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segunda-feira, 4 de maio de 2020

Educação no Campo da Amazônia Paraense







Nota aos leitores


No dia 15 de abril, um dos maiores sistemas de ensino do Brasil completou 40 anos de existência, luta e construção educacional. Trata-se do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), uma política pública de inclusão educacional criada em 1980 no Pará e que serviu de bases para outros projetos ultrapassando a fronteira paraense. Nesse sistema é o professor, que em formato de rodízio, vai até onde aluno mora. Foi criado pra atender os estudantes do interior paraense que estavam excluídos da educação, por não ter escola no seu lugar de origem. O modular veio para atender os alunos do ensino médio e depois também o ensino fundamental, atendendo cerca de 30 mil alunos em mais de 90 municípios do interior do Pará.



É o tema do novo livro do escritor paraense e professor do SOME Arodinei Gaia a ser lançado nesse ano de 2020.



SOME: educação no campo da Amazônia Paraense, conta a trajetória histórica dessa importante política educacional paraense e as lutas pela sua defesa que culminou com a aprovação da Lei 7806/14.



As experiências vividas, as adversidades, as dificuldades, a viagem pelo "desconhecido" e o prazer de ser moduleiro são elementos que enriquecem a obra. A obra ainda faz um resgate histórico da implantação do Sistema Modular no município de Cametá, terra do autor.



O livro seria lançado em abril de 2020, mas por conta da pandemia foi adiado para outra data assim que a vida voltar ao normal.



A obra, em suas 208 páginas,  com rico acervo fotográfico e documental, é um importante elemento de pesquisa para os estudiosos da temática da educação capesina, mas com uma leitura saborosa para quem quer apenas conhecer o brioso interior paraense e a atividade pedagógica do docente moduleiro e a realidade do discente interiorano.

terça-feira, 28 de abril de 2020

40 ANOS DO Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME








Sábado, 02/05, às 17 horas temos um encontro marcado.


"Os 40 Anos do Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) no Pará" é o tema do nosso bate-papo. Vamos conversar com José Ribamar Oliveira (Historiador/Ex coordenador do SOME),  Ana Conceição ( Mestra em Ciências da Educação/Ex coordenadora do SOME) e Marina Costa (Mestra em Ciências da Educação/Ex professora do SOME)
Mediador: Prof. Vinicio Nascimento (SOME)


Transmissão pela nossa página no Facebook: https://www.facebook.com/profvinicionasc/

quarta-feira, 15 de abril de 2020

40 anos de SOME

                                     
                                                                                *AroDinei Gaia
                                                                                *Ribamar Oliveira

Um gigante da educação faz aniversário!





São muitas emoções nessa comemorativa data tão importante para a educação da Amazônia. Por outro lado, estamos vivendo um momento tenebroso por conta da pandemia do novo corona vírus, revelando-nos situações que dependem do isolamento social com responsabilidade como forma de controle da pandemia.







Nesse contexto, alunos, professores e toda equipe pedagógica, infelizmente, estão em quarentena e, portanto, afastados da vivencia e atividades educacionais do SOME.







Neste ano de 2020, o SOME completa quatro décadas de existência, resistência, lutas e conquistas por uma educação melhor no interior do Estado do Pará.  Não podemos deixar de destacar que essa sua trajetória tem contribuído, significativamente para o desenvolvimento de diversas regiões, diversos municípios e localidades, realizando sonhos de seus muitos alunos e alunas, que tem o SOME como única alternativa de seguir nos estudos, já que não podem frequentar o estudo dos centros urbanos por várias razões, como a questão financeira.








Para a ex-aluna, Dra. Wânia Alexandrinho, hoje professora da UFOPa, diz: "O SOME significa ter o direito à Educação. Para comunidades que convivem com décadas de ausência de políticas públicas, com experiências dolorosas às quais a única certeza é a negação de qualquer direito, ter acesso a um caminho que possibilite estudar significa poder existir, no sentido literal e poético da palavra. O SOME me deu acesso ao ensino médio, e, com qualidade. A oportunidade agregada a dedicação, me colocaram dentro da Universidade Pública, de onde eu pude ir mais além, conclui a graduação em História, desenvolvir pesquisas, concluir o Mestrado, e, logo em seguida concluir o Doutorado. Atualmente sou professora de uma Universidade Pública Federal. Onde isso tudo começou? lá atrás na comunidade ribeirinha, com um direito garantindo através do SOME de poder estudar."




