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sexta-feira, 17 de abril de 2026

46 anos do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME

 






Olá,  amig@s!      

                                         

🔴 AO VIVO!


Hoje, dia 18/04/2026 (Sábado), às 17 h, temos um encontro marcado.        


Diálogos Livres é o canal de comunicação das redes sociais que debate temas de interesse da sociedade. Vamos ter um bate papo prazeroso, agradável e legal com os convidados.     

                            

Vamos conversar com os Professores do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, Verônica Resque, Célia Ramos e Vinicio Nascimento sobre os 46 anos do SOME.

                   

                                  

Transmissão pelo Canal Programa: Diálogos Livres 


Aguardamos vocês!


Ribamar Oliveira 


quarta-feira, 15 de abril de 2026

Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME: São 46 anos de existência, lutas, conquistas e resistências nos rincões do Estado do Pará

 


 

                                                                                            *Ribamar  Oliveira

 

Nasce um sonho, um projeto a brilhar,

Quarenta e cinco anos de história a contar,

No coração do Pará, floresce o Modular,

Com professores, guerreiros prontos a ensinar. 

 

Das entranhas da terra, em várias cidades,

Nova Timboteua e Igarapé-Açu, a brilhar,

Curuçá e Igarapé-Miri trazem realidades,

Onde a educação planta sonhos, faz flutuar

 

Professores Itinerantes, voando sem temor,

Levando saberes ao abismo e ao altar,

Transformando vidas com amor,

Um legado que pulsa, sempre a ecoar.                   

 

 Histórias que ecoam nos sussurros da brisa,

Vivências que nas veias se entrelaçam,

Os poetas rabiscam memórias da lida,

Em ônibus, avião e rabetas, se abraça

Na luta cotidiana, os Educadores se levantam,

Punhos erguidos contra o CEMEP feroz,

Coragem que avança, as dores quebrantam,

Revogando leis que sufocam a voz

 

 O SOME, farol que guia a jornada,

Ecos de esperança que a educação traz,

Nos movimentos que ecoam, a luta é sagrada,

Plantando a labuta, sem olhar pra trás.

 

 Celebremos a história, a vitória cativa,

De um sistema que educa e transforma a paz,

No Pará, cada passo, uma conquista ativa,

Quarenta e cinco anos de luta que nos faz.                   

 

Que venham mais anos de luta e aprendizado,

Com amor e garra, erguendo o amanhã,

O Modular é um legado, nosso fado,

A força da educação, que nunca será em vão.

      (Sistema de Organização Modular de Ensino no Estado do Pará: 45 anos de Lutas e Conquistas, Geandre Cavalcante/ Ribamar Oliveira, 2025)

 

           A maior política pública de inclusão social da Amazônia denominada de Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME completa hoje, em 15/04/2026, 46 anos de existência, lutas, conquistas e resistências nos interiores do Estado do Pará marcando uma trajetória histórica iniciada na década de 1980, final da Ditadura Militar, com o governador Tenente Coronel Alacid Nunes. Neste período, a Fundação Educacional do Pará - FEP era responsável pela gerência do ensino superior e do então ensino de 2º grau, sob a coordenação do Superintendente Geral Manoel Campbell Moutinho, este organiza uma comissão formada por técnicos pedagógicos, professores e foi responsável pela gestação e implementação do SOME.


           Os primeiros municípios de funcionamento pelo SOME foram Curuçá, Igarapé-Açu, Nova Timboteua e Igarapé-Miri. O programa foi regularizado pela resolução nº 161 de 03 de novembro de 1982, do Conselho Estadual de Educação, sendo a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará – SEDUC/PA ficando responsável pelo 2º grau e a FEP com enisno superior sendo depois transformada em Universidade Estadual do Pará – UEPA.


           O surgimento do SOME, como um projeto alternativo de educação no campo, teve como principal objetivo assegurar o atendimento do ensino de 2º grau (hoje ensino médio) para diversos municípios. O sistema foi desenvolvido para se adaptar à realidade de cada localidade, enfrentando carências estruturais comuns aos municípios brasileiros, especialmente os paraenses. Essas carências incluíam deficiências nos sistemas de comunicação, transporte, saúde e educação. Outro ponto relevante era a grande demanda de jovens residentes no interior, que precisavam avançar em seus estudos, mas enfrentavam a falta de infraestrutura adequada. Diante desse cenário, tornou-se necessário estabelecer parcerias entre os Governos Municipais e o Governo Estadual, com papéis definidos, embora nem sempre cumpridos através dos convênios entre as duas partes, porém, foi um avanço significativo para educação da sociedade paraense, portanto, genuinamente paraense e servindo como referência para diversos municípios do Brasil, Estados, como Amapá e Amazonas implantaram esta política educacional como solução para atender localidades longínquas e alguns países da América Latina.


