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quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Vinil









Mesmo com a evolução da tecnologia, onde passamos pelo Vinil, K-7, CD, Cartão de Memória, Mp 3, Mp 4, entre outros equipamentos que se podem ouvir músicas, não deixo de apreciar o primeiro que surgiu na década de 40, do século passado, o LP ou disco de vinil que é uma reprodução musical, de material plástico sendo de cor preta, onde registra informações de áudio, tornando-se uma relíquia histórica. Que pode ser tocado pelo toca disco.



Por ser uma raridade no mercado atual, devemos ter o máximo de cuidado pelo fato da poeira ser um elemento que pode prejudicar os discos, assim gradativamente destruindo a agulha.



Como audiófilo de finais de semanas, sempre estou comprando ou recebendo de amigos, principalmente das décadas de 60 e 70.

domingo, 9 de outubro de 2011

Senhora de Toda Hora

                                                                 
                                                                                    Manoel Valente *


Salve Maria de Nazaré!
O povo aclama com muita fé.
Nossa Senhora de Toda Hora
Que Deus te ouça por tanta fé.

És protetora, companheira, mãe amiga.
Sempre a nos dar guarida e, também, nos socorrer.
Seja romeiro, devoto ou descrente.
Abençoas tanta gente, mesmo sem te recorrer.

Também na corda que nos une desde cedo,
Que envolve dor e medo, calma e disposição,
A multidão se consome na fadiga
E canta agradecida pela tua intercessão.


      * manoelvalente@bol.com.br

segunda-feira, 9 de maio de 2011

UM TRIBUTO A LUIZ GONZAGA

                                                                          Valdivino Cunha da Silva*


A idéia era a principio, prestar um tributo a Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, mas, vou ater-me por enquanto a fazer uma leitura da música que no meu entender, conta a história, não apenas do velho Lua, mas também a história de muitos retirantes, da religiosidade, do cotidiano familiar e dos costumes nordestinos. A música, Respeita Januário, é uma mini biografia. Conta a música que ele (Luiz Gonzaga) saiu de casa aos dezoito anos incompletos, depois que ele meteu-se a besta(a valente) e quis matar um homem(e se lascou, como ele mesmo diz - se deu mal) que mais tarde viria ser seu sogro. E por esse motivo segundo ele, que pegou a “maior surra do mundo”, de sua mãe, Januária e por isso meteu-se “no oco do mundo”, arribou-se mundo a fora (foi embora de Exu, cidadezinha pernambucana, com destino ao Rio de Janeiro). Foi servir nas forças armados, dezoito anos incompletos, década de 30. Ficou famoso e como todo bom nordestino, sentiu saudade da terra amada e voltou.

Ao chegar, numa madrugada sertaneja, ainda sem iluminação por aquelas bandas, observou os detalhes da casa e tudo lhe parecia como dantes (como há 16 anos), exceto os moleques que já eram aos montes, “meninos como diabos,”, meninos que ele não conhecia (irmãos).

Antes, quis pregar uma surpresa ao seu pai, o Velho Januário, sanfoneiro da Sanfona de oito baixos, com quem ele aprendeu o ofício e tocou como ninguém, pois “.....de Taboca a Rancharia, de Salagueiro a Bodocó, Januário era o melhor

Chegando em casa gritou:

-Oi de casa!, Oi de casa!

Qual quê, ninguém respondeu.

Lembrou-se de que para aquelas bandas do nordeste alguém só respondia, se ouvisse um prefixo(como uma senha). Ele de fora disse:

- “Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo! Se pai, de dentro, respondeu:

- “ Para sempre seja Deus louvado”( estava estabelecido o canal de comunicação, eram do bem)

Disse ao pai que tinha algo a dizer-lhe, que vinha do Rio de Janeiro e que tinha uma coisinha a dá-lhe ( um dinheirinho, uns réis) a mando de Gonzaga, seu filho. Pediu que trouxesse um copo d’agua e ficou a observá-lo pela greta (fresta da janela). Ouviu o barulho no fundo do pote(objeto artesanal que armazena água pra beber, muito comum no nordeste, já que não havia geladeira) que fez tibungo. Quando na vinda, Januário trazia na mão um candeeiro(um objeto que funciona como luminária movida a querosene). Ao chegar, levantou o candeeiro prá ver melhor quem era. Nesse levantar de candeeiros, levantou também os braços e Luiz Gonzaga sentiu aquele cheiro (que ele chama de seu), aquele cheiro(inhaca) de pessoas que não usam desodorante anti-transpirante.

