Total de visualizações de página

domingo, 9 de setembro de 2018

Independência do Brasil, no Km 29 (Curva), Bujaru - Pará






No último dia 05, participei das atividades escolares na localidade do Km 29 (Curva), na Escola Municipal "Rosila Trindade", no município de Bujaru, no Estado do Pará, em comemoração ao dia da Independência do Brasil, que aconteceu no dia 7 de setembro de 1822.





O desfile escolar, que aconteceu pela parte da tarde, teve a participação efetiva das comunidades escolares e geral, foi um sucesso. 





Vários pelotões foram organizados pelos educadores, incluindo a banda, que foi um destaque à parte. Após o desfile, na PA 140, dentro da localidade, foram apresentados os pelotões que passavam em frente ao palanque oficial. 




O último pelotão, foi do ensino médio, representado pelos alunos matriculados no Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, política pública que completou 38 anos no dia 15 de abril e que funciona na localidade atendendo o ensino médio.





Os alunos do ensino médio homenagearam o SOME, através do Professor Ribamar Oliveira, pelas atividades pedagógicas desenvolvidas desde 2011, no município, sendo feita a leitura da biografia do referido professor. A Curva ou Km 29, foi uma das primeiras localidades que foi implantada, no ano de 2003, por essa política pública, muito contribuiu e vem contribuindo com o desenvolvimento da localidade e do município.  






Parabenizo a estrutura e organização do evento. Agradeço a iniciativa dos professores do SOME, que estão lotados, neste módulo na Curva (Adriana Silva, Beatriz Brito, Roseane Marques e Lasaro Silva), da Diretora Rita de Cássia e dos professores presentes: Vinicio Nascimento, Valdivino Cunha, Gilberto Garcia e Maria de Fátima, pelo apoio.

domingo, 26 de agosto de 2018

Questão do Negro no SOME






No final do ano de 2010, o Sistema de Organização Modular – SOME, possuía cerca de 27 localidades consideradas quilombolas, sendo implantadas inúmeras durante o governo democrático e popular do Partido dos Trabalhadores, que governou o Estado do Pará, de 2007 a 2010.



O Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME é uma política pública gerenciada pela Secretaria Estadual de Educação - SEDUC, voltada para os filhos dos camponeses, indígenas, quilombolas e ribeirinhos que não tem oportunidade de estudar o ensino médio na vida urbana e estudam em uma escola polo perto de suas localidades onde residem, tendo o transporte escolar como instrumento de locomoção de sua casa para escola.



Quando se trata do tema, leva várias reflexões diante da conjuntura histórica em vários momentos. Um aspecto que podemos considerar que algumas comunidades quilombolas possuem um nível de politização bastante avançada e sua organização fez com que através de várias lutas e reivindicações conseguissem a implantação do ensino médio.



Outro ponto de vista que achei interessante nas paragens por onde passei, é que algumas comunidades se identificam quilombola, morando em território quilombola, enquanto outras comunidades não se aceitam afros descentes. É necessário um estudo de folego para fazermos algumas considerações sobre esse aspecto.



Muitos dos alunos quilombolas estão aproveitando as oportunidades oferecidas mesmo com todas as dificuldades, inclusive, sendo aprovados nas universidades e faculdades. Neste ano, a politica de cotas ajudou muitos a entrar no nível superior.

sábado, 11 de agosto de 2018

Base Nacional Comum Curricular - BNCC





Alguns dados precisamos ressaltar, segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, vejam aí:


1. A Reforma do Ensino Médio, da qual a BNCC faz parte, tornou obrigatórias apenas as disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática nas escolas brasileiras desse nível de ensino. As outras disciplinas, como História, Geografia, Sociologia, Filosofia, Artes, Educação Física, Língua Estrangeira, Física, Química e Biologia não serão mais obrigatórias.


2. O currículo flexível poderá ser cumprido totalmente fora das escolas, por meio de inúmeras certificações de qualidade duvidosa e desatreladas dos princípios da formação escolar, como cursos de aprendizagem oferecidos por centros ou programas ocupacionais (ex: Pronatec e Sistema S), e experiência de trabalho supervisionado ou outra adquirida fora do ambiente escolar. É o caso de trabalho voluntário; estudos realizados em instituições de ensino nacionais ou estrangeiras; cursos realizados por meio de educação a distância etc.


