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terça-feira, 26 de julho de 2022

Rebeldia Nacional Cubana

                                                                                                                                                                  

Há 69 anos temos um momento histórico importante de resistência, construção de uma das maiores revoluções do mundo e que serviu como acontecimento de referência inicial para a Revolução Cubana.


Início da década de 50 do século passado, articulações e mobilizações por alguns grupos se sobressaem na luta e resistência contra o imperialismo norte-americano. Assim, aconteceu com a tomada de assalto do quartel de Moncada, no dia 26 de julho de 1953, antecedendo, portanto, esta revolução, com 131 jovens idealistas sob liderança de Fidel Castro, Raul Castro e Abel Santamaria, objetivando a luta armada contra o todo poderoso Fulgêncio Batista, representante do imperialismo ianque, no território cubano.

 

 Mesmo não sendo um sucesso militar para as forças revolucionárias de Fidel, teve um significado importante para continuidade do movimento em prol da liberdade de Cuba. 


No total de seis militantes foram mortos durante a ação e 55 foram presos, assim como torturados e assassinados durante o processo de ocupação do quartel, inclusive, um dos líderes jovens, Abel Santamaria. Fidel e Raul foram presos e condenados. Em 1955, são anistiados e foram para o México dando início a formação do Movimento 26 de julho.


Fora de Cuba, os jovens do Movimento 26 de julho se organizaram e se mobilizaram para seus retornos que aconteceu em dezembro de 1956, proporcionando o início da guerrilha em Sierra Mestra. Triunfando com a consolidação da Revolução em 1º de janeiro de 1959, Fidel e seus militantes assumem o poder político em Cuba e diz que sem Moncada não haveria a revolução. Viva a Revolução Cubana!

domingo, 24 de julho de 2022

UMA EXPERIÊNCIA NOS RIOS DE ABAETETUBA


     Isto não é ficção, é uma história real, de pessoas reais que aconteceu nos idos de... algumas décadas passadas. E vamos começar por onde se deve começar. Pois bem, essa história tem seu ponto de partida em Belém do Pará, na secretaria estadual de educação. Não é um conto. É uma crônica da vida como ela é. Sem fantasias, sem estrelismo, sem super-heróis com capas voadoras e olhos com poderes de energia nuclear. Então, tudo começa assim. O Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, política pública que tem 42 anos de atividades pedagógicas, pelos interiores do Estado do Pará, abriu processo seletivo em 2011 para o referido setor da Secretaria Estadual de Educação – SEDUC, sendo que, na ocasião, foram chamados diversos professores para atuarem no ensino médio.



     Dentre os professores, um se apresentou para o coordenador geral e este lhe disse que iria manda-lo para uma comunidade quilombola ribeirinha, no município de Abaetetuba. O professor olha para o coordenador a sua frente e, sem esperar mais nada, pergunta se seria possível lhe enviar para um local onde houvesse estrada, chão batido, onde pudesse pisar com segurança sem correr o risco de afundar os pés literalmente  nas águas desconhecidas do Abaeté. Pois assim, dizia, trabalharia muito mais feliz. No entanto, recebe a notícia de que só havia vaga naquela localidade para onde foi designado. Era pegar ou largar.



     Não houve jeito, teve que se contentar com o que a sorte lhe reservara. Levantou-se, deu meia volta e despediu-se. Tomando o caminho da rua, foi para casa muito pensativo, muito provavelmente, pensando na aventura que seria essa viagem por águas completamente desconhecidas para ele. Será que não corria o risco da embarcação afundar? Será que isso já não tinha acontecido antes com algum outro professor, ou outra pessoa qualquer?



     Aquele professor nunca havia feito qualquer tipo de viagem por rio; era homem da cidade, urbano, gostava de morar na selva de pedras, estava acostumado com o dia-a-dia das buzinas infernais, com o congestionamento do trânsito, com a poluição do cigarro e das fábricas que vão envenenando o ser humano de pouquinho em pouquinho sem que perceba, ou, se percebe, já nem liga.