Depois do reconhecimento, ainda de madrugada, ele gritou:

-Santana, Gonzaga chegou!

E ela respondeu:

- Viva a Deus

E a meninada gritou:

- Eiiiiiiii

No dia seguinte a casa estava lotada para rever o ilustre e agora famoso Luiz Gonzaga. Ele querendo se mostrar, pegou a sanfona e começou a tocar, como que desafiando seu velho pai e querendo zombar dele. Do outro lado, Raimndo Jacó, seu primo, percebendo o entusiasmo do calouro Luiz Gonzaga, falou(meio zangado) com propriedade de quem sabe quem é quem numa sanfona de oito baixos:

-Luiz, respeita Januário moleque!

Luiz Gonzaga quando era pequeno era conhecido como Luiz de Januário, ou seja, antes do filho, tinha o pai

A música Respeita Januário, foi uma homenagem que Gonzaga Fez ao seu velho pai, que foi o responsável pela inclinação do “negrinho fiota” . Há 22 anos Luiz Gonzaga partiu para sempre mas deixou um belo legado para aqueles que amam a boa música de raiz. Se o céu existir, ele deve está embalando as boas almas dedilhando uma sanfona com seu gibão e chapéu de couro. Quem se interessar pelo endereço do maior sanfoneiro nordestino de todos os tempos é só anotar: céu



Segue a letra da música aqui comentada:



Respeita Januário - Luiz Gonzaga



Quando eu voltei lá no sertão

Eu quis mangar de Januário

Com meu fole prateado.



Só de baixo cento e vinte

Botão preto bem juntinho

Como Nêgo empareado



Mas antes de fazer bonito

De passagem por granito

Foram logo me dizendo



De Itaboca a Rancharia

De Salgueiro a Bodocó

Januário é o maior (é o maior)



E foi aí que me falou meio zangado o véi Jacó



Luiz, respeita Januário

Luiz, respeita Januário

Luiz, tu pode ser famoso

Mas teu pai é mais tinhoso

E com ele ninguém vai Luiz, Luiz

Respeita os oito baixos do teu pai


  *Sociólogo e Educador do Sistema de Organização Modular de Ensino - SOME/SEDUC.Pa.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

PROJETO MÚSICA NA ESCOLA

                                                                                        Ary Nemer e Vinícius Pacheco*

O projeto Música na Escola, que foi executado na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio “Palmira Gabriel”, localizado na Rodovia Augusto Montenegro, em Icoaraci, periferia de Belém, foi idealizado pelos professores da escola: Carmem, de Geografia; Mônica, de Matemática; Selma, de Língua Portuguesa; Ribamar de Oliveira, de História e Estudos Amazônicos e Ary Nemer e Vinícius Pacheco de Artes; com apoio da Direção da Escola. Iniciado em setembro de 2004, para depois ser retomado em 2005.

Com o objetivo de levar aos alunos da escola a oportunidade do contato direto com a prática musical, pois, através dela, o aluno desenvolveu sua sensibilidade, percepção e imaginação, tanto ao realizar formas artísticas quanto na ação de apreciar e conhecer as formas artísticas produzidas por eles, pelos colegas e nas diferentes culturas.

O projeto abrangeu duas modalidades musicais: Canto Coral e Flauta Doce. Ficando o Canto Coral sob a responsabilidade das professoras Selma e Mônica e Flauta Doce com os professores Ary e Vinícius; ficando os professores Carmem e Ribamar responsáveis pelo apoio técnico.

