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sexta-feira, 5 de junho de 2026

Cumaru no Dia Mundial do Meio ambiente

 


Viva o Dia Mundial do Meio Ambiente!




Hoje é  o Dia Mundial do Meio ambiente 

Dia considerado marcante 

É o chão que pisamos e ser prudente 

É o igarapé que é importante 





É a floresta do nosso povo

Que vem a medicina popular 

Com plantação de novo

Onde residimos e fazemos nosso lar





Na Vila de Cumaru se aprende 

Se derrubar, falta a alimentação  

Se mata o igarapé, não atende

Depende do homem e sua ação 


No meio ambiente e seu dia mundial 

Comemora-se com felicidade 

Nesta data primordial 

Alegria e sorrisos com intensidade 


Momento crucial 

Que vem com vigor

É na roça neste dia especial 

Combativa destruição com rigor


É o mangue que vem

O domínio do igarapé 

Orienta nossa origem

Com roça no pontapé


Este chão é nosso mato  

Daí que vem o sustento.  

A queima é um fato 

Temos que ficar atento


Temos que natureza cuidar 

E plantar todo o tempo

O progresso cede lugar.  

Pra tirar sem ser contratempo


Deixa nossa mata em pé 

E o homem sustentar

Salvar nosso igarapé 

Vamos todos destruição divulgar


Esse é o nosso meio ambiente 

Que não se deixa apagar 

Com  ganância patente

Sem deixar de usar


Então respeita a terra nosso chão  

Respeita o ar, igarapé e o igapó.  

Sem meio ambiente com inspiração 

 Cumaru, não poderá terminar só.


Cumaru, Vigia de Nazaré, Pará,

05/06/2026  

Ribamar Oliveira

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Educação Ribeirinha


Durante muito tempo, populações do interior do país, especialmente no Estado do Pará, foram excluídas do acesso à educação. Essa exclusão se agravou no período da Ditadura Militar, quando os moradores de ilhas, rios, lagos, igarapés, furos e baias não eram prioridade das políticas públicas. Na Amazônia, os investimentos do governo federal concentraram-se nos grandes projetos, incluindo a construção de vilas com infraestrutura voltada ao atendimento do grande capital, que passou a ocupar esses espaços com apoio dos militares.

Este texto foi pensado a partir do período em que atuei como professor itinerante no Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME), percorrendo diferentes regiões do Estado do Pará. Considerado uma das mais importantes políticas públicas de inclusão educacional da Amazônia, o SOME foi implantado em 15 de abril de 1980 pela Fundação Educacional do Estado do Pará (FEP), inicialmente em quatro municípios: Curuçá, Nova Timboteua, Igarapé-Miri e Igarapé-Açu. Com os resultados positivos da experiência inicial, essa política pública expandiu-se por todo o território paraense como alternativa de acesso à educação para filhos de camponeses, quilombolas, ribeirinhos, assentados, indígenas e extrativistas, além de moradores de rios, igarapés, furos, estradas e ramais, que não tinham condições de se deslocar até as cidades ou sedes municipais onde havia ensino regular, sobretudo por limitações financeiras.


Ao longo de trinta anos de trajetória profissional como educador vinculado ao SOME, atuei em diversos municípios e localidades ribeirinhas, acumulando experiências e vivências marcantes. Passei por Terra Santa, Juruti, Aveiro, Almeirim, Sapucajuba (Abaetetuba), Maúba (Abaetetuba), Itacuruçá (Abaetetuba), Urubuéua Fátima (Abaetetuba) e Nova Providência (Bujaru), entre outros lugares onde desenvolvi minhas práticas educativas.


Com a promulgação da Lei nº 7.806, de 29 de abril de 2014, o SOME deixou de ser apenas um projeto e passou a ser reconhecido oficialmente como política pública educacional. Esse avanço foi resultado das articulações entre professores, o SINTEPP e o governo estadual da época. Embora a lei não atendesse integralmente às reivindicações da categoria, sua aprovação representou uma conquista importante para os professores.


Como sabemos, a oferta do ensino fundamental e médio no campo ainda ocorre em condições precárias, pois os investimentos que deveriam ser realizados pelos governos, em geral, não se concretizam. Na prática, muitos educadores continuam atuando em barracões, centros comunitários, igrejas e até debaixo de árvores, frequentemente sem carteiras e sem qualquer infraestrutura adequada. Diante dessa realidade, os professores buscam, com os recursos disponíveis, qualificar as atividades pedagógicas.