1º Livro do SOME  - Os Organizadores




Mesmo com toda precariedade das condições estruturais e físicas o Sistema Modular vem atendendo, formando e preparando o estudante paraense para cursar o tão sonhado curso superior. Sabemos que a ausência de gestão pública é um empecilho para a concretização de um ideal de educação que se pretende. Mesmo assim, o resultado positivo vem surgindo ano a ano.





Profª Fada Isis - Santarém, em sala de aula



Para o ex-aluno do SOME, Dr. Paulo Sérgio de Almeida Corrêa, em sua tese O Estado e a Formação da Política Curricular: Prescrições e inconfidências, defendidas em 2000 pela PUC/SP, baseado em relatório da FEP ele cita que vários aspectos eram favoráveis à proposta pedagógica do SOME, tais como: o baixo índice de estudo de segundo grau no interior do Estado no final da década de 1970. O Professor diz que "o modular tem ótimo manejo de classe, atendendo às atividades individuais dos alunos, discutindo com os mesmos os resultados de cada avaliação, utilizando técnicas variadas de fixação de aprendizagem", a partir  dos três primeiros anos como experiência piloto.




Profª Adriana Silva - Bujaru, em reunião



Logo deduzimos que o SOME tem um papel fundamental para Amazônia paraense ampliando os horizontes de quem tem interesse de fazer da educação seu foco.



Atividade pedagógica diferente


Destacamos a felicidade dos vários profissionais liberais exercendo suas profissões nas localidades, principalmente quando se chega e constata que a maioria dos funcionários das escolas municipais foi discente de uma das maiores políticas públicas do Estado, o modular.




III Encontro de Professores PA/AP - Bragança



Para o ex-discente moduleiro, hoje Dr. Jone Mendes, O Some, foi um divisor de água! "Utilizo essa metáfora por me representar, por ser uma etapa da minha vida escolar que diferençou meu antes e depois e que foi significativa na escolha da minha profissão. É um divisor de água, por ser uma modalidade de ensino, onde os professores realçam sentimentos, inspirações, assim como adunam relações, aprendizados, além de serem comprometidos com a educação, os quais perpassam todo esse sentimento de querer, de buscar e de correr atrás, mesmo diante de todas as dificuldades!"



Jurássicos do SOME - ASSEDUC



Os relatos acima representam as histórias de milhares de estudantes de classe popular que venceram na vida e tiveram sua trajetória estudantil marcada no Sistema Modular de Ensino. Muitos optaram pela entrada imediata no mercado de trabalho outros pela continuidade nos estudos na universidade e pós-graduação. Muitos destes hoje são professores na sua própria comunidade de origem e outros trabalham no SOME em todo estado do Pará.



Assim, o dia 15 de abril é uma data memorável e deixa-nos felizes e emocionados, pois é o dia de nascimento do SOME lá no ano de 1980. E as comemorações nos trazem à lembrança as produções pedagógicas, como feiras culturais e de artes, jogos, encontros estudantis, feiras agrícolas, festivais regionais, projetos variados, resgate da história e memória, organização política e social dos municípios e localidades, entre tantas outras atividades que somado aos conteúdos lecionados tem engrandecido os modulindos e modulindas que já passaram e outros que continuam na labuta de enfrentar marés, ramais, estradas e caminhos nessa importante missão educacional.



A troca de experiências com os moradores das comunidades, o aprendizado, os laços de amizade com os discentes e as relações afetivas são elementos que fazem superar as dificuldades e as adversidades dessas viagens moduleiros. Se por um lado os docentes deixam seus familiares no seu lar, outros tornam sua família na comunidade pelo tempo junto e pelos laços que se criam na convivência.




E assim é a vivência nessa fantástica e importante aventura pela educação nos rios, estradas das comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas, vilas e colônias da Amazônia Paraense.


*Os autores são educadores do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME (Política pública da Secretaria Estadual do Pará - SEDUC que atua nos rincões do estado do Pará, com o ensino médio).


Arte e imagens dos professores do SOME