3. Essa proposta dificulta cada vez mais o ingresso da população de baixa renda na universidade.


4. Se a proposta da BNCC for aprovada, as escolas vão reduzir seus quadros de educadores, já que precisarão basicamente de professores de Português e Matemática. E mesmo assim, poucos serão necessários, porque parte das disciplinas serão cumpridas a distância.


5. Sem contar as demissões em massa, haverá contratação de profissionais com “notório saber” na educação técnica-profissional e precarização das relações de trabalho por meio da Reforma Trabalhista.


6. A parte flexível do currículo e até mesmo componentes da BNCC – não presencial – serão transferidos para a iniciativa privada, como o Sesc, Senai, Senac, Sesi e Federação Nacional das Escolas Particulares e o Sistema Globo de Comunicações, por meio de seus Telecursos. Por isso esses grupos apoiam a chamada reforma do Ensino Médio.


7. Esse domínio do setor privado no Ensino Médio público está alinhado com a Emenda Constitucional nº 95, que congela por 20 anos os investimentos públicos em políticas sociais, entre elas a educação.

Fonte: Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE)

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Dia Nacional de Lutas







Pela parte da manhã, de hoje, as principais centrais sindicais e os movimentos sociais estiveram organizando e coordenando um grande Ato, como o Dia do Basta, Dia Nacional de Lutas e Dia Nacional de Mobilização e Paralisações, no Estado do Pará, que iniciou na Praça da República, 8 hrs.






Com o golpe parlamentar, jurídico, midiática, fundamentalista, raça, gênero e classe  a partir de agosto de 2016, o Brasil vive uma situação critica.  Com o golpe, sob o comando do Deputado Michel Temer, que comanda um grupo politico de direita e conservador, a primeira mulher eleita democraticamente e legitimamente Dilma Rousseff é deposta do maior cargo politico do país. Com essa conjuntura, temos um retrocesso nas políticas sociais e nos direitos trabalhistas conquistados ao longo da história, especialmente, nos mandatos do Partido dos Trabalhadores, com os Presidentes: Luis Inácio Lula da Silva e Dilma.





Esse descaso do governo atual com a educação, previdência social e trabalho faz a classe trabalhadora, através dos Partidos de tendência de esquerda e movimentos sociais se organizarem em busca da defesa de suas principais reivindicações, entre elas, a luta contra emenda 95, em que o governo Temer congela por 20 anos as verbas da saúde, educação e assistência social. 






A educação básica, no momento, sofre uma das maiores violências cometidas pelo governo federal, através de Michel Temer, com a proposta da Base Nacional Comum Curricular - BNCC, onde somente as disciplinas de matemática e língua portuguesa poderão ser obrigatórias; enquanto que as outras disciplinas ficarão a critério dos sistemas estaduais e municipais, que poderão incluí-las ou não. 






Através da pressão, dos movimentos sociais e centrais sindicais e principalmente, dos estudantes e professores, impediram a viabilização de uma Audiência Pública, promovida pelo Ministério da Educação e Cultura - MEC, que seria realizada, hoje em Belém, com objetivo de legitimar uma BNCC autoritária, retrógada e com aumento das desigualdades. 






Portanto, o Ato, foi um sucesso. Com a união das categorias nas ruas, foi possível perceber nas falas de quem usou o microfone: Basta do desemprego, Basta do aumento do gás e combustíveis, basta de retirada de direitos da classe trabalhadora, Basta de privatização, Basta de perseguição ao ex-Presidente Lula , Basta de analfabetismo e exclusão, além da revogação das medidas tomadas pelo Temer, entre outras..





O Blogueiro este presente no Ato.
]














quinta-feira, 26 de julho de 2018

III Marcha de Mulheres Negras em Belém do Pará








A Presidente do Brasil, eleita pelo Partido dos Trabalhadores - PT, Dilma Rousseff, sancionou a Lei que criava o Dia Nacional da Mulher Negra., no dia 25 de julho.






O Dia 25 de julho é considerado o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, que foi comemorado com a III Marcha de Mulheres Negras, em Belém do Pará, ontem, com participação significativa de diversos coletivos e entidades que representam o movimento negro no Estado do Pará.





A concentração iniciou à partir das 16 horas na Av. Tucundunba, em frente a Unidade Propaz Integrado, na Terra Firme, com encerramento na Praça Benedito Monteiro. 





Durante o trajeto da Marcha, as intervenções das principais lideranças dos coletivos e entidades foram abordadas diante da conjuntura do passado e atual da mulher negra na sociedade. 