     Aquela notícia da sua partida imediata chegara aos seus ouvidos na quinta-feira, e, no domingo, já teria que estar viajando para a sede do município, porque, na segunda-feira, bem cedinho, teria que se deslocar para a localidade onde iria exercer suas funções de educador. E não teve jeito. Teve que ir de rabeta mesmo. E o que é uma Rabeta? É um pequeno motor de propulsão que, acoplado na traseira de pequenas embarcações ou barcos, é conduzido manualmente, com a ajuda de um bastão que determina as direções. Por extensão, é uma pequena embarcação com esse motor, ou seja, uma canoa motorizada.


    No domingo, no horário da tarde, pega o ônibus que o levaria à rodoviária, no centro de Belém, em São Brás. Ao chegar, encontra com alguns professores que iriam para o mesmo município que ele. Apresentaram-se, foi um momento de descontração e entrosamento do grupo. Tomaram o ônibus e partiram rumo à Abaetetuba. A viagem não foi longa, mas deu tempo de conversarem e se conhecerem melhor. Ao chegarem à sede do município, dirigiu-se ele e parte dos professores para um hotel, onde passariam a noite. Outra parte do grupo foi para a casa de amigos ou parentes.



     No outro dia, bem cedo, acordam e encaminham-se para o refeitório, a fim de tomar o café da manhã com pão quentinho e manteiga. Todos já devidamente preparados com suas mochilas nas costas. A equipe desse professor era composta por três pessoas: ele e mais dois professores. Depois do desjejum, um dos amigos toma a iniciativa de convidá-los para se deslocarem até um porto particular, de onde sairiam numa rabeta em direção à localidade onde foram lotados.



     Ao chegarem ao porto, o professor percebe rapidamente que havia vários outros professores e professoras procurando se arrumar no pequeno casco. Todos iriam viajar no mesmo casco que ele? Com certeza, o professor se fez essa pergunta várias vezes, quase não querendo acreditar naquela possibilidade. Quantos? Seis, sete, dez? E todo mundo se equilibrando, encostado um no outro, de costas para as águas. Quem sabe, aquele professor estivesse pensando: “Será que vale a pena passar por tudo isso pra ganhar um pouco mais, uma ajuda de custo, um adicional no contracheque?”.  Mas logo, logo, o gelo é quebrado e alguém apresenta o rabeteiro (o que pilota a rabeta) e convida o professor para entrar no casco. Com muito cuidado, conseguiu descer da ponte do porto para dentro da rabeta, agasalhando-se com alguma dificuldade junto dos outros colegas. Que momento sublime! Inusitado! Esses e outros pequenos momentos que ninguém podia imaginar, mas que iriam, depois de décadas, entrar para os anais das memórias do SOME. E que memórias. A história se imortaliza nos pequenos e quase despercebidos detalhes, coisas tão simples das quais muita gente pode achar que não vale a pena se debruçar sobre os papeis em branco, com pena e tinta, numa escrivaninha do quarto de dormir e escrever, e escrever, e escrever até a noite findar e os primeiros raios de sol adentrarem pelos vidros da janela e desmancharem a penumbra do quarto. Não! A obra não pode ficar pra depois, tem que ser escrita para que não se perca nas esquinas de pedras.



     Era a primeira aventura no mar daquele professor. Era um marinheiro de primeira viagem, estava inseguro sim, porque aquilo tudo era desconhecido para ele. Mas, ao se deparar com a tranquilidade dos outros que estavam a bordo, conversando animadamente, trocando informações, desejou uma boa viagem a todos e aceitou o seu destino. O rabeteiro deu a partida no motor, que roncou forte, soltando um pouco de fumaça; o barco começou a se movimentar e a se afastar do porto, enquanto o professor segurava firmemente com suas mãos na beira do casco atrás de si. Era visível o seu nervosismo, como que sentisse um calafrio passando entre suas espinhas. Ao mesmo tempo, via a tranquilidade das professoras e de seus colegas, pareciam acostumados àquela vida.



