quinta-feira, 14 de junho de 2018

Minha avaliação sobre a greve dos professores na rede pública do Estado do Pará



                                                                   *Valdivino Cunha da Silva


Depois de 43 dias de lutas a assembleia dos trabalhadores em educação pública decreta o fim da greve. Para uns, não tão bem-intencionados, a greve foi um fracasso, a categoria capitulou diante do governo. Não avalio dessa forma, acho inclusive, que ela foi positiva, a luta não foi em vão. Ela não foi em vão porque um conjunto de companheiros aguerridos deixaram suas salas de aula, (e outros não) mesmo sabendo das consequências que os alunos teriam com suas ausências, mas esses professores entendem que na luta também se educa, daí a positividade. Se nós, professores, não lutarmos pelos nossos direitos, com que cara falaremos aos nossos alunos de cidadania? É necessário unir teoria e prática, foi o que um conjunto de companheiros(a) fizeram.







Não devemos nos sentir derrotado pelo fato de que amanhã não estará nos nossos contracheques todo o dinheiro que esse governo nos deve, mas o que dependeu de uma parcela da companheirada, foi feito, que foi gritar em alto e bom tom que o governo deve pagar nosso piso salarial e isso já valeu a pena, pois, mostramos nossa indignação. A justiça, pressionada pela categoria já determinou que o governo pague o que deve, agora, se ele vai descumprir a justiça é outra história, isso foge da competência da categoria. Eu gostaria que o presidente golpista estivesse preso num presídio de segurança máxima, mas quem tem poderes para fazer isso é a justiça, não posso algemar e levá-lo preso.









Tem companheiros que avaliam que a greve não deveria terminar da forma como terminou. Tenho a seguinte avaliação: Toda greve, em qualquer que seja o setor tem um tempo para iniciar e acabar. Ela se inicia quando as condições se tornarem insustentáveis para os trabalhadores. E ela deve terminar quando ocorrer o atendimento de uma pauta ou parte dela ou ainda quando o poder de mobilização se tornar enfraquecido, sem poder de pressão ou ainda quando não houver gente suficiente para dar a sustentação necessária a uma greve, pois, nesse caso, não se faz greve com uma minoria. No meu entendimento foi este o motivo que levou a categoria a decretar o fim da greve. Quem decreta o início ou o fim de uma greve é a categoria, os dirigentes apenas cumprem ou encaminham as decisões, assim como quem faz um sindicato forte também é a categoria, jogar o ônus ou o bônus para os dirigentes me parece ser um grande erro de análise, ou má intensão.







Faço das palavras do professor marxista José Paulo Neto as minhas. Quando solicitado para fazer uma análise de conjuntura ele disse: “Temos que com clareza, distinguir aquilo que é possível do que é desejável. Não para nos contentarmos com o possível, só, mas para entender que o possível só é verdadeiramente possível se tiver uma relação com o desejável. É isso que pode evitar que a gente caia no esquerdismo tolo, no radicalismo verbal ou, então, na complacência verbal ou na cumplicidade.”





























* O autor é educador da 11ª Unidade Regional de Ensino - SEDUC/Pa.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Greve estadual dos trabalhadores em educação pública








Nos últimos dois dias, os trabalhadores em educação pública do Estado do Pará, estiveram organizados politicamente e culturalmente como parte da greve geral,  em busca de suas reivindicações, que iniciaram em 02 de maio. 





Na terça-feira, dia 29 do corrente, os trabalhadores em educação pública do Estado do Pará, estiveram sentados em negociação com o governo tucano, tendo como pontos de pauta, o concurso público, o piso salarial, auxílio alimentação, reforma das escolas, plano de cargos e remuneração, jornada de trabalho, violência nas escolas, Some, Banpara e precatórios do Fundef.






Durante a negociação entre a entidade sindical e governo do estado, número significativo de trabalhadores de categorias relacionadas à educação realizaram ato público, com participação de educadores e alunos.






Hoje, pela manhã, foi realizada Assembleia Geral da categoria, na EEE "Deodoro de Mendonça", no bairro de Nazaré, onde aconteceu avaliação da negociação com governo.






Informes e greve, foram os pontos de pauta da Assembleia. 






Com intervenções de várias lideranças da categoria e avaliações contrárias as propostas do governo tucano, os trabalhadores e trabalhadoras presentes aprovaram a continuidade da greve.






Os trabalhadores construíram uma agenda, que é a seguinte:

02/06 (Sábado) - 17 h - ato público na abertura da feira Panamazõnica do Livro - Hangar

04/06 (Segunda) - 9 h - ato público em solidariedade à ocupação da EE Helena Guilhon
                             10 h- campanha de doação de sangue - Hemopa
                             17 h- reunião do comando de greve - EE Cordeiro de Farias

05/06 (Terça)     - 9 h - ato público no Ministério Público do Estado

06/06(Quarta)    - 9 h - Visita à Alepa para cobrar agenda de mediação com o governo
                             10 h- Ato público e assembleia geral da categoria - Alepa


























quarta-feira, 23 de maio de 2018

Greve dos Trabalhadores em educação do Estado do Pará





















Pela parte da manhã, os trabalhadores em educação pública do Estado do Pará, estiveram em uma manifestação que teve início no Tribunal de Justiça do Estado, na Av. Almirante Barroso, em Belém do Pará e terminou na Secretaria Estadual de Administração, no Av. Chaco com Almirante Barroso.


Durante o Ato, alguns educadores foram agredidos e levaram spray de pimenta pela Policia Militar do Estado, 




A categoria assumiu, realmente, o comprometimento com suas principais reivindicações, alcançando seus objetivos, entre eles, a mobilização, que foi de chamar atenção para o descaso do governo do estado em não sentar-se à mesa de negociação. Com a pressão dos trabalhadores o governo recuou marcando uma audiência para próxima terça-feira, às 15 horas, na Sead.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

O SOME em Bujaru


                                                            

                                                           *José Ribamar Lira de Oliveira


Minha história no Some- Bujaru


Dos inúmeros municípios que trabalhei (já estou na reta final de trabalho) por este Pará afora, Bujaru, foi sem dúvida, aquele município em que passei a maior parte de tempo de minha vida docente. Já sinto uma pitada de saudade, saudade dos alunos, dos companheiros de labuta e da comunidade como um todo, mas enquanto os noventas dias que antecedem a aposentadoria não chega, vou contando um pouco da história que vi, senti e vivi.


A partir de 2003, tendo como uma das principais finalidades a expansão de oportunidades na área educacional, especifico no ensino médio, do Estado do Pará, a Secretaria de Educação do Estado do Pará – Seduc, passou a oferecer o Sistema de Organização Modular – Some, nas localidades do município de Bujaru, para os estudantes filhos de trabalhadores rurais, ribeirinhos e quilombolas. Foi um passo importante no que diz respeito a educação naquele município.


A grande responsável pela a implantação do Some em Bujaru, foi sem dúvida a professora Iracema Heitor, que naquela época era a Diretora da Escola Polo “Dom Mário de Miranda Vilas Boas”. Ela nos conta que em 2001 houve a solicitação, conforme Ofício nº 069/2001, de 17 de maio de 2001, com assinaturas do Prefeito Miguel Bernardo da Costa, Secretaria Municipal de Educação Rosângela Maria Vasconcelos Gomes e ela, para implantação do Sistema de Organização Modular de Ensino – Some, para o ensino médio, no município. E a exposição de motivos da implantação enviada para Secretaria Estadual de Educação, aos cuidados da responsável pelo projeto Professora Nádia Eliane Cortez Brasil, do Departamento do Some, diz o seguinte, no primeiro parágrafo: ”A implantação do Projeto SOME em nível de ensino médio, faz-se necessário pelo fato de que nosso município conta hoje com um quadro de 7.310 alunos da rede municipal de ensino, sendo que 5.160 destes alunos se encontram na Zona Rural. A esse número soma-se ainda 79 alunos que pertencem ao quadro do Estado, são alunos que cursam o ensino médio e precisam deslocar-se todos os dias de suas casas, alguns saem 03h00min horas (Manhã) para apanhar o transporte escolar e chegar até a sede do município”. A exposição frisa também que em virtude do crescimento de alunos o transporte escolar já não contemplava confortavelmente toda clientela atendida, proporcionando a superlotação dos ônibus e fazendo com que os alunos corram riscos diante de tal situação.


A Professora Iracema Heitor, enfatiza na entrevista, que com a implantação do Some em Bujaru, em 2003, ficou o gerenciamento em um primeiro momento com a Prefeitura Municipal, que só após o desmantelamento do Some pela então Secretaria estadual de Educação Rosa Cunha, quando retirou 60% da gratificação de deslocamento , passagens de aviões, material didático, Convênio com municípios entre outros é que o Some passou ser gerenciado pela Escola Sede, ou seja, só a partir do segundo semestre. Naquele momento, saíram do Some, 192 Professores, por não concordar com a política autoritária e nefasta para a educação do Estado, inclusive, eu. E continua, o Ofício foi enviado solicitando a implantação das localidades de Ponta de terra (24 alunos), Km 29 (Com 29 alunos), São Raimundo (60 alunos), São Sebastião (29 alunos), São Lopes (32 alunos), Santana (15 alunos) e Santa Maria (34 alunos). Mesmo com a solicitação de sete localidades, com números suficientes de demanda, a SEDUC só liberou dois polos que foram de São Raimundo e da Curva. As outras localidades foram sendo implantadas gradativamente, menos a Vila Santana e Santa Maria, que até o momento não foram liberadas. Os alunos de Santana se deslocam para o Km 29 para estudar. A informante ressalta através de documentos a solicitação para implantações do Some no município e a importância da Casa dos Professores.


A outra pessoa ouvida sobre a história da implantação do Some em Bujaru, foi a ex-coordenadora e também ex-professora do Some, Simone Soares Sampaio, que nos conta que  o Sistema de Organização Modular de Ensino – Some em Bujaru foi implantado em 2003, em dois polos, na Curva e São Raimundo, funcionando só com primeiro ano e gradativamente foi aumentando as turmas e em 2005 completou as séries seguintes”. E Continua: “A partir de 2006 o número de polo aumentou, sendo implantado nas localidades de São Sebastião, São Lopes, Providência e Ponta de Terra, sendo iniciado na localidade de Traquateua em 2007 e no Km 20, que era chamado de Providência II, como se fosse a extensão do polo de Providência, já que os números de turmas eram bastante pequenas”. Neste período na Direção da Escola Sede estava a Professora Iracema Heitor.


Na localidade de Ponta de Terra o Some foi extinto em 2013 em função do descompromisso da Direção da Escola D. Mário com a comunidade. Esta, não desejava a extinção do Some, pois prejudicou muitos alunos e alunas, já que com a implantação do regime regular o quadro de docentes não estava completo e sendo a maioria contratados diferente dos educadores do Some, que eram professores concursados e efetivos, sendo muitos possuindo especializações e mestrados. Sinceramente até hoje não se entendeu os reais interesses que levaram a exclusão do Some nesta comunidade. (grifos meus)


Na época o quadro de professores do Some era completo, sendo um dos pioneiros o Professor de Espanhol e Língua Portuguesa Railson Fernandes Elmescany e a Professora Nazaré Laurido, de Língua Portuguesa. Segundo o Professor Railson, nos polos que tinham neste momento que era São Raimundo e Curva passaram dois professores que eram: Enock, de matemática e o França de Geografia. E continua, neste período foi cortada a gratificação, ficando dividida, e as duas localidades ficavam com 60% da gratificação, o que fez com que o professores parassem de trabalhar, sendo contratado para trabalhar no KM 29, Curva, com algumas turmas, sendo sua primeira localidade de trabalho pelo Some, com as mesmas dificuldades que ainda temos hoje, como as casa para professores ficarem para se ter ideia das dificuldades, nos dois primeiros anos que trabalhou na Curva, o professor Railson dormia numa maca, inclusive, algumas vezes quando retornava à noite das aulas, geralmente, encontrava sangue no corredor, provavelmente, D. Graça tinha feito algum curativo, neste momento era sujeito a aceitar essa situação até porque era novo e precisava trabalhar. O informante, ressalta que em São Raimundo a Diretora era Conceição Veras e no 29, a Nilcelene. Railson, diz que, com a chegada do novo Prefeito Emanoel Muniz, solicita a ampliação de novos polos a partir de 2005 e chegando novos professores, como Célia Machado, de Biologia; ele, Denis Heitor, de Matemática, João Wanzeller, de Matemática; Girvânia Mesquita, de Geografia. Na entrevista, realizada no dia 12 de maio de 2018, frisou um dado cômico de sua experiência no Some nesses quinze anos, que aconteceu na localidade de São Raimundo, em 2003, naquele momento não tinha energia e trabalhava com a disciplina de Artes, sobre as atividades pedagógicas voltadas para lendas e mitos da região, e falava-se muito em Matin, Curupira e outras lendas. Quando foi numa certa noite, segundo o linguajar dos moradores, foi “amassado” pela Matinta Pereira e Matin, já que não conseguia falar, não conseguia se mexer e assim aconteceram outras vezes. Finalizando sua conversa, abordou que com a expansão do Some, a partir de 2005, o Some assume o ensino fundamental em São Raimundo e Ponta de Terra e aumentando o número de alunos. Hoje, o Some atende apenas o Ensino Médio, finaliza o professor.


O último entrevistado deste artigo é o professor de sociologia Valdivino Cunha que em resposta minha pergunta se podíamos marcar a entrevista, mandou-me o seguinte texto que publico aqui na íntegra:


Minha história de docência tem uma relação histórica e prazerosa com o Some e com o município de Bujaru concomitantemente, que aliás, foi lá onde comecei e permaneço até hoje e não tenho pretensões de sair de lá até que o tempo de aposentar chegue, daqui a pouco mais de um ano. Iniciei minhas atividades docentes pelo polo São Raimundo, quando a professora Iracema Heitor ainda era a diretora do D. Mário que é nossa sede. Foi lá que encontrei pela primeira vez o Professor Railson e a professora Celia Machado. Depois conheci outros professores dos quais me tornei amigo muito próximo, como é o caso dos professores Lásaro e Valdecir, das professoras Adriana e Rose Mary, entre outros.


Você me faz três perguntas em se tratando do Some e de Bujaru. Vou respondê-las. As perguntas foram:


- De que eu mais gosto do que eu não gosto no que diz respeito ao Some e ao município de Bujaru?


- Que medidas eu tomaria pra melhorar a educação de Bujaru?


Vou tentar responder, mas isso não significa que tudo aconteceria num toque de mágica, teria todo um planejamento, uma metodologia. Vamos lá.


O que eu mais gosto de Bujaru, é a forma como eles me acolhem. Os bujaruenses são acolhedores, adoro aquela gente e eles têm por mim um carinho sem medida. A recíproca também é verdadeira.
O que eu não gosto em Bujaru?


É a escalada violência. Ela extrapolou os limites toleráveis. Ninguém mais vive sossegado, seja na cidade ou nas comunidades, eu mesmo já fui assaltado e furtado duas vezes. Tem que haver um basta. A solução passa necessariamente pelo o envolvimento da comunidade para a amenização desse problema tão devastador. Não gosto também de saber que há professor que não tem nenhum compromisso educacional e estão no Some apenas por questões financeiras e assim eles denigrem nossa imagem, isso eu também não gosto. É preciso separar o joio do trigo.


- Que medidas eu tomaria para melhorar a educação de Bujaru?


No tocante as medidas de melhorias da educação em Bujaru, não seria tão fácil assim, mas eu se poderes tivesse, injetaria um maior volume de recursos financeiros na educação. Esse aporte de recursos seria injetado no sentido de melhorar o exercício da docência, garantir a universalidade e a qualidade da merenda escolar. Melhoraria também a infraestrutura (incluindo a casa dos professores do Some) das escolas e o transporte escolar. Faria um grande seminário com todos os segmentos envolvidos com a educação de Bujaru para levantar e hierarquizar as demandas. Minha Secretária Municipal de Educação seria a professora Iracema Heitor, pois ela é educadora e tem currículo invejável nesta área e conhece como poucos a problemática educacional de Bujaru.


Você me perguntou ainda, professor Ribamar, o que me deixa orgulhoso no tocante ao Some de Bujaru. Diria que pertencer a esta importante política pública inclusiva, já me deixa muito orgulhoso. Agora concretamente, fico muito feliz quando vejo que de vez em quando há alunos do Some de Bujaru que são aprovados nos vestibulares. Isso comprova a importância do Some para as localidades interiorizadas deste Pará e faz dela uma das políticas públicas mais inclusiva. Dias desses, numa culminância que fizemos do seu trabalho de pesquisa oral lá em Concórdia, fiquei sabendo que uma aluna do Some de lá fora aprovada em Medicina. Isso é ótimo e ao mesmo tempo raro um pobre entrar numa faculdade de uma medicina e o Some possibilita isso. Não é maravilhoso? Também fico muito feliz quando encontro ex-alunos nossos que já são professores, é sinal que a semente vingou e deu frutos. Viva os 38 anos do Some!


Nesses 15 anos de implantação do Some, no município de Bujaru, podemos observar que esta modalidade de ensino deu uma grande contribuição e desenvolvimento para o município.


O Some que inicialmente foi implantado, no ano de 1980, em quatro municípios, foi expandido no Estado do Pará, em 2003, chegando em 79 municípios, sendo 47 sedes e 122 distritos, totalizando 169 localidades, aglutinando em 35 circuitos, distribuídos em 10 polos, que era, os seguintes: Tucuruí, Cametá, Marabá, Conceição do Araguaia, Abaetetuba, Igarapé-Miri, Santarém, Altamira, Óbidos e Itaituba.


Ressalto que com ocorrência anotada em 2005, a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará – Seduc, através da portaria 064/05, definiu a classificação dos municípios e localidades pelas categorias A B e C considerando o nível de dificuldade de acesso às localidades, nos termos estabelecidos pelo decreto nº 390/2003, 30%, 60% e 100%, o que abalou consideravelmente a renda familiar dos educadores.


Em 29 de abril de 2014, através da Lei nº 7.886, o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME foi estabelecido como Política Pública Educacional do Estado do Pará, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação.


Atualizando as informações do Some, em 2018, segundo a Coordenadora do Some em Bujaru, Maria Eliete da Silva Mesquita, que são as seguintes:


No POLO CURVA/ KM 29: 5 TURMAS ATIVAS, sendo  o 1º: 2, 2º: 1 e 3º: 2, com um quantitativo de alunos de 154; POLO SÃO LOPES: 3 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 1, 2º: 1 e o 3º: 1, com 60 alunos; POLO SÃO RAIMUNDO: 6 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 2, 2º: 2 e o 3º: 2, com um total de  189 alunos; POLO TRAQUATEUA: 3 TURMAS ATIVAS, 1º: 1, 2º: 1 e a 3º:1, com 82 alunos; POLO SÃO SEBASTIÃO:  4 TURMAS ATIVAS, 1º: 2, 2º: 1 e a 3º: 1; POLO PROVIDENCIA : 3 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 1, 2º: 1 e a 3º: 1, 47 alunos.

Informantes:

Iracema Heitor da Silva
Maria Eliete da Silva Mesquita
Railson Fernandes Elmescany
Simone Soares Sampaio
Valdivino Cunha da Silva

*O autor é educador da 11ª URE,

sábado, 12 de maio de 2018

Dia das Mães




Amanhã, Dia das Mães, desejo um excelente dia, já que a mãe é mulher, é professora, é empregada doméstica, é babá, é enfermeira, é trabalhadora, é conselheira, não tem feriados, nem licenças, nem dia de folga, mesmo trabalhando dia e noite, não recebe salário.


Você é encantadora, lutadora, com muita garra e possui sabedoria e paciência. 


Você, mãe, é guerreira!


Parabéns, mães.


Contando a História e a memória de "Nova Providência"


Mais uma obra produzida pelos alunos do Sistema de Organização Modular de Ensino- SOME, produzida através de eixos temáticos, tendo como recurso metodológico a história oral, sob as responsabilidades dos professores Ribamar de Oliveira, Valdivino Cunha e Valdecir Silva, na localidade de "Nova Providência", município de Bujaru.



Alunos - Pesquisadores     
Abigail Gomes da Silva
Aleson Conceição dos Santos
Alice Ferreira de Sales Vidal
Aluisio Mendonça Favacho Junior
Andreia Garcia
Antônio Junior Meireles
Chielson Meireles de Morais
Dina Santos Trindade
Elen Cristina de Oliveira
Elizama Silva Gomes
Gisane Nazaré da Conceição
Gisele Bagata da Silva
Helen do Carmo Santos
Jaiane da Cunha Silva
Laurilene Santos da Silva
Lauriely Santos da Silva
Marcos Paulo Santos Trindade
Neidiane Dionisio Trindade
Klayvyanne Thayser lima
Kamila Conceição da Silva
Wilker Trindade França
Raise da Silva da Trindade
Ronilson Odilson dos Santos Pantoja
Samara Trindade Pereira
Simiele Dias Pereira

SUMÁRIO
Apresentação............................................................................................... 05
Dedicatória............................................................................................. .... 06
Agradecimentos...........................................................................................07
Histórico......................................................................................................08
Economia.....................................................................................................11
Educação.....................................................................................................17
Conferência Municipal de Educação...........................................................23
Plantas Medicinais.......................................................................................26
Personalidades Importantes da Comunidade...............................................30
Informantes.................................................................................................,36
Entrevista.................................................................................................... 37
Anexos.........................................................................................................55





APRESENTAÇÃO

Chegando pela primeira vez na localidade de Nova Providência, ouço o canto dos pássaros e sinto o cheiro das plantações em redor, assim como uma nova experiência para minha aprendizagem.

Essas trocas de experiências com a comunidade vêm como a melhor forma de conhecer a localidade. É buscando suas origens, histórias e memórias com os membros mais antigos, que revivem o passado longínquo, tão perto do presente.

Cada comunidade tem suas histórias, seus personagens que foram seus desbravadores ou deram-lhe uma identidade construíram sua história, no caso da comunidade Nova Providência, a família Silva, sem dúvida, tem um papel importante no desbravamento desse pedaço de chão, estabelecendo amor, ousadia e sonhos. Alguns aspectos encontrados tornam-se fundamentais, como elementos de identidade da comunida Nova Providência.

Esta comunidade é formada quase na sua totalidade por uma única família, daí, há um nível de familiaridade muito próximo, lá quase todos tem relação de  parentesco. Ao que tudo indica, seus antepassados foram de remanescentes de quilombos, muito embora ainda não se pode afirmar com absoluta certeza tendo em vista que ainda não foi realizado um diagnóstico a esse respeito.

Quando assumimos esse compromisso, juntamente, como o 1º, 2º 3º ano dos alunos matriculados no Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, do ano de 2017, sabíamos que teríamos alguns desafios, entre eles o registros que poderiam contribuir com o desenvolvimento e construção da história e memória dessa localidade.

Os temas a serem pesquisados foram divididos nas três séries do ensino médio para que pudessem fazer o levantamento dos dados, conforme, o tema da equipe que foi sorteado com os informantes que poderiam contribuir com esse resgate histórico e cultural, tendo a história oral, como recurso metodológico utilizado durante o processo desse levantamento para a pesquisa. Com essa fonte oral, o informante revive e pontua aspectos que servem como elemento, que será transcrito e refeitos com parágrafos que o grupo ficou responsável.

                   
                                                    
 DEDICATÓRIA



Aos trabalhadores e trabalhadoras que lutam por sua suas sobrevivências e uma sociedade melhor e fraterna.



AGRADECIMENTOS


A Secretaria de Estado de Educação (SEDUC) que realizou convênio com o município de Bujaru, proporcionando a oportunidade aos alunos da localidade de Nova Providência e circunvizinhas de estudar o ensino médio;
A comunidade escolar e diversas pessoas das diversas localidades em torno de Nova Providência que contribuíram direta ou indiretamente para que fosse desenvolvido esse trabalho;
Somos gratos aos alunos do ensino médio do I Módulo do ano de 2018, que dispuseram a pesquisar, colher e contribuir na construção desta Coletânea de Textos;
Ao Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) em proporcionar essa oportunidade em contribuir na História de Nova Providência, Bujaru e do Estado do Pará;
Aos informantes, pois sem eles não teríamos fontes para a construção e conclusão do Trabalho.



 Histórico da Comunidade

De acordo com os dados estatísticos do Censo Demográfico do ano de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado do Pará possui uma área de extensão territorial de 1.247.950,003 km². Dentro deste espaço se encontra o município de Bujaru, com um território de 990.399 km², que abriga uma população total de 28.016 habitantes, sendo que residem na região da zona rural do município seria de 9.385, correspondendo 53,3% de homens e 8.211 habitantes do sexo feminino, correspondendo 46,7%, dentre os quais podemos destacar os povos das águas e das florestas como: os quilombolas, os extrativistas, os agricultores familiares, os ribeirinhos, os pescadores dentre outros. O município possui 20.397 eleitores, correspondendo 72% da população total, sendo 10.003 do sexo feminino, correspondendo 49,04 eleitoras e 10.384 do sexo masculino, correspondendo 50.91 de eleitores.

                       
 A Vila de Nova Providência localiza-se no município de Bujaru, na região nordeste do Estado do Pará. Da Vila para a cidade de Bujaru é aproximadamente de 24 Kms, sendo 17 Kms da PA – 140 e 07 Kms de ramal. A Comunidade de Nova Providência é simples, mas corre atrás de seus objetivos e o que já foi conquistado, em prol da comunidade, que tem sua história, através da contagem dos idosos que ainda vivem na comunidade. O ramal,segundo eles, foi uma conquista recente, pois, antigamente, quando ainda não havia o ramal como existe hoje, para se chegar à PA – 140 era  caminhando, com acessos precários. Com tempo, a comunidade foi crescendo e desenvolvendo, sendo, inclusive, construída uma escola no ramal, que foi foi, sem dúvida mais importante conquista.  Com a construção do ramal, houve uma maior intercâmbio com as comunidades de seu entorno, como São Lopes, Jutaí, São Benedito entre outras, além, claro da Providência. Vale frisar também a importância do transporte que facilitou a vida dos membros das comunidades, através do ônibus, que passava de madrugada; além de escoamento da produção nessas localidades. As pessoas se deslocavam para comprar e vender suas mercadorias em Bujaru como  farinha, tapioca, o coco, limão e açaí,entre outro produtos da agricultura de subsistência. Além de Bujaru, pequenos agricultores se arriscavam com a venda de mercadorias em Belém, como a pupunha, limão, coco e farinha.

                                                                   
Para os antigos moradores, a Providência só começou a nascer, a partir da chegada de algumas pessoas, na década de 50, do século passado, como o Senhor Jovelino Tavares da Silva e sua família que se estabeleceram e fundaram uma pequena Vila, com poucas casas e poucos moradores. Para esses moradores e seus descendentes que contribuíram com a expansão da Vila. O nome Providência, quer dizer, que antes não tinha nada, mais tudo se providenciou, portanto, revertendo todo o contexto social e geográfico da localidade.

Segundo os antigos moradores, é importante enfatizar que os descendentes de escravos que primeiro habitaram a vila eram cearenses fugitivos da seca que se uniram em matrimônio com os descendentes de portugueses que se estabeleceram nesta região, inclusive, notando resquícios de presença dos portugueses e engenhos em algumas partes na beira do rio Bujaru. Para eles, este lugarejo era um verdadeiro paraíso, pois segundo os antigos moradores, a base de sua economia eram as plantas nativas na beira do rio e de igarapés, que serviam como fonte de sobrevivência.
Outro aspecto fundamental que contribuiu com o desenvolvimento da comunidade foi à chegada da energia elétrica, principalmente, o comércio que foi beneficiado fazendo surgir, inclusive, umas “baiuquinhas” e lanchonetes.


ECONOMIA

Uma das principais fontes de subsistência econômica da comunidade e região é a dedicação exclusiva com os derivados da produção da mandioca, notadamente a farinha que a exemplo de muitas comunidades é um produto básico da alimentação assim como para a comercialização. 

Desde a chegada dos primeiros moradores nessa região que a produção e comercialização dos derivados da mandioca, como a farinha, a farinha de tapioca, a goma, o tucupi entre outros são cultivados e proporcionam a subsistência e renda familiar.

A Farinha: A produção ainda é realizada quase nos mesmos moldes de tempos atrás, com pequenos avanços, um desses avanços é a colocação da mandioca para ficar de molho que até bem pouco tempo era feito exclusivamente nos igarapés e hoje, com a chegada da energia, da água encanada, da perfuração de poço artesanal, os galões de água, pouco a pouco vão substituindo o igarapé, até porque os igarapés estão sendo impiedosa e impunemente dizimados  com o avanço da monocultura dos  dendezais, trazidas por empresas como a Biovale. Chamamos atenção aqui para chegada dessas e de outras empresas do agronegócio. Elas estão trazendo um grande prejuízo tanto do ponto de vista social quanto ambiental. Social porque essas empresas estão praticando os “cercamentos modernos” O que difere dos cercamentos atuais daqueles praticados no período da Revolução Industrial é que este diferentemente daqueles,é que eles “compram”irrisoriamente os lotes dos pequenos agricultores  que tempo depois percebem que caíram numa grande do capitalismo. Os prejuízos ambientais também são devastadores. Eles estão sendo extintos impunimente e aqueles que ainda restam estão cada vez mais contaminados em virtude de toneladas de agrotóxicos que são jo9gados em seus leitos mantando peixes e tantos outros seres vivos neles.

A farinha tradicional produzida pelos moradores da Comunidade de Nova Providência e suas adjacências tem todo um processo que exige todo um calendário anual e participação dos membros da família, enquanto mão de obra, inclusive, algumas vezes com ajuda de vizinhos e amigos. 

                           
A equipe responsável pela parte das atividades econômicas entrevistou vários membros da comunidade, sendo a farinha de mandioca, um dos principais recursos econômicos da área, assim como da localidade e como toda produção passa por vários processos.

O processo que se dá  para se chegar ao produto final que é a farinha, passa por várias etapas que começa com a derrubada, brocagem, a queima e o plantio (manicuera). Depois dessa etapa vem a capinagem ( mais de uma), coleta da maniva, o transporte para o retiro. No retiro tem descascagem, a moagem a secagem, a torragem, a ensacagem, o transporte e finalmente a venda ou o consumo.  


 Após sua plantação e o período de amadurecimento a mandioca é arrancada e carregada em paneiros, outros utilizam motos, jumentos, cavalos e a própria costa. Elas são carregadas para ficar de molho durante três dias na água. Logo após esse processo, já na casa do forno( ou retiro) a mandioca  é ralada e amassada ou prensada. Usa-se muito o tipiti para enxugá-la e separar o tucupi. No outro dia a pessoa vai e joga na cuadeira para peneirar e depois é jogada no forno bem quente, na lenha depois de um bom tempo de aquecimento, sendo escaldada por alguns minutos, passando pelo processo de torragem. É nessa fase do processo que a farinha adquire a qualidade. Dizem que aqui, no processo de torragem de farinha em alguns minutos ela torra depois da torrada a pessoa vai e embala a farinha para levar para a alimentação ou comercializar.    


 Relação no cultivo e beneficiamento da mandioca

O sobretalho que sempre foi imposto as mulheres deste os tempos mais remotos e que ganhou maior visibilidade a partir de Revolução Industrial prevalece ainda hoje, seja no campo ou na cidade. Em todo o processo produtivo da mandioca este sobretrabalho fica bem escancarado. Diferentemente de outros ramos produtivos, na mandioca não há divisão social do trabalho, não ficando portanto, para a mulher a tarefa “menos pesada”, não. Ela participa ativamente desde a derrubada até o beneficiamento final, embora, via de regra quando esta farianha é feita para a venda, geralmente, é o homem que administra o dinheiro, ou seja, mantém-se vivo uma carga maior de sobretralho. Um fato interessante que se observa no tocante ao cultivo da mandioca  e que  precisa de um estudo mais aprofundado é que muito homens, no ficam em casa ou no comercio e são as mulheres que vão à roça.

                                                           
O cenário é propício para as discussões acerca das relações de gênero, pois o histórico de lutas e organização é possível deduzir que as mulheres de Nova Providência, possuem       uma visão particular e diferenciada de seu papel na sociedade, pois      ao    passarem    por     todos estes processos de lutas e empoderamento elas começam a perceber a importância do seu papel na sociedade e passar também a buscar os seus direitos.

Nesse trabalho buscou analisar as relações de gênero e como vem se dando a participação das mulheres deste novo espaço rural e relacionar não só os dados referentes à produção,     mas identificar o papel da mulher nesse espaço, ou seja, saber quais  as   atividades  exercidas    por elas e se essas atividades são valorizadas, ou se são consideradas apenas como uma ajuda.
Eis algumas imagens que retratam uma das realidades da sociedade amazônica, em especial, na comunidade de Nova Providência. Apesar dos “urbanóides” não terem a dimensão das dificuldades e valorizar a produção da farinha.


Outra atividade econômica importante para os moradores da Comunidade de Nova Providência é a produção e comercialização do açaí, importante produto e utilizado como principal fonte de alimentação, principalmente, no período do verão, fase salutar como fonte de renda familiar. Para os membros antigos da Comunidade, a maioria dos açaizeiros é nativa, havendo em pequena escala a plantação desse importante produto da mesa dos paraenses.


 EDUCAÇÃO

A educação do estado do Pará como um todo, não vai bem há bastante tempo e nesta comunidade não é diferente. Ela padece de infraestrutura com falta de salas de aulas, falta de sala para professores, material didático, entre outros. O desinteresse por parte dos alunos também é uma marca forte. Em visita recente da coordenadora do SOME, Joseana esta comprometeu-se em não medir esforços no sentido de viabilizar recursos para a construção de mais salas de aula para atender a demanda  dos alunos do  SOME.



O prédio atual funciona aulas do fundamental e médio nos turnos da manhã, tarde e noite. O prédio tem 326 alunos, 12 professores, 32 funcionários e até hoje o colégio teve 04 diretores. A diretora atual chama-se Ana Lúcia Garcia. A Escola possui 03 escolas anexas. O uniforme da escola passou a ser as cores vinho e amarelo.

Para a atual Diretora da Escola, Ana Lúcia Garcia da Silva, a Escola Nova Providência foi inaugurada no ano de 1984, sendo apenas do município. Em 2006, começou a construção do prédio da Escola do Estado e no ano seguinte, com o aumento do número de turmas as aulas passaram ser realizadas no prédio do Estado. Neste momento, abriram as matrículas para os alunos do Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, que começou a funcionar também no ano de 2007.

                                                            
Segundo Ana Garcia, quem não mediu esforços para que houvesse uma Escola Estadual, na Vila Providência, foi um estudo realizado pela Secretaria Municipal de Educação, visto que, três comunidades seriam contempladas com uma Escola Polo. Porém, não podemos deixar de ressaltar que tivemos apoio de pessoas da comunidade, como Dona Cléia Tavares e Luzia Tavares (Vereadora neste período), pais de alunos e comunidade em geral que participavam ativamente das reuniões com intuito de trazer a obra para Providência.

A primeira Diretora da Escola Nova Providência, com apoio da comunidade, foi a Professora Ana Lúcia Garcia da Silva.   


Com a inauguração da Escola em Nova Providência, as comunidades circunvizinhas e a comunidade foram beneficiadas e muitas melhorias foram propiciadas com o desenvolvimento. A informante diz: “Antes de qualquer coisa quero” que fique entendido que a escola do município é a Escola Municipal de Ensino Fundamental “Nova Providência”, porém, na última reunião realizada na comunidade para construção da escola ficou decidido por todos os membros da comunidade que estavam presentes, inclusive eu, Ana Garcia, que o nome da Escola do Estado seria Escola Estadual “Belarmina Soares”, matriarca da comunidade. Esta Escola foi uma conquista pra esta comunidade porque antes de sua existência os alunos quando terminavam a 4ª série (hoje, 5º ano) precisavam se deslocar para as cidades e na maioria das vezes os pais não tinham condições de manter os filhos em casa de parentes, as meninas por sua vez geralmente serviam de empregadas domésticas e poucas seguiam com os estudos e os meninos em sua maioria ficavam para ajudar os pais no serviço da roça. Após a construção da Escola, os alunos da comunidade e de comunidades vizinhas tiveram mais oportunidades para concluírem seus estudos, inclusive, aquelas pessoas que estavam paradas sem poder concluir o ensino médio. Hoje, acredito que mais de 200 alunos inclusive pais e mães de famílias já concluíram o ensino médio e temos ainda muitas gerações que precisam se formar.
   
Já a Professora e Orientadora Pedagógica Maria Claudete Gomes da Silva abordou em sua entrevista que a Escola atende três localidades, além da Vila, a Foz do Jutaí, sendo a Escola Municipal N. Sra. Das Graças, Castelão e o início do Km 17, com a Escola Municipal Fernando Guilhon.  A Professora e Orientadora Claudete Silva  aborda em sua entrevista que um problemas sérios que a escola enfrenta, é ausência dos pais no acompanhamento da aprendizagem dos filhos, indisciplina de alguns alunos que a escola está tentando combater, assim como uso desordenado de drogas em que os adolescentes estão envolvidos, evasão escolar entre outros. Enfatizou os projetos desenvolvidos na Escola, com base no calendário escolar.
O Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, enquanto política pública do Programa de Educação do Campo, da Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará – SEDUC, em convênio com os municípios, no ano de 2017 teve 30.350 alunos matriculados, em 465 localidades de 98 municípios. Importante ressaltar, que a SEDUC, mantém em funcionamento no mesmo ano, 898 escolas em todo o Estado, sendo 144 escolas localizadas na zona rural, além de 41 anexos.
Sabemos que a educação enquanto política pública estadual e nacional tem como base um projeto econômico, voltado para o crescimento rural, dentro do modelo capitalista que vivenciamos, onde principalmente as metas destas são claros dentro dos interesses políticos, de quem manipula a sociedade.

Nessa ideia perpassa a educação enquanto fonte produtiva, através da ideologia dominante, onde só os mais capazes é que conseguem galgar um lugar ao sol.

O educador brasileiro Gaudêncio Frigotto, em sua obra A Produtividade da Escola Improdutiva, aborda: “A educação passa então a constitui-se num dos fatores fundamentais para explicar economicamente as diferenças de capacidade de trabalho e consequentemente as diferenças de produtividade e venda”. Logo deduzimos que a população tem o direito de continuidade do sistema vigente, com igualdades de oportunidades e acesso a bens. Diante desse contexto, os diversos segmentos de trabalhadores que vivem nos campos, nas florestas, quilombolas e indígenas tem assumido e através de muitas lutas, como aconteceu no dia 23 de novembro de 2017, a ocupação da Seduc, pelos segmentos de vários municípios onde o SOME atua, tem pressionado as oligarquias dominantes no estado e nos municípios com o intuito da concretização de seus objetivos. 

Mesmo assim, com diversos interesses em jogo, o Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) que originou-se da elaboração e execução da antiga Fundação Educacional do Pará (FEP), que desde o final da década de 70 e início da década de 80 do século passado ficava responsável pela gerência do ensino superior e ensino de 2º grau. Através da pressão de alguns setores políticos, principalmente, neste momento de 12 prefeitos, a instituição começa em fase experimental, a implantação deste projeto especial, a partir do dia 15 de abril de 1980, por 04 municípios que são os seguintes: Curuçá, Igarapé-Açu, Nova Timboteua e Igarapé-Miri, sendo regularizado pela resolução nº 161 de 03 de novembro de 1982, do Conselho Estadual de Educação.
O interessante é que a criação do SOME como uma alternativa para a educação no campo merece algumas reflexões. Começamos a abordar que neste momento assegura o atendimento de 2º grau para diversos municípios, adequando-se a realidade e mesmo com as carências infra estruturais (deficiência nos sistemas de comunicações, de transporte, de saúde, educacional) do campo. Não podemos desconsiderar outro aspecto, a demanda que necessitava estudar neste nível e que não seria necessária a construção de escola, mas precisariam de recursos humanos qualificados, principalmente, professores com curso superior, para atuarem nas atividades docentes neste nível.
Gostaria de frisar de que no final de década de 80, o antigo ensino médio encontrava funcionando em 16 dos 83 municípios, nas sedes dos municípios onde se encontrava o maior número da população e lógico a demanda de discentes. Onde seus principais objetivos eram possibilitar aos alunos do campo a conclusão de seus estudos no ensino médio; democratizar as oportunidades educacionais no campo, a fim de garantir a permanência dos alunos em seu lugar de origem e garantir um ensino de qualidade que levará desenvolvimento e justiça sociais as diversas regiões do Estado.

O SOME funciona com programas curriculares de cada série que são oferecidas em 04 módulos e cada módulo é formado por bloco de disciplinas, com duração de 50 dias letivos. A final do ano letivo, que corresponde a 200 dias, o aluno conclui uma série, sempre obedecendo às exigências curriculares legais. As localidades atendidas são agrupadas em circuitos, cada composto de 04 localidades e durante o ano letivo os professores são divididos em equipes que se deslocam, em forma de rodízio, pelas localidades que integram o circuito.

O SOME trabalha em parceria com as prefeituras municipais, através de convênios com a SEDUC. As prefeituras respondem pelo custeio de moradia e alimentação dos professores, apesar de algumas não cumprirem, durante o tempo de duração de cada módulo. A SEDUC garante o pagamento dos salários dos professores, mais a gratificação para deslocamento para o professor, como estímulo a interiorização e localidades de difícil acesso.

Com o SOME são desenvolvidas atividades como: cursos de capacitação para professores do ensino fundamental, seminários, palestras, festivais de mitos e lendas, teatro, encontros intermunicipais, oficinas pedagógicas e feiras culturais. Dessa forma, parte da carga horária do professor é destinada a projetos de intervenções.

A política pública Some dentro deste contexto com o seu surgimento e sua trajetória como uma forma alternativa de atendimento e expansão do ensino médio presencial no estado do Pará, buscando um suporte teórico e metodológico que dirija suas ações pedagógicas. Na sua gênese elabora suas ações educativas formando cidadão socialmente crítico e atuante que compreenda o contexto global e onde está inserido, tendo a tendência pedagógica identificada como “pedagogia libertadora”, representada pelo educador Paulo Freire.

O SOME hoje atua em 98 municípios e 463 localidades no Estado, com aproximadamente 30 mil alunos e 1.100 professores. A política educacional pública que surgiu como alternativa com certeza, ainda vai durar muito mais, enquanto não aparecer outro projeto ou programa presencial, para atender a população do campo, das florestas e das águas.

Desde a criação do SOME, que é a maior política pública de inclusão social do Estado, o Ensino Médio Modular já garantiu a conclusão do ensino fundamental e médio de mais de 500 mil estudantes. A metodologia do projeto proporciona um ensino de qualidade, na medida em que evita a fragmentação do trabalho escolar. O importante que equipes de professores de disciplinas específicas ficam à disposição de cada escola por espaço razoável de tempo, dessa maneira concentrando todos os esforços aos participantes. Outra vantagem é o atendimento individualizado que pode ser dado aos estudantes com dificuldades de aprendizagem que atua na educação do campo. Como alternativa de ensino médio e como preparação para o ensino médio regular nesta trajetória educacional através da denominação SOME em seu processo educativo sem dúvida nenhuma outra modalidade de ensino tem oferecida uma grande contribuição e significativa universalização do ensino médio na educação no campo.


 II CONFERÊNCIA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO DO MUNICIPIO DE BUJARU/2018

Os educadores e funcionários da Escola Nova Providência participaram da II Conferência Municipal de Educação do Município de Bujaru, tendo como tema “Plano Municipal de Educação: desafios e possibilidades para uma educação de qualidade”, realizada pelo Fórum Municipal de Educação e Secretaria Municipal de Educação, nos dias 19 e 23 de março de 2018.

O Fórum Municipal de Educação – FME tinha definido pela realização da Conferência Municipal de Educação – COMED 2018 e pelas etapas preparatórias nas instituições de ensino da rede denominadas de Encontros Pré-conferência, o que aconteceu na Escola de Nova Providência, com a participação de vários segmentos da comunidade escolar.
Foram realizados os Encontros Pré-conferência nas instituições de ensino da rede municipal, visando fomentar debates e discussões sobre o Plano Municipal de Educação, de forma ampla e participativa.

 Os encontros pré-conferência e a Conferência Municipal foram de caráter mobilizador e foram apresentadas um conjunto de propostas relativas ao monitoramento e avaliação e à efetiva implementação do Plano Municipal de Educação aprovada pela Lei nº 653 de 19 de junho de 2015.
A II Conferência Municipal de Educação teve como objetivo principal mobilizar a sociedade bujaruense para intensificar o monitoramento e avaliação do cumprimento do Plano Municipal de Educação, suas metas e estratégias, garantindo o direito à educação de qualidade a todos.

Entre os outros objetivos do evento foi possível analisar, validar e/ou alterar o Documento-Referência da 3ª CONAE, organizado em oito eixos;
                                                                
Monitorar e avaliar o cumprimento do Plano Municipal de Educação com destaque específico ao cumprimento das metas e das estratégias intermediárias, sem prescindir uma análise global do plano, e proceder as indicações de ações, no sentido de promover avanços nas políticas públicas educacionais;
  
-Relacionar o cumprimento das Diretrizes, Metas e Estratégias contidas nas Leis de aprovação e no Plano Municipal de Educação;
-Eleger delegados para a Conferência Estadual de Educação – CONEE 2018.

CAUSOS, CRENÇAS, MITOS E LENDAS

É comum as Vilas ou pequenas cidades ouvir histórias e relatos mitológicos. Na Vila Nova Providência não é diferente. Segundo D. Andreia Garcia, aqui na comunidade existe uma história de uma pessoa que altas horas da noite gritam como se fosse um caçador, por trás da escol,a seguindo o braço do igarapé. Segundo ela, muitas pessoas já tentaram esperar no meio do caminho, porém, ele passa e ninguém ver.
Outra história contada por alguns membros da comunidade que seria perto da foz do Jutaí, existe uma cobra grande que forma um redemoinho e que quem por ali passar é engolido, segundo relato, recentemente(21018) um cachorro tentou atravessar o rio Bujaru, porém, foi tragado pela referida cobra. Existem inúmeros relatos de pessoas que viram pessoas virarem Matinta Pereira.
                                                                   
Segundo alguns moradores, antigamente, quando nascia uma criança do sexo feminino, era tradição aqui na comunidade, a mãe enrolar essa criança com um cueiro e sair em um mangal, segundo relatos dos antigos moradores, quando a mãe fazia isso com a criança, estava benzendo a filha para que a iara não levasse essa criança para o fundo do rio.

PLANTAS MEDICINAIS

Vejo que é necessário pontuar alguns aspectos sobre as plantas medicinais na localidade de Nova Providência. Diante da situação, a busca pelos moradores das ervas primárias do lugar com as seguintes considerações: será que nossos antepassados frequentavam a medicina alopática ou os farmacêuticos com a regularidade que adotamos nos dias atuais?   Com certeza que isso não acontece se levarmos em consideração se recorresse à memória dos nossos idosos ou aos registros literários em que os antepassados que viviam e vivem no campo, às vezes até se orgulhavam de nunca terem tomado medicação industrializada.

Com certeza, o ponto de vista é porque tinham um ambiente ou modo de vida diferente, logo se deduz que sua alimentação se encontrava menos saturada de produtos químicos ou conservantes. Não podemos negar que as plantas de quintais, de brejos, matas virgens, pastos serviam como próprio laboratório produzido domesticamente.

Diante deste fato, muitas dessas ervas recolhidas dessas plantas se transformam em chá ou xarope enriquecido pelo mel, que é muito utilizado na confecção de remédios caseiros.
À medida que se perde a memória das próprias feições das ervas medicinais e neste caso faz-se com que o homem do campo se torne dependente dos produtos dos laboratórios obtendo alívio rápido, mas ao preço de efeitos colaterais ou condicionando o organismo o que nossos antepassados não precisavam e eram curados com algumas doses de chá, xarope, tinturas etc.

Eis algumas plantas de Nova Providência utilizadas para a produção de remédios caseiros:

Diarreia
Casca de cajueiro, casca de ameixeira, casca de mangueira, verônica e casca de taperéba.
Modo de Fazer
Coloque todas as cascas dentro de uma panela, após lavar bem, com ½ litro de água e ferva em dez minutos e tome um copo, como água, com um espaço de tempo.


Inflamação
Ingredientes
Unha de gato e verônica
Modo de Fazer
Misture as plantas e coloque no fogo, com meio litro de água até ferver, depois de fervidas coe para ficar só o líquido, espere esfriar e beba, como se fosse água normal.

Ataque de vermes
Ingredientes
Querosene e tabaco
Modo de Fazer
Misture tudo e passe na barriga

Gripe
Ingredientes
Feijão quandú O, folha de limãozinho, manjericão e favacão
Modo de Fazer
Misture todos os ingredientes em uma panela, com um litro de água, coloque no sereno, de manhã cedo lave a cabeça com o remédio.

Dor de Garganta
Plantas
Indiaroba, Alho e Mel
Modo de Fazer
Tira o olho da Indiaroba, mique bem o olho e misture tudo com mel e coloque na geladeira e fique tomando.

Dor no Peito
Ingredientes
Mastruz

Modo de Fazer
Bota o mastruz com a água e beba, se sobrar coloque na geladeira e fique bebendo

Ferimento

Ingrediente
Casca de xixi
Banana branca
Pião

Modo de fazer

Raspar a casca de xixi misture com o leite banana branco, amasse a folha do pião, misture tudo e passe no ferimento com dois ou três dias, já vê o resultado.

Hemorroida de Sangue

Ingrediente
Casca de jutaí
Unha de gato
Verônica
Pariri
Marupazinho
Casca de caju do mato
Jumpidá
Pirarucu
Borboletinha
Jucá roxo

Modo de Fazer

Corta tudo, esmigalha  um por um e ferve tudo por 30 minutos. Coloque na geladeira e vai tomando até ficar bom

  
Personalidades Importantes das Comunidades

Uma das páginas importantes ressaltarmos nessa atividade pedagógica é escolhermos algumas personalidades que tem importância para comunidades, pois achamos fundamental, tratarmos com respeito e consideração pelos bons serviços dedicados a uma ou outra localidade.
Entre elas temos o Senhor Messias Silva, nascido no ano de 1938, no sítio Bujaruba, no município de Bujaru. Filho de paraenses trabalha como lavrador, quando pré-adolescente e adolescente também se dedicou ao ramo de lavrador. Segundo seu Messias, não é uma vida muito fácil e quando ainda adolescente não seguiu mais o caminho da família.


 Sendo ela profissão de carpinteiro, casou-se e foi embora. Teve cinco filhos, separou-se de sua esposa e depois de alguns anos retornou ao seu lugar onde nasceu, que segundo ele deveria ter saído, pois lá se sentia realizado, após deixar sua esposa exerceu a profissão de professor. Durante algum tempo depois voltou a vida de carpinteiro que é sua grande especialidade.

Segundo ele hoje mora só, solteiro e tem 23 netos e 7 bisnetos, diz que aqui se sente feliz e realizado nesse lugar.  Grandes experiências, grandes lutas, mais também grandes vitórias. É evangélico e diz que sua maior e melhor vitória foi ser curado pelas mãos fortes do Senhor, diz ter fé e está caminhando para morar no céu. Sua grande expectativa é de construir uma casa e ter uma vida com Cristo.

Outra pessoa em destaque pelos alunos foi a Senhora Simiana Melo dos Santos, filha do Sr. Gregório Melo dos Santos e Maria Lima. Segunda a informante a criação de antigamente era que os filhos não apanhavam, só dos pais olharem eles já sabiam que os pais estavam querendo falar alguma coisa, as crianças respeitavam todos os tios e tias e eles tomavam benção dos irmãos mais velhos.
Quando os pais estavam conversando os filhos não iam à sala ou no local onde eles conversavam, os pais não gostavam que os filhos se intrometessem nas conversas dos mais velhos.
Os estudos de antigamente eram só com cartilhas com o alfabeto, os recreios eram com várias brincadeiras, como: bandeirinhas, queimada, petecas, bolas entre outras.

Quando iam pra escola as crianças levavam suas merendas em latas, quando chegavam da escola iam trabalhar na roça com os pais.

Quando iam pra a escola eram a pé ou canoa remando, não tinha transportes, não era ramal, eram caminhos muitos longos para poder chegar à escola.

Quando alguém fazia alguma coisa de errado na escola recebiam os castigos tais como: apanhavam nas mãos com régua chamado palmatória, deixavam os alunos de joelho em cima dos caroços de milhos, os alunos ficavam virados de frente para a parede no cantinho da sala de castigo, entre outros.
Muitos deixavam os estudos para trabalhar com os pais.

Eram poucas as séries de antigamente só ia até a 1ª série ou até a 2ª série, era uma dificuldade grande.
Tinha as festas que eram algumas pessoas tocando instrumentos, como: o pandeiro, violão, viola flauta, vitrola que eram colocados os discos.

Tinha as danças para eles se divertirem que eram o carimbo, bolero, lambada, tango e discoteca.

A iluminação não era energia elétrica, eram lamparinas feitas de garrafas ou lampião feito de latas.
As compras eram baratas com mirres, compravam muitas coisas e comidas. Depois do dinheiro mirres que foi produzido o cruzeiro e depois o cruzado. Tinham que trabalhar muito para conseguirem o dinheiro.

As mercadorias tinham de ser de boa qualidade para venderem por um bom preço. Arroz tinha que ser abanado, as bananas tinha que ser grandes.

O açaí era amassado nas mãos em aquidá e peneira. As refeições eram feitas em panelas de barros, sendo que as pessoas mesmo que faziam as panelas.

As roupas eram feitas pelas mãos das costureiras para poderem usar, os panos eram comprados em tecidos e os nomes, eram: Brim, amescoa para fazerem suas vestimentas, tergal, etc

Não poderíamos deixar a história de vida e a contribuição de Dona Cléia Tavares da Conceição para a Comunidade de Nova Providência. Nascida nesta comunidade em 01 de janeiro de 1968, portanto, possui 50 anos.
                                                                                
A informante tem seis filhos, desde que nasceu nos afirma que sempre viveu nesta comunidade e nunca saiu. Segundo ela, que continua seu relato de história de vida, que sempre contribuiu muito para sua comunidade, principalmente, na área de educação.

D. Cléia Conceição lutou por uma educação melhor, devido as dificuldades que a comunidade enfrentava, mesmo pequena, sonhou com uma educação mais cheias de vantagens e melhorias, sendo um dos seus maiores sonhos.

A educação na comunidade era de péssima qualidade e ela tinha um desejo de ver sair de sua comunidade através dos estudos, pessoas que seriam médicos, advogados, secretarias, essa era a maior felicidade de Dona Cleía Tavares da Conceição.

Através de uma educação melhor ela sabia que sua comunidade teria esse grande avanço, não para ela, mais para os seus filhos e seus netos.

Segundo D. Cleia desejava que alguém em sua comunidade tivesse oportunidades e coisas que ela não teve, porque abandonou seus estudos para ajudar as pessoas em sua comunidade, porque só ali só havia uma pequena escola de madeira e lá só estudavam crianças de 1ª à 4ª séries. Então D. Cleia lutou e conseguiu uma escola de boa qualidade, um bom transporte porque antes os alunos vinham para a escola, andando pelo caminho ou vinham de canoa e hoje eles tem o barco e ônibus escolar.


Agora nossa informante se sente feliz que apesar das lutas e dificuldades ela trouxe a Nova Providência uma educação de qualidade e dizer que teve um dos seus sonhos realizados. Hoje, a Providência é uma nova comunidade, tem uma escola melhor, transporte de boa qualidade para os alunos, porque antes andavam em caminhões para se deslocar para outra comunidade para poder  estudar porque em sua Vila não tinha uma boa escola.

Ela nos relata também em sua história que um dia se candidatou a vereadora para tentar conseguir melhores e benefícios para a comunidade, ela teve ajuda de outros políticos que ajudaram como o Senhor Emanuel Muniz, contribuindo na melhoria da educação junto com D. Cleia.

Atualmente D. Cleia Conceição é uma pessoa que luta pela melhoria da comunidade Nova Providência e através disso ela abandonou seus estudos e hoje D. Cleia não tem emprego, vive da agricultura, mas através das circunstâncias da vida ela veio adoecer, ela é diabética e teve AVC, onde somente tem ajuda dos filhos e de seu esposo que se chama Manoel.

Segundo o grupo que entrevistou D. Cleia, ela contribuiu muito com a comunidade e hoje precisa da ajuda e apoio da comunidade.

 Ela tem ainda outro sonho para com a comunidade, que seria a construção de um espaço físico para servir como área de uma creche, ela diz que não tem mais força para lutar por esse sonho, mais pede que um dia alguém construa para contribuir com os pais quando vão para o trabalho e não tem onde deixar os seus filhos, as vezes é preciso que eles levem os seus filhos para os seus roçados.
Plantio do açaí

O açaí ocupa sem dúvidas alguma, ao lado do peixe e da farinha de mandioca um papel relevante na vida do paraense, seja do ponto de vista social, seja do ponto de vista econômico. As populações tradicionais enquadram o açaí em duas categorias, o açaí de inver e o de verão. O de inverno é mais saboroso e mais abundante e consequentemente, mais barato, se enquadrando na lógica da lei da oferta e da procura. Já o açaí de verão não tem o mesa qualidade, muito embora em função da escassez ele se torna mais caro.

Esse período dura em torno de três a quatro meses. De acordo com os informantes os dois períodos juntos duram em torno de 8 a 9 meses. O açaí para os agricultores tradicionais funciona apenas como complemento de renda assim como reforço alimentar.


                                                                  
Informantes

Ana Lúcia Garcia da Silva
Andreia Garcia da Silva
Dóris Cordeiro da Silva
Maria Claudete Gomes da Silva
Cleia Tavares da Conceição
Márcia Nazaré Novaes Machado Carvalho
Messias Trindade da Silva
Josias Nascimento Amaral
Jovelino Tavares da Silva
Manoel Cordeiro da Silva
Severino Cipriano Meireles
Simeão Marques da Silva
Simiana Melo dos Santos



Apoio:

Ribaprasempre.blogspot.com (Blog do Riba)

       



ENTREVISTAS:
Entrevista com o Senhor Severino Cipriano Meireles
Os alunos pesquisadores do projeto entrevistaram o informante Severino Cipriano Meireles, que achou interessante a entrevista e sentiu felizardo por esse trabalho. O Seu Severino que possui uma idade avançada falou que durante sua idade de estudante era muito difícil estudar, tanto saber ler e escrever, como era difícil tirar o primário  e frisa “então nem se fala na época em que eu estudava tudo era difícil só os pais que tinham condições de colocar os filhos na escola esses estudavam até se formar mais aqueles que eram bem pobrezinhos poucos frequentavam a escola porque os filhos tinham que ajudar os pais no roçado”.

Segundo ele, “eu estudei até a primeira série. A minha primeira professora na época tinha a quarta série ela ensinava os alunos a ler e escrever, depois que o aluno aprendia se ele quisesse se formar tinha que ir para a cidade trabalhar em casa de família ou se tivesse parente ia para casa desses parentes para continuar a estudar para ver se conseguia se formar. Nessa época quem tinha a quinta série tinha um estudo alto hoje em dia não é mais assim. Para ele, A escola era um salão não muito grande que estudava uma turma de alunos só tinha uma professora, não tinha servente, zelador, ou diretora, quando era para fazer a limpeza da escola, a comunidade se reunia para capinar ao redor da escola ou lavar, fazer a limpeza geral da escola”.

Para seu Severino, quanto a merenda escolar, ressalta que “nessa época não tinha merenda nas escolas nós era que tinha que levar de casa a merenda quando tinha comida minha mãe colocava em uma lata de leite um pedaço de peixe com farinha era o que eu levava para merendar na escola quando era tempo de muitas frutas a gente a ajuntavam para comer isso também, era nossa merenda”.

Seu Severino Meireles abordou, também, “que tomava água dos igarapés, não tinha água encanada, nem poço nessa época, podia-se beber a água dos igarapés, hoje em dia, não podemos mais. Também, não existia banheiro, as necessidades fisiológicas eram feitas no mato, mesmo; assim como não tinha transporte escolar, nessa época, eu ia andando mais de três quilômetros até a escola todos os dias porque não havia estradas na época, só era caminhos que nem dava para andar duas pessoas uma no lado da outra de tão estreito que era o caminho”.


 Ressaltou “que tinha o sonho de se formar, mais não tive oportunidade, meus pais achavam que eu teria um futuro melhor se eu fosse trabalhar na roça, essa era a visão que eles tinham”.

Algumas questões foram frisadas, por nosso informante, entre eles a educação dos filhos, onde diz, “estudaram sim mais nenhum deles conseguiu se formar ou fazer faculdade porque eu era muito pobre, não tinha condições de mandar eles para Belém para estudar porque aqui só conseguiram ler e escrever aqui, aluno nenhum conseguia se formar. Pra se fazer faculdade, os pais tinham que mandar para cidade para trabalhar em casa de família para poder estudar e eu não confiava em mandar meus filhos porque eu não tinha parente na cidade, meus parentes moravam no interior da Paraíba, eu sou paraibano, vim para o Pará com doze anos, já meus filhos, não se formavam porque eu não tinha condições financeiras para manter eles na escola e com isso eles tiveram que ir para o roçado comigo para ajudar nas despesas de casa. Eles não viraram bandidos, todos são trabalhadores e pais de família e vivem bem”.

E continua, “No tempo que eu frequentava a escola e na época dos meus filhos, também, o aluno sabia o que era respeito, eles respeitavam a professora, na época tinha mais professores, era muito difícil a gente ver um professor homem, era mais mulheres e aluno tinha que respeitar a professora como se fosse uma mãe, nós tínhamos que tomar sua benção dela se nós não tomasse sua benção ou desobedecesse   ela ficava de castigo de joelho no milho, de cara para parede e se respondesse as perguntas erradas levava palmatória na mão, ficavam inchadas e esses castigos eram ordem dos pais e se eu levasse castigo na escola, quando eu chegava em casa ainda levava uma boa surra”.

O Senhor Severiano Meireles ressalta, também, que a educação de hoje “é mais fácil porque tem escolas em que quase todas comunidades, transporte que passa na porta da casa do aluno que mora na beira do ramal, na beira do rio, assim como os barcos, portanto, hoje só não estuda quem não quer. Meus netos tem todas as facilidades que eu e os pais deles não tiveram, mas pensam que querem estudar, recebemos queixa da professora que eles não querem fazer os trabalhos, não prestam atenção na aula, brigam com outros colegas e a professora não pode dá castigo, que não pode mais fazer isso, que os pais não deixam. A facilidade de estudar é maior do que antigamente. Essa facilidade veio com escolas com mais salas, mais professores com mais séries para o aluno terminar o ensino, enquanto a dificuldade veio por conta do comportamento do aluno, que são maus educados, não respeitam as professoras e são rebeldes, querem
estar em cima dos professores, esse é mais um problema que os professores tem que encarar”.

O recado que o seu Severino Meireles deixa é o seguinte: “Estudantes e jovens, estudem não desistam e que se formem para que seja alguém na vida, aproveitem as oportunidades porque dificilmente elas voltam, então, aproveitem e respeitem os professores, pois sem eles vocês não chegam à profissão nenhuma”. 

Entrevista com Josias Nascimento Amaral

Para o Coordenador pedagógico e Presidente do Conselho Escolar da Escola Nova Providência Josias Nascimento Amaral que contribuiu através de uma entrevista realizada no dia 22 de março de 2018. Para ele, a história daqui da comunidade, as informações que se tem é a partir da chegada dele nesta Comunidade quando começou a trabalhar nessa área de educação desde 2005 já que está no Polo a partir do concurso que foi feito 2006 pelo município de Bujaru, quando estava como Prefeito Emanuel Muniz. Mais antes disso “a gente já vinha trabalhando nessa área entre os municípios de Tomé-açu, Concórdia do Pará e Bujaru através dos movimentos sociais desde 1999”.

Fazia parte e ajudava na coordenação do próprio Movimento dos Trabalhadores Sem Terra-MST. Nessa época o Coordenador geral no MST no estado era o Senhor Nonato Coelho. E aí a gente  desenvolveu um trabalho não só na área da agricultura, mas trabalhar também na área da Educação, inclusive, nós formamos a coordenação de educação  nós tentamos trazer o Pronera para essa área já que a gente percebeu que tinha muita gente precisava estudar mas aí você trabalha com alguns empecilhos da própria política, assim como não tem uma política pública voltada para educação, mesmo assim,  eles criaram um meio para trabalhar e estudar. 
Nesta área da Vila da Providência, segundo o informante, os trabalhadores eram sem conhecimentos e de baixa renda e isso também fazia com que atrapalhasse um pouco o desenvolvimento e não possuindo  uma perspectiva de avançar nos estudos, a gente vê isso no final do ano, quando puxa o relatório final da evasão escolar, nós fizemos um trabalho para desenvolver um projeto chamado Fatos e fotos,  indo visitar a casa dos alunos a gente percebe como eles são fragmentados, o número de famílias e isso é uma coisa também aqui que a gente vê que o baixo nível e direto na educação, o número de família formada sem pai e pai que cria filho sozinho não tem assim aquele cuidado em vê a educação como uma perspectiva de mudança.
                                                           

 Ainda de acordo com o entrevista ele acredita que tem que ter um trabalho voltado inclusive esse ano que nós sentamos os técnicos da escola sentamos para ver o que e como vamos desenvolver um trabalho para que eles sonhem no mínimo que eles sonhem com a educação dos seus filhos que virão aí então à realidade dessa área como um todo vejo assim isso não só aqui, no nacional, mas aqui falando diretamente daqui a baixa condição financeira deles impede porque eles precisam estudar aí eles precisam trabalhar, mas o rio não favorece um alimento, a caça é escassa. Então a gente tem que trabalhar de alguma forma e aí só trabalho com a mandioca e a mandioca eu não vejo nela uma perspectiva de renda e aí eles não têm a mente voltada para fazer os derivados e produzir outros produtos através da Mandioca.

Aí eles então eles não têm e não é dizer que eles não têm conhecimento, eu acredito que falta algo para sistematizar o conhecimento que eles têm para avançar no campo da educação e não é não, e não eu não vejo um grupo de pessoas estudando se não tem comida para se alimentar,  esse povo tem que gerar comida eu vejo por esse lado aí se não tem comida ninguém estuda, a comida serve como alimento de seu povo até porque o governo não tem uma política nacional, estadual e municipal voltada para esse povo, trocar só a base da economia daqui certo mais você acrescentaria outras atividades que contribui na economia na comunidade, vejo algo para comer da agricultura durante um certo período, mas eles não foram educados eles são poucos que tem por si próprio, portanto, eles não enxergam isso no horizonte a gente percebe uma diferença quanto a esse aspecto, essa de falar tem que falar daqui a questão das terras que são quilombolas, ou seja, remanescentes de quilombos tem todo o nome da base de uma discussão muito ampla já que esse processo de luta e do movimento negro buscando sua  identidade mas por exemplo aqui nessa área que tem que trabalhar um pouco a gente vai trabalhar em outra localidade que se identificam a me lembra um dos pontos abordados na Comunidade do Galho, em 2013, no Encontro de Integração dos Estudantes do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME e o Professor Elias foi bem claro só em nós estamos numa comunidade de terras quilombolas mas o pessoal não se reconhece.

Para o educador Amaral, a Comunidade necessita de uma melhor organização com uma entidade forte aqui na Vila Providência como ter internet e outras entidades lutando pelos direitos e garantias dos negros na terra, já que precisam para eles. Para o informante, é bem visível isso assim aos nossos olhos que estudamos um pouco e já participamos de várias formações e movimentos sociais, já então nós precisamos de pessoas que traz o conhecimento que vem conversar com esse povo e mostrar a realidade e as leis. E aí que de fato o que eles são e qual o valor que eles têm, durante os debates nas aulas de pedagogia na faculdade, quando estudava, os professores abordaram que a própria natureza apaga na sociedade e coloca o negro para baixo, com conceitos pejorativos, na qual deixa moral como o sentido da palavra denegrir. Por que então essa palavra a cor clara como a coisa boa e a cor negra como inferior que vem com o processo histórico, desde a chegada do negro no Brasil. Aconteceu tudo isso aí, as pessoas têm a tendência de esconder não é assim.

Outro aspecto que podemos abordar dentro dessa discussão que é ampla e produtiva, percebeu que hoje você ver que toda mulher com o cabelo com a chapinha, o enrolado, encaracolado que o negócio é feio, tem que ser cabelo liso é uma forma e característica do modelo europeu, então essas raízes é a forma que eu vejo a foto da sociedade ocultando a gente é aí que nós temos que mostrar para os outros que não tem na visão que nós temos que é marcar nossa identidade como negra, não é ser negro não é ser tolo, ser feio não eu sou diferente dele tá legal ainda bem que sou diferente deles porque o meu pensar também é diferente deles.

E aí temos que mostrar o homem pelo seu pensamento não é preciso atitude, qualidade, cor. Ainda bem que tem várias coisas, que imagina se fosse tudo branco ou tudo vermelho, seria bom, seria um tédio. Mas precisamos da diversidade, precisamos do homem do campo formado infelizmente ele tá todo dolorido e você ouvir um estranho dizer ele não dizer que a gente tem que fazer aí gostou tanto palavras que eu não entendo e vi um cara lá de fora às vezes dá diz como é que vou ter que me comportar tem como é que se diz como é que eu tenho que se divertir. Então tudo isso é um pacto para quem não tem conhecimento porque não tem idade de estudar e buscar um novo horizonte.

Mas precisamos sim dos movimentos sociais, precisamos das entidades que defenda essa questão de liberdade de trabalhar e desenvolver a outra atividade, que eu acredito em relação à educação do campo, das cólicas no campo ela ainda não tem uma visão para o campo não tem uma visão porque o quilombo de chegar e falar claramente para o aluno a sua ligação de entidades assim e botar as qualidades  até ditados populares nos diz assim sobre muito que se tem que estudar para poder deixar a roça.

Esse dia veio um senhor de Belém e ficou na minha casa e conversando comigo o celular deu área e caiu uma mensagem do watzzap ele falou assim para mim, com esse celular e a tecnologia avançada só pode ser dentro da capital lá na cidade onde possui o desenvolvimento, eu falei para ele olha eu vou te mostrar uma coisa que tu não produz lá, tirar semente de arroz e feijão para se plantar uma capital, se a farinha se um X é castanho já que eu tenho tudo me olhando enquanto tem uma piscina vale ver a minha como igarapé. Então são essas qualidades que a gente tem que mostrar para o povo da cidade que nós temos, não é nem por isso também dia também é só um velho, mas não somos iguais, habitamos lugar diferente graças a Deus, mas temos esses impactos precisamos agora precisamos da interação com a cidade, não vai ter graça vivemos separados seres que são capazes de absorver o conhecimento e poder ajudar na construção das pessoas que precisam, como no caso da gente do campo. E aí então esse é isso mostra que nós não precisamos ter relacionamento não é isso que vai colocar Chegamos ao poder e te digo assim um poder tão brilhante e tão vibrante, luminoso que muito se chegam lá e fica cego.

Para o coordenador técnico da Escola, o Professor Amaral, continua: “Nós temos algumas Comunidades que são atendidas pela escola, além da Vila, temos alunos do km 17, do Castanheiro, Foz do Jutaí, ramal do São Lopes, do próprio Jutaí, ribeirinhos desde Itaporanga, assim, como alguns alunos atendidos pela escola que residem próximo ao município de Concórdia, inclusive com as modalidades de ensino do maternal ao nono ano e ensino médio, do Some, estudando nas várias modalidades oferecidas pela escola. Ontem, conversando com alguns colegas de Campo Verde, achamos muito interessante a troca de experiências entre a gente e que uns funcionários do Some prejudique todo o trabalho dos outros professores que trabalham com dignidade, compromisso e responsabilidade, que eu acredito que essa modalidade tem proporcionado grandes alegrias e investimentos em educação onde funciona, com ingressos de vários alunos nos cursos superiores, principalmente, dessa região, porque tem que observar que os frutos que já saíram eu até falei com a pessoa que tava lá nem conheço ele direito eu falei você já viu alguém jogar pedras numa área que não tem fruto, e é interessante,  ele me olhou assim dizendo isso porque se alguém te jogando pedra no mar que não tem fruta com dizer que ele é doido  não precisamos e reavaliar o que está sendo colocado por que avaliar para nós tirarmos o joio no meio do trigo, vamos pegar o que é bom e vamos ampliar, capacitar mais vamos mostrar para eles que vem de fora porque tem coisas que vêm de fora ele não consegue enxergar porque ele tá fora do quadro social que ele vivia na região que precisa sentar trabalhando aqui nesse ponto eu vi a perspectiva que tem que melhorar sim tem para não até porque se nós formos olhar para os frutos que temos professores que nós temos na nossa própria escola hoje terminar a graduação e passaram aqui passou pelo Some então tem muitas qualidades muitas coisas boas que para que acontece infelizmente tem pessoas que no nosso meio que sempre deixa a desejar mas nem por isso não podemos deletar algo que está dando fruto nós temos que fazer é uma reunião entre todos os envolvidos para tentar dirimir muitas dessas situações como essas aí entre outras, e outra coisa nós tivemos uma discussão nós temos uma que tá estudando indo para fora ela termina em e temos só uma professora que não tem ainda e não tem o nível superior, já que só possui o ensino médio, mas os demais, todos têm  a graduação  concluído e o bom que nós temos a grande maioria.

Diante de outros aspectos temos que levar em consideração, segundo nosso informante, hoje no nosso polo teria que ser seria feito de qualidade estamos bem em consideração com outro comentário para nós possa contribuir para esse trabalho de história oral o que eu acredito que nós deveríamos fazer quando o professor seja do quadro Municipal, do estadual ou federal ou de uma escola particular que às vezes parece que pessoas por aqui que é desse não é não é público acredito que nós devemos fazer uma grande debate sobre a educação dos quilombos, assentados, ribeirinhos, extrativistas e todas as áreas que a gente tivesse junto com trabalho era chamar o grupo de professores daquela região para conversar sobre educação daquela região. E aí sim verificar quem é assentados e nós temos para ficarmos assim mesmo quem é de quilombos que é de regulação fundiária Qual é o que é  mente ele é de que ele é o que ele representa e sistematizar o conhecimento em cima daquilo que Ele é porque às vezes não nos damos para ela é seu não estudando né fazendo algo com as pessoas que é de uma área mas nós falamos uma linguagem de uma outra área nós estamos falando com pessoas do campo mas muitas das vezes na linguagem de ficar lá dentro de Belém para ele se formar pegar um emprego em uma indústria e nós sabemos que o país não tem emprego para todo mundo, isso é bem claro né,  nunca vai ter emprego para todo mundo do campo ficar no campo assim como não tem aquela escola agrotécnica de Castanhal deveríamos ter pelo menos um polo numa área para a dimensão grande desconto daqui para comer açúcar não temos uma e a outra era que a gente juntasse para eles ter subsídio para ficar na terra igualmente, como incentivar a reforma agrária que dar um basta para cada cidadão e ter aquele fomento com uma habilitação e ter uma política mais ou menos voltado para isso mesmo não sendo meu certo ponto enganoso com tantas pessoas no meio fazendo manobras mas acredito que se nós trabalhamos com nossos jovens com a visão para eles ficarem no campo valorizando essa ideia do campo e com professor ival tava falando a linguagem do campo no futuro eu não vou dizer que nós não se resolveria o problema do emprego mas um grande número de pessoas que não têm renda hoje E aí teria acredito que chegaria no ponto de ter muito mais do que as pessoas que hoje é empregado como professor como está além do que a gente imagina quando você começa a produzir um produto o seu alimento que você tem na sua mesa para aqueles que não tem nada como eu presenciei a situações que nós trabalhamos durante a jornada aí no movimento e pessoas que não tinham nada e nem de nós conseguimos algum subsídio para eles dentro de dois anos ou 3 anos nós voltamos na área do meu camarada ele tinha arroz tinha feijão tinha um porco mas já tinha uma moto já tinha um Retiro para quem não tinha nada então x até a forma quando ele se posicionar no momento numa reunião ele já tinha orgulho de ser o que ele era porque ele vive ele vive na cara dele não mudou algo imagina chegar numa casa que só fala em mim agora e você faz um saco de palestra mostrar trazer recursos através das férias Federal e com dentro de dois anos voltar naquela casa e tem arroz farinha de feijão tem um pouquinho de dinheiro para cativar o bico de galinha  você vê que é aquilo que eu falei no início não tem como educar não tem como ensinar você não tem comida não tiver comida Não tem diálogo não tem amadurecimento eu acredito que nós temos que se preocupar com combustível da vida de muitos eu vejo assim hoje estão esquecendo eu vi eu presenciei uma cena no livro de uma história que uma professora perguntar para o aluno onde era que fabricavam o arroz e feijão e disse que era no supermercado né então a nós querer nós estamos voltando alguma coisa assim das pessoas que vem depois de nós então nós temos que conviver com a terra tem que ter Cielo nome Cidade Campo o conhecimento tem que passar por essas esferas assim para que a gente tenha daqui mais uns anos discente fazer umas histórico de vida e dizer Olha nós chegamos lá tava em 3% hoje a gente tem seis e meio por cento do que a gente pensava em conquistar a gente sabe que nós nunca vamos conseguir tudo como a gente imagina nunca o nosso céu vai ser todo iluminado todo bonito e pintado como a gente quer mas acredito em nós temos muito a ganhar muito a fazer tem muitas palestras muita informação para fazer desse povo para mudar o quadro social.

Entrevista com Manoel Cordeiro da Silva

Em entrevista com o empresário e liderança comunitária o Senhor Manoel Cordeiro da Silva sobre alguns aspectos de Nova Providência que tratou um pouco sobre a origem da Comunidade abordando a carência principalmente na infraestrutura desde antigamente e durante o período inverno, já que essa comunidade ribeirinha enfrenta várias dificuldades nessa época do inverno principalmente no tempo da cheia, isso já vem de longos anos, desde que eu me entendo, a minha mãe já falava, meus avós já falava e são fatos que a gente ainda convive até hoje e sempre que muita coisa já mudou, mas a gente ainda continua vendo as dificuldades porque uma comunidade é de pouca estruturada de recursos, é humilde, os nossos pais no meu caso a minha mãe e meu pai já é falecido zela e conta ainda história dos nossos antepassados, principalmente, dela quando talvez não teve oportunidade para ser sincero, minha mãe tem quase 80 anos de idade e é analfabeta por causa que não teve condições ou não teve apoio para estudar, nem para se formar por causa da dificuldade que tínhamos no município, antes era mais fraco que hoje,  já que tem um pouco mais de facilidade devido a gente já tem mais a vontade de querer que nossos filhos aprendam e eu no meu caso tenho 3 filhas e o meu desejo é que elas sejam alguém aqui na Providência e alguém que eu falo eu falo como uma professora ou alguma coisa se não for na parte da educação mas que for na parte de cima uma coisa, mas que eu quero ter interesse que elas sejam alguém aqui na nossa comunidade e contribuir e elas possam de alguma forma contribuir para ajudar os outros também, ajudar aqueles que precisam também eu como pai sou um interessado me esforço no trabalho para ver essa coisa mas quando vejo a situação da comunidade já que a comunidade é carente, a gente vê que você luta você é um lutador você conhece praticamente acredito que todos os comentário pessoal da comunidade, com isso facilitaria com que essas famílias você tem visto a melhoria econômica e ascensão das pessoas você acha que há uma estação as pessoas permanecem na mesma situação não há investimento, a pobreza continua a mesma coisa que vejo a questão da pobreza ela ainda continua quase da mesma forma carência ainda grande de vida que a gente não tem investimento não tem projeto para agricultura que nossa comunidade não tem mais uma associação ou cooperativa voltada para agricultura, na verdade,  com certeza  uma discussão sobre isso quando a aceitação da comunidade quilombola . O que é se tornar um território quilombola é uma questão de aceitação e você não sabe as vantagens de não tá não sabe é vantagem eu acho que tem gente aqui que talvez não saiba nem o que significa ser quilombola eu acho que tem sim pessoas aqui que somente os mais antigos, porque eles não tiveram instrução não tiveram alguém para instruir para incentivar para dizer para formar uma associação. O que acontece se você não tem informação não sei se a forma de falar, mas correr um risco das pessoas como muitas acontece em outros lugares tem vergonha de ser negro  vergonha ser negra nesse país, pelo contrário, deveria ser motivo de orgulho de quem construiu esse país que sustenta esse país ainda é o negro  e acho que nós poderíamos estar fazendo para incentivar essa conscientização para nos organizarmos essa comunidade a receber recursos federais por partes por ser uma comunidade negra eu acredito que a gente deveria primeiramente se unir tem alguém interessado em alguém que venha para nosso comunidade interessado mostrar para nós aqui no caso nós negros da comunidade que isso é um gesto de grandeza para nós gesto de grandeza porque através de uma Associação como ser quilombola nós vamos conseguir unir a comunidade e elaborar projetos para receber mais recursos para nossa comunidade o que queira a gente precisa de recursos para nossa comunidade.  Expo Noivas em educação na melhor qualidade e eu acho que se vier no caso professora aqui tá mostrando essa visibilidade para as pessoas para os alunos para nós que vai tomar muito para nossa vida aqui na nossa Comunidade da Providência conversando convidando algumas pessoas não presidente  depois alguém que já teve esse benefício, trazer alguém aqui também para mostrar vai ser muito bom  para ouvir as pessoas que já conhecem conhecendo a gente pode se interessar ou não, com certeza  esse coletivo sim não tá do jeito que a gente quer , não que a gente precisa que a gente gostaria que tivesse.

Mas o que eu posso dizer que vamos dizer assim na minha família na minha casa posso ver que tá indo num gesto agradável, minhas filhas estão estudando eu já tenho já hoje já estou com uma filha fazendo faculdade começou daqui da Providência através dos nossos professores que vem, mas em nível de estado tá normal acho que em nível de município ainda falta melhorar muita coisa ainda que não tá do jeito que a gente gostaria que estivesse, uma comunidade que é praticamente um pouco atrasado de todos os lados tem uma duas três princesas de Alan 3 sala de aula e sala de aula improvisadas para tirar para professor se ela que era uma biblioteca inteira para computador 2 hoje é sala de aula não chega a ser 4 por 4 por 2 mais ou menos ali.

Eu como pai e como morador eu fico observando que muitos professores estão dando aula em salas inadequadas, sala da secretaria ou sala dos professores, tá sendo sala de aula hoje.  É verdade então ainda uma dificuldade muito grande muita gente tem muito que avançar e a gente espera que os nossos governantes tente olhar esse lado, que a gente é um lado carente também  melhorar mas nunca melhora,  mas os pais pessoa vê se manifestam não aqui ó eu até acredito que a nossa comunidade é uma comunidade calada e parada, aceita tudo  e não conversa com o professor e não percebe a situação e o cotidiano dos educadores se ele vai dar uma boa aula porque está nada não vai conseguir lá dentro daquela terrível sala do Professor, já que não existe a questão política também voltada para a questão política alguns têm medo e não tenta. E a gente não gostaria que fosse assim e gostaria que as coisas da se de uma forma que a gente pudesse  sorrir que as coisas fosse boa mas infelizmente não é gente ainda não pode sorrir a gente convive com as necessidades e com as dificuldade, mas se acomodar é pior se a gente não falar ninguém, o incentivo de ajuda vai ser muito bom para nós comunidade é porque o mais antigo aqui na nossa  dan dan dan vem para cá vai tomar o que é nosso Vamos acabar o medo que ficava ali hoje não porque a gente já tem mais alguma outra visão né casa de farinha coletivo a comunidade não tem um posto de saúde praticamente nenhuma igreja você só tem uma aqui não tem ajuda não tem praticamente nada mesmo não tenho trabalho voltado para comunidade melhoria e aí a gente convive com essas necessidades  muito bem obrigado  as atividades econômicas a comunidade aqui ela é lá que tipo de atividade econômica agricultura né vaga de trabalho autônomo e na verdade a gente não tem uma um trabalho mas só se ação voltado para agricultura familiar a gente não tem um trabalho voltado para dizer sim porque melhor e a nossa comunidade recursos financeiros são poucos e você sabe que hoje quem vive de agricultura trabalhando juntos por uma comunidade que não tem uma associação é um pouco difícil para organizar aí é muito difícil da maioria aqui trabalha de roça farinha de mandioca mandioca sobreviva uma família  relação à questão quatro aspectos desenvolvimento Estrada Caminhos  a gente já conseguiu uma estrada um ramal né mas que ainda é um ramal que dá muito medo para as pessoas devido muita dificuldade das ladeiras no inverno mas melhorou um pouco né melhorou um pouco e a gente já consegue trafegar consegue ver  mas ainda há muito o que se fazer tá precisando de muita coisa para fazer a nossa comunidade Jeová quais são as religiões que vocês têm que eu faço parte da Assembleia de Deus a maioria aqui da Previdência é da Assembleia de Deus tem uma minoria que é católico são as duas religião que quer que a outra aqui porque não entendeu Assembleia de Deus aqui na providência ela não tem não tem nenhuma base assim gravada na memória mas eu acho que ela tem aí jabuti Oi eu acho que já tem seus 40 anos 43 anos 40 anos de Assembleia de Deus né gente meus pais quando eu nasci linda não fazia parte da igreja a igreja já depois de um tempo que eu venho Tava grande que ele já entrou para igreja e aí continua até hoje né Bomba Patch cabana de ouvir falar por aqui  quantos quilômetros dá daqui até lá está aí tem vem logo vamos supor pra chegar no Hospital daqui a 10 km de Jataí daqui para beira da estrada das comunidades que tem daqui para lá  km 17 que eu não sei assim o nome dela né  imagem de comunidade do Monte Sinai é só essas duas que eu conheço qual o nome do rio que passa aí na frente ao enterro de lazer né além do rio aí tu acha que ainda vão colocar para juventude de lazer para a juventude  se joga no meu caso vamos supor assim na minha filha quando quer um lazer levar elas para um outro lugar né um passeio alguma coisa para conhecer Salinas Mosqueiro né ah tá legal Queria fazer mais alguma consideração que tu acha importante para nosso trabalho agora bigode fino e que são pessoas que tão interessado em ver um progresso na nossa comunidade em desenvolvimento a gente só tem agradecer né poxa eu que sou carente de várias coisas se eu agradeço e se um dia a gente conseguiu acredito que não sou eu mas minha família nós vamos ficar muito feliz e eu vou ser um vírus que está no meio para ajudar para tomar naquele que a gente fique for possível você com certeza beleza mas não é legal olha assim que a gente vai que vai