Nas falas ficou claro que, a realidade é cruel e violenta na rotina das mulheres negras pobres e da classe trabalhadora, que continuam inviabilizadas diante da sociedade racista, machista, excludente e LGBTfóbico, em todos os sentidos, onde a burguesia branca e racista, os patrões e seus governos de marionetes, utilizam políticas de massacre, exploração, exclusão e inferiorização desde a escravidão. 





Segundo alguns panfletos distribuídos pelos coletivos e entidades, dizem que "O mapa da violência revela, mais uma vez, que a Mulher Negra lidera o ranking das vítimas de homicídios: Um aumento de 71%. Em dez anos, aumentou o assassinato de mulheres negras em 15,4%, enquanto que entre as não negras houve uma queda de 8%". E Continua, o panfleto do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe:" Desde o governo Dilma (PT), que ampliou o prazo de estabilidade no emprego para se receber o seguro desemprego e agora Temer aprofunda os ajustes com aprovação de leis que retiram direitos como a Reforma Trabalhista e da Lei das Terceirizações, que nos jogou nos subempregos com condições precárias e na turma de desempregados do país, que só cresce a cada dia. Se a Reforma da Previdência for aprovada, vamos trabalhar mais e morrer sem se aposentar".






Ressalto, também, segundo a Fonte Patrícia Galvão, 59,4% , em 2013, foram registrados de violência doméstica no serviço referem-se a mulheres negras.


A III Marcha de Mulheres Negras marcou o Dia Internacional da Mulher Negra Latina Americana e Caribenha e o Dia Nacional de Tereza de Benguela, importante líder quilombola.


O Blogueiro como descendente de Mulher Negra não poderia de participar, do evento que foi um sucesso, pelo fim da violência contra as mulheres negras, contra o extermínio dos jovens negros, que as mulheres negras tenham acesso à saúde, educação digna e moradia de qualidade.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A Religiosidade em algumas localidades do SOME





Diante da conjuntura atual, a religiosidade no Estado do Pará  é muito forte e teve   influência imposta pelo processo de colonização no Brasil, assim como a importância da imigração, neste contexto, com a formação de pequenos lugarejos e ampliando com a chegada de várias pessoas, percebemos a expansão do cristianismo.


Durante esses 29 anos  nas várias localidades que desenvolvi minhas atividades pedagógicas, na política pública do Sistema de Organização Modular, pude constatar a diversidade da religiosidade na Amazônia.


No cotidiano vivenciado nas localidades, algumas expressões são muitas utilizadas no linguajar dos alunos e comunitários, como “A paz de Cristo”, “Deus te ajude”, “Deus te proteja”, entre outras. Essas saudações tem efeito peculiar em cada localidade que passava e logo demonstrando o credo de cada uma.


Sabemos que a religião é um aspecto cultural, que é formada conforme necessidade de cada sociedade, onde muita delas a imposição dominou tai a religião predominante na Europa que veio como uma das principais instituições, assim como, as forças militares, para invasão da América ficando permanentemente. Mesmo assim, com discriminação as outras religiões, sobrevivem.


Nas aulas sempre encontrava esse tipo de diálogo, que inclusive ficava até instigante e produtiva com os alunos, até porque as manifestações e práticas da religião, principalmente, católica e evangélica se fazem no dia a dia escolar.


A religiosidade nas localidades de funcionamento do SOME, tem características que só percebemos quando vivenciamos a realidade. Quando chegava às localidades, as instituições que nos davam impactos era a praça pública, ao redor uma Igreja e a Escola, enquanto na periferia ficam as residências dos moradores das localidades. Portanto, a Igreja como a escola tem uma função social na comunidade.


Na maioria das localidades que trabalhei, notei a predominância da influência do catolicismo. Isso traduz nos nomes dados para as localidades, como: Em Bujaru, São Raimundo, São Lopes, São Sebastião; em Baião, São Joaquim do Ituquara; Em Tomé Açu, trabalhei em Nova Olinda, predominância da Igreja Evangélica, que cortou o avanço de vários outras localidades de nomes de origem do catolicismo, São Pedro, São Paulo e outros. Na localidade de São Raimundo, em Bujaru, o nome se relaciona com o Santo Padroeiro do fundador, Sr. Raimundo Piniche, que permanece até o momento. Algumas dessas localidades, os rituais são praticados sob a liderança de leigos, às vezes a pessoa do Padre, vai uma vez por ano, e quando vai, nem nas festividades que são realizadas vai.


