Total de visualizações de página

Mostrando postagens com marcador Ponta de Terra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ponta de Terra. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 10 de junho de 2019

O SOME em Bujaru ( 2003 – 2018)





O presente texto tem como principal objetivo abordar aspectos importantes de um dos maiores projetos de inclusão social da Amazônia, que é o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, partindo da premissa que é a atividade que inaugura em termos de produção de texto, sendo bibliográfica e utilização da metodologia da história oral, com entrevistas orais e escrita, em um primeiro momento escrito para apresentação em reunião pedagógica entre os professores do Módulo antes do início do I módulo, lotados na EEEFM “D. Mário Vilas Boas”, escola sede do município de Bujaru, no ano de 2018.



A Avaliação Diagnóstica do Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME no estado do Pará, que é um relatório preliminar da pesquisa realizada pela Fundação Instituto para o Desenvolvimento da Amazônia – FIDESA deixa bem nítida a importância da pesquisa e o objetivo que foi “avaliar a estrutura e funcionamento do SOME e propor diretrizes para a melhoria qualitativa somente no que diz respeito ao ensino médio”. Para a pesquisa o SOME “visa garantir a oferta de ensino fundamental e médio aos alunos que moram em regiões em que não haja a oferta desses níveis no ensino regularmente pelo poder público” ( FIDESA -2003).



Dados levantados pela pesquisa junto ao Departamento do SOME, no ano de 2002, o projeto estava presente em 87 municípios da Amazônia paraense, distribuídos geograficamente em 47 sedes, 144 distritos e 191 localidades, sendo atendidos 22.338 alunos, com 591 professores. Importante levantarmos o questionamento quanto ao crescimento do SOME e a interiorização do ensino médio nas zonas rurais dos municípios do Estado do Pará.



O SOME que foi implantado pelo Governo do Estado do Pará, no ano de 1980, “Como proposta alternativa de atendimento de expansão do Ensino Médio presencial no Estado do Pará em resposta ao número elevado de alunos egressos do ensino fundamental sem atendimento escolar devido à carência de infraestrutura dos municípios impossibilitava a oferta do ensino médio”. (2003).



Para SEDUC, a efetivação do SOME que seriam implantados teriam que possuir as seguintes características, no ano de 2002, entre elas: Distância de centros urbanos e onde esta distância determine e impossibilidade de deslocamento de alunos para locais em que haja oferta de Ensino Médio; Demanda real e potencial reduzida, desaconselhando à construção de escolas de nível médio destinadas ao funcionamento de cursos regulares de ensino médio; clientela composta de pessoas de faixas de idade diversas e acima da faixa adequada para o Ensino Médio e grande carência de recursos humanos qualificados para a docência no Ensino Médio.




Com isso, a partir de 2003, tendo como uma das principais finalidades a expansão de oportunidades na área educacional, especifico no ensino médio, do Estado do Pará, a Secretaria de Educação do Estado do Pará – SEDUC, passou a oferecer o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, nas localidades do município de Bujaru, para os estudantes filhos de trabalhadores rurais, ribeirinhos e quilombolas. Ressalto que, os devidos critérios utilizados pela SEDUC como ferramenta de seleção para atendimento aos municípios demonstrava a precariedade da oferta de ensino médio regular no Estado do Pará, em virtude de vários fatores, entre eles, a dimensão territorial de nosso estado, que superava muitos países. Não podemos esquecer que nesse momento a Amazônia paraense recebe grande fluxo de pessoas, vindo de outros estados, principalmente os nordestinos, provocando a explosão demográfica; além dos níveis de desenvolvimento socioeconômicos das regiões do Pará ser muitas diferentes uma das outras. Portanto, grandes impactos contribuíram com a desestruturação e avanço do ensino médio regular na zona rural da Amazônia paraense. No caso do Brasil, isso, já estava sendo frisado por Rui Barbosa, no ano de 1882, com base no diagnóstico da realidade brasileira da época, em que denunciava a precariedade do ensino para o povo no Brasil (...) (1992).




O município de Bujaru quem vem de origens indígenas, quilombolas e ribeirinhos sendo que, os primeiros habitantes da região faziam os deslocamentos entre os rios Moju, Capim e Acará, com grande fluxo migratório, vai provocar a intensificação da cultura da cana de açúcar no século XIX, com a criação de vários engenhos pela região propicia que era. No rio Bujaru tinha os engenhos Itaporanga, São Luis, São Joaquim, Nazaré e Santa Ana e Cateanduba. Logo se deduz que tinha bastantes escravos, somados com os sitiantes que trabalhavam na produção d os engenhos.  Com o tempo e com o processo de transição e consolidação da República muitos dos engenhos foram abandonados nessa região, alguns antigos escravos receberam como recompensa, outros foram vendidos, mas o que podemos notar neste período é que foram se tornando agricultores, principalmente com a produção de milho, arroz, feijão, onde muitos continuaram caçando nas matas em grandes quantidades de caça do mato e pescando nos igarapés e rios, formando famílias e ocupando as antigas fazendas (2006).




Atualmente o município de Bujaru, de acordo com os dados estatísticos do Censo Demográfico do ano de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o estado do Pará possui uma área de extensão territorial de 1.247.950,003 km². Dentro deste espaço se encontra localizado o município de Bujaru, com um território de 990.399 km², que abriga uma população total de 28.016 habitantes, sendo que residem na região da zona rural do município seria de 9.385, correspondendo 53,3% de homens e 8.211 habitantes do sexo feminino, correspondendo 46,7%, dentre os quais podemos destacar os povos das águas e das florestas como: os quilombolas, os extrativistas, os agricultores familiares, os ribeirinhos, os pescadores dentre outros. O município possui 20.397 eleitores, correspondendo 72% da população total, sendo 10.003 do sexo feminino, correspondendo 49,04 eleitoras e 10.384 do sexo masculino, correspondendo 50.91 de eleitores (2018), localizado no nordeste do Estado do Pará (2018).




Com documentos cedidos para este artigo e sendo Diretora naquele momento da Escola Sede “D. Mário de Vilas Boas”, a Professora Iracema Heitor da Silva aborda que em 2001 houve a solicitação, conforme Ofício nº 069/2001, de 17 de maio de 2001, com assinaturas do Prefeito Miguel Bernardo da Costa, Secretaria Municipal de Educação Rosângela Maria Vasconcelos Gomes e ela, para implantação do Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, para o ensino médio, no município. E a exposição de motivos da implantação enviada para Secretaria Estadual de Educação, aos cuidados da responsável pelo projeto Professora Nádia Eliane Cortez Brasil, do Departamento do SOME, diz o seguinte, no primeiro parágrafo: ”A implantação do Projeto SOME em nível de ensino médio, faz-se necessário pelo fato de que nosso município conta hoje com um quadro de 7.310 alunos da rede municipal de ensino, sendo que 5.160 destes alunos se encontram na Zona Rural. A esse número soma-se ainda 79 alunos que pertencem ao quadro do Estado, são alunos que cursam o ensino médio e precisam deslocar-se todos os dias de suas casas, alguns saem 03h00min horas (Manhã) para apanhar o transporte escolar e chegar até a sede do município”. A exposição frisa também que em virtude do crescimento de alunos o transporte escolar já não contempla confortavelmente toda clientela atendida, proporcionando a superlotação dos ônibus e fazendo com que os alunos corram riscos diante de tal situação.




