos o transporte escolar já não contemplava confortavelmente toda clientela atendida, proporcionando a superlotação dos ônibus e fazendo com que os alunos corram riscos diante de tal situação.


A Professora Iracema Heitor, enfatiza na entrevista, que com a implantação do Some em Bujaru, em 2003, ficou o gerenciamento em um primeiro momento com a Prefeitura Municipal, que só após o desmantelamento do Some pela então Secretaria estadual de Educação Rosa Cunha, quando retirou 60% da gratificação de deslocamento , passagens de aviões, material didático, Convênio com municípios entre outros é que o Some passou ser gerenciado pela Escola Sede, ou seja, só a partir do segundo semestre. Naquele momento, saíram do Some, 192 Professores, por não concordar com a política autoritária e nefasta para a educação do Estado, inclusive, eu. E continua, o Ofício foi enviado solicitando a implantação das localidades de Ponta de terra (24 alunos), Km 29 (Com 29 alunos), São Raimundo (60 alunos), São Sebastião (29 alunos), São Lopes (32 alunos), Santana (15 alunos) e Santa Maria (34 alunos). Mesmo com a solicitação de sete localidades, com números suficientes de demanda, a SEDUC só liberou dois polos que foram de São Raimundo e da Curva. As outras localidades foram sendo implantadas gradativamente, menos a Vila Santana e Santa Maria, que até o momento não foram liberadas. Os alunos de Santana se deslocam para o Km 29 para estudar. A informante ressalta através de documentos a solicitação para implantações do Some no município e a importância da Casa dos Professores.


A outra pessoa ouvida sobre a história da implantação do Some em Bujaru, foi a ex-coordenadora e também ex-professora do Some, Simone Soares Sampaio, que nos conta que  o Sistema de Organização Modular de Ensino – Some em Bujaru foi implantado em 2003, em dois polos, na Curva e São Raimundo, funcionando só com primeiro ano e gradativamente foi aumentando as turmas e em 2005 completou as séries seguintes”. E Continua: “A partir de 2006 o número de polo aumentou, sendo implantado nas localidades de São Sebastião, São Lopes, Providência e Ponta de Terra, sendo iniciado na localidade de Traquateua em 2007 e no Km 20, que era chamado de Providência II, como se fosse a extensão do polo de Providência, já que os números de turmas eram bastante pequenas”. Neste período na Direção da Escola Sede estava a Professora Iracema Heitor.


Na localidade de Ponta de Terra o Some foi extinto em 2013 em função do descompromisso da Direção da Escola D. Mário com a comunidade. Esta, não desejava a extinção do Some, pois prejudicou muitos alunos e alunas, já que com a implantação do regime regular o quadro de docentes não estava completo e sendo a maioria contratados diferente dos educadores do Some, que eram professores concursados e efetivos, sendo muitos possuindo especializações e mestrados. Sinceramente até hoje não se entendeu os reais interesses que levaram a exclusão do Some nesta comunidade. (grifos meus)