Apesar da hegemonia do catolicismo nas localidades onde funciona o Some, que passei, ressalto que diversas religiões têm avançado nos interiores, principalmente de origem evangélica, como a Igreja da Assembleia de Deus, Deus é amor e Igreja Quadrangular, nas localidades de Guajará de Beja, em Abaetetuba; Vila Nova Providência, em Bujaru, Vila Inácia, em Concórdia do Pará, Nova Olinda, em Tomé Açu, entre outras. Cada uma com seus rituais e práticas religiosas.


Portanto, a Igreja tem um papel crucial na formação e organização das localidades, mesmo sendo de origem europeia. A Umbanda, religião cultivada em algumas localidades, assim como as de origem indígenas, como orientais, em menor escala, sofrem o preconceito e o discurso do bem e do mal, muito utilizado nos interiores do Estado.


A Religião nas localidades onde trabalhei, pelo Some, enquanto elemento cultural é cheio do sincretismo religioso, fruto de um processo histórico.

domingo, 1 de julho de 2018

MEMÓRIAS E HISTÓRIAS DE VIDA (Some x aposentadoria)





Ocupação da Av. Augusto Montenegro/11/2017


No início dos anos 80, o conjunto de rock Pink Flloyd, explode com a música “The Wall”( O Muro”), que mexe bastante comigo, relacionando com as diversas leituras que fazia naquele momento, que vão influenciar definitivamente nas minhas ações e práticas educativas, já que a música (letra) trata dos sistemas de ensino de ditaduras políticas e a relação entre aluno e professor.




Encontro em Bragança


Com essa visão mais ampla, iniciei no magistério na década do sucesso dessa música, que corresponde metade de minha idade, por isso, tenho direito, como um cidadão e trabalhador à tão esperada aposentadoria.




Ure de Santarém/1990



Histórias não contadas



A partir de hoje, passo a pertencer à família dos sexagenários, um dia especial para mim, é um prazer e privilégio poder narrar momentos vivenciados ao longo desse processo histórico, já que a memória continua como sendo de um informante ativo, possuidor de um perfil de tendência de esquerda, inclusive, incomodando quem deseja a permanência de uma sociedade conservadora e capitalista. Agora, terei mais tempo, para refletir o passado que foi construído. Esse é o ciclo da vida. 





São Sebastião/ Bujaru/2013



Ao longo dessa trajetória profissional sempre procurei conciliar teoria e prática. Na década de 80, estava fazendo parte do movimento estudantil, onde estive em 1985 e 1986, na Secretaria de Esporte, do CA de História, inicio de 90, o debate sobre Rádio e TVS comunitárias são efervescentes, no Conjunto Maguari. Década de 90 e 2000, Conselho Escolar, Centro Comunitário do Conjunto Maguari, Coordenação pedagógica e Coordenação Geral do Some, sem contar apoio e envolvimento total nas decisões da categoria nas Assembleias, juntamente com o Sintepp, entre outras funções que trago nas vivências. Isso me faz muito feliz, que aprendo no dia a dia.



Abaetetuba/2007




Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME


No dia 17 de maio que passou, completei 29 anos nesta importância política pública que desenvolvo minhas atividades pedagógicas com filhos dos campesinatos, quilombolas, indígenas e ribeirinha. O Some pra mim, foi uma escola de vida, já que quando entrei, praticamente, não tinha      experiência nenhuma, onde irei fazer algumas considerações.