           Diagnoses realizadas pela equipe pedagógica no segundo semestre do ano de  1979 detectaram que o 2º grau funcionava apenas em 18 dos 83 municípios, concentrando-se nas sedes, onde havia maior demanda de alunos, logo, os alun@s das localidades teriam que se deslocarem para escola sede, onde funcionava o Sistema Modular. O SOME foi criado com o propósito de possibilitar aos estudantes do campo a conclusão do ensino médio, democratizando oportunidades educacionais e garantindo a permanência dos alunos em suas comunidades de origem. O sistema visava oferecer um ensino de qualidade, promovendo justiça social e inclusão educacional nas diversas regiões do Pará.


           O funcionamento e em função do contexto geopolítico e de outras particularidades, surgiu a ideia de funcionar em módulos, totalizando quatro módulos anuais, equiparando-se ao ensino regular em termos de carga horária. Cada módulo é composto por blocos de disciplinas com duração de 50 dias letivos. Ao final do ano letivo, que corresponde a 200 dias, o aluno conclui uma série, sempre obedecendo às exigências curriculares legais. As localidades atendidas são agrupadas em circuitos, e durante o ano letivo, os professores são divididos em equipes que se deslocam, em forma de rodízio, pelas localidades integrantes do circuito. Surgiu como um projeto experimental enquanto não tivesse o ensino regular, porém, até o momento, continua ativo e atendendo as áreas que tem necessidade de uma educação digna e com professor presencial nas diversas disciplinas.


           Como o Estado do Pará é o pioneiro no surgimento desta política pública e como excelente modelo expandiu para vários cantos do Estado e do País, como já foi abordado. Durante sua história, os professores tiveram vários enfrentamentos com o Estado, através da SEDUC/PA em busca de melhoria e qualidade da educação. Nas lutas e conquistas durante sua trajetória histórica, o Sistema Modular vem desde década de 80 e 90 com debates e discussões crônicas como o convênio, a casa dos professores, espaço escolar, gratificação até ser incorportada ao contra cheque em final de 90, transporte escolar entre outras questões importantes para o processo de aprendizagem. No ano de 2003, a categoria dos professores sofre um duro golpe do governo tucano através do governador Simão Jatene e com a Secretaria de Educação Rosa Cunha. Entre alguns pontos que foram desfeitos durante este periodo foi a responsabilidade das Prefeituras com o convênio que deixa de ser obrigatório; assim como, o governo estadual reduziu a gratificação de deslocamento, inclusive, com a remoção de 192 professores para o ensino regular numa tentativa de forçar o esvaziamento do projeto e justificar sua motivação por falta de professores, sendo um desses removidos para o regular, sendo CH distribuida em cinco escolas nos bairros da Pedreira, BR, Conjunto Maguari, Benguí e Augusto Montenegro.


           A categoria dos educadores uniu com as outras categorias e principalmente Comunidades e SINTEPP, indo às ruas para tentar reverter a situação e garantir a educação para os alun@s matriculados no SOME.


           No ano de 2010, a categoria lutou pela inclusão do SOME no PCCR e tentar recuperar muito do que foi retirado, logo, com as articulações políticas garantindo o Projeto da Regulamentação da Lei Específica do SOME; assim como, conquistando a gratificação de deslocamento nas férias e 13º salário. O processo de lutas continua e em 2011, conseguindo ganhos significativos para categoria.


           O avanço político da categoria dos educadores do SOME continua nas lutas e conquistas através de diversos encontros, como o que aconteceu no 1º Encontro Pará – Amapá do SOME, realizado nos dias 15, 16 e 17 de novembro de 2012, no município de Santarém, no Estado do Pará com participação de aproximadamente de 400 educadores de diversas regiões dos Estados do Pará e Amapá.


           Em 2013, foi realizado o 2º Encontro Pará – Amapá nos dias 05 a 07 de setembro tendo como tema Integração, Revitalização e Políticas Públicas para os Povos dos Campos, dos Rios e das Florestas e muitas discussões e articulações na luta pela Lei do SOME.


           Em 2014, em final de abril, após uma greve de 52 dias temos o acordo com o governo e ALEPA e o projeto foi enviado para aprovação dos deputados estaduais, deixando de ser um projeto e passando a ser uma política pública.


           Em 2016, o SOME atuava em 98 municípios e 415 localidades do Pará, atendendo aproximadamente 38 mil alunos e contando com 1.200 professores, todos com licenciatura plena em suas respectivas disciplinas. O projeto, que surgiu como alternativa, permanece relevante e deve continuar enquanto não surgir uma nova proposta presencial capaz de atender à população do campo, das florestas e das águas.


           O Modular é reconhecido como o maior projeto de inclusão social do Estado do Pará, garantindo a conclusão do ensino fundamental e médio de diversos estudantes. Professores, alunos e a comunidade reconhecem a significativa contribuição do SOME para a universalização do ensino médio no campo, nos rios e nas florestas. Em 2014, a criação da Lei do SOME representou um avanço para a comunidade escolar, embora não tenha atendido todas as demandas, especialmente dos educadores que atuam nessa modalidade.


           Apesar dos problemas enfrentados, desafios e dos embates políticos, o SOME segue sua trajetória em busca de uma educação inclusiva, digna e de qualidade. A política pública se mantém como uma ferramenta indispensável no processo educacional do Pará, celebrando seus 46 anos de história, vida, lutas, conquistas e resistências.


*O autor é poeta, escritor e membro da Academia de Letras de Ananindeua - ALANIN


quarta-feira, 27 de março de 2024

Professora tem artigo publicado na Edição 11ª do In Formação

 





SOME - ARTIGO


Professora tem artigo publicado na edição 11ª do In Formação


A professora Nayana Dias Pajeu, do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME, foi uma das escolhidas, para ter seu artigo Jogos e Bricadeiras na Educação Inclusiva, publicado na 11ª edição, da revista IN FORMAÇÃO, do Centro de Formação de Profissionais da Educação Básica do Pará, que objetiva publicizar pesquisas dos servidores e práticas que obtiveram sucesso nas escolas da rede pública.

Resumo - Em sua pesquisa, a professora Nayana Pajeú, ...enfatiza o valor das atividades lúdicas em sala de aula, entendendo os desafios que a educação atual, a qual deve garantir o acesso aos conteúdos básicos da escolarização para todos os alunos, especialmente aqueles que possuem necessidades educacionais especiais.

O objetivo é verificar a importância dos jogos e brincadeiras como metodologia da Educação Inclusiva. 

A metodologia utilizada foi uma pesquisa bibliográfica, realizada a partir de uma pesquisa virtual, com artigos disponíveis em sites de  conteúdos científicos. 

Nesse contexto, a pesquisa bibliográfica não é mera repetição do que já foi dito ou escrito sobre certo assunto, mas propicia o exame de um tema sob novo enfoque ou abordagem, chegando a conclusões inovadoras (Lakatos, Marconi, 2010, p.166). É importante assinalar, nesse caso, que os jogos e brincadeiras são atividades que libertam e desenvolvem habilidades e, por conseguinte, favorecem a construção do pensamento reflexivo. _Nesse contexto, o docente deve estar ciente de que o lúdico não é a única opção para melhorar o ensino-aprendizagem, mas deve ser sempre visto como uma importante ferramenta que auxilia na melhora dos resultados por parte dos educadores preocupados em causar mudanças na educação atual.


Via:📰 Modular Notícias

quinta-feira, 13 de julho de 2023

O meu primeiro módulo





Por: José Ribamar Lira Oliveira

O convite do companheiro de lutas e sonhos Eládio Carneiro Neto, editor do grupo Modular Notícias, deixou-me motivado e estimulado a escrever sobre as memórias do início do meu trabalho no Sistema de Organização Modular de Ensino –SOME. 

No final da década de 80, do século passado, com a conclusão do Curso em Licenciatura Plena em História, pela UFPA, com várias informações de colegas que já participavam do Projeto, submeti ao processo de seleção para ingressar neste maior projeto de inclusão social da Amazônia. 

Para quem era efetivo ou temporário, passava-se por esse concurso, fazendo testes relacionados a educação, projetos de intervenções na comunidade e entrevistas. Quando ingressei foram doze candidatos para três vagas e fui um dos selecionados para trabalhar, recebendo logo depois formação burocrática, metodológica e didática no Centro de Treinamento de Recursos Humanos “Arthur Viana” – CTRH, em Marituba, com as técnicas Sandra Paris, Rosa Gomes (Coordenadora do SOME), Ana Conceição, Ester Oliveira, Gloria Rocha e Delmo Oliveira. 

No final da formação fui comunicado que meu circuito seria Terra Santa, no primeiro módulo, Afuá, no segundo, Juruti, no terceiro e Almeirim, no quarto. Me surpreendi com o recebimento para onde teria que deslocar, já que não conhecia nenhuma dessas localidades. Neste momento, o entreposto seria Santarém, ainda, com uma ressalva, o meu calendário ficava entre um módulo e outro. 

Recebi minha passagem de avião até Santarém para o dia 13 de maio de 1989, no voo de 5h30. Cheguei na cidade uma hora depois, porém no mesmo horário que sai, já que tem diferença no fuso horário. Passei o dia todo na casa de uma amiga de minha mãe, D. Feliciana, esperando o barco que saia 19 horas, com destino a Oriximiná. Cheguei nesta, 4h30 da manhã, esperei amanhecer para poder tomar informações como chegaria em Terra Santa. 

Interessante, o que marcou era que o porto estava cheio de água, quando desci com minhas sacolas, a primeira foi para água, era que continha o material dos alunos e livros, não conseguindo salvar quase nada. As 16horas passa o barco para o meu primeiro módulo, chegando por volta das 23 horas. Os dois colegas da minha primeira equipe já estavam dormindo, quando bati na porta, se assustaram, então falei que era o novo colega de trabalho deles. 

Na verdade, os colegas era um casal, o psicólogo Kleber e a pedagoga Zuleide. Ela veio abrir a porta, então começamos a conversar sobre a estrutura e funcionamento do SOME nesta localidade, chegando portanto, no dia 14 de maio. Iniciei a trabalhar na segunda-feira, no Curso do Magistério, uma excelente experiência que obtive com a comunidade escolar. 

A comunidade foi bem receptiva. Os dois colegas concluíram seu módulo, chegaram mais dois: Ribamar Cunha, de Educação Física e Milton, de Geografia. Todos eles com vivência de sobra sobre o cotidiano do Modular. Conclui meu módulo em Terra Santa, fui para o município de Afuá, hospitaleira e cheias de pontes de madeiras. A comunidade local e escolar, também, foi bastante receptiva, ficávamos no Hotel de Dona Olga, que nos tratava como filhos. Uma excelente pessoa, como sua família. As equipes eram as mesmas. 

Em Afuá trabalhamos, também, com projetos incluindo a formação de professores do município. Aprendi muito, mesmo. No terceiro módulo, em Juruti, a cidade era bastante calma, diferente de Terra Santa e Afuá. Na primeira semana, sempre utilizando discurso revolucionário, fui convidado para trabalhar com formação dos trabalhadores rurais, com apoio da Igreja Católica e Sindicato dos Trabalhadores Rurais em dois finais de semanas. 

Com alunos do SOME, iniciei orientações com resgate da memória e história da localidade. Nessa atividade, o destaque foi o aspecto cultural. O último módulo foi no município de Almeirim, considerado nesse momento um dos municípios que recebia uma das maiores arrecadações do Estado. Tínhamos nossa casa na Vila, juntamente com o Juiz, o Médico e o Promotor; além de receber um salário mínimo a cada quinze dias. 

Nessa localidade, trabalhamos diversos projetos com a comunidade local, além do resgate da memória e história com os alunos do Ensino Médio Modular, trabalhamos com curso preparatório para os funcionários da Prefeitura que eram temporários, ressaltando que o curso foi financiado pela mesma. Outro projeto foi a formação de professores que atendiam o município. O ano de 1989 foi o último ano do Some na localidade, sendo implantado o Regular no ano de 1990. Gostaria de agradecer esse convite de poder externar o primeiro módulo e ampliar o ano que comecei minha trajetória profissional no SOME.

Via:📰 Modular Notícias