       - Seja o que Deus quiser! Pensou.



     Já subindo o rio, a rabeta se encontrava, volta e meia, com pequenas ondas, movimento que as águas faziam quando se deparavam com as embarcações. Esse balanço das águas que faziam chacoalhar a pequena embarcação provocava náuseas, enjoo e medo no professor, que via, assustado, o barco subir e descer o rio. Após duas horas e meia de viagem e um pânico silencioso vivido pelo nosso personagem principal (acho que somente ele sentiu isso), finalmente o rabeteiro encostou o casco na ponte da casa dos professores, desligou o motor e o barulho que estava deixando todo mundo surdo e sem poder conversar, cessou. Agora tudo era completo silêncio que dava pra ouvir o casco roçando a ponte e a corda sendo amarrada no tronco. Todos descem para a ponte em silêncio, carregando suas mochilas e, quem sabe, dentro delas, muitos sonhos, quilos e quilos de sonhos.



     Aquilo tudo foi uma verdadeira adrenalina, mas apenas o início da adrenalina para aquele professor. Uma experiência que ele não iria esquecer jamais em todos os anos de sua vida, passasse por onde passasse, estivesse onde estivesse, fizesse cinco ou quarenta anos, mesmo que conhecesse outros lugares, jamais esqueceria aquela inusitada experiência nos rios de Abaetetuba.



     É! Há certos caminhos que caminhamos, em que a educação nos faz refletir sobre o quão grande ela é. E percebemos que ela precisa de nós para melhorar o homem. Por isso, parodiando Milton Nascimento quando canta “todo artista tem que ir aonde o povo está”, eu digo: “Todo educador tem que ir aonde o aluno está”. E ponto final.

 

Por Prof. Ribamar Oliveira

Revisão Professor e Poeta Carlos Alberto Prestes

Belém, 24 de julho de 2022

sábado, 2 de julho de 2022

NASCE MIGUELITO FILHO: Um romance moduleiro

 

                             Por: Dinei Gaia*




O SOME é agraciado com mais uma obra que nasce pelas mãos de um moduleiro. Trata-se do lançamento do romance “Miguelito Filho: o apaixonado da Amazônia” que ocorreu em Cametá no dia 04 de junho de 2022. O romance é o novo livro do escritor cametaense João Batista Pantoja Pereira. João Batista é professor do SOME da 2 Ure - Cametá, onde leciona história. Esse é o terceiro livro do autor.






O lançamento foi na residência do escritor, a beira da piscina, com música ao vivo e um saboroso coquetel a se degustar, um prenúncio do que é a leitura do livro. Estiveram presentes familiares, amigos, políticos, escritores, amigos da imprensa e os professores do Sistema Modular da região. Eu estive presente juntamente com os professores do SOME Benedito Lélio, Joelma Marques, Erivane e os escritores Arogas e Haroldo Barros.


Dias depois o livro esteve disponível para venda na reunião de planejamento do segundo módulo do SOME, onde os professores e professoras puderam adquirir a obra.


Falando especificamente do conteúdo da obra, esta é uma saborosa viagem pelos tempos de antigamente no interior cametaense, cenário onde a trama se desenrola.




Os personagens com nomes, apelidos e sobrenomes. Aliás, bastantes sobrenomes, retrato de uma época onde os nascidos eram herdeiros das alcunhas dos pais, avós, padrinhos ou qualquer figura a quem se queria homenagear. Uma característica da sociedade interiorana da Amazônia.


A história se apresenta enriquecida com o dialeto local, o famoso linguajar cametauês, bem como com o costume da poética vida ribeirinha, onde a vivência do caboco estava inteiramente interlaçada com as relações homem-natureza. Sendo o homem dependente dos favores prestados pela mãe natureza através do comer que vem da mata e dos rios. As crenças, as lendas, os saberes populares do ribeirinho que conhece o movimento das marés, a influência dos astros em nossas vidas e a cura que vem das ervas medicinais, são elementos que nos devolvem ao saudoso tempo, em que as dificuldades se misturavam com a vida simples e gostosa no interior.







