“Eu sou um intelectual que não tem medo de ser amoroso, eu amo as gentes e amo o mundo. E é porque amo as pessoas e amo o mundo, que eu brigo para que a justiça social se implante antes da caridade.”
Paulo Freire
Com a vitória nas eleições de 2006
do governo democrático e popular e durante o período de 2007 a 2010, sob a
gestão do Partido dos Trabalhadores e das Trabalhadoras (PT) no Executivo
Estadual, liderado pela governadora e Arquiteta Ana Júlia Carepa, o Sistema de
Organização Modular de Ensino - SOME foi administrado como uma política pública
pela Secretaria de Estado de Educação do Pará (SEDUC/PA). O SOME, que surgiu em
15 de abril de 1980, com a formação do primeiro circuito nesta importante
política pública através dos municípios de Curuçá, Nova Timboteua, Igarapé-Miri
e Igarapé-Açu tem por objetivo oferecer ensino médio, posteriormente ampliado
ao ensino fundamental, aos filhos de populações rurais como camponeses,
quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas e moradores de
assentamentos, ramais, estradas, furos, rios e igarapés do interior da Amazônia
paraense.
Até 2014, o SOME era considerado um
projeto educacional do Estado, em um primeiro momento experimental e depois
ampliando os municípios e localidades de funcionamento. A partir de abril desse
ano, com a promulgação da Lei 7.806/2014, passou a ser reconhecido como
política pública educacional de Estado, através de várias articulações
políticas entre a categoria dos educadores, governo tucano, SINTEPP e ALEPA.
Sua origem remonta a 1980, na extinta Fundação Educacional do Estado do Pará
(FEP), sendo incorporado à SEDUC/PA em 1982 pela Resolução 161/82. Em 2003, o
projeto pedagógico foi reformulado, resultando na alteração de sua
operacionalização e na adoção da sigla Grupo Ensino Médio Modular (GEEM) e um
dos maiores embates políticos entre os educadores e governo através da
Secretaria Estadual de Educação Rosa Cunha, vale ressaltar, que neste momento
192 profissionais saíram solicitando remoção para o ensino regular, inclusive
este Ribamar Oliveira, por não concordarmos com as medidas tomadas pelo governo
tucano, entre elas, a descentralização sendo entregue para as oligarquias
municipais e regionais; assim como a redução de quase 60% do salário, incluindo
a gratificação de deslocamento, perdas do material pedagógico, retirada das
passagens de aviões entre outras
situações consideradas prejudiciais para o processo de aprendizagem.
Durante a administração estadual
subsequente, sob o governo Simão Jatene e a condução da Secretária Rosa Cunha,
ocorreram mudanças estruturais que aproximaram o SOME das influências políticas
estaduais e municipais. Historicamente, o SOME esteve inserido em dinâmicas
políticas locais nas regiões do interior da Amazônia paraense o que prejudicava
bastante o andamento do calendário escolar, principalmente, quando a pessoa sem
a mínima condição de gerenciar administrativamente o lado pedagógico da
educação pública.
Com a posse do novo governo em 2007,
o SOME passou a ser gerenciado por uma pedagoga experiente, que formou uma
equipe digna e qualificada com o objetivo de recuperar a credibilidade do projeto
junto às comunidades atendidas no Estado.
Após estudos conduzidos pela Técnica
pedagógica e Professora Ester Silva, foi aprovada a mudança de nome do GEEM
para SOME – Sistema de Organização Modular de Ensino, conforme portaria 026/08.
Em 2010, o SOME estava presente em 96 municípios, 438 localidades e contava com
919 professores, destacando avanços significativos na gestão, com as implantações
de quase 200 localidades no governo democrático e popular do PT, com a
governadora Ana Júlia Carepa atendendo os processos encaminhados pelas
comunidades solicitando o ensino médio.
A estrutura do SOME é organizada em
quatro blocos de disciplinas chamados circuitos, ministrados por equipes
diferentes de professores em esquema de revezamento durante o ano letivo. Cada
bloco equivale a um módulo trabalhado por 50 dias letivos, com avaliações e
recuperação conforme o calendário autorizado, somando os 200 dias letivos obrigatórios.
Caso falte professor para alguma disciplina, há reposição por meio de um quinto
módulo, garantindo o cumprimento do ano escolar para os alunos matriculados no
SOME.
O SOME atende em média 30.000 alunos
por ano em diferentes regiões do Estado, garantindo o direito de acesso e
permanência na educação escolar conforme a legislação. Sua atuação é essencial
na Amazônia paraense, enquanto não há uma política pública regular que cubra as
demandas educacionais básicas em todo o Estado. Hoje, o SOME faz 46 anos de
existência, lutas, conquistas e resistências nos rincões do Estado do Pará.
Diante das demandas das populações
dos campos, ribeirinhas, quilombolas, indígenas, extrativistas, assentadas e
demais comunidades, é necessário envolver todos os níveis do sistema no SOME,
atribuindo responsabilidades claras para garantir a efetividade do processo
educativo. A Secretaria Estadual de Educação, que no momento não tem Coordenação
Geral do SOME, procura na medida do possível coordenar, apoiar e monitorar o
atendimento às demandas, além de elaborar relatórios e articular a formação através
da Educação do Campo e precisa de formação continuada dos docentes, com
especializações, mestrados e doutorados. Sem Coordenação, o SOME fica vinculado
ao ensino médio junto com professores e equipes diretivas, otimizar recursos
institucionais, estruturais e humanos para sustentar o funcionamento adequado da
maior política de inclusão social da Amazônia.
Em cada DRE, a diretora deve indicar um responsável para apoiar o SOME e os representantes das Escolas Sede. Esse responsável fará a ponte entre as demandas das escolas e auxiliará no planejamento e acompanhamento das atividades do SOME, garantindo unidade de ação nos circuitos criados.
Viva os 46 anos do SOME!