A Professora Iracema Heitor, enfatiza na entrevista, que com a implantação do SOME em Bujaru, em 2003, ficou o gerenciamento em um primeiro momento a Prefeitura Municipal, que só após o desmantelamento do SOME pela então Secretaria estadual de Educação Rosa Cunha, quando retirou 60% da gratificação de deslocamento, passagens de aviões, material didático, Convênio com municípios entre outros é que o SOME passou ser gerenciado pela Escola Sede, ou seja, só a partir do segundo semestre. Neste momento, saíram do SOME, 192 Professores, por não concordar com a política autoritária e nefasta para a educação do Estado, inclusive, minha pessoa. E, continua, o Ofício foi solicitando a implantação das localidades de Ponta de terra (24 alunos), Km 29 (Com 29 alunos), São Raimundo (60 alunos), São Sebastião (29 alunos), São Lopes (32 alunos), Santana (15 alunos) e Santa Maria (34 alunos). Mesmo com a solicitação de sete localidades, com números suficientes de demanda, a SEDUC só liberou dois polos que foram de São Raimundo e da Curva. As outras localidades foram sendo implantadas gradativamente, menos a Vila Santana e Santa Maria, que até o momento não foram liberadas. Os alunos de Santana se deslocam para o Km 29 para estudar. A informante ressalta através de documentos a solicitação para implantações do SOME no município e a importância da Casa dos Professores, para servir de base para muitos professores que se deslocavam de outros municípios ou da capital do Estado, Belém.




Segundo a ex Coordenadora, Simone Soares Sampaio, o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME em Bujaru foi implantado em 2003, em dois polos, na Curva e São Raimundo, funcionando só com primeiro ano e gradativamente foi aumentando as turmas e em 2005 completou as séries seguintes”. E Continua: “A partir de 2006 o número de polo aumentou, sendo implantado nas localidades de São Sebastião, São Lopes, Providência e Ponta de Terra, sendo iniciado na localidade de Traquateua em 2007 e no Km 20, que era chamado de Providência II, como se fosse à extensão do polo de Providência, já que o número de turmas era bastante pequeno”.



Para o Professor Valdivino Cunha da Silva sua história tem uma relação prazerosa com o SOME e com o município de Bujaru, pois concomitantemente foi lá que iniciou sua carreira profissional no magistério, como professor de Sociologia. O referido professor iniciou suas atividades docentes na localidade de São Raimundo. Segundo ele, as medidas para melhorias da educação no município, caso tivesse poderes, injetaria um maior volume de recursos financeiros, sendo que esse aporte de recursos seria aplicado no sentido de melhorar o exercício da docência, garantir a universalidade e a qualidade da merenda escolar. Melhoraria também a infraestrutura, incluindo a Casa dos Professores, das escolas e do transporte escolar. Faria um grande seminário com todos os seguimentos envolvidos com a educação de Bujaru para levantar e hierarquizar as demandas. O informante ressalta que o deixa orgulhoso por fazer parte dessa política pública inclusiva e feliz quando ver de vez em quando há alunos do SOME que são aprovados nos vestibulares. Segundo o Professor, isso comprova a importância do SOME para as localidades interiorizadas deste Pará, e faz dela uma das políticas pública mais inclusiva; assim como diante de ex-alunos do SOME que se tornaram professores, já que é sinal de que a semente vingou e deu frutos. (...) Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender (...) (2003).




Na localidade de Ponta de Terra O SOME foi extinto em 2013 em função do descompromisso da Direção da Escola D. Mário com a comunidade, já que desejava a não saída do SOME, prejudicando muitos alunos e alunas, já que com a implantação do regime regular o quadro de docentes não estava completo e sendo a maioria contratados diferente dos educadores do SOME, que são professores concursados e efetivos, sendo muitos possuindo especializações e mestrados. Um grande retrocesso e precariedade para a educação bujaruense, fazendo com que alguns alunos que tinham condições se deslocassem para Bujaru sede, o município de Santa Izabel e Belém.




Na época da implantação, o quadro de professores do SOME era completo, sendo um dos pioneiros o Professor de Espanhol e Língua Portuguesa Railson Fernandes Elmescany e a Professora Nazaré Laurido, de Língua Portuguesa. Segundo o Professor Railson, nos polos que tinha neste momento era São Raimundo e Curva e passaram dois professores que eram: Enock, de matemática e França de Geografia. E continua, neste período foram cortada 60% de gratificação dos professores, ficando dividida e o que fez com que os professores parassem de trabalhar nas duas localidades de funcionamento, sendo contratado para trabalhar no KM 29, Curva, com algumas turmas, sendo sua primeira localidade de trabalho pelo SOME, com as mesmas dificuldades que ainda temos hoje, como as Casa para Professores ficarem, já existia naquela época, para se ter ideia, nos dois primeiros anos que trabalhou na Curva, dormia numa maca, inclusive, algumas vezes quando retornava a noite das aulas, geralmente, encontrava sangue no corredor, provavelmente, D. Graça tinha feito algum curativo, neste momento era sujeito a aceitar essa situação até porque era novo e precisava trabalhar. O informante ressalta que em São Raimundo a Diretora era Conceição Vera e no Km 29, a Nilcelene. Railson, diz que, com a chegada do novo Prefeito Emanoel Muniz, solicita a ampliação a partir de 2005 e chegando novos professores, como Célia Machado, de Biologia; ele, Denis Heitor, de Matemática, João Wanzeller, de Matemática; Girvânia Mesquita, de Geografia. Na entrevista, realizada no dia 12 de maio de 2018, frisou um dado cômico de sua experiência no SOME nesses quinze anos, que aconteceu na localidade de São Raimundo, em 2003, naquele momento não tinha energia e trabalhava com a disciplina de Artes, sobre as atividades pedagógicas voltadas para lendas e mitos da região, e falava-se muito em Matin, Curupira e outras lendas. Quando foi numa certa noite, segundo o linguajar dos moradores, foi “amassado” pela Matinta Pereira e Matin, já que não conseguia falar, não conseguia se mexer e assim aconteceram outras vezes. Finalizando sua conversa, abordou que com a expansão, a partir de 2005, o SOME assume o fundamental em São Raimundo e Ponta de Terra e aumentando o número de alunos, assim como carga horária para os professores.