 A vivência moduleira do autor, acaba por se tornar inspiração e combustível pra esse romance interiorano. Inclusive algumas localidades citadas como Cuxipiary e Parurú possuem o SOME.


Porém o 'estória' é histórica, pois se localiza na segunda metade do século XIX e vai até a primeira metade do século XX. Portanto, uma viagem pelos costumes de uma época que tempo já consumiu. É de fato, como uma viagem numa máquina do tempo, o que é uma contribuição para o ensino, pois o alunado leitor pode conhecer aspectos do interior no começo do século XX.


Interessante como o escritor João Batista debate temas, que hoje, são pautas de políticas públicas e de interesse geral para a consolidação de uma sociedade com respeito e direitos iguais. É assim que o racismo aparece, pois o personagem principal Miguelito Filho ou Epifânio, sofreu por conta da cor de sua pele. Apelidos como neguinho, cabeça seca, escurinho, cricri, falam por si, bem como a servidão, pois o preto era abraçado enquanto servia a alguém, desde que não ousasse cobiçar as ‘benesses’ da sociedade branca. Mas Miguelito não baixou a cabeça para o preconceito e foi além do que se imaginava.


Mas o outro lado também está presente. A amizade, a solidariedade, companheirismo e o amor. O amor em suas duas versões, o familiar quando Miguelito é recebido por sua nova família no Cuxipiary ao ser doado pelos pais alcóolatras e o amor de Telminha e Valéria, personagens que se apaixonaram pelo preto, pobre oriundo da colônia cametaense, e nunca olharam pra sua pele, mas sim pra sua essência.


Ah! O amor! Este fecha a trama, mas nos deixa no final, na última página, uma pulga atrás da orelha que só será respondida pela interpretação do amante leitor.


É um excelente romance regionalista. Mais um filho do SOME. Eu já li, agora recomendo a você.





*Arodinei Gaia de Sousa. Historiador, Escritor e Poeta paraense de Cametá.

Escola do Campo I

 

                                                               *Carlos Prestes

















*O autor é Poeta e Professor.

quinta-feira, 23 de junho de 2022

ESCOLA DAS ÁGUAS

 


                                         * Carlos Prestes









*Poeta e Professor da SEDUC/PA.

terça-feira, 21 de junho de 2022

Amazônia! Não tem crime de encomenda

 

                                   

                                                                         Valdo Rosário[1]


                     No ato de contrição contido no sacramento da confissão, que é um dos 7 sacramentos da Igreja Católica, define que pecamos por atos e omissões; no código penal caracteriza-se um crime também por atos e omissões. O Estado democrático brasileiro, tem a obrigação de combater o crime com as ações preventivas, investigativas, instalações de processos, prisões, julgamento com direito a ampla defesa, que culmina em condenação ou absolvição do suspeito de acordo às provas.


                     As funções das instituições de segurança pública do Estado, como a Polícia Militar, Civil, Federal e Forças Armadas, são preventivas e ostensivas; evitar crimes, e prender quem cometê-lo; garantir a ordem, a vigilância das fronteiras, a segurança aos territórios indígenas, parques e áreas de prevenção ambiental; combater narcotráfico, desmatamento, garimpo ilegal, pesca e caça predatória em parceria com outras instituições de Estado, como IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis), FUNAI (Fundação Nacional do Índio), Ongs (Organizações não governamentais) e outras entidades civis e religiosas. O MPE e o MPF (Ministério Público Estadual e Federal) têm a função de acolher denunciar e investigar, instaurar processo após investigação e apresentar ao poder judiciário, a um juiz constituído, para que ele prossiga com a denúncia ou arquivamento.