Com relação à oficina de Flauta Doce, foram selecionados 20 alunos das 5ª séries do ensino fundamental, dos quais, 15 ficaram até o final, as aulas eram ministradas as terças e quintas, das 17h30min às 18h15min. As Flautas foram compradas pela escola e doadas aos alunos. O curso seguiu a seguinte metodologia: Conhecimento do instrumento, posição de segurar o instrumento, respiração, posição de notas, exercícios rítmicos e melódicos e ensaio do repertório que culminaram na execução de duas músicas (Jingle Bells e Anjos descem a Cantar), juntamente com a apresentação dos alunos de Canto Coral no dia 17 de dezembro de 2004.

Como falamos no início, a intenção era continuar o projeto durante o ano de 2005. Sendo que, para tal, precisaríamos de apoio da Secretaria Estadual de Educação, pois, para que o mesmo alcançasse seus objetivos, além de recursos financeiros, é necessário disponibilidade de tempo por parte dos professores envolvidos, o que acarretaria um retorno, em forma de carga horária para os mesmos. Fato esse que foi levado ao conhecimento da Gestora 13 ao qual pertence a escola, mas que, segunda a Gestora, a SEDUC não teria como atender a nossa solicitação. O que inviabilizou a continuidade do projeto até o presente momento

                                                                           * Professores de Artes da SEDUC          

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A LINGUAGEM MUSICAL


Claro que para início de conversa, nós estamos diante de formas de conhecimentos tão diversas como indicadas. Portanto, vejamos, por parte, o que se pode especular acerca da linguagem e da música e, ao final, de que formas realiza-se esta união.

Logo, podemos afirmar que a essência humana é uma espécie de linguagem, já que o DNA (Substância universal portadora do código genético), sendo o compartimento armazenador da informação da vida, é, logicamente, uma linguagem. Percebe-se que não basta o uso da palavra oral e/ou escrita para que haja comunicação. Aquela seria uma linguagem verbal e coexistente a ela, as linguagens não-verbais, tão importantes para a vida como a palavra. O condicionamento histórico levou-nos a crer que as únicas formas de conhecimentos seriam veiculadas pela língua na sua manifestação como linguagem, verbal, oral e/ou escrita. Isto é um ledo engano, pois existe uma gama incrivelmente intricada de formas sociais de comunicação das quais a língua é uma delas.É tão significativa quanto a língua, a música existe como meio de comunicação, constituindo-se assim como linguagem.

O interessante é que a música enquanto organização sonora teria surgido com o próprio aparecimento do homem. Antes mesmo de nascer, ainda no útero materno, a criança já toma contato com um dos elementos fundamentais da música, que é o rítmo, através das pulsações do coração da mãe. Para o homem primitivo a música tem um papel derradeiro. Ele não canta somente no culto, para chamar os espíritos (a almas dos mortos), mas também canta o tamborila em si próprio, para saudar alguém, formular um agradecimento, zombar de outra pessoa, caçar um animal ou atiçar fogo.

Sem dúvida, podemos crer que a música é linguagem e como tal deve ser um código organizado de modo que possa ser compartilhado socialmente. E, dessa forma, para tanto, os sons que são a matéria, o objeto da música, devem apresentar características universais, tais como timbre, intensidade e altura,caso contrário poderão vir a ser simples ruídos. Além do mais, para constituirem-se como música acabada devem apresentar uma linha melódica capaz de caracterizar tal música como única e capaz de ser reproduzida sempre que desejável, harmonizada de quantos sons simultâneos caibam na sua execução.

Devemos seguir, em relação à música, o mesmo processo de desenvolvimento que adotamos quanto à linguagem falada, ou seja, devemos expor o educando à linguagem musical e dialogar como ele sobre e por meio da música. Como acontece com a linguagem, cada civilização, cada grupo social, tem sua expressão própria.

O educador antes de transmitir sua própria  cultura musical, deve pesquisar o universo musical a que o educando pertence, e encorajar atividades relacionadas com a descoberta e com a criação de novas formas de expressão através da música.

O importante destacar que devido a este similar mecanismo entre linguagem falada e musical é fácil observar que a união letra e música suave sempre é oportuno. Não devemos esquecer que nos saraus medievais o poema só era recitado ao som de liras e alaúdes. Esta secular atividade não é a toa, visto que a soma dos dois elementos é a poesia, que vem a ser o núcleo residual de todas suas qualidades e posta em um tecido textual alcança mesmo a musicalidade, musicalidade poética. E é como poesia, como arte, conhecimento sociocultural que a música deve ser entendida.              

