320 km separam Belém do Pará do
município de Afuá, sendo que a cidade mais próxima fica distante 84 km, que é
Macapá, capital do Estado do Amapá. Sua localização ao redor é toda de várzea,
propiciando uma visão panorâmica da cidade, no mínimo curiosa, principalmente
por parte de pessoas que a visitam pela primeira vez, haja vista ela ser cheia
de palafitas, inclusive, as suas ruas.
Tive a oportunidade
de trabalhar neste município em dois momentos: Um pelo Sistema de Organização
Modular de Ensino – SOME, no ano de 1989; e o
outro, através de formação de professores, em
1990, com o Centro de Treinamento de Recursos Humanos – CTRH, ambos pela
Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará - SEDUC.
Durante
o período que permaneci em Afuá, foi possível perceber alguns aspectos
interessantes: como a cidade é hospitaleira, e isso ficou visível pela recepção
que recebemos durante o período que ficamos por lá. Um sentimento excelente
pelo ar, com as matas verdes, em plena floresta amazônica. Isso é salutar, sem
contar, com a alimentação tipicamente cabocla, tendo como base o pescado e
mariscos, em especial, o camarão da água doce, juntamente, com o famoso açaí. A
tranquilidade, oferecida pela cidade, fazia com que levássemos uma vida
ribeirinha marajoara.
Na primeira vez que fui àquele
município, fiquei na Casa dos Professores e, depois, no hotel. Ressalto que,
naquele momento, a SEDUC bancava as passagens de avião até Macapá e, daí, para
a cidade de Afuá, ficava esperando a embarcação da Prefeitura. Como marinheiro
de primeira viagem, a travessia de Macapá para a “Veneza Marajoara” - já que
fica na mesorregião do Marajó - foi de madrugada, com ventos fortes e a maré
bastante agitada, principalmente na saída da capital do Amapá. A duração da
viagem foi de, aproximadamente, cinco horas, o que provocou muito enjoo e
cansaço. Chegamos por volta de cinco horas da manhã na cidade, o que, para mim,
era tudo novidade.
Como cidade ribeirinha, a vida
cotidiana dos moradores era peculiar com o tipo de vegetação que possuía, assim
como também a presença forte do comércio de palmito e da madeira. As belas
casas, construídas de madeira da região, vislumbravam um espaço alegre e
produtivo. Às vezes, eu ficava adorando as janelas dessas casas, feitas por
quem realmente entende, traduzindo em arte, como eram feitas, realçando com as
belas venezianas.
Quando trabalhei no Sistema de
Organização Modular de Ensino – SOME, essa política pública que atende o ensino
médio nos interiores do Estado do Pará funcionava, apenas, na cidade, depois se
expandiu para várias localidades do município. Foram dois momentos prazerosos e
animados durante o período que passei pela “Veneza Marajoara”, os quais possibilitaram
ampliar minhas experiências e conhecimentos.
Texto: Ribamar Oliveira
Revisão textual: Carlos Prestes