                    Essa propedêutica sobre a segurança pública do Estado brasileiro, é para demonstrar a gravidade da violência ambiental, qual o Brasil e, principalmente a Amazônia vêm sofrendo, nos últimos anos, que culminou, infelizmente, na morte do jornalista inglês, Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, na reserva indígena Vale do Javari no Estado do Amazonas. A área do Vale do Javari, foi criada em 2001 seu tamanho é de 8.544.000 hectares, onde estão vários povos indígenas como: os Marubos, os Matsés, os Matis, os Kanamari, os  Kulina etc.; nesse lugar, pelo menos 4 grupos indígenas vivem isolado.


                    O indigenista Bruno Pereira de 41 anos, ingressou na FUNAI por via de concurso público em 2011 e tornou-se coordenador dos povos indígenas isolados. Durante sua gestão, várias ações foram feitas em defesa da Amazônia como o combate aos garimpos ilegais e destruição de balsas instaladas nesses garimpos; pesca e caça predatória em terras indígenas. Exatamente por está cumprindo a função de direito da FUNAI, Bruno foi exonerado da função coordenador em 2019, pelo Ministro da justiça da época Sérgio Mouro, com o aval do Presidente da República, Jair Bolsonaro e passou a ser ameaçado por garimpeiros e outros criminosos da região do Vale do Javari. Bruno, após a sua exoneração, pediu afastamento sem remuneração da FUNAI, todavia, continuou com seu trabalho na região, por meio da UNIVAJA (União Indígenas Vale do Javari), instituição criada em 2019 pelos indígenas e ativistas ambientais com o intuito de combater a pesca, a caça e o garimpo na área indígena.


                    O jornalista inglês Dom Phillyps que passou a residir no Brasil a partir de 2007, veio fazer uma pesquisa sobre música e nesse ínterim, foi correspondente de alguns jornais americanos como The New York Times; atualmente era correspondente do jornal inglês The Guardian. Após um determinado tempo passou a pesquisar sobre os povos indígenas e violência na Amazônia e estava escrevendo um livro sobre o tema. Dom Phillyps, ficou conhecido nacionalmente durante uma audiência pública ocorrida em 2019 sobre crimes ambientais e indígenas na Amazônia, na qual, questionou o presidente da república, Jair Bolsonaro, sobre a ação do governo em relação a crimes ambientais ocorridos naquela floresta. O presidente além de não responder o questionamento do jornalista insinuou que ele não tinha autoridade para fazê-lo, por não ser brasileiro. A partir desse fato, o jornalista passou a ser perseguido por mídias digitais bolsonaristas, e também ameaçado de morte por criminosos residentes na região do Vale do Javari.


                    A partir de 2019, órgãos como ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), criado em 2007, atrelado ao IBAMA, com a função de preservação ambiental e também do patrimônio espeleológico nacional. FUNAI, IBAMA e outros Conselhos ambientais passaram a enfrentar uma guerra ideológica, com intuito de desviar a função desses órgãos, ao realizar a troca de coordenadores e diretores e substitui muitos servidores de carreira desses órgãos públicos da região, por militares e pastores. Alternar funções em cargos comissionados no serviço público não é crime, faz parte da gestão; colocar militares ou pastores nesses cargos também não caracteriza crime, o problema se instaura quando essas pessoas passam a fazer desmonte dos órgãos, à fim de impedir o trabalho de fiscalização e proteção da Amazônia. Para agravar ainda mais a situação, indígenas, ribeirinhos, quilombolas, que utilizam da pesca e caça de subsistência e os trabalhadores da agricultura familiar e extrativismo; são abandonados pelo Estado legal de segurança. Exatamente por essa nova política ambiental estabelecida pelo governo federal, é que Bruno Pereira foi exonerado de sua função e, à posteriori, juntamente com o jornalista, passaram a ser ameaçados, não especificamente, pelo governo, mas por pessoas que viam os dois como ameaça para seus negócios criminosos, e a negligência dos órgãos de segurança do governo federal, incentiva de maneira indireta, a pratica de crimes ambientais e contra a vida humana na região.