Mojuí dos Campos/1990





O Sistema Modular me proporcionou conhecer uma parte do Estado. Olhem aí: Terra Santa, Juruti, Almeirim, Afuá, Aveiro, Fordlândia, Quatipuru, Bujaru, Canaã do Carajás, Cachoeira do Piriá, Castanhal, Maracanã, Tomé Açu, Concórdia do Pará, Brejo Grande do Araguaia, Goianésia, Novo Repartimento, Tailândia, Salinópolis, Alenquer, Barcarena, Abaetetuba, Cametá, São Félix do Xingu, São Domingos do Capim, entre outros municípios e localidades.  Teve municípios que trabalhei mais de uma vez. Conhecer e andar em lugares diferentes contribuiu bastante nas motivações, conhecimentos e lazer nas práticas educativas, por onde passei. Esse rodízio facilitado pela estrutura, funcionamento e organização do Módulo me faz pensar que cada município e localidade possuem suas particularidades, como por exemplo: Na região do oeste do Pará, um termo muito utilizado pela população é a “piracaia”, enquanto o nordeste paraense denomina de “avoado”. Termo utilizado para comer peixe assado, com farinha e pimenta, cachaça e tocando violão ou ouvindo músicas. Em Abaetetuba, uma das características do município é a pesca, enquanto em Bujaru, a base da produção econômica é a agricultura. Em Juruti, a base da alimentação é o pirarucu, pela facilidade que os moradores encontram para pescar no Rio Amazonas , enquanto em Goianésia a base é a carne do boi, assim como em Almeirim é a carne de búfalo. Essas reflexões tornam o cotidiano escolar mais enriquecedor pelo acúmulo de informações adquiridos nesses deslocamentos. Enquanto, no ensino regular os professores não têm essas oportunidades e, nós temos essa história de vida.



Mojuí dos Campos/1991



Em 1989, quando entrei nesta modalidade, passei por processo seletivo, onde uma das etapas seria falar sobre um projeto que desenvolveria na comunidade.  Uma das marcas do módulo sempre foi deixar para a comunidade ou escola atividades pedagógicas que contribuíssem para vida das pessoas daquela localidade. Vivenciei práticas educativas que nunca e nem imaginava que existiria, nem a universidade me ensinou. Na prática, adquiri experiências como elaborar um projeto de intervenção para escola ou comunidade. Além da sala de aula, sempre os educadores deixavam uma feira de ciências, feira agrícola, festivais, feiras de cultura, seminários envolvendo a comunidade, jogos estudantis, jogos de xadrez, concursos de pipas, campeonatos internos e entre comunidades, encontros dos alunos, visitas pedagógicas, resgates da história e memória das localidades, curso de formação para professores, curso preparatório para concursos públicos, formação de lideranças e políticas, entre outras atividades. Ao longo desses 38 anos, o Some, ou seja, os educadores se envolveram e influenciaram em vários municípios, em várias decisões, como culturais, econômicas e políticas. Vários professores foram diretores de escolas, secretários de municípios, vereadores, prefeitos e assim por diante.



36 anos do Some: Forquilha - Tomé Açu/2016
                                           


Esse relato do ano de 1989, no Sistema de Organização Modular de Ensino – Some, foi no município de Juruti, geograficamente, faz fronteira com o Estado do Amazonas, perto da famosa cidade de Parintins, cidade turística dos bois Caprichoso e Garantido. O deslocamento de Belém para Juruti se dava de avião até o município de Santarém, depois ficava aguardando a embarcação que passaria, onde o percurso de viagem seria de 14 horas, contra a maré, pelo maior rio da Amazônia, o Amazonas.  



Vila do Galho - Concórdia do Pará/2013



Destaco uma das experiências muito gratificante, ainda em Juruti, fui convidado por algumas entidades representativas do município, entre elas o Sindicato dos Trabalhadores Rurais e Igreja Católica, para o Curso de Formação para trabalhadores rurais, como instrutor. Assumi o compromisso com as entidades que seria em um final de semana. Interessante, perceber o bom nível de organização política desses trabalhadores rurais semianalfabetos. Além de terem o poder de discernimento e compreensão para transformar a sociedade




Vila São Raimundo - Bujaru



As práticas políticas em que atuei em defesa da categoria, sempre foram participando das principais atividades sindicais diante das decisões dos trabalhadores da educação do Estado. Entre 2007 a 2010, no governo do Pará, fui indicado por decisão da maioria dos educadores do Some, para Coordenação Geral. Com uma equipe eficiente,  assumi o compromisso de organizar e defender a continuação dessa modalidade de ensino, nos rincões do Estado.



Agradecimento




Teria muito mais considerações, porém, vou ficar sempre fazendo essas reflexões sobre o Sistema Modular, já que foi essa política pública que serviu como laboratório pedagógico e de pesquisas para este professor. Agradeço a todos pelas considerações e respeito durante esse período que fiquei no Some. No mês de agosto, estou me afastando da sala de aula, ou seja, me aposentando de uma das atividades mais enriquecedoras do mundo, que é a educação, portanto, O Muro, de Pink Flloyd, mexeu mesmo, já que “Os anos passam... As lembranças são eternas, a saudade permanente e nossos olhos em busca de tempos vividos...”.