Nesses 15 anos de implantação do SOME no município de Bujaru, podemos observador que esta modalidade de ensino deu uma grande contribuição e desenvolvimento para o município.




Ressalto que com a ocorrência anotada em 2005, a Secretaria Estadual de Educação do Estado do Pará – SEDUC, através da portaria 064/05, definiu a classificação dos municípios e localidades pelas categorias A, B e C considerando o nível de dificuldade de acesso às localidades, nos termos estabelecidos pelo decreto nº 390/2003, 30%, 60% e 100%. Isso provoca desestruturação no quadro de professores na época, contribuindo com a descentralização do SOME, ficando sob responsabilidade das Unidades Regionais de Educação – URES e Escolas Sedes, tirando toda responsabilidade do Departamento do Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME que ficava na sede da Secretaria Estadual de Educação – SEDUC, em Belém do Pará. Logo as oligarquias municipais controlam a educação e em especial o SOME, sendo inclusive removidos professores com outros vínculos, que não era só do estado. Em 2003, foi o marco histórico pela descaracterização do SOME e da educação interiorizada na Amazônia paraense.




Através de muitas reivindicações e lutas da categoria dos professores, em 29 de abril de 2014, através da Lei nº  7.886, o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME foi estabelecido como Política Pública Educacional do Estado do Pará, no âmbito da Secretaria de Estado de Educação.




Em 2018, segundo a Coordenadora do SOME em Bujaru, Maria Eliete da Silva Mesquita, o POLO CURVA/ KM 29: 5 TURMAS ATIVAS, sendo  o 1º: 2, 2º: 1 e 3º: 2, com um quantitativo de alunos de 154; POLO SÃO LOPES: 3 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 1, 2º: 1 e o 3º: 1, com 60 alunos; POLO SÃO RAIMUNDO: 6 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 2, 2º: 2 e o 3º: 2, com um total de  189 alunos; POLO TRAQUATEUA: 3 TURMAS ATIVAS, 1º: 1, 2º: 1 e a 3º:1, com 82 alunos; POLO SÃO SEBASTIÃO:  4 TURMAS ATIVAS, 1º: 2, 2º: 1 e a 3º: 1; POLO PROVIDENCIA : 3 TURMAS ATIVAS, sendo 1º: 1, 2º: 1 e a 3º: 1, 47 alunos.



(...) A educação é política! Depois de descobrir que também é um político, o professor tem de se perguntar: “Que tipo de política estou fazendo em classe?” Ou seja: “Estou sendo um professor a favor de quem?”. Ao se perguntar a favor de quem está educando, o professor também deve perguntar contra quem está educando (2003). São 39 anos de SOME no estado Pará, desses, 15 anos no município de Bujaru.



Entrevistas:

Iracema Heitor da Silva

Maria Eliete da Silva Mesquita

Railson Fernandes Elmescany

Simone Sampaio

Valdivino Cunha da Silva


Bibliografia


Fundação Instituto Para o Desenvolvimento da Amazônia – FIDESA. Relatório Preliminar da Pesquisa: Avaliação Diagnóstica do Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME no Estado do Pará, 2003.

Freire, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Paz e Terra. 2003.

Freire, Paulo & Shor, Ira. Medo e Ousadia. Paz e Terra. 2003.

Oliveira, José Ribamar Lira e & outros (Org.). Contando a História e a Memória de Nova Providência. 2018.

Projeto Nova Cartografia Social da Amazônia. Quilombolas de Bujaru e Concórdia. Nº 11. 2006.

Soares, Magda. Linguagem e Escola. 9ª Edição. Editora Ática. 1992.

sábado, 22 de setembro de 2012

Tucanos desestruturam ensino no estado do Pará











Os alunos da Escola Estadual “Raimundo de Campos Lopes”, da Localidade de Ponta de Terra, no município de Bujaru, Pará, fizeram protesto para reivindicar a contratação de seus professores que estão trabalhando para o Estado, desde Março, sem contrato e sem salário. Nessa localidade, funcionava o Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME e nesse ano passou para a modalidade de ensino do regular, sem a mínima estrutura e organização. Vejam aí a situação em que se encontra o ensino, governado pelos tucanos(PSDB) no estado do Pará.

domingo, 15 de abril de 2012

Educação de qualidade ?

 Escola de Ponta de Terra sem alunos


A comunidade de Ponta de Terra (Igarapé-Açu), no município de Bujaru - PA está apreensiva em relação ao início do ano letivo de 2012 para os alunos de 5ª séries ao 3º ano que ainda não começou. Vejamos um breve histórico da educação neste município.

Até o ano de 2011, o projeto da Secretaria Estadual de Educação, Sistema de Organização Modular de Ensino – SOME, era o responsável pelo ensino na localidade que atendia quase vinte comunidades na escola-polo. Porém, este ano, por questões políticas, a Secretaria de Educação resolveu implantar a modalidade do ensino regular, retirando de vez o SOME, sem a menor explicação para os alunos e os pais dos próprios alunos. Sabemos, que de forma errada, já que a retirada de uma modalidade de ensino de forma gradativa é mais coerente à medida que vão compactando as turmas.

Temos recebido diversos e-mails e telefones dos membros da localidade de Ponta de Terra. Por conta dessas irregularidades, cometidas pelos órgãos públicos, inclusive, diversos alunos já estão sendo matriculados em outras localidades, como São Lopes, Curva e cidade de Bujaru, em virtude dessa situação, para quem pode; enquanto isso, um número significativo de estudantes fica sem estudar, não só pela distância geográfica, mas também pela distante educação de qualidade tão prometida pelo poder publico.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Dia Internacional da Mulher

O próximo dia 08 é uma data comemorativa, levando em consideração que é o Dia Internacional da Mulher. Fato Importante para o resgate histórico da mulher a nível mundial.



Mulheres jogando futebol - Ponta de Terra - PA. 



Quanto a nível político, a mulher avançou decisivamente, somente para ilustrar, no Brasil, Alzira Soriano foi à primeira mulher eleita no Rio Grande do Norte, em 1928, tornando-se a primeira prefeita da América do Sul. O destaque se consolida em 1932, com a promulgação do Código Eleitoral dando o direito do voto para as mulheres e com a Constituição de 1934 o suporte jurídico é reforçado. Marca histórica na sociedade brasileira.

                                             Quem disse que a mulher é frágil? - São Lopes - PA.



No aspecto profissional, hoje, segundo pesquisas, 60% das aprovações nos vestibulares correspondem à entrada do sexo feminino nos cursos superiores. Isto significa que as mulheres estão chegando às atividades profissionais que até algumas décadas atrás eram consideradas do sexo masculino.

                                          Destacam-se na intelectualidade - Ponta de Terra - PA.


Segundo a imprensa das oligarquias a violência contra as mulheres avança cada vez mais, no entanto, à medida que elas começam a tomar consciência dos seus direitos estão se organizando em diversos movimentos, sejam entidades, instituições e grupos de discussões.