                    Uma dúvida surge nessa celeuma ambiental: Por que aumentou o desmatamento e outros crimes ambientais na Amazônia? Uma pergunta pertinente, todavia, com respostas subjetivas e objetivas, que podem ter uma interpretação hermenêutica dos fatos; são respostas objetivas a partir de casos concretos, como crimes que estão ocorrendo na Amazônia, dentre eles a morte do ativista e do jornalista. Essas questões, subjetivas e objetivas tem vários fatores: sobrevivência, ignorância ambiental, e principalmente, organização de grupos para praticarem crimes; também pelo desmonte de muitos órgãos federais que não estão fiscalizando a região. Ao reiterar o que descrevi no início do artigo, sobre atos e omissões na prática de crimes que vêm ocorrendo na Amazônia,  há de se considerar que os  governos federal, estaduais e municipais são culpados por negligenciar uma política eficaz de prevenção, investigação e punição aos criminosos, envolvidos  na destruição ambiental.


                    O indigenista Bruno Pereira e o Jornalista Dom Phillyps e UNIVAJA fizeram várias denúncias dos crimes que estão ocorrendo na região do Vale do Javari, e que os órgãos públicos se omitiram de investigar. Um dado grave por parte que comprova o abandono da FUNAI é  o fato de somente 6 fiscais fazerem o trabalho de fiscalização na reserva Vale do Javari, o resultado foi infelizmente, o que já se anunciava, o assassinato de Bruno e Dom Phillyps, e também de outros ambientalistas, ribeirinhos, pequenos agricultores e índios, da reserva citada e, também de outras reservas. Sobre o desmatamento na Amazônia, segundo afirmação do governo federal afirmou houve redução; infelizmente isso não é verdade, pelo contrário, de acordo o IMAZON (Instituto  de Meio Ambiente da Amazônia), nos últimos 10 anos houve um acúmulo  de 27% de aumento de desmatamento; em 2021 coincidentemente o Estado do Amazonas desmatou 10.362 km², uma área do tamanho da metade do Estado de Sergipe; o mais grave é que esse desmatamento ocorreu na ampla maioria, em reservas indígenas e parques de preservação federal.


                   De acordo com a CPT (Comissão Pastoral da Terra), entidade ligada à Igreja Católica em 2022, foram assassinadas 19 pessoas, dentre elas: ativistas ambientais, lideranças indígenas e trabalhadores rurais; outra situação grave na atualidade é a intervenção de algumas igrejas evangélicas na FUNAI, para “evangelizar” povos indígenas isolados, uma vez que, por lei, é proibido qualquer contato de entidades civil, religiosa e militar a esses povos. Por outro lado, a CNBB (Conferência Nacional dos Bispo do Brasil), entidade da Igreja católica, defende o respeito cultural aos povos indígenas que se encontram isoladas, não adentrando nesses territórios para catequização. Além dos crimes praticados por garimpeiros, madeireiros, grileiros, narcotraficantes, pescadores e caçadores, ainda há uma guerra ideológico-cultural, implantada de maneira indireta pela FUNAI e outros órgãos de governo, uma espécie de disputa política-religiosa.


                    Outro fato grave que marca esse episódio, são as declarações do presidente da república, que aqui faço questão de citar: “- Bruno Pereira e Dom Phillyps não poderiam fazer essa viagem, porque a região é inóspita e sem segurança; os dois deveriam estar armados; eles eram mal vistos na região”. Essas afirmações são graves e contraditórias por vários fatores, principalmente, porque o indigenista Bruno já havia feito denúncias dos crimes ambientais na região e nem a FUNAI e outras autoridades tomaram providências; um pedido de escolta do Bruno e do Phillyps seriam atendidos? Provavelmente não.  Está claro a omissão dos governos federal, estadual e municipal na região; a omissão da FUNAI e Forças Armadas.


                   A desarticulação da Polícia Federal com trocas de delegados investigativos de crimes ambientais e outros crimes, é um ato criminoso gravíssimo contra instituições;  por exemplo, o caso  do delegado Alexandre Saraiva, exonerado em 2021 do cargo de chefia da Superintendência Regional da Polícia Federal do Estado do Amazonas, por investigar o ex-ministro do meio ambiente, Ricardo Salles, sobre extração ilegal de madeira, escândalo que terminou com a renúncia do referido ministro. São  graves e preocupantes também as declarações da Polícia Federal sobre os 3 suspeitos dos crimes, presos por ela, ao afirmar, prontamente, que não havia mandante(s) dos crimes, ao serem encontrados os corpos dos desaparecidos; isso cria uma incongruência investigativa: a partir de que mesmo a polícia chegou tão rápido a essa conclusão? No mínimo isso é estranho, ou excesso de competência. Como todo texto possui seu pré-texto, fica parecendo uma confissão velada; que os assassinatos dos dois, foram encomendados por uma quadrilha extremamente organizada que existe na região.


                    A região do Vale do Javari virou uma terra sem lei, com a presença do narcotráfico, pesca e caça predatória e garimpo ilegal, tudo isso sem fiscalização do governo federal. O assassinato do indigenista Bruno Pereira e Dom Phillyps, não foi um fato isolado e sim uma consequência do avanço de criminosos na região, e ainda, pela confusão de se assemelhar políticas ambientais com guerra ideológica-cultural-religiosa; a questão ideológica no Estado, tem que ficar no campo dialético da política; as questões ambientais não podem virar simplesmente especulação ideológica, e sim ações técnicas fundamentada numa episteme. Como os órgãos ambientais em grande parte, viraram uma arena ideológica de interesses não republicanos, isso tem contribuído com o aumento da criminalidade na região amazônica.

             



[1] Licenciado em filosofia pela PUC/GO., mestre em filosofia pela UFT/TO., professor de filosofia no Ensino Médio, na E. Estadual de Ens. Médio Profa. Elza Maria C. Dantas, São Domingos do Araguaia/PA. 4ª URE-Marabá SEDUC-PA.

Valdo Rosário Sousa, nascido 21 de novembro de 1972, Poção de Pedras/MA.1975, junto com os pais, mudou−se para o antigo Centu do Ogusto, na época norte de Goiás, hoje Augustinópolis/TO. Onde reside atualmente. Estudou o ensino fundamental nas seguintes escolas: Escola M. Presidente Kennedy, Escola E. Augustinópolis e Colégio E. Manoel V. de Souza; concluiu o ensino médio, Técnico em Contabilidade, no Colégio Dom Orione, Tocantinópolis/TO. 1995; licenciado em Filosofia, pela PUC−Go. 2001; mestre em filosofia PROF-FILO (Mestrado Profissional em Filosofia), pela UFT/TO., Campus de Palmas.

Professor de História na Escola ESCA, Augustinópolis/TO. (1997), lecionou nos cursos de Magistério e Técnico em Contabilidade no Colégio Estadual Manoel Vicente de Souza, Augustinópolis/TO. (1998 e 2001). Tutor da Educon (UNITINS), no Curso Normal Superior, nas cidades de Augustinópolis e Praia Norte no Tocantins (2001−2002). Professor de História da Filosofia Antiga, no I.F.C.R−Ma.  Imperatriz e Presidente Dutra, Maranhão. (2001−2002).  Lecionou filosofia na Escola Estadual Princesa Isabel, São Miguel do Guaporé/RO. (2004), Escola Estadual Clodoaldo Nunes de Almeida, Cacoal/RO. (2005−2007). Professor de filosofia na Escola Estadual Elza Maria C. Dantas, São Domingos do Araguaia/PA. (2007−2010). Ministrou aula de filosofia no Colégio Estadual José Benjamin de Almeida, Araguaína/TO. (2010). Professor de filosofia no Projeto SOME- 4ª URE−Marabá−SEDUC−PA. (2011-2018). Atualmente em exercício na E. E. E. M. Elza Dantas desde 2018.

Em 2016 pela Ética editora de Imperatriz/MA., lancei o livro Amor e Razão; agora estou relançando o mesmo, em um novo projeto que está divido em três volumes, este é primeiro.