Na época o quadro de professores do Some era completo, sendo um dos pioneiros o Professor de Espanhol e Língua Portuguesa Railson Fernandes Elmescany e a Professora Nazaré Laurido, de Língua Portuguesa. Segundo o Professor Railson, nos polos que tinham neste momento que era São Raimundo e Curva passaram dois professores que eram: Enock, de matemática e o França de Geografia. E continua, neste período foi cortada a gratificação, ficando dividida, e as duas localidades ficavam com 60% da gratificação, o que fez com que o professores parassem de trabalhar, sendo contratado para trabalhar no KM 29, Curva, com algumas turmas, sendo sua primeira localidade de trabalho pelo Some, com as mesmas dificuldades que ainda temos hoje, como as casa para professores ficarem para se ter ideia das dificuldades, nos dois primeiros anos que trabalhou na Curva, o professor Railson dormia numa maca, inclusive, algumas vezes quando retornava à noite das aulas, geralmente, encontrava sangue no corredor, provavelmente, D. Graça tinha feito algum curativo, neste momento era sujeito a aceitar essa situação até porque era novo e precisava trabalhar. O informante, ressalta que em São Raimundo a Diretora era Conceição Veras e no 29, a Nilcelene. Railson, diz que, com a chegada do novo Prefeito Emanoel Muniz, solicita a ampliação de novos polos a partir de 2005 e chegando novos professores, como Célia Machado, de Biologia; ele, Denis Heitor, de Matemática, João Wanzeller, de Matemática; Girvânia Mesquita, de Geografia. Na entrevista, realizada no dia 12 de maio de 2018, frisou um dado cômico de sua experiência no Some nesses quinze anos, que aconteceu na localidade de São Raimundo, em 2003, naquele momento não tinha energia e trabalhava com a disciplina de Artes, sobre as atividades pedagógicas voltadas para lendas e mitos da região, e falava-se muito em Matin, Curupira e outras lendas. Quando foi numa certa noite, segundo o linguajar dos moradores, foi “amassado” pela Matinta Pereira e Matin, já que não conseguia falar, não conseguia se mexer e assim aconteceram outras vezes. Finalizando sua conversa, abordou que com a expansão do Some, a partir de 2005, o Some assume o ensino fundamental em São Raimundo e Ponta de Terra e aumentando o número de alunos. Hoje, o Some atende apenas o Ensino Médio, finaliza o professor.


O último entrevistado deste artigo é o professor de sociologia Valdivino Cunha que em resposta minha pergunta se podíamos marcar a entrevista, mandou-me o seguinte texto que publico aqui na íntegra:


Minha história de docência tem uma relação histórica e prazerosa com o Some e com o município de Bujaru concomitantemente, que aliás, foi lá onde comecei e permaneço até hoje e não tenho pretensões de sair de lá até que o tempo de aposentar chegue, daqui a pouco mais de um ano. Iniciei minhas atividades docentes pelo polo São Raimundo, quando a professora Iracema Heitor ainda era a diretora do D. Mário que é nossa sede. Foi lá que encontrei pela primeira vez o Professor Railson e a professora Celia Machado. Depois conheci outros professores dos quais me tornei amigo muito próximo, como é o caso dos professores Lásaro e Valdecir, das professoras Adriana e Rose Mary, entre outros.


Você me faz três perguntas em se tratando do Some e de Bujaru. Vou respondê-las. As perguntas foram:


- De que eu mais gosto do que eu não gosto no que diz respeito ao Some e ao município de Bujaru?


- Que medidas eu tomaria pra melhorar a educação de Bujaru?


Vou tentar responder, mas isso não significa que tudo aconteceria num toque de mágica, teria todo um planejamento, uma metodologia. Vamos lá.


O que eu mais gosto de Bujaru, é a forma como eles me acolhem. Os bujaruenses são acolhedores, adoro aquela gente e eles têm por mim um carinho sem medida. A recíproca também é verdadeira.
O que eu não gosto em Bujaru?


É a escalada violência. Ela extrapolou os limites toleráveis. Ninguém mais vive sossegado, seja na cidade ou nas comunidades, eu mesmo já fui assaltado e furtado duas vezes. Tem que haver um basta. A solução passa necessariamente pelo o envolvimento da comunidade para a amenização desse problema tão devastador. Não gosto também de saber que há professor que não tem nenhum compromisso educacional e estão no Some apenas por questões financeiras e assim eles denigrem nossa imagem, isso eu também não gosto. É preciso separar o joio do trigo.


- Que medidas eu tomaria para melhorar a educação de Bujaru?


No tocante as medidas de melhorias da educação em Bujaru, não seria tão fácil assim, mas eu se poderes tivesse, injetaria um maior volume de recursos financeiros na educação. Esse aporte de recursos seria injetado no sentido de melhorar o exercício da docência, garantir a universalidade e a qualidade da merenda escolar. Melhoraria também a infraestrutura (incluindo a casa dos professores do Some) das escolas e o transporte escolar. Faria um grande seminário com todos os segmentos envolvidos com a educação de Bujaru para levantar e hierarquizar as demandas. Minha Secretária Municipal de Educação seria a professora Iracema Heitor, pois ela é educadora e tem currículo invejável nesta área e conhece como poucos a problemática educacional de Bujaru.


Você me perguntou ainda, professor Ribamar, o que me deixa orgulhoso no tocante ao Some de Bujaru. Diria que pertencer a esta importante política pública inclusiva, já me deixa muito orgulhoso. Agora concretamente, fico muito feliz quando vejo que de vez em quando há alunos do Some de Bujaru que são aprovados nos vestibulares. Isso comprova a importância do Some para as localidades interiorizadas deste Pará e faz dela uma das políticas públicas mais inclusiva. Dias desses, numa culminância que fizemos do seu trabalho de pesquisa oral lá em Concórdia, fiquei sabendo que uma aluna do Some de lá fora aprovada em Medicina. Isso é ótimo e ao mesmo tempo raro um pobre entrar numa faculdade de uma medicina e o Some possibilita isso. Não é maravilhoso? Também fico muito feliz quando encontro ex-alunos nossos que já são professores, é sinal que a semente vingou e deu frutos. Viva os 38 anos do Some!


Nesses 15 anos de implantação do Some, no município de Bujaru, podemos observar que esta modalidade de ensino deu uma grande contribuição e desenvolvimento para o município.


O Some que inicialmente foi implantado, no ano de 1980, em quatro municípios, foi expandido no Estado do Pará, em 2003, chegando em 79 municípios, sendo 47 sedes e 122 distritos, totalizando 169 localidades, aglutinando em 35 circuitos, distribuídos em 10 polos, que era, os seguintes: Tucuruí, Cametá, Marabá, Conceição do Araguaia, Abaetetuba, Igarapé-Miri, Santarém, Altamira, Óbidos e Itaituba.


Ressalto que com ocorrência anotada em 2005, a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará – Seduc, através da portaria 064/05, definiu a classificação dos municípios e localidades pelas categorias A B e C considerando o nível de dificuldade de acesso às localidades, nos termos estabelecidos pelo decreto nº 390/2003, 30%, 60% e 100%, o que abalou consideravelmente a renda familiar dos educadores.


Em 29 de abril de 2014, através da Lei nº 7.886, o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME foi estabelecido como Política Pública Educacional do Estado do Pará, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação.


Atualizando as informações do Some, em 2018, segundo a Coordenadora do Some em Bujaru, Maria Eliete da Silva Mesquita, que são as seguintes:


No POLO CURVA/ KM 29: 5 TURMAS ATIVAS, sendo  o 1º: 2, 2º: 1 e 3º: 2, com um quantitativo de alunos de 154; POLO SÃO LOPES: 3 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 1, 2º: 1 e o 3º: 1, com 60 alunos; POLO SÃO RAIMUNDO: 6 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 2, 2º: 2 e o 3º: 2, com um total de  189 alunos; POLO TRAQUATEUA: 3 TURMAS ATIVAS, 1º: 1, 2º: 1 e a 3º:1, com 82 alunos; POLO SÃO SEBASTIÃO:  4 TURMAS ATIVAS, 1º: 2, 2º: 1 e a 3º: 1; POLO PROVIDENCIA : 3 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 1, 2º: 1 e a 3º: 1, 47 alunos.

Informantes:

Iracema Heitor da Silva
Maria Eliete da Silva Mesquita
Railson Fernandes Elmescany
Simone Soares Sampaio
Valdivino Cunha da Silva

*O autor é educador da 11ª URE,

sábado, 12 de maio de 2018

Dia das Mães




Amanhã, Dia das Mães, desejo um excelente dia, já que a mãe é mulher, é professora, é empregada doméstica, é babá, é enfermeira, é trabalhadora, é conselheira, não tem feriados, nem licenças, nem dia de folga, mesmo trabalhando dia e noite, não recebe salário.


Você é encantadora, lutadora, com muita garra e possui sabedoria e paciência. 


Você, mãe, é guerreira!


Parabéns, mães.