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A MÚSICA DO MOVIMENTO SEM TERRA



Sem dúvidas, as músicas criadas para difundir os ideais de um dos maiores movimentos sociais do mundo, que é o Movimento Sem Terra, parecem questionar claramente alguns dos valores de nossa sociedade, pregando não apenas a Reforma Agrária , finalidade principal do movimento, demonstrada na canção “Bandeira da Vitória” de Tavares, mas também o fim da desigualdade, da pobreza, da fome, e da utilização do país para servir a interesses estrangeiros, como podemos observar na canção “Novo Amanhecer”, de Marcos e Adilson Monteiro, extraídas do livro “Sem Terra” – As músicas do MST, organizado pelo movimento com o apoio da Prefeitura de Porto Alegre.



Na música “Bandeira da Vitória”, o autor chama atenção para as dificuldades implicadas nas lutas do movimento e a conseqüentemente necessidade da união e fé entre os participantes para que a história possa ser modificada, bem como a importância de um engajamento onde o amor e fé estejam incluídos, como trata a letra: ” ( ...) Companheirada, uniremos nossas forças com amor, muita fé e sem preguiça(...)” .



Na letra “Novo amanhecer”, os autores falam sobre o cotidiano de fome, luta e trabalho do povo, trabalho este explorado pelos detentores do poder econômico e político, que acusam de serem indiferentes às dificuldades mencionadas. Falam ainda do sentimento de serem desvalorizados por aqueles que não sabem o significado do trabalho árduo e que levam uma vida sem tantas dificuldades. Terminam enfocando a questão da exploração das riquezas brasileiras pelos estrangeiros e a conseqüente infelicidade gerada por todas estas dificuldades..



Também temos a música “Funeral de um lavrador” onde o latifúndio é questionado ao sufocar sonhos e a esperança de uma vida melhor do trabalhador rural.



A luta pela terra também é visível na hora da morte. Neste momento, é dado o direito de uso, no entanto, é tirado do cidadão o direito de ter a possibilidade do pedaço digno da terra. Assim falam os compositores: não é cova grande, mas cova medida.





domingo, 28 de novembro de 2010

A MÚSICA NAS MISSÕES JESUÍTICAS



O tipo de música praticada entre os "índios" guaranis antes da chegada dos missionários não é bem conhecido por nós, mas acredita-se que era diferente em cada tribo com variações quanto ao uso a rituais e instrumentos utilizados, como ainda podes ser percebido, hoje em dia, no interior do Brasil e em suas fronteiras Oeste, Noroeste e Norte. O que se sabe, entretanto, é que para os "índios" a música possibilitava um elo com as forças mágicas da natureza.

Ao chegarem ao Brasil, com a finalidade de difundir a doutrina cristã, os missionários perceberam a sensibilidade e o interesse dos nativos pela música e, por este motivo, passaram a traduzir seus cânticos para a língua original, com o objetivo de atraí-los e tirá-los de uma condição que consideravam bárbara. Assim, a música era utilizada sempre nas festas e práticas religiosas e, uma vez que os primeiros homens demonstravam maior interesse por estas práticas do que pelas palavras dos jesuítas, estes procuravam realizá-las frequentemente, utilizando a música européia como forma de transmitir-lhes sua cultura, tirando-os da condição de ignorância em que acreditavam  encontrarem-se.

Os primeiros homens eram ensinados a construir instrumentos e a utilizá-los, no que se mostravam bastante talentosos. Preiss(1988) cita-os também como excelentes compositores, do que a maioria dos autores discorda, considerando-os apenas capazes de imitar perfeitamente, mas incapazes de compor músicas próprias e até mesmo, sem nenhuma habilidade criadora. É comprensível que, estimulados a tocar músicas de padrões bastante diferente dos originários de sua cultura, os primeiros homens não demonstrassem a mesma facilidade que demonstrariam para criar músicas dentro do estilo de sua cultura. A discriminação por parte de vários autores em relação à arte indígena fica evidente nas obras onde esta é estudada e considerada presente apenas a partir do momento da chegada dos missionários.