                                                Educadoras fortalecendo a educação -Bujaru.PA.

                                               Mulheres fortes até na hora do lazer - Bujaru-PA.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ponta de Terra (Bujaru): História e Memória


Pesquisa realizada pelos alunos do ensino fundamental e médio da EEEFM "Raimundo de Campos Lopes”, durante o período do segundo módulo de 2011, na localidade de Ponta de Terra, no município de Bujarú, no Pará.



PONTA DE TERRA: História e Memória


Governo do Estado do Pará

Secretaria Estadual de Educação

Secretaria Adjunta de Ensino

Departamento de Ensino Médio e Ensino Profissional

Coordenação do Sistema de Organização Modular de Ensino

EEEFM “ Raimundo de Campos Lopes”

Diretor da Escola “D. Mário de Miranda Vilas Boas”:

Francisco Luiz Teixeira Cardoso

Coordenação do SOME:

Simone Sampaio

Técnicos:

José Luis Araújo

Engrácia Barbosa

Rosiléia Guimarães

Coordenação, Sistematização e Revisão Textual:

José Ribamar Lira de Oliveira – Historiador (SOME)

Valdivino Cunha da Silva – Sociólogo (SOME)



Alunos-Autores:

Adriene Campos Rodrigo

Aline Silva Mendonça

Amanda do Socorro Campos Marques

Amarildo da Cruz Rodrigues Junior

Apolinário Campos da Conceição Filho

Arilson da Silva Pereira

Arinelson Pereira Martins

Carmem Célia Rosário da Silva

Darlene Martins Santos

Daniela Fonseca dos Santos

Denilson Maciel Cruz

Diogo Gomes Menezes

Enoque Batista Conceição

Euder Sillas Barros Gomes

Ezequiel Santos Pereira

Franciel da Silva Pantoja

Giselly Pinto dos Santos

Izalena Silva

Izane Pereira da Silva

Jonilson Carvalho Oliveira

José Alexandre Batista dos Reis

José Nadir

Lena Cecília Machado da Silva

Luana Beatriz Craveiro Menezes

Luciene Galo dos Anjos

Lucilene Barros Gaia

Luana Gomes Silva

Lucileide dos Santos Ferreira

Maiane Silva de Oliveira

Manulia da Cruz Costa

Márcio Antônio dos Santos Abreu

Marivane da Cruz Costa

Marlene Batista da Silva

Milena da Cruz Costa

Noemia Gomes da Silva

Pâmela da Silva Cardoso

Simone Barros Martins

Tiago Santos Menezes

Robson Baia dos Santos

Rosilda da Silva dos Reis

Rubenilson Pereira da Silva

Rosicleia Conceição Batista

Zaíra Lessa



Dedicatória

Este trabalho é dedicado a todas as pessoas

que contribuíram para sua execução, sem

eles, este trabalho não teria se concretizado.

Não citarei nome, para não cometer lapso de

memória, mas dedicamos a todos os alunos

que se empenharam no sentido de coleta dos

dados, das entrevista e da pesquisa como um

todo. Dedicamos também a todos os

professores do SISTEMA MODULAR que

compuseram a equipe da qual fui um dos

membros. Dedico finalmente aos moradores,

notadamente os mais idosos que foram a

principal fonte de informação aqui levantadas.


AGRADECIMENTOS



A Secretaria Estadual de Educação – SEDUC, que através de meu trabalho enquanto docente da disciplina história, possibilitou que eu desenvolvesse esta atividade que vai além das quatro paredes da sala de aula na comunidade da Vila de São Raimundo enquanto desenvolvia minhas atividade de professor no IV Módulo/2011, para a elaboração deste importante instrumento pedagógico;

A Prefeitura Municipal de Bujaru que realizou convênio com a Secretaria Estadual de Educação proporcionando a mim e aos demais professores e alunos oportunidades de utilizar recursos metodológicos até então não utilizados na educação básica;

Aos funcionários da EEFM “Raimundo de Campos Lopes” que foram fundamentais nesse processo de construção do projeto; assim como a equipe do SOME, através dos professores: Adriana da Silva e Silva, Adriano Mesquita de Sousa e Lásaro Sebastião Gomes da Silva.

Somos gratos as diversas pessoas que contribuíram direta ou indiretamente para a construção desta Coletânea de Textos, produzidos pelos alunos;

Vista parcial de Ponta de Terra

Sem dúvida, sem os informantes, jamais teríamos fontes para o desenvolvimento e conclusão deste trabalho.


A comunidade de Ponta de Terra


A comunidade de Ponta de Terra, também conhecida como Igarapé-Açú, localiza-se a 13 km do município de Bujaru-Pa. Para chegar lá, utiliza-se a PA 140 entrando a altura do km 13 da rodovia, lado direito no sentido Bujaru-Tomé-Açú. Da entrada da PA até a comunidade a distancia é de aproximadamente 04 km.


A entrada da comunidade é marcada por um belo igarapé que dar nome a comunidade (Igarapé-Açú) que também é chamada de Ponta de Terra e em que pese o processo de degradação, ainda guarda resquícios de suas belezas naturais. Ele constitui uma rica fonte para os povos daquela comunidade e o utilizam para banho, lazer, agricultura, etc. Se o visitante levar sorte, ainda pode ser recebido pelos cantares de pássaros tipicamente amazônicos, que cantam e encantam a beiro dos igarapés daquela comunidade como se estivessem dando boas vinda a quem por lá passar.



Cada comunidade tem suas particularidades e a marca de ponta de terra é de ser uma comunidade acolhedora e festiva. Aliás, a festividade do Divino Espírito Santo, que ocorre naquela comunidade no mês de junho, é talvez a mais expressiva de todas do município, quer pelo número de participantes quer pela devoção que têm ao santo padroeiro. Na semana da festividade, não apenas a comunidade, mas até mesmo a cidade de Bujaru fica mais movimentada em função da festividade do Divino Espírito Santo.


HISTÓRICO DA ESCOLA


A Escola Estadual “Raimundo de Campos Lopes”, situada na zona rural do município de Bujaru – Pará, na comunidade de Ponta de Terra, foi fundada no ano de 2005, para atender a população da localidade situada e comunidades vizinhas, que se deslocavam do interior para a cidade, seja para continuar a estudar, pois muitas desses adolescentes e jovens , não freqüentavam a escola pelo difícil acesso para chegar a cidade.


A escola que tem sua estrutura de alvenaria, possui quatro salas de aulas, uma copa (cozinha), duas secretarias sendo uma funcionando como sala de aula, dois banheiros e uma área de recreação.

A referida instituição de ensino atende 410 alunos de mais de 20 comunidades vizinhas, distribuídos em três turnos, sendo manhã, tarde e noite, nas modalidades de 5ª série do ensino fundamental ao 3ª ano do ensino médio.




Dentro da programação do projeto pedagógico do SOME, foi realizada uma visita pedagógica com alunos da 8ª série de Ponta de Terra na Escola-sede, com a presença de 31 alunos. Na Escola “D. Mário” foram divididos dois grupos, um grupo ficou no Laboratório de Informática, com a coordenação do Professor Gilson Andrade, da Escola-sede e na Biblioteca ficou outro grupo sob a coordenação do Professor do SOME Valdivino Cunha, que foi convidado para participar da visita.




Nas aulas do Laboratório de Informática, muitos alunos que, ainda não tinham entrado em contato com o computador, o professor responsável deu uma visão geral e noções básicas da informática. Na Biblioteca, sob a coordenação do Professor Valdivino Cunha a outra equipe ficou responsável de pesquisar sobre os grandes projetos na Amazônia. Depois foi realizado o revezamento. Um dos objetivos da visita foi mostrar com que eles sintam que fazem parte da Escola, apesar de estudarem 22 km da escola-sede, “D. Mário”.



O Professor Valdivino Cunha frisou a importância dessas aulas pedagógicas como ferramentas de aprendizagem: “Existem diferentes formas de saberes. De uma forma ou de outras estamos sempre aprendendo e ensinando ao mesmo tempo, portanto, ninguém é perfeitamente sábio, que não venha sempre aprender algo, assim também como ninguém é puramente ignorantes que não venha ensinar um pouco”. É dessa forma dialógica que o projeto SOME- notadamente para aqueles que entendem que o aprender não se limita a uma sala de aula exclusivamente- está sempre buscando e ensinando novos saberes, muitos deles junto a própria comunidade, que aparentemente estaria apenas recebendo ensinamentos.




Nessas “visitas pedagógicas” muitas lições devem ser tiradas, uma delas é que pelos brilhos nos olhares e nos sorrisos estampados de cada aluno, percebe-se um quê de alegria. A visita na Escola “D. Mário Vilas Boas” foi importante porque possibilitou aos alunos o contato, muitos deles pela primeira vez, com o computador; possibilitou, também a quebra da rotina, a visita à Biblioteca, isso é aprendizagem, mais dinâmica e extrapola os limites da Escola”.




A escola é atendida pelo SOME- Sistema de Organização Modular de Ensino (SOME) que é uma modalidade de ensino alternativo e funciona em formula de módulo. Em cada módulo funciona em média com 07 professores por módulos, estabelecendo-se um rodízio de maneira que no final do ano todas as disciplinas da grade curricular tenha sido ministradas, tendo também 10 funcionários da escola que se dividem em três turnos, sendo dois coordenadores, cinco auxiliares de serviços gerais, dois vigias e um zelador.


Para a Professora Beatriz Costa de Brito, educadora na área de Sociologia, no SOME, “Trabalhar no Sistema de Organização Modular de Ensino é ótimo, me sinto muito bem com o trabalho que faço pelo contato constante que mantenho com outros municípios, outras comunidades, o que carrego de experiência vivida no ambiente de trabalho único”. E continua: “Não existe nenhum tipo de trabalho que se compare ao nosso no estado, por isso estou 17 anos trabalhando no interior do estado”.

Para a referida professora, “Em minhas aulas o que procuro fazer com mais intensidade, é incentivar os meus alunos a interpretar, a escrever e refletir sobre tudo o que possa explorar em sala de aula. E em torno disso fazer com que essa relação (Professor e Aluno) se aperfeiçoe, pelo respeito que o professor deve manter por eles e vice-versa”. E conclui: “Deixar minha família para trabalhar”, hoje já não é tão dramático, pois tenho a oportunidade de ver minha família toda semana, porém em tempos outrolas, já fiquei até três meses sem ver meus filhos e marido, o que provocou um transtorno muito grande em alguns momentos e meus filhos não demonstravam tanta afinidade comigo, como pelo pai, e isso é muito duro de resistir. “Só resistir pela minha grande convicção de que me adaptar de verdade como professor só no SOME”. Sem contar que “são muitas a dificuldades para chegar ao local de trabalho, ônibus, horários, enfrentar os ramais, as dores na costa de carregar malas e outras que qualquer pessoa moradora das localidades de Bujaru conhece melhor que eu”.



PROFESSORES FALAM SOBRE A DOCÊNCIA


Já a Professora de Filosofia, Adriana da Silva e Silva “trabalhar no SOME é uma experiência maravilhosa, gratificante, me identifica com o trabalho e com as comunidades”. E frisa: “São várias as dificuldades para chegar às escolas do interior de Bujaru ramais ruins, perigosos por andar sozinha, na maioria das vezes”. E continua: “O que me incentivou para ser professora foi que na minha família somos quase todas as professoras, sempre gostei de brincar de professora, aos 18 anos terminei a formação de professora que era o antigo magistério, desde então não fiz outra coisa”. Para ela: “Deixar minha família na cidade para trabalhar no interior essa é a parte mais difícil, deixar a família, como tenho uma filha de 07 anos sofro muito, quando estou em lugares distantes, quando ela ou meu pai adoecem é a hora que sofro mais (...) mas o momento mais dolorido é quando eu saio de casa e ela pergunta: Mãe tu volta hoje? Que horas tu chegas? Porém essa compreensão só é possível quando chego e resolvo a situação”.

GEOGRAFIA DAS COMUNIDADES DO MUNICÍPIO DE BUJARU.

A partir de Bujaru, na PA – 140, km -13 passaram a surgir várias comunidades, a primeira Vila é a de Bacuri. Nessa Vila a população atual é de 200 pessoas. O nome dessa comunidade significa bacuri, porque quando a primeiras famílias habitaram este terreno havia uma grande plantação de bacuri. Hoje só resta o nome, porque as pessoas acabaram com a plantação, para assim conseguir construir suas casas.

A segunda comunidade é denominada de Mangueirão. Essa comunidade foi fundada na década de 20. Hoje possui uma população de aproximadamente de 325 habitantes, sendo conhecida como Mangueirão porque desde que foi fundada até os dias atuais a espécie de árvore nativa são as mangueiras.

A terceira comunidade é a de Ponta de Terra. A maior comunidade que dá acesso a todas outras comunidades. Com a população de 700 habitantes atuais, essa comunidade é conhecida como Ponta de Terra porque a primeira família ao chegar aqui, foi a de dona Maria dos Reis Lessa e seu esposo José Lessa, que por terem a maior área de terra colocaram o nome de seu sitio de Ponta de Terra, que prevalece até os dias atuais.

A quarta comunidade é a Vila de Vilage. Com uma população atual de 150 habitantes, o nome Vilage foi dado ao terreno de dona Maria José que tinha um dos maiores terrenos. Porque não tinha uma determinada vila, apenas casas em torno dos caminhos.

A quinta comunidade é a Vila de Curuba. Com uma população de aproximadamente 125 pessoas. Essa comunidade se deu o nome por causa do apelido do senhor Curuba( não sabemos o verdadeiro nome dele) um dois mais antigos moradores dessa localidade.

A sexta comunidade é chamada de Vila de Cajueira.

Outra comunidade importante e sétima comunidade é a Vila de Conceição do Guamá. Com uma população de 150 habitantes deu-se o nome de Conceição por causa da padroeira que é a Nossa Senhora da Conceição.

A oitava comunidade fundamental é Ariuba.

A nona comunidade é Porto das Pedras. Com uma população com mais ou menos 150 pessoas. Deu-se o nome Porto das Pedras, porque na beira do rio Guajará havia muitas pedras, por isso ficou o nome Porto das Pedras.


ECONOMIA

Introdução

A economia é um assunto que tem que ser mais estudado pelos políticos, que assumem o cargo mais altos de um país, pois está em jogo milhões de pessoas que não estão satisfeitas com os produtos que chegam com os preços altíssimos na mesa da população, sendo um salário mínimo de R$ 545,00 não dá para suprir algumas necessidades diárias de algumas famílias. E ainda existe aquela população que não tem trabalho assalariado, ou melhor, reside no interior dos municípios sobrevivendo apenas da agricultura, que muitas das vezes o dinheiro apurado não chega nem perto de um salário mínimo. Nesse assunto vamos falar de economia na comunidade e como são os trabalhos que alimentam essa economia na comunidade.



A ECONOMIA NA COMUNIDADE



A economia na minha comunidade e das comunidades vizinhas se preocupa em plantar, colher e transformar tudo aquilo que foi plantado e colhido em lucro para comprar, o principal que é o alimento, roupas, e investir o restante do dinheiro numa nova plantação talvez você ainda não entendesse, o que eu pretendo e, mas o objetivo explicar é que no próximo ano tenhamos retorno financeiro.

Quero falar com plantar e colher, essas duas fases da roça que são duas fases da roça que é um dos principais meios de sobrevivência e que movimenta na maioria das vezes a economia na comunidade.

A farinha é o principal produto que faz parte da economia de nossa localidade. Para que possamos produzir esse produto e necessário colher a mandioca.


Para começar esse processo de produção desse produto primeiro devemos fazer a roça, o período que devemos roçar é a partir do mês de junho ao mês de outubro, após terminar de roçar devemos esperar um tempo de 30 a 40 dias, queima-se a roça depois de queimada podemos plantar a maniva que entre 10 a 15 dias esta grelando após ter fito esse processo espera-se uns dois ou três meses para capinar pela 1ª vez que serve para que a maniva se desenvolva e cresça rapidamente, entre quatro ou cinco meses após ter capinado a 1ª vez que serve para o crescimento da mandioca. Depois de todo os processos que vimos, a roça é só esperarmos por mais seis meses, é já podemos colher a mandioca para produzir a farinha.

Para a farinha chegar ao consumidor é necessário que ela passe por vários processos.

Como ir arrancar a mandioca na roça, carregar e por de molho o tempo para a mandioca está boa, para se descascar é de 4 a 5 dias, nesse período a pessoa, já terá que ter arranjado a linha para torra a farinha.

Dentre esses 4 a 5 dias a pessoa descasca a mandioca, lava e carrega para o retiro (casa de farinha). Põe na masseira onde a mandioca será amassada e em seguida coloca no tipiti onde a massa será espremida para sair toda a água em seguida coloca-se a massa na peneira onde será coada a massa no forno, para se transformar na farinha e vai para o mercado.

Uma das vantagens na venda da farinha hoje, é que o marreteiro vem comprar a farinha na casa; isso facilita o transporte para os grandes centros consumidores.


O LADO POSITIVO E O NEGATIVO DA FARINHA


Positivo: É que ela nos produz rendas, que favorecem para manter mais nossas famílias e tirar nossos alimentos do dia-a-dia, os agricultores que tem os pedaços de terra que produzem farinha para suprir suas necessidades e sabemos que é um lado central de sobrevivência.

Pois não precisamos comprar a farinha que consumimos, nem se preocupar se foi bem feito ou não e sim preocupar se foi bem feito ou não e sim procurar produzir mais, para poder aumentar sua renda.

E o lado negativo:

É que para produzir a farinha precisa fazer roça, e com isso acaba agredindo o meio ambiente com desmatamento e queimadas.

Sem levar em conta é que em numeras das vezes as roças acabam morrendo elevando prejuízo para os produtores, e falta de segurança para os consumidores, sem contar com a baixa renda no mercado. Que eleva um espaço tão grande e pouco lucro.


MITOS E LENDAS



As lendas são histórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos, misturam fatos reais com acontecimentos que são frutos da fantasia. As lendas procuram dar explicação a acontecimentos misteriosos ou sobre naturais

Os mitos acompanham os homens desde os seus primórdios, eles são narrativas que possuem um forte componente simbólico, como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, através das explicações cientificas criavam mitos com este objetivo: dar sentido as coisas do mundo. Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimento e alertar as pessoas sobre perigo ou defeitos e qualidade do ser humano



A LENDA DO BOTO



Surgiu, provavelmente, na região amazônica. Esta figura folclórica é representada por um homem jovem, bonito e charmoso que seduz mulheres em bailes e festas. Após a conquista conduz as jovens a beira do rio e as engravida. Antes da madrugada, ele mergulha nas águas do rio para transforma-se num lindo boto.

A LENDA DA VISAGEM.



Um dia, um homem chamado Aurélio foi para uma vila chamada Vila de Santana, jogar bola com seus amigos, chegando lá eles começaram a jogar bola, foi começando anoitecer, o homem perdeu o ônibus eles ia para um lugar chamada Curuperé que era o local onde o homem morava .

Aurélio ficou sozinho em vila de Santana, ele foi procurar a casa dos pais dele que tinha se mudado a pouco tempo para a vila. Ele entrou na casa dos pais dele que moravam perto do cemitério. Umas pessoas disseram para ele que iam desligar o motor de luz ás 09h00min horas da noite, o rapaz foi dormir, ele pegou no sono e se espantou de repente, ele viu que tinha alguma coisa puxando o lençol dele, era uma visagem, ele embrulhou com dois lençóis, quando ele abriu os olhos a visagem já estava puxando o outro lençol dele e ele disse:

- Meu Deus e agora, eu estou sozinho aqui. Ai ele teve uma idéia de fingir que estava despertando do sono, para pegar a lanterna que estava embaixo da cama. Ele pegou a lanterna e focou para ver o que era, mas não conseguiu ver nada.

Ele disse - Eu não vou mais dormir aqui, essa visagem vai querer me matar.

A LENDA DA MATINTA PERERA

As informações são também nesse mito muitas controversas. Nunca surge como “assombrações” ou visagem que assusta as pessoas e pode até provoca-lhes a morte em outras, é uma mulher que vira passarinho assobiador.

Em muitos lugarejos a existência dessa bruxa cabocla que se transforma em gato, cachorro, bota, morcego, porca, pássaro é tida como inconteste e até encarada com normalidade e assobio da Matinta Pereira atestam todas que já ouviram “é coisa de outro mundo” arrepia até a alma a gente sente como se estivesse levantando do chão.



RELIGIOSIDADE E CULTURA


Na nossa cultura temos: jogos de futebol, festas de vários temas e encontros religiosos.

O ponto mais marcante cultual da nossa comunidade e o círio de Santa Maria que acontece no 2ª domingo do mês de setembro e atrai uma multidão de seguidores.


No cultivo das comunidades tem a produção de um pouco de tudo como: arroz, feijão, açaí, milho, pupunha, cupuaçu; porém o que gera a maior parte da renda é o cultivo da mandioca. Os agricultores sobrevivam da plantação da mesma.

A Festa do Divino é outro destaque na comunidade de Ponta de Terra (Igarapé – Açu), porém a comunidade começa a se organizar no início de junho, com o hasteamento do pau do santo (Mastro). A noite começa a novena que também terminam nove dias depois.

No domingo, a “Mesa dos Inocentes”, que é o dia em que é ofertado um jantar para as crianças, no caso 12, que os pais fizeram promessas para os mesmos pagarem com um jantar. O jantar é oferecido pelo festeiro. O “Jantar dos Inocentes” é uma tradição que segundo Dona Marluce da Costa Pena, vem desde o princípio do festejo. Nesse jantar, além de ser uma responsabilidade do festeiro, também tem a participação dos promesseiros, enquanto uns ajudam dando alimentos, outros lavam as mãos e enxugam.





É importante salientar que cada ano tem um festeiro diferente. O festeiro é escolhido no final da festa, através de um sorteio. Também são escolhidos por sorteio os noveneiros, os que vão ficar responsáveis pelas novenas. Cada dia um noveneiro fica incumbido de organizar a novena em sua casa.

Na festa tem o juiz do mastro e o juiz da festa, no caso o juiz da festa é o elemento mais importante do evento, já que é o festeiro. A responsabilidade do juiz do mastro é ir ao mato tirar mastro, enfeitar e no dia do hasteamento mandar rezar a novena. O mastro fica hasteado nove dias. O mastro será hasteado com a bandeira do santo.

MESA DOS INOCENTES

Segundo Dona Marluce Pena que juntamente com seu esposo Enrique, que já foi festeiro da festa oferecida por eles foi sua maior alegria, já que era um sonho do casal serem juízes da festa. Dona Marluce fala com os olhos brilhando de alegrias quanta trata do “Jantar dos Inocentes”, ela preparou tudo o que uma criança gosta: pudim, pastéis, coxinhas, sonhos, monteiros Lopes, doce de coco, suco de frutas naturais e muitas frutas. A festa é patrocinada pelo festeiro, porém o mesmo sai pedindo ofertas na comunidade, principalmente para o bingo. O dinheiro arrecadado é investido na despesa do santo.



Evangélica, adventista, quadrangular, porém a que tem mais adeptos é a igreja católica temos também varias vilas, Ananindeua, 15 de novembro, Santa Maria Cajueira, Carioca, Arituba, Catandeua,cada vila com seu diferencial na cultura.


SAÚDE E PREVENÇÃO DE DOENÇA


A dengue é uma doença grave que pode matar e é transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypite também infectado que se produz principalmente nas cidades criadoras artificiais.

Sintomas da dengue: os sintomas mais comuns são febre alta com dor de cabeça, dor atrás dos olhos, no corpo e nas juntas. Porém, há uma forma mais grave da doença, a dengue hemorrágica. Os sintomas. Nesse caso são dores abdominais fortes, vômito, sangramentos pelo nariz, boca e fezes.

Em todos os casos procure imediatamente uma unidade de saúde.



O QUE FAZER PARA COMBATER?



É aqui, professor, que você um papel fundamental junto com os seus alunos. O combate a dengue e feito de maneira simples. Basta colocar em pratica algumas atitudes simples como:

. Tampar caixa d água;

. Colocar área nos pratinhos das plantas;

. Limpar sempre a laje e calhas;

. Jogar todos os utensílios que passam acumular água, como potes, embalagens usadas, latas, copos ou garrafas vazias;

Colocar o lixo em sacas plásticas e manter a lixeira sempre fechada.


Muitas doenças são causadas por micróbios. Os micróbios podem penetrar em nosso corpo pela boca, pelo nariz pelos ouvidos e também por ferimentos na pele.

Algumas doenças podem passar de uma para outro pelo espirro, pela tosse, pelo beijo ou pelo uso de roupa e objeto do doente.

A gripe o sarampo, a catapora e a meningite são doenças contagiosas.

Alguns vermes também causam doenças à lombriga e a solitária pode penetrar em nosso corpo quando o seus ovos estão na água que bebemos ou nos alimentos que comemos.

Para evitar Doenças.

- Ter higiene com o corpo e em casa;

- Lavar os alimentos e os objetos antes de serem usados, vacinar e cuidar dos animais domésticos;

- Lavar e desinfetar ferimentos para que o micróbio não penetre pela pele;

- Ter uma boa alimentação;

-As vacinas nos protegem de certas doenças;

Desde pequenos tomamos vacina.

-BCG: contra tuberculose

-Sabin: contra poliomielite ou paralisia infantil

-Tríplice: contra difteria, tétano e coqueluche ou tosse comprido.

-Sarampo contra o sarampo.


MEDICINA POPULAR

A importância da medicina popular.

A medicina popular é muito importante para a nossa saúde porque quando não temos dinheiro para compra remédios da fármacia, são as plantas medicinais que agente usa para resolver o nosso problema de saúde.

Antigamente as pessoas só usaram as plantas medicinas porque não tinha condição para ir a uma unidade de saúde porque o transporte era precário se a pessoa sofresse algum acidente grave até que ela chegasse a um hospital já estava quase para não agüentar mais.

As plantas medicinais as pessoas podem fazer muitos chás como: o chá do mastruz serve para dor de barriga, o chá de folha da coramina e a folha da laranja servem para problema do coração.

O chá da casca da verônica serve para anemia, o chá da unha do gato serve para inflamação.

O chá da folha do boldo e a casca do alho servem para dor de vento.

São muitas e outras mais doenças que são tratadas com as plantas medicinas quando não podemos fazer exames para comprar remédios na farmácia.

HISTÓRIA DE VIDA

Em 1958, Dona Esperança Novais Machado e seu marido chegaram a Itaporanga. Dona Esperança morava na comunidade de Jutaí e seu marido na comunidade de Castanheiro. Quando vieram morar aqui, o dinheiro usado era o cruzeiro, a primeira fonte de renda econômica nessa época era a taberna, depois de oito ou 10 anos começaram a trabalhar na roça, pelo fracasso da taberna. Não havia outra Igreja, apenas a Católica, só depois de alguns anos, fundaram a Assembleia de Deus em Nova Canaã. Hoje em dia há duas religiões a Católica e a Evangélica em nossa comunidade. Não havia escola por perto, apenas em 1968 que construíram uma escola em Itaporanga, no Jutaí e em Bom Jardim. Dona Esperança mora nessa terra á 35 anos, e conta que, ao chegarem aqui havia e há vestígios dos escravos que habitavam aqui, como o piso da casa de barro que eles moravam, o tronco que eles eram surrados, uma pedra bem grande que possivelmente seria a casa grande, essa pedra foi usada para colocar no piso da Igreja Católica de Itaporanga. Existem também um igarapé e uma estrada feitos pelos escravos, à estrada foi feita na várzea com a piçarra tirada do igarapé que eles cavaram.

Além do engenho que tinha aqui em Itaporanga, havia também o da Fazenda Itapeuas, de Santana e o da Engenhoca, ambos eram próximas e relacionavam-se entre si. As terras e os escravos pertenciam a um espanhol que era muito cruel. Ele tinha uma esposa e uma filha de 09 anos de idade. Sua esposa morreu e após a morte dela ele internou sua filha junto com sua ama em um colégio em Belém, pegou as joias e o ouro da família e mandou alguns escravos enterrarem, após esses escravos terem enterrados as jóias e o ouro, o senhor deles os matou para que ninguém ficasse sabendo. Após ter feito isso foi embora para a Espanha e deixou as terras à venda. Dona Esperança com seu marido as comprou.


José Nadir Moraes Raiol, brasileiro, nascido no município de Bujaru, no dia 14 de novembro de 1950, começou no trabalho da lavoura aos 10 anos, aos 22 anos casou com D. Maria Suely, onde tiveram dez filhos; sendo hoje, nove adultos e uma de menor, adolescente de onze anos, estou aposentado, onde garanto parte de seus desejos e caprichos. Aos 28 anos estudou eletrônica e fez o curso básico de radio técnico, onde a função por um bom tempo. Trabalhou como professor no Movimento Brasileiro de Alfabetização trabalhou também como professor do ensino fundamental, na Escola de Ensino Fundamental “Vereador Abílio Marques”, com 72 alunos. Foi estagiário da Rádio Marajoara AM, em Belém, tendo certa experiência na área radiofônica. No momento, é dono da marca FAMA da melhor farinha de Bujaru.

Valdirene Martins Fonseca, tem 41 anos, é brasileira, casada a quinze anos, tem três filhos, sendo duas mulheres e um homem. Nasceu na cidade de Belém, mas foi criada na localidade de Guajará-Açu e aos treze anos de idade foi estudar em Belém, onde ficou durante nove anos, terminou o ensino fundamental e fez até o 2º ano de Patologia Clínica no Colégio “Visconde de Souza Franco”, retornou para sua comunidade de origem com vinte e um anos e quando foi convidada pelos moradores da mesma comunidade para ministrar aulas de pré-escolar até a 4ª série no ensino fundamental, depois de onze meses que estava trabalhando como professora no ano de 1992 recebeu convite para cursar o Projeto Gavião II, na cidade de Bujaru, tendo concluído em 1996, na área do magistério.

Passou seis anos sem estudar, só fazendo os cursos de Formação Continuada e em 2002 veio para Bujaru a Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA), fez o vestibular e passou no curso de Pedagogia e em 2009 iniciou o curso de Gestão Escolar e hoje é graduada em Pedagogia, Especialista em Gestão Escolar e no momento faz graduação em Geografia, pelo Parfor na Universidade Estadual do Pará (UEPA), em Belém. Já trabalha 19 anos EMF “São Benedito”, onde, inclusive foi fundadora da mesma. Desenvolveu o seu trabalho como prestadora de serviços, ou seja, contratada e em 2005 fez o concurso público, sendo efetiva do município de Bujaru, e seu sonho é ser



efetiva do estado, por isso está estudando. Quando o ensino d 5ª a 8ª série era municipalizado, ministrou as disciplinas de Espanhol, Artes, Religião, História, Matemática e Ciências na EMEF “Santa Maria” durante dois anos e também de 2005 a 2008 trabalhei como Coordenadora e Técnica Pedagógica.

Terezinha Silva de Oliveira tem 45 anos, é moradora da comunidade de Ariandeua, tem 12 filhos, em Ariandeua, local onde nasceu e sendo filha de trabalhadores que se dedicavam a lavoura. Estudou em casa até a 3ª série, já que naquele tempo era muito difícil. Com uma educação de formação familiar autoritária e rígida, era bastante obediente aos pais. Diferente de hoje em que os alunos têm facilidade de estudar, a sua vida não foi fácil. Naquele tempo, surgiu à comunidade, era um grupo de trabalho com 12 famílias. Eles se reuniam para organizar o trabalho e iniciaram, também a reza, organizar o culto dominical e novenas. Essa organização que é produtiva e significativa para a comunidade rendeu a construção da escola, que é uma conquista e fruto de toda comunidade.



Terezinha Martins Fonseca tem 69 anos, aposentada, mãe de três filhos e viúva. É residente da comunidade de Ariandeua, nasceu em Ponta de Terra, no município de Bujaru e dos treze irmãos, tem apenas dois vivos. Quem trabalhava era apenas o pai; enquanto a mãe carregava viga grande.

Neste momento era tudo farto, mas não tinha gás e energia. Mas a caça tinha bastante. O comerciante mais velho daquele tempo era o Sr. Abílio Marquês com aproximadamente oitenta anos, que morava na Vila de Santa Maria, já é falecido. Naquele momento, o dinheiro não valia quase nada, tudo funcionava em sistema de troca; ou seja, o que o agricultor plantava trocava por mercadorias que tinha necessidades, ou quase isso. As casas eram de barro. Mora 60 anos em Guajará-Açu. Naquele tempo não era comum jogar futebol, o que existia era festa. Umas das festas eram chamadas de Santa Maria, João Batista, Senhora das Graças, Santa Terezinha e entre outras.


Firmina Fonseca Raiol, conhecida como Kilo, tem 65 anos, nasceu em São Miguel do Guamá, veio com os pais morar em Ponta de Terra. Filha de lavradores se casou com 20 anos, moradora da comunidade de Ariandeua, tem uma filha e três netos. É casada com lavrador.


INFORMANTES:

José Nadir Moraes Raiol

Valdirene Martins Fonseca

Terezinha Silva de Oliveira

Terezinha Martins Fonseca

Firmina Fonseca Raiol

Esperança Novais Machado


Anexos: