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segunda-feira, 9 de maio de 2011

UM TRIBUTO A LUIZ GONZAGA

                                                                          Valdivino Cunha da Silva*


A idéia era a principio, prestar um tributo a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, mas, vou ater-me por enquanto a fazer uma leitura da música que no meu entender, conta a história, não apenas do velho Lua, mas também a história de muitos retirantes, da religiosidade, do cotidiano familiar e dos costumes nordestinos. A música, Respeita Januário, é uma mini biografia. Conta a música que ele (Luiz Gonzaga) saiu de casa aos dezoito anos incompletos, depois que ele meteu-se a besta(a valente) e quis matar um homem(e se lascou, como ele mesmo diz - se deu mal) que mais tarde viria ser seu sogro. E por esse motivo segundo ele, que pegou a “maior surra do mundo”, de sua mãe, Januária e por isso meteu-se “no oco do mundo”, arribou-se mundo a fora (foi embora de Exu, cidadezinha pernambucana, com destino ao Rio de Janeiro). Foi servir nas forças armados, dezoito anos incompletos, década de 30. Ficou famoso e como todo bom nordestino, sentiu saudade da terra amada e voltou.

Ao chegar, numa madrugada sertaneja, ainda sem iluminação por aquelas bandas, observou os detalhes da casa e tudo lhe parecia como dantes (como há 16 anos), exceto os moleques que já eram aos montes, “meninos como diabos,”, meninos que ele não conhecia (irmãos).

Antes, quis pregar uma surpresa ao seu pai, o Velho Januário, sanfoneiro da Sanfona de oito baixos, com quem ele aprendeu o ofício e tocou como ninguém, pois “.....de Taboca a Rancharia, de Salagueiro a Bodocó, Januário era o melhor

Chegando em casa gritou:

-Oi de casa!, Oi de casa!

Qual quê, ninguém respondeu.

Lembrou-se de que para aquelas bandas do nordeste alguém só respondia, se ouvisse um prefixo(como uma senha). Ele de fora disse:

- “Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Se pai, de dentro, respondeu:

- “ Para sempre seja Deus louvado”( estava estabelecido o canal de comunicação, eram do bem)

Disse ao pai que tinha algo a dizer-lhe, que vinha do Rio de Janeiro e que tinha uma coisinha a dá-lhe ( um dinheirinho, uns réis) a mando de Gonzaga, seu filho. Pediu que trouxesse um copo d’agua e ficou a observá-lo pela greta (fresta da janela). Ouviu o barulho no fundo do pote(objeto artesanal que armazena água pra beber, muito comum no nordeste, já que não havia geladeira) que fez tibungo. Quando na vinda, Januário trazia na mão um candeeiro(um objeto que funciona como luminária movida a querosene). Ao chegar, levantou o candeeiro prá ver melhor quem era. Nesse levantar de candeeiros, levantou também os braços e Luiz Gonzaga sentiu aquele cheiro (que ele chama de seu), aquele cheiro(inhaca) de pessoas que não usam desodorante anti-transpirante.

Depois do reconhecimento, ainda de madrugada, ele gritou:

-Santana, Gonzaga chegou!

E ela respondeu:

- Viva a Deus

E a meninada gritou:

- Eiiiiiiii

No dia seguinte a casa estava lotada para rever o ilustre e agora famoso Luiz Gonzaga. Ele querendo se mostrar, pegou a sanfona e começou a tocar, como que desafiando seu velho pai e querendo zombar dele. Do outro lado, Raimndo Jacó, seu primo, percebendo o entusiasmo do calouro Luiz Gonzaga, falou(meio zangado) com propriedade de quem sabe quem é quem numa sanfona de oito baixos:

-Luiz, respeita Januário moleque!

Luiz Gonzaga quando era pequeno era conhecido como Luiz de Januário, ou seja, antes do filho, tinha o pai

A música Respeita Januário, foi uma homenagem que Gonzaga Fez ao seu velho pai, que foi o responsável pela inclinação do “negrinho fiota” . Há 22 anos Luiz Gonzaga partiu para sempre mas deixou um belo legado para aqueles que amam a boa música de raiz. Se o céu existir, ele deve está embalando as boas almas dedilhando uma sanfona com seu gibão e chapéu de couro. Quem se interessar pelo endereço do maior sanfoneiro nordestino de todos os tempos é só anotar: céu



Segue a letra da música aqui comentada:



Respeita Januário - Luiz Gonzaga



Quando eu voltei lá no sertão

Eu quis mangar de Januário

Com meu fole prateado.



Só de baixo cento e vinte

Botão preto bem juntinho

Como Nêgo empareado



Mas antes de fazer bonito

De passagem por granito

Foram logo me dizendo



De Itaboca a Rancharia

De Salgueiro a Bodocó

Januário é o maior (é o maior)



E foi aí que me falou meio zangado o véi Jacó



Luiz, respeita Januário

Luiz, respeita Januário

Luiz, tu pode ser famoso

Mas teu pai é mais tinhoso

E com ele ninguém vai Luiz, Luiz

Respeita os oito baixos do teu pai


  *Sociólogo e Educador do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME/SEDUC.Pa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

PROJETO MÚSICA NA ESCOLA

                                                                                        Ary Nemer e Vinícius Pacheco*

O projeto Música na Escola, que foi executado na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio “Palmira Gabriel”, localizado na Rodovia Augusto Montenegro, em Icoaraci, periferia de Belém, foi idealizado pelos professores da escola: Carmem, de Geografia; Mônica, de Matemática; Selma, de Língua Portuguesa; Ribamar de Oliveira, de História e Estudos Amazônicos e Ary Nemer e Vinícius Pacheco de Artes; com apoio da Direção da Escola. Iniciado em setembro de 2004, para depois ser retomado em 2005.

Com o objetivo de levar aos alunos da escola a oportunidade do contato direto com a prática musical, pois, através dela, o aluno desenvolveu sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas artísticas produzidas por eles, pelos colegas e nas diferentes culturas.

O projeto abrangeu duas modalidades musicais: Canto Coral e Flauta Doce. Ficando o Canto Coral sob a responsabilidade das professoras Selma e Mônica e Flauta Doce com os professores Ary e Vinícius; ficando os professores Carmem e Ribamar responsáveis pelo apoio técnico.

Com relação à oficina de Flauta Doce, foram selecionados 20 alunos das 5ª séries do ensino fundamental, dos quais, 15 ficaram até o final, as aulas eram ministradas as terças e quintas, das 17h30min às 18h15min. As Flautas foram compradas pela escola e doadas aos alunos. O curso seguiu a seguinte metodologia: Conhecimento do instrumento, posição de segurar o instrumento, respiração, posição de notas, exercícios rítmicos e melódicos e ensaio do repertório que culminaram na execução de duas músicas (Jingle Bells e Anjos descem a Cantar), juntamente com a apresentação dos alunos de Canto Coral no dia 17 de dezembro de 2004.

Como falamos no início, a intenção era continuar o projeto durante o ano de 2005. Sendo que, para tal, precisaríamos de apoio da Secretaria Estadual de Educação, pois, para que o mesmo alcançasse seus objetivos, além de recursos financeiros, é necessário disponibilidade de tempo por parte dos professores envolvidos, o que acarretaria um retorno, em forma de carga horária para os mesmos. Fato esse que foi levado ao conhecimento da Gestora 13 ao qual pertence a escola, mas que, segunda a Gestora, a SEDUC não teria como atender a nossa solicitação. O que inviabilizou a continuidade do projeto até o presente momento

                                                                           * Professores de Artes da SEDUC          

domingo, 28 de novembro de 2010

A MÚSICA NAS MISSÕES JESUÍTICAS



O tipo de música praticada entre os "índios" guaranis antes da chegada dos missionários não é bem conhecido por nós, mas acredita-se que era diferente em cada tribo com variações quanto ao uso a rituais e instrumentos utilizados, como ainda podes ser percebido, hoje em dia, no interior do Brasil e em suas fronteiras Oeste, Noroeste e Norte. O que se sabe, entretanto, é que para os "índios" a música possibilitava um elo com as forças mágicas da natureza.

Ao chegarem ao Brasil, com a finalidade de difundir a doutrina cristã, os missionários perceberam a sensibilidade e o interesse dos nativos pela música e, por este motivo, passaram a traduzir seus cânticos para a língua original, com o objetivo de atraí-los e tirá-los de uma condição que consideravam bárbara. Assim, a música era utilizada sempre nas festas e práticas religiosas e, uma vez que os primeiros homens demonstravam maior interesse por estas práticas do que pelas palavras dos jesuítas, estes procuravam realizá-las frequentemente, utilizando a música européia como forma de transmitir-lhes sua cultura, tirando-os da condição de ignorância em que acreditavam  encontrarem-se.

Os primeiros homens eram ensinados a construir instrumentos e a utilizá-los, no que se mostravam bastante talentosos. Preiss(1988) cita-os também como excelentes compositores, do que a maioria dos autores discorda, considerando-os apenas capazes de imitar perfeitamente, mas incapazes de compor músicas próprias e até mesmo, sem nenhuma habilidade criadora. É comprensível que, estimulados a tocar músicas de padrões bastante diferente dos originários de sua cultura, os primeiros homens não demonstrassem a mesma facilidade que demonstrariam para criar músicas dentro do estilo de sua cultura. A discriminação por parte de vários autores em relação à arte indígena fica evidente nas obras onde esta é estudada e considerada presente apenas a partir do momento